Lucy me disse certo dia que preciso arranjar pessoas menos bregas. Sim, bregas - adjetivo usado por ela, talvez a mais romântica do grupo, para determinar o tipo de pessoa que eu, talvez a mais racional entre nós, costuma encontrar.
É fato que diminutivos, superlativos, palavras e frases de efeito que às vezes não dizem muita coisa e não expressam a realidade são a tônica de todo e qualquer relacionamento. Por isso, acho que me acostumei a não criticar mais. Se eu sou um extremo, me recusando ao máximo a chamar alguém de gatinho, gato, gatão, benzinho, mozão e afins, o resto do mundo pode fazer parte do outro pólo. E para o sul se relacionar com o norte, é só a gente entender as diferenças e brincar com elas.
Apesar de nenhuma das Jones ser um poço de doçuras (no sentido brega da coisa), há uma escala de meiguice entre as cinco, com a existência de algumas peculiaridades. A palavra "fofo", que começou com Lucy, hoje já é praticamente usada por todo grupo, mas cada uma no seu caso. Lucy diz que homens são fofos - isso, inclusive, já foi comentado por ela em algum texto. Mesma opinião tem Lina, que há tempos está sumida. Para Ariel, bebês são muito fofos. Já no meu caso, e onde talvez se inclua Lana, o adjetivo está mais ligado a cachorros ou a outros animais que andem em quatro patas em vez de duas.
Indo um pouco mais a fundo... a metade da minha laranja, a tampa da minha panela, minha vida, meu amor, o tijolinho que faltava na minha construção... tudo isso é clichê e, dependendo do seu humor no dia, ridículo. Entretanto, faz parte.
Uma professora de ginásio leu uma vez o texto "Todas as Cartas de Amor são Ridículas", de Álvaro de Campos. A tese é simples: todas as cartas de amor são ridículas. Se não fossem ridículas, não seriam cartas de amor. Ou seja, se você gosta da pessoa, até as coisas bregas podem virar bonitinhas. O problema é quando que essa mudança acontece.
Certo dia, depois de ouvir um "porque a gente se gosta" de alguém que mal tinha conhecido, fiquei pensando e - mais do que isso - perguntei se a pessoa realmente acreditava naquilo que estava dizendo ou se falava por falar mesmo. A resposta foi meio que uma mistura dos dois.
E daí, o que é pior: pecar por uma seriedade excessiva, esperando surgir o sentimento para depois expressá-lo e, assim, correr o risco de não se deixar envolver o suficiente, ou dizer coisas que você às vezes nem sente só porque acha que vale a pena apostar na relação e esperar que, com o tempo, tudo o que você está dizendo vire realidade?
Se eu ouvir 40 vezes a mesma música é bem possível que acabe gostando dela. Então, se uma pessoa falar mil vezes eu te amo, é provável que isso aconteça mesmo ou que, pelo menos, a gente acredite nisso. Porém, além da auto-afirmação, acredito que há outro elemento para essa chuva de elogios e frases bonitinhas que começam na adolescência e às vezes não terminam nunca: a vontade de agradar ao outro.
O que mais se ouve é que mulher gosta de homem romântico, apaixonado e que, por isso, ela costuma ser mais piegas. Uma cena clássica de começo de namoro (às vezes mesmo depois de um bom tempo de namoro) é a de Kate Hudson fazendo biquinho pra chamar o cara que ela mal acabou de conhecer de "my Benny Bear", em "Como perder um homem em 10 dias".
Segundo a lógica do filme, homens detestam esse excesso de doçuras, mas o que acontece na prática não é bem assim. Talvez por realmente acreditar que as mulheres gostam e precisam disso, os homens cada vez mais se acostumaram a usar essa melosidade em demasia para explicitar seus sentimentos. E nessa bola de neve, mulheres que não são tão adeptas a essa chuva de glicose acabam se acostumando com o tratamento e homens que não eram tão... açucarados acabam virando os próprios bonequinhos de glacê de Natal.
E, apesar desse texto parecer uma crítica ferrenha, confesso que não é tanto. Quando era mais nova, meu estômago já revirou várias e várias vezes toda vez que o moço em questão fazia biquinho ou voz de bebê pra falar comigo. Mas não tem jeito, há leis da natureza com as quais não podemos lutar. Com o passar dos dias, a bolacha fora do pacote vai ficar mais murcha e a gente, menos crítica.
Um exemplo é o 'querido' - também incorporado de dona Lucy Jones e contra o qual sempre lutei -, que deixou de ser irônico para virar sincero e já nem soa mais tão engraçado. Pessoas queridas são queridos e ponto. Nada de errado nisso. Afinal, vale lembrar que açúcar sozinho enjoa, mas é imprescindível pra se fazer um bom chocolate.
Garotas empolgadas, em algum lugar, naquela balada, numa mesa de bar, em alguma sala de cinema, em uma viagem ou simplesmente na casa de alguém. Afinal, elas são AS JONES!
Tuesday, June 24, 2008
Wednesday, June 04, 2008
O Mr. Big de cada uma
Para muitas mulheres, ele era o cara. O genro que mamãe pediu a Deus. Culto, inteligente, divertido, bom caráter, maduro, bom de papo, enfim, uma ótima companhia.
Pra mim, pra você... infelizmente ele não era o cara pra ela. E ela sabia disso desde o começo, desde a primeira olhada. Sem estalos, sem suspiros, sem sonhos ... Os pensamentos em comum tornaram a convivência uma amizade. E de um beijo roubado, mas beeeem consentido, a amizade evoluiu.
Se não era pra dar certo? Se era pra dar? Nem os dois sabiam dizer. Já estavam há alguns meses juntos como amigos, amantes, companheiros e confidentes. Os sentimentos existiam, ou melhor, bravamente persistiam, resistiam, porque eram abafados por ambos os lados.
E tudo estaria comodamente perfeito se ela não se desse tanto ao direito de sonhar. De querer ao menos se deixar apaixonar e viver uma história, mesmo que não tivesse final feliz.
Ela decidiu quebrar a cômoda harmonia e falar. Discussão de relacionamento não foi, porque aquilo não era uma discussão, tampouco de um relacionamento. Mas se não era, nunca será. Ele entendeu e respeitou os sonhos de menina dela, mas já não estavam na mesma sintonia. Ele não queria se deixar envolver, nem criar raízes.
A decisão era de que a amizade era forte e verdadeira demais para se deixar de lado. De certa forma, um precisava do companheirismo do outro. Eles apagaram a porção amante e agora tentam tocar a vida. Como amigos...
Será que a amizade sobreviverá?
XOXO
Pra mim, pra você... infelizmente ele não era o cara pra ela. E ela sabia disso desde o começo, desde a primeira olhada. Sem estalos, sem suspiros, sem sonhos ... Os pensamentos em comum tornaram a convivência uma amizade. E de um beijo roubado, mas beeeem consentido, a amizade evoluiu.
Se não era pra dar certo? Se era pra dar? Nem os dois sabiam dizer. Já estavam há alguns meses juntos como amigos, amantes, companheiros e confidentes. Os sentimentos existiam, ou melhor, bravamente persistiam, resistiam, porque eram abafados por ambos os lados.
E tudo estaria comodamente perfeito se ela não se desse tanto ao direito de sonhar. De querer ao menos se deixar apaixonar e viver uma história, mesmo que não tivesse final feliz.
Ela decidiu quebrar a cômoda harmonia e falar. Discussão de relacionamento não foi, porque aquilo não era uma discussão, tampouco de um relacionamento. Mas se não era, nunca será. Ele entendeu e respeitou os sonhos de menina dela, mas já não estavam na mesma sintonia. Ele não queria se deixar envolver, nem criar raízes.
A decisão era de que a amizade era forte e verdadeira demais para se deixar de lado. De certa forma, um precisava do companheirismo do outro. Eles apagaram a porção amante e agora tentam tocar a vida. Como amigos...
Será que a amizade sobreviverá?
XOXO
Monday, May 12, 2008
25 anos
É muito provável que nunca tenhamos nada. Nada a mais do que tivemos até hoje. E o que seria isso? Alguns sorrisos, uma brincadeira, pernas e braços um pouco mais encostados do que precisariam.
É bem provável que os dois já tenham cogitado várias vezes passar um pouco disso, mas nunca aconteceu. "Você não dá mole nem pra quem deveria", me disse recentemente uma amiga. Verdade.
Nas vezes em que parecia que algo a mais pudesse acontecer, apareceu uma outra menina, um outro cara, alguém mais rápido e com menos a perder do que uma convivência amistosa. E a gente cede.
O álcool, da mesma forma que deixa mais solto, também contribui para tirar (a mim, principalmente) de circulação. No dia seguinte vem, além da dor de cabeça, aquele peso enorme na consciência. Ressaca moral, diria um amigo.
Lucy, provavelmente, ao chegar nessa parte do texto, deve estar pensando "amiga, tá bem? quem costuma surtar assim sou eu". Mas meus surtos são diferentes. Não são profundos, não falam de amor, não falam de paixão, mas, sim, de um medo imenso de decepcionar os outros. Medo de trazer qualquer coisa de ruim a pessoas tão queridas, de quebrar esse sentimento belo, a amizade e o carinho que tenho por tanta gente, de que gosto tanto.
Essa semana fechei minhas comemorações de aniversário. Sítio com as garotas, almoço com amigos, jantar com meus pais, festa com mais amigos e almoço em família (que também serviu para o dia das mães). Ficar mais velha é uma ótima desculpa para estar com quem a gente gosta e que gosta da gente.
Na hora de publicar algumas fotos, principalmente as de sexta, me deu um branco. Não sabia que legenda colocar. Por maior que fosse a criatividade, as frases pareceriam clichês, impossível de dizer mais do que eles sorrisos enormes, rostos queridos. Mas, agora, conversando com Lucy, me vieram alguns momentos que precisam ser relembrados.
- não deixe para fazer compras numa 5a-feira de feriado. Parece que ninguém tem mais nada pra fazer na vida do que ir ao supermercado
- ao comprar licor pra fazer drinks, esqueça os de morango. Se não tiver de melão ou laranja, melhor ficar só nas caipirinhas
- se for passar o feriado com três loiras, faz mais sentido pegar o menor dos quebra-cabeças
- por mais frio que faça, tenha sempre um biquini na mala
- às vezes, é melhor não perguntar o motivo das coisas. Ajuda na surpresa e não estimula sua amiga a contar mentiras
- boteco, bolo pulmann e meia dúzia de amigos são mais do que o suficiente prum festão
- família é família... fundamental
- o problema de pegar um balde de cerveja é que você tem que tomá-lo
- proseco não combina com cerveja, ainda mais com 9 cervejas e dois chopps
- Jones e amigas não precisam de funk pra descer até o chão, por mais que às vezes fosse melhor não fazê-lo
- se a platéia é animada, a banda pode estar dormindo que a gente nem liga
- bêbados são facilmente influenciáveis e com o tempo até assumem que estão realmente bêbados
- a festa foi boa de verdade quando a gente se liga que se divertiu com várias pessoas que você nem ao menos sabe o nome e poderiam ser identificadas somente como "amigo ou amiga do ciclano"
- bolo não serve só pra comer, mas... quando for escolher um pra jogar na coleguinha, pegue o sem marshmellow, por favor
- melhor do que levar uma máquina fotográfica é entregá-la às pessoas certas
- alguns amigos são tão amigos que te incentivam a ficar longe deles só porque querem o melhor pra você
- outros são tão amigos que continuam contigo mesmo quando nem você mais sabe que está com você mesma
É bem provável que os dois já tenham cogitado várias vezes passar um pouco disso, mas nunca aconteceu. "Você não dá mole nem pra quem deveria", me disse recentemente uma amiga. Verdade.
Nas vezes em que parecia que algo a mais pudesse acontecer, apareceu uma outra menina, um outro cara, alguém mais rápido e com menos a perder do que uma convivência amistosa. E a gente cede.
O álcool, da mesma forma que deixa mais solto, também contribui para tirar (a mim, principalmente) de circulação. No dia seguinte vem, além da dor de cabeça, aquele peso enorme na consciência. Ressaca moral, diria um amigo.
Lucy, provavelmente, ao chegar nessa parte do texto, deve estar pensando "amiga, tá bem? quem costuma surtar assim sou eu". Mas meus surtos são diferentes. Não são profundos, não falam de amor, não falam de paixão, mas, sim, de um medo imenso de decepcionar os outros. Medo de trazer qualquer coisa de ruim a pessoas tão queridas, de quebrar esse sentimento belo, a amizade e o carinho que tenho por tanta gente, de que gosto tanto.
Essa semana fechei minhas comemorações de aniversário. Sítio com as garotas, almoço com amigos, jantar com meus pais, festa com mais amigos e almoço em família (que também serviu para o dia das mães). Ficar mais velha é uma ótima desculpa para estar com quem a gente gosta e que gosta da gente.
Na hora de publicar algumas fotos, principalmente as de sexta, me deu um branco. Não sabia que legenda colocar. Por maior que fosse a criatividade, as frases pareceriam clichês, impossível de dizer mais do que eles sorrisos enormes, rostos queridos. Mas, agora, conversando com Lucy, me vieram alguns momentos que precisam ser relembrados.
- não deixe para fazer compras numa 5a-feira de feriado. Parece que ninguém tem mais nada pra fazer na vida do que ir ao supermercado
- ao comprar licor pra fazer drinks, esqueça os de morango. Se não tiver de melão ou laranja, melhor ficar só nas caipirinhas
- se for passar o feriado com três loiras, faz mais sentido pegar o menor dos quebra-cabeças
- por mais frio que faça, tenha sempre um biquini na mala
- às vezes, é melhor não perguntar o motivo das coisas. Ajuda na surpresa e não estimula sua amiga a contar mentiras
- boteco, bolo pulmann e meia dúzia de amigos são mais do que o suficiente prum festão
- família é família... fundamental
- o problema de pegar um balde de cerveja é que você tem que tomá-lo
- proseco não combina com cerveja, ainda mais com 9 cervejas e dois chopps
- Jones e amigas não precisam de funk pra descer até o chão, por mais que às vezes fosse melhor não fazê-lo
- se a platéia é animada, a banda pode estar dormindo que a gente nem liga
- bêbados são facilmente influenciáveis e com o tempo até assumem que estão realmente bêbados
- a festa foi boa de verdade quando a gente se liga que se divertiu com várias pessoas que você nem ao menos sabe o nome e poderiam ser identificadas somente como "amigo ou amiga do ciclano"
- bolo não serve só pra comer, mas... quando for escolher um pra jogar na coleguinha, pegue o sem marshmellow, por favor
- melhor do que levar uma máquina fotográfica é entregá-la às pessoas certas
- alguns amigos são tão amigos que te incentivam a ficar longe deles só porque querem o melhor pra você
- outros são tão amigos que continuam contigo mesmo quando nem você mais sabe que está com você mesma
Tuesday, April 01, 2008
Do you trust me?
Uma das qualidades mais importantes nas pessoas é a confiança. Se Jasmine não acreditasse em Aladin, eles nunca teriam dado aquele passeio fantástico de tapete pela noite de Bagdá. Se você não confia na pessoa com quem está, não se entrega, o relacionamento não é metade do que poderia ser. Mas é complicado se abrir, se entregar, ser sincero consigo mesmo e com os outros.
Inconscientemente já nos enganamos. A gente não tem tempo para parar e pensar nas decisões diárias. E nessas, você não sabe mais o que é verdade e o que você gostaria que fosse. Toma decisões baseadas no que acredita ser verdade e tudo vira uma bola de neve. De repente, vem aquele sentimento de vazio. O que eu estou fazendo com a minha vida é uma questão constante. Do que eu gosto de verdade, do que eu me acostumei a gostar ou do que eu nem gosto mais e ainda não percebi? Crises de identidade são mais normais do que deveriam.
Segundo alguns, elas acontecem porque as pessoas mentem tanto que acabam acreditando na mentira. Eu vou além. Acho que acreditar na mentira é uma necessidade. Se você a todo momento se lembrar que está mentindo, como conseguir viver? Como vai conseguir olhar no rosto das pessoas, se olhar no espelho? Por isso, às vezes é melhor acreditar na própria mentira. Assim não tem que enfrentar as conseqüências nem mesmo sua consciência.
Mas, como sempre, existe o outro lado. O meu problema é que mentir, omitir, dá muito trabalho. É preciso pensar antes de falar, lembrar da versão inventada, não cometer erros. Por isso, acho que o melhor é evitar a fadiga e a sujeira na aura e contar tudo de uma vez. O estresse é maior, mas não dura pra sempre.
Além do que, esse joguinho de meias-verdades é cansativo pros dois. Pro que mente e pro que escuta, que tem que ficar preocupado, tentando tirar a verdade o tempo todo.
Isso costuma acontecer de vez em quando, no dia-a-dia, mas é mil vezes acentuado em uma determinada época do ano. Inventada na França não sei em que século para pegar os que se atrapalhavam com a mudança de calendário (o ano novo deixou de ser comemorado na última semana de março para ficar como é hoje), a tradição do primeiro de abril consiste em contar mentiras para os amigos.
"Terminei o meu namoro", "voltei com meu ex", "seu pai sofreu um acidente", "vou te dar um cachorro de presente". Ah, quantas vezes eu já caí - e ainda caio - nessas brincadeiras no mínimo bobas (se bem que, pelo menos são bobas. Se me chamassem pruma festa de réveillon que não existe eu ia ficar muito, mas muito frustada).
Depois, fico na dúvida... é melhor acreditar de cara, mesmo correndo o risco de ouvir um irritante "pri-mei-ro-de-a-briiiil", ou me cansar fazendo todas as perguntas possíveis e imagináveis até ter certeza que é não verdade? Pra completar, sempre tem aqueles sem graça que resolvem fazer anúncios (verdadeiros) justo no dia da mentira, com o único intuito de tumultuar ainda mais a vida das pessoas.
Tanto desperdício de energia! É tão bom poder conversar com os outros, acreditando neles, sem a presença de um diabinho atrás da orelha lembrando o tempo todo o calendário...
Ano que vem acho que tomo um remédio e passo o primeiro de abril inteiro dormindo. Se bem que, eu, 24 horas dormindo, nem que não fosse dia da mentira alguém ia acreditar.
Inconscientemente já nos enganamos. A gente não tem tempo para parar e pensar nas decisões diárias. E nessas, você não sabe mais o que é verdade e o que você gostaria que fosse. Toma decisões baseadas no que acredita ser verdade e tudo vira uma bola de neve. De repente, vem aquele sentimento de vazio. O que eu estou fazendo com a minha vida é uma questão constante. Do que eu gosto de verdade, do que eu me acostumei a gostar ou do que eu nem gosto mais e ainda não percebi? Crises de identidade são mais normais do que deveriam.
Segundo alguns, elas acontecem porque as pessoas mentem tanto que acabam acreditando na mentira. Eu vou além. Acho que acreditar na mentira é uma necessidade. Se você a todo momento se lembrar que está mentindo, como conseguir viver? Como vai conseguir olhar no rosto das pessoas, se olhar no espelho? Por isso, às vezes é melhor acreditar na própria mentira. Assim não tem que enfrentar as conseqüências nem mesmo sua consciência.
Mas, como sempre, existe o outro lado. O meu problema é que mentir, omitir, dá muito trabalho. É preciso pensar antes de falar, lembrar da versão inventada, não cometer erros. Por isso, acho que o melhor é evitar a fadiga e a sujeira na aura e contar tudo de uma vez. O estresse é maior, mas não dura pra sempre.
Além do que, esse joguinho de meias-verdades é cansativo pros dois. Pro que mente e pro que escuta, que tem que ficar preocupado, tentando tirar a verdade o tempo todo.
Isso costuma acontecer de vez em quando, no dia-a-dia, mas é mil vezes acentuado em uma determinada época do ano. Inventada na França não sei em que século para pegar os que se atrapalhavam com a mudança de calendário (o ano novo deixou de ser comemorado na última semana de março para ficar como é hoje), a tradição do primeiro de abril consiste em contar mentiras para os amigos.
"Terminei o meu namoro", "voltei com meu ex", "seu pai sofreu um acidente", "vou te dar um cachorro de presente". Ah, quantas vezes eu já caí - e ainda caio - nessas brincadeiras no mínimo bobas (se bem que, pelo menos são bobas. Se me chamassem pruma festa de réveillon que não existe eu ia ficar muito, mas muito frustada).
Depois, fico na dúvida... é melhor acreditar de cara, mesmo correndo o risco de ouvir um irritante "pri-mei-ro-de-a-briiiil", ou me cansar fazendo todas as perguntas possíveis e imagináveis até ter certeza que é não verdade? Pra completar, sempre tem aqueles sem graça que resolvem fazer anúncios (verdadeiros) justo no dia da mentira, com o único intuito de tumultuar ainda mais a vida das pessoas.
Tanto desperdício de energia! É tão bom poder conversar com os outros, acreditando neles, sem a presença de um diabinho atrás da orelha lembrando o tempo todo o calendário...
Ano que vem acho que tomo um remédio e passo o primeiro de abril inteiro dormindo. Se bem que, eu, 24 horas dormindo, nem que não fosse dia da mentira alguém ia acreditar.
Tuesday, March 18, 2008
Abstinência
Substantivo feminino
1 - ato de abster-se, de privar-se do uso de alguma coisa
2 - privação de certos alimentos e bebidas em cumprimento de preceitos religiosos ou outros
3 - privação voluntária de prazeres e/ou bens materiais em busca do aprimoramento moral ou espiritual
4 - privação voluntária dos desejos sexuais, por exigências morais, espirituais ou religiosas
5 - privação, voluntária ou não, de substâncias tais como álcool, heroína ou qualquer outra droga de que se é dependente
Seja qual for o motivo ou as substâncias envolvidos, a abstinência é sempre um comportamento difícil.
Para se chegar ao ponto de prometer ficar um tempo sem determinada coisa é porque ela está nos fazendo tão mal (ou até mais) quanto está fazendo bem. Se fosse algo só ruim, ninguém precisaria se forçar a ficar sem. Eu posso ficar dois anos sem comer melancia que nem vou perceber (na verdade, acho que estou há dois anos sem comer melancia).
Ao contrário, vai me dizer que eu tenho que ficar uma semana sem comer chocolate, sair pra balada ou usar o msn, gtalk ou email no trabalho? Ô, dificuldade. Então, se a gente toma uma decisão dessas, é porque precisa. Promessas podem ser feitas para pedir, para agradecer ou simplesmente para o nosso próprio bem. Esse último é o caso de quando prometemos a nós mesmas que não vamos mais ligar pro ex, que não vamos comer besteira ou que não vamos beber. O meu recente caso de abstinência foi desse último tipo aí.
A história toda começou com um desafio pra mim mesma. Ressacas contínuas, engovs... passei mal duas vezes em uma semana. Não só por bebida, mas também por comida. Mas em todo caso, resolvi ficar até o carnaval sem beber. Até o carnaval? Não... tem feriado uma semana antes. Então ficaria até dia 25 de janeiro. "Dez dias só, lógico que eu consigo". Depois do quarto copo de cerveja lembrei que estava há três dias sem beber. "É... eu não consigo". E já que não consegui uma semana, ia ficar um mês. Aceitei o desafio, agora de um amigo, e fiquei exatamente 30 dias sem beber, contados a partir da quarta-feira de cinzas.
E pra brincadeira ficar só um pouco mais divertida, nesse meio tempo, o que mais houve foi gente atiçando. As pessoas davam risada ao ouvir que estava "há três dias e meio" sem beber. Mais ou menos como aqueles diabinhos de desenho, amigos que nunca me trouxeram uma cerveja na vida a todo momento chegavam com uma latinha na mão. Os que não bebiam, passaram a beber. E o que eu mais ouvia era "ah, pra que toda essa besteira, você não vai conseguir mesmo, melhor acabar com isso de uma vez".
De todos os amigos, o máximo de incentivo que recebi foi um "eu acho que você vai conseguir, mas porque acredito que a gente é capaz de conseguir qualquer coisa. A questão é que você não vai ganhar nada com isso. Ao contrário, só vai perder".
Assim como os que param de fumar e passam a sentir melhor os cheiros e sabores, mesmo com essas poucas semanas eu consegui ver a diferença. Por exemplo...
Em toda a minha vida, eu nunca fui tão chata quanto nesses 30 dias. Nem eu me agüentava. Fiquei ansiosa, estressada. E olha que arranjei várias formas de liberar endorfina. Comi chocolate, vivia na academia ou nos treinos de rugby, tomei sol.
Os refrigerantes perderam toda a graça, assim como os sucos. Tudo é muito doce. Por isso, passei a tomar coisas light, que antes não suportava, mas que pelo menos têm um fundinho de amargo. Mas mesmo eles são gasosos, não têm espuma, não são amarelos - é... Guaraná é, mas esse não conta.
O fato é que cerveja me faz relaxar. Eu nunca tinha reparado nisso até Lucy dizer no meio de uma conversa qualquer que não sei quem parecia comigo quando tomava uma cerveja, meio que apertava o botão de desliga. Ficava quietinha, sentadinha. E não tem coisa melhor do que passar o dia sentada, conversando, tranqüila, dando muita risada ao redor de um monte de amigos.
Na falta da loira - a bebida, não a amiga -, muito chocolate, o que dá uma sensação boa, mas me deixa ainda mais elétrica e engorda. Aliás, cerveja dá barriga, ok... mas muito mais fácil se livrar dela do que da celulite causada pelo refrigerante.
Os exercícios também não foram os mesmos. Depois de um tempo, percebi que o álcool interfere diretamente na resistência. Conseguia fazer muito mais coisas sem me cansar - e isso não é necessariamente bom. Por mais que meus músculos estejam cansados, eu ainda não. A perna - que eu achava que não tinha mais pra onde crescer - cresce, o braço cresce... não é à toa que esse monte de gente bombada não bebe. Fica ansioso e depois se mata na academia. Ah, se eles soubessem como ficam feios. Vai pro bar que é bem mais legal.
O pior de tudo é que nesse meio tempo não deixei de sair um final de semana. Daí, o melhor é água. Uma, duas. Mais do que isso o estômago não suporta. Cerveja é absorvida mais rápido, é ótima pra hidratar, cabe um monte, além do gosto ser inigualável. A garrinha long neck é perfeita pra segurar. A latinha tem todo o ritual de amassar e o copo de caipirinha tem canudinho pra ajudar a comer as frutas depois! Sem isso, a mão parece que perdeu sua função, o corpo todo perde o equilíbrio.
Essa foi a impressão dos primeiros dias. Depois, até que acostumei e à meia-noite e meia do dia 8 de março, tomei minha primeira cerveja depois de 30 dias. Meio gripada, mal senti o gosto, mas era um marco. No dia seguinte, começou meu curso de bartender, que incluiu uma degustação de destilados e compostos. Nem percebi a coincidência de datas quando marquei o curso. Parece que certas coisas estão predestinadas.
No final, não sei se concordo com aquele meu amigo, de que só perdi ficando um mês sem beber. No primeiro final de semana, a cerveja que marcou minha volta à bebida foi a única que tomei. Nos dias seguintes, nem uma balada open bar aproveitei em quantidade suficiente. Já no final de semana, fiquei bebinha e sóbria três vezes em menos de 24 horas. No fim, acho que a abstinência valeu pela análise. Percebi que não preciso da bebida. Estou com ela porque quero e só nos momentos em que quero. E, como tudo nessa vida, é bom lembrar que se pode cortar quando começa a nos fazer mal.
1 - ato de abster-se, de privar-se do uso de alguma coisa
2 - privação de certos alimentos e bebidas em cumprimento de preceitos religiosos ou outros
3 - privação voluntária de prazeres e/ou bens materiais em busca do aprimoramento moral ou espiritual
4 - privação voluntária dos desejos sexuais, por exigências morais, espirituais ou religiosas
5 - privação, voluntária ou não, de substâncias tais como álcool, heroína ou qualquer outra droga de que se é dependente
Seja qual for o motivo ou as substâncias envolvidos, a abstinência é sempre um comportamento difícil.
Para se chegar ao ponto de prometer ficar um tempo sem determinada coisa é porque ela está nos fazendo tão mal (ou até mais) quanto está fazendo bem. Se fosse algo só ruim, ninguém precisaria se forçar a ficar sem. Eu posso ficar dois anos sem comer melancia que nem vou perceber (na verdade, acho que estou há dois anos sem comer melancia).
Ao contrário, vai me dizer que eu tenho que ficar uma semana sem comer chocolate, sair pra balada ou usar o msn, gtalk ou email no trabalho? Ô, dificuldade. Então, se a gente toma uma decisão dessas, é porque precisa. Promessas podem ser feitas para pedir, para agradecer ou simplesmente para o nosso próprio bem. Esse último é o caso de quando prometemos a nós mesmas que não vamos mais ligar pro ex, que não vamos comer besteira ou que não vamos beber. O meu recente caso de abstinência foi desse último tipo aí.
A história toda começou com um desafio pra mim mesma. Ressacas contínuas, engovs... passei mal duas vezes em uma semana. Não só por bebida, mas também por comida. Mas em todo caso, resolvi ficar até o carnaval sem beber. Até o carnaval? Não... tem feriado uma semana antes. Então ficaria até dia 25 de janeiro. "Dez dias só, lógico que eu consigo". Depois do quarto copo de cerveja lembrei que estava há três dias sem beber. "É... eu não consigo". E já que não consegui uma semana, ia ficar um mês. Aceitei o desafio, agora de um amigo, e fiquei exatamente 30 dias sem beber, contados a partir da quarta-feira de cinzas.
E pra brincadeira ficar só um pouco mais divertida, nesse meio tempo, o que mais houve foi gente atiçando. As pessoas davam risada ao ouvir que estava "há três dias e meio" sem beber. Mais ou menos como aqueles diabinhos de desenho, amigos que nunca me trouxeram uma cerveja na vida a todo momento chegavam com uma latinha na mão. Os que não bebiam, passaram a beber. E o que eu mais ouvia era "ah, pra que toda essa besteira, você não vai conseguir mesmo, melhor acabar com isso de uma vez".
De todos os amigos, o máximo de incentivo que recebi foi um "eu acho que você vai conseguir, mas porque acredito que a gente é capaz de conseguir qualquer coisa. A questão é que você não vai ganhar nada com isso. Ao contrário, só vai perder".
Assim como os que param de fumar e passam a sentir melhor os cheiros e sabores, mesmo com essas poucas semanas eu consegui ver a diferença. Por exemplo...
Em toda a minha vida, eu nunca fui tão chata quanto nesses 30 dias. Nem eu me agüentava. Fiquei ansiosa, estressada. E olha que arranjei várias formas de liberar endorfina. Comi chocolate, vivia na academia ou nos treinos de rugby, tomei sol.
Os refrigerantes perderam toda a graça, assim como os sucos. Tudo é muito doce. Por isso, passei a tomar coisas light, que antes não suportava, mas que pelo menos têm um fundinho de amargo. Mas mesmo eles são gasosos, não têm espuma, não são amarelos - é... Guaraná é, mas esse não conta.
O fato é que cerveja me faz relaxar. Eu nunca tinha reparado nisso até Lucy dizer no meio de uma conversa qualquer que não sei quem parecia comigo quando tomava uma cerveja, meio que apertava o botão de desliga. Ficava quietinha, sentadinha. E não tem coisa melhor do que passar o dia sentada, conversando, tranqüila, dando muita risada ao redor de um monte de amigos.
Na falta da loira - a bebida, não a amiga -, muito chocolate, o que dá uma sensação boa, mas me deixa ainda mais elétrica e engorda. Aliás, cerveja dá barriga, ok... mas muito mais fácil se livrar dela do que da celulite causada pelo refrigerante.
Os exercícios também não foram os mesmos. Depois de um tempo, percebi que o álcool interfere diretamente na resistência. Conseguia fazer muito mais coisas sem me cansar - e isso não é necessariamente bom. Por mais que meus músculos estejam cansados, eu ainda não. A perna - que eu achava que não tinha mais pra onde crescer - cresce, o braço cresce... não é à toa que esse monte de gente bombada não bebe. Fica ansioso e depois se mata na academia. Ah, se eles soubessem como ficam feios. Vai pro bar que é bem mais legal.
O pior de tudo é que nesse meio tempo não deixei de sair um final de semana. Daí, o melhor é água. Uma, duas. Mais do que isso o estômago não suporta. Cerveja é absorvida mais rápido, é ótima pra hidratar, cabe um monte, além do gosto ser inigualável. A garrinha long neck é perfeita pra segurar. A latinha tem todo o ritual de amassar e o copo de caipirinha tem canudinho pra ajudar a comer as frutas depois! Sem isso, a mão parece que perdeu sua função, o corpo todo perde o equilíbrio.
Essa foi a impressão dos primeiros dias. Depois, até que acostumei e à meia-noite e meia do dia 8 de março, tomei minha primeira cerveja depois de 30 dias. Meio gripada, mal senti o gosto, mas era um marco. No dia seguinte, começou meu curso de bartender, que incluiu uma degustação de destilados e compostos. Nem percebi a coincidência de datas quando marquei o curso. Parece que certas coisas estão predestinadas.
No final, não sei se concordo com aquele meu amigo, de que só perdi ficando um mês sem beber. No primeiro final de semana, a cerveja que marcou minha volta à bebida foi a única que tomei. Nos dias seguintes, nem uma balada open bar aproveitei em quantidade suficiente. Já no final de semana, fiquei bebinha e sóbria três vezes em menos de 24 horas. No fim, acho que a abstinência valeu pela análise. Percebi que não preciso da bebida. Estou com ela porque quero e só nos momentos em que quero. E, como tudo nessa vida, é bom lembrar que se pode cortar quando começa a nos fazer mal.
Tuesday, February 26, 2008
Um desafio à lady
O princípio da lei de Murphy diz que se alguma coisa tiver qualquer chance de dar errado, ela vai dar errado. E ela é tão implacável que alguns engraçadinhos passaram a chamá-la de Lady Murphy, pra comparar com o possível sadismo das mulheres. Jogos sexistas à parte, é fato que a lei de murphy está irremediavelmente ligada a uma palavra do gênero feminimo: ironia.
Ironia não é sarcasmo. Sarcasmo, segundo o dicionário, é uma ironia melhorada, grosseira, na verdade. Em um aspecto muito pequeno, você tira sarro da pessoa para mostrar o quanto a idéia apresentada não é boa, por exemplo. A ironia, por sua vez, tem um sentido muito mais amplo de oposição, como dizer alguma coisa com a intenção de fazer outra ou planejar algo que depois terá tido um final totalmente diferente - a base para a lei de murphy.
É por causa dessa tal lei que só tem chovido nos dias em que há treino e normalmente no final do dia, porque como já choveu no domingo inteiro, tem que fazer aqueeele sol na segunda-feira.
Também por isso que a gente esquece o guarda-chuva justo nesses dias, por isso que quanto mais atrasada a gente está, mais tem trânsito na cidade, e parece que quanto mais a gente amaldiçoa isso, pior fica. Para tudo isso poderíamos dizer: "irônico. não?"
Apesar do meu recente - e espero eu, temporário - mau humor, confesso que sou daquelas chatas que conseguem ver lado positivo em tudo. Ontem, por exemplo, havia treino e era meu rodízio. Peguei o do meu irmão emprestado. Sem nada de gasolina. E eu já estava muito atrasada, como aliás, em toda segunda-feira. Na verdade, dava pra chegar no trabalho, mas não pra ir até o treino. Tinha duas opções: ir correndo pro trabalho e colocar gasolina saindo do trabalho ou ou passar no posto agora e ficar ainda mais atrasada.
Segundo a tal de de Murphy, se fosse direto pro trabalho, não ia conseguir sair na hora e ia chegar mais tarde ainda no treino. Já se fosse pro posto antes, ia ter algum problema no trabalho quando eu chegasse e no fim eu ia conseguir ir embora a hora que quisesse, só pra ficar com raiva, já que eu não teria precisado tomar a bronca de mais cedo.
Analisando as duas hipóteses, me deu um estalo que achei fantástico. Resolvi que ia jogar com Murphy a meu favor. Se eu passasse no posto antes ia chegar mais tarde e sair mais cedo... então, por que a dúvida? Trabalharia menos e ainda ia pro treino na hora. Bronca, todo mundo leva. Achei tudo aquilo lindo. A tal lady era bem possível que existisse mesmo e não era uma mulher perversa, mas simplesmente incompreendida. Quem soubesse argumentar com ela, como eu sabia, só iria se dar bem.
Fui pro posto, com calma. Ao chegar no trabalho, nenhuma bomba nem bronca. O único post que precisaria publicar estava pronto e eu, felicíssima por ter conseguido jogar com a lei a meu favor. Fui almoçar tarde porque tinha chegado tarde e, portanto, sem fome. Até então, tudo perfeito, minha teoria se comprovava. A lei elevada à lei dá um resultado bom pra mim.
Porém, ao chegar do almoço, meu chefe já estava lá havia algum tempo. Ele não viu que horas saí e portanto podia pensar que estava a não sei quantas horas na rua. Às 18h, pouco mais de duas horas depois de eu ter voltado do almoço, descubro que minha cachorra passou mal. Fiquei na dúvida se ia ao treino ou se passava em casa, via como ela está e aproveitava pra ir na aula de dança. Às 20h (horário que começava o treino), meu chefe me ligava pra contar que perdeu todo o material que seria publicado. Espero até as 21h, nada. Vou pra casa. Perdi o treino. Pra chegar na aula, que começava às 21h30, teria que passar em casa primeiro, ou seja, perdi a aula.
Contando com a lei de Murphy, cheguei tarde pra sair cedo e ficar muito brava por ter chegado atrasada à toa, mas acabei voltando ainda mais tarde. Se tudo fosse segundo a tal lei, eu teria sido flagrada quando cheguei ao trabalho, mas em compensação isso aconteceu quando voltava do almoço. Numa situação normal, estando o post pronto, publicaria cedo e embora cedo iria. Pela lei de Murphy, alguma coisa ia dar errado e eu sairia tarde, depois de publicar. Na versão final, tudo deu tão errado que, apesar de ter ficado até as 21h, o material só foi publicado no dia seguinte.
No fim, a única coisa coerente é que eu realmente não precisava ter colocado gasolina antes de chegar ao trabalho, já que saí tão tarde que não tinha mais pressa pra nada. O resultado, então, mudou. A lei de murphy elevada à lei de murphy dá qualquer coisa esquisita e confusa, diferente do diferente, e que não é boa pra ninguém.
Ironia não é sarcasmo. Sarcasmo, segundo o dicionário, é uma ironia melhorada, grosseira, na verdade. Em um aspecto muito pequeno, você tira sarro da pessoa para mostrar o quanto a idéia apresentada não é boa, por exemplo. A ironia, por sua vez, tem um sentido muito mais amplo de oposição, como dizer alguma coisa com a intenção de fazer outra ou planejar algo que depois terá tido um final totalmente diferente - a base para a lei de murphy.
É por causa dessa tal lei que só tem chovido nos dias em que há treino e normalmente no final do dia, porque como já choveu no domingo inteiro, tem que fazer aqueeele sol na segunda-feira.
Também por isso que a gente esquece o guarda-chuva justo nesses dias, por isso que quanto mais atrasada a gente está, mais tem trânsito na cidade, e parece que quanto mais a gente amaldiçoa isso, pior fica. Para tudo isso poderíamos dizer: "irônico. não?"
Apesar do meu recente - e espero eu, temporário - mau humor, confesso que sou daquelas chatas que conseguem ver lado positivo em tudo. Ontem, por exemplo, havia treino e era meu rodízio. Peguei o do meu irmão emprestado. Sem nada de gasolina. E eu já estava muito atrasada, como aliás, em toda segunda-feira. Na verdade, dava pra chegar no trabalho, mas não pra ir até o treino. Tinha duas opções: ir correndo pro trabalho e colocar gasolina saindo do trabalho ou ou passar no posto agora e ficar ainda mais atrasada.
Segundo a tal de de Murphy, se fosse direto pro trabalho, não ia conseguir sair na hora e ia chegar mais tarde ainda no treino. Já se fosse pro posto antes, ia ter algum problema no trabalho quando eu chegasse e no fim eu ia conseguir ir embora a hora que quisesse, só pra ficar com raiva, já que eu não teria precisado tomar a bronca de mais cedo.
Analisando as duas hipóteses, me deu um estalo que achei fantástico. Resolvi que ia jogar com Murphy a meu favor. Se eu passasse no posto antes ia chegar mais tarde e sair mais cedo... então, por que a dúvida? Trabalharia menos e ainda ia pro treino na hora. Bronca, todo mundo leva. Achei tudo aquilo lindo. A tal lady era bem possível que existisse mesmo e não era uma mulher perversa, mas simplesmente incompreendida. Quem soubesse argumentar com ela, como eu sabia, só iria se dar bem.
Fui pro posto, com calma. Ao chegar no trabalho, nenhuma bomba nem bronca. O único post que precisaria publicar estava pronto e eu, felicíssima por ter conseguido jogar com a lei a meu favor. Fui almoçar tarde porque tinha chegado tarde e, portanto, sem fome. Até então, tudo perfeito, minha teoria se comprovava. A lei elevada à lei dá um resultado bom pra mim.
Porém, ao chegar do almoço, meu chefe já estava lá havia algum tempo. Ele não viu que horas saí e portanto podia pensar que estava a não sei quantas horas na rua. Às 18h, pouco mais de duas horas depois de eu ter voltado do almoço, descubro que minha cachorra passou mal. Fiquei na dúvida se ia ao treino ou se passava em casa, via como ela está e aproveitava pra ir na aula de dança. Às 20h (horário que começava o treino), meu chefe me ligava pra contar que perdeu todo o material que seria publicado. Espero até as 21h, nada. Vou pra casa. Perdi o treino. Pra chegar na aula, que começava às 21h30, teria que passar em casa primeiro, ou seja, perdi a aula.
Contando com a lei de Murphy, cheguei tarde pra sair cedo e ficar muito brava por ter chegado atrasada à toa, mas acabei voltando ainda mais tarde. Se tudo fosse segundo a tal lei, eu teria sido flagrada quando cheguei ao trabalho, mas em compensação isso aconteceu quando voltava do almoço. Numa situação normal, estando o post pronto, publicaria cedo e embora cedo iria. Pela lei de Murphy, alguma coisa ia dar errado e eu sairia tarde, depois de publicar. Na versão final, tudo deu tão errado que, apesar de ter ficado até as 21h, o material só foi publicado no dia seguinte.
No fim, a única coisa coerente é que eu realmente não precisava ter colocado gasolina antes de chegar ao trabalho, já que saí tão tarde que não tinha mais pressa pra nada. O resultado, então, mudou. A lei de murphy elevada à lei de murphy dá qualquer coisa esquisita e confusa, diferente do diferente, e que não é boa pra ninguém.
Monday, February 25, 2008
Pane no HD, lapso da memória
Lembro que quando estava no colégio me impressionei quando um menino tinha me tido que o computador dele tinha um gigabite de HD (o chamado disco rígido do computador), o que significa mil megabites, ou seja, um milhão de quilobites (kb), que nem ao menos é a menor unidade de medida da informação dos computadores - mas menos do que isso a gente nem conta, seria quase como centésimos de Real. A questão, voltando, é... meus Deus, pra que tudo isso? Eu tinha apenas algumas dezenas de megas e já me sentia uma pessoa mais do que feliz. Naquela época ainda não existia mp3, câmera digital era uma raridade, os jogos eram mais simples (lembro da sensação que era Full Throttle) e os computadores, por sua vez, não precisavam de tanto espaço.
Hoje, até o email tem um giga - dois, na verdade - e os equipamentos demandam cada vez mais recursos. Um amigo, pra comprar uma placa de vídeo realmente boa, resolveu primeiro comprar o game mais pesado que existe no mercado, para em seguida comprar a placa que o suportasse. Certeza de boa compra, por mais que - até então - ele não precisasse de tudo isso. Agora, viciou no joguinho, que a princípio ele nem queria.
O computador vira um companheiro e ganha a personalidade do dono. Acho lindo quando vou usar o micro de alguém e vejo os favoritos todos organizados, em pastas. A área de trabalho só com os itens que se tem uso constante. Meus documentos, minhas imagens, minhas músicas, tudo em perfeita ordem. Normalmente esse tipo de pessoa é organizado também longe da telinha.
Já... eu (pra não entrar naquela de "pessoas como eu", simplesmente pra dividir a culpa com desconhecidos) não posso ser considerada um primor de organização nem no meu quarto, que dirá com um monte de dados dentro de uma caixinha. De vez em quando eu faço uma limpa no meu armário. Dôo as roupas que não quero mais, reorganizo as gavetas, passo a guardar blusas enroladinhas e divididas por cor. Também de vez em quando eu limpo os links salvos, deleto arquivos desnecessários, organizo pastas de fotos, músicas e textos. Nenhuma das duas arrumações dura mais do que seis meses. Porém, meu guarda-roupa nunca explodiu de tanta coisa e nem meu computador ficou por muito tempo com arquivos inúteis. Isso, aliado ao fato de eu não ter a menor paciência pra baixar músicas e muito menos vídeos na internet, fez com que meus arquivos, mesmo acumulados ao longo dos anos não ocupassem um espaço muito grande.
Outra coisa que me ajudou a ser mais... desapegada - com os arquivos, e não com as roupas - é a minha vocação natural para tester. Segundo meu pai, que trabalha com desenvolvimento, pra ter certeza de que o programa está perfeito, é só dá-lo na minha mão. Se ele tiver qualquer defeito que seja eu descubro em menos de cinco minutos. Lógico que não do jeito convencional, mas dando pau no bicho mesmo. A minha adolescência, quando trabalhava com ele, foi repleta de telas pretas de DOS com um quadradinho em vermelho escrito "ERROR BASE" com um número em seguida. O problema é que eu não quebrava só os programas desenvolvidos por ele. De alguma forma, que até hoje eu não sei, já cheguei a ter mais de mil vírus no meu computador, que infectaram uma quantidade não sei quantas vezes maior de arquivos, o que prova que eu e as máquinas nunca demos muito certo. Era uma relação constante, intensa, mas cheia de altos e baixos. E eis que no meio do ano passado troquei meu computador antigo por um que já veio com o maldito windows vista basic, que é mais confuso, pesado, não me deixa abrir mais de três programas de uma vez e, pior de tudo, não é compatível com o joystick que uso pro emulador do super nintendo. Só que isso eu só fui descobrir quando estava tudo instalado.
Depois de seis meses enrolando, resolvi fazer o tal backup para colocar o windows xp, azulzinho, simples de mexer, compatível com meu jogo, uma graça. Na primeira tentativa, não havia espaço suficiente pra todos os arquivos no disco que me foi emprestado. Na segunda, eu mandei copiar, colar. Meia hora depois, desconecto e começa a formatação. Na verdade, eu estava tão preocupada em achar as milhares de coisas que precisaria em outros site para concluir o processo que nem pensei em conferir. Quando já estava tudo pronto, percebo que nenhum dos meus arquivos está onde deveria.
Mais de 6 gigas!!! Sim, pouco em comparação ao que a maioria das pessoas tem, mas eram os meus seis gigas, fotos, textos, músicas. O melhor de tudo que já passou pelo meu login e que sobreviveu a inúmeras seleções ao longo dos anos. Algumas coisas estavam lá desde a época do colegial. Uma década de memórias perdidas em apenas alguns minutos. Como tudo já havia sido reinstalado, não havia nem mesmo a possibilidade de recuperar os dados. Fiquei desolada.
Tinha coisa importante?
Não sabia o que responder. Ah, depende... o que é importante? Tinham meus textos, mas a maioria foi publicada também na internet. Tinham fotos, mas algumas eu posso conseguir com amigos, com o resto da família. Eu mesma, faz tempo que não tiro... as músicas são irrelevantes... alguns arquivos de cursos, mas isso ok... talvez nunca fosse olhar de novo mesmo. Não sei. É tanta coisa e ao mesmo tempo é nada. É currículo, é... não sei - da última vez que tive problema desses jurei que nunca mais ia usar outlook na vida. Tinha perdido emails importantíssimos, muito mais porque eu gostava deles do que porque era realmente importantes - Realmente não sei. Melhor não pensar... depois eu vejo isso.
De repente, um grito no outro canto da casa. Por sorte, o primeiro backup, feito em agosto, quando troquei de computador, continuava no tal hd. Meu pai, mais preocupado do que eu, talvez pensando nos não sei quantos mil gigas que ele não pode perder de jeito algum, se compadeceu da filha avoada e estava procurando. Até que achou. Em vez de seis gigas perdidos, agora era apenas um e meio.
Voltei a pensar... o que é esse um e meio? O que é que eu posso ter feito em seis meses? Fotos. Do Natal talvez meu irmão tenha. Se não tiver, minha tia tem e não eram fotos tão importantes. Foi o primeiro sem meu avô, mas isso não é coisa de se lembrar. Se ainda fosse o último com ele, talvez. As de ano novo e carnaval os outros têm cópia, posso pegar de volta. O que mais eu fiz nesses últimos seis meses? Um bilhão e meio de bites que podem ser tanta coisa, mas que também podem não ser nada. É possível que esta história estivesse contada em pequenos fascículos, dentro do HD. Ele, se foi, a memória se deteriora. A minha, não a do computador. Então, como eu não lembro, melhor acreditar que não era nada.
Hoje, até o email tem um giga - dois, na verdade - e os equipamentos demandam cada vez mais recursos. Um amigo, pra comprar uma placa de vídeo realmente boa, resolveu primeiro comprar o game mais pesado que existe no mercado, para em seguida comprar a placa que o suportasse. Certeza de boa compra, por mais que - até então - ele não precisasse de tudo isso. Agora, viciou no joguinho, que a princípio ele nem queria.
O computador vira um companheiro e ganha a personalidade do dono. Acho lindo quando vou usar o micro de alguém e vejo os favoritos todos organizados, em pastas. A área de trabalho só com os itens que se tem uso constante. Meus documentos, minhas imagens, minhas músicas, tudo em perfeita ordem. Normalmente esse tipo de pessoa é organizado também longe da telinha.
Já... eu (pra não entrar naquela de "pessoas como eu", simplesmente pra dividir a culpa com desconhecidos) não posso ser considerada um primor de organização nem no meu quarto, que dirá com um monte de dados dentro de uma caixinha. De vez em quando eu faço uma limpa no meu armário. Dôo as roupas que não quero mais, reorganizo as gavetas, passo a guardar blusas enroladinhas e divididas por cor. Também de vez em quando eu limpo os links salvos, deleto arquivos desnecessários, organizo pastas de fotos, músicas e textos. Nenhuma das duas arrumações dura mais do que seis meses. Porém, meu guarda-roupa nunca explodiu de tanta coisa e nem meu computador ficou por muito tempo com arquivos inúteis. Isso, aliado ao fato de eu não ter a menor paciência pra baixar músicas e muito menos vídeos na internet, fez com que meus arquivos, mesmo acumulados ao longo dos anos não ocupassem um espaço muito grande.
Outra coisa que me ajudou a ser mais... desapegada - com os arquivos, e não com as roupas - é a minha vocação natural para tester. Segundo meu pai, que trabalha com desenvolvimento, pra ter certeza de que o programa está perfeito, é só dá-lo na minha mão. Se ele tiver qualquer defeito que seja eu descubro em menos de cinco minutos. Lógico que não do jeito convencional, mas dando pau no bicho mesmo. A minha adolescência, quando trabalhava com ele, foi repleta de telas pretas de DOS com um quadradinho em vermelho escrito "ERROR BASE" com um número em seguida. O problema é que eu não quebrava só os programas desenvolvidos por ele. De alguma forma, que até hoje eu não sei, já cheguei a ter mais de mil vírus no meu computador, que infectaram uma quantidade não sei quantas vezes maior de arquivos, o que prova que eu e as máquinas nunca demos muito certo. Era uma relação constante, intensa, mas cheia de altos e baixos. E eis que no meio do ano passado troquei meu computador antigo por um que já veio com o maldito windows vista basic, que é mais confuso, pesado, não me deixa abrir mais de três programas de uma vez e, pior de tudo, não é compatível com o joystick que uso pro emulador do super nintendo. Só que isso eu só fui descobrir quando estava tudo instalado.
Depois de seis meses enrolando, resolvi fazer o tal backup para colocar o windows xp, azulzinho, simples de mexer, compatível com meu jogo, uma graça. Na primeira tentativa, não havia espaço suficiente pra todos os arquivos no disco que me foi emprestado. Na segunda, eu mandei copiar, colar. Meia hora depois, desconecto e começa a formatação. Na verdade, eu estava tão preocupada em achar as milhares de coisas que precisaria em outros site para concluir o processo que nem pensei em conferir. Quando já estava tudo pronto, percebo que nenhum dos meus arquivos está onde deveria.
Mais de 6 gigas!!! Sim, pouco em comparação ao que a maioria das pessoas tem, mas eram os meus seis gigas, fotos, textos, músicas. O melhor de tudo que já passou pelo meu login e que sobreviveu a inúmeras seleções ao longo dos anos. Algumas coisas estavam lá desde a época do colegial. Uma década de memórias perdidas em apenas alguns minutos. Como tudo já havia sido reinstalado, não havia nem mesmo a possibilidade de recuperar os dados. Fiquei desolada.
Tinha coisa importante?
Não sabia o que responder. Ah, depende... o que é importante? Tinham meus textos, mas a maioria foi publicada também na internet. Tinham fotos, mas algumas eu posso conseguir com amigos, com o resto da família. Eu mesma, faz tempo que não tiro... as músicas são irrelevantes... alguns arquivos de cursos, mas isso ok... talvez nunca fosse olhar de novo mesmo. Não sei. É tanta coisa e ao mesmo tempo é nada. É currículo, é... não sei - da última vez que tive problema desses jurei que nunca mais ia usar outlook na vida. Tinha perdido emails importantíssimos, muito mais porque eu gostava deles do que porque era realmente importantes - Realmente não sei. Melhor não pensar... depois eu vejo isso.
De repente, um grito no outro canto da casa. Por sorte, o primeiro backup, feito em agosto, quando troquei de computador, continuava no tal hd. Meu pai, mais preocupado do que eu, talvez pensando nos não sei quantos mil gigas que ele não pode perder de jeito algum, se compadeceu da filha avoada e estava procurando. Até que achou. Em vez de seis gigas perdidos, agora era apenas um e meio.
Voltei a pensar... o que é esse um e meio? O que é que eu posso ter feito em seis meses? Fotos. Do Natal talvez meu irmão tenha. Se não tiver, minha tia tem e não eram fotos tão importantes. Foi o primeiro sem meu avô, mas isso não é coisa de se lembrar. Se ainda fosse o último com ele, talvez. As de ano novo e carnaval os outros têm cópia, posso pegar de volta. O que mais eu fiz nesses últimos seis meses? Um bilhão e meio de bites que podem ser tanta coisa, mas que também podem não ser nada. É possível que esta história estivesse contada em pequenos fascículos, dentro do HD. Ele, se foi, a memória se deteriora. A minha, não a do computador. Então, como eu não lembro, melhor acreditar que não era nada.
Wednesday, February 20, 2008
A tal da TPM
Enquanto comia aquela mistura estranha - gelatina de uva, leite condensado e sucrilhos - só conseguia pensar "meu deus, mulher... coitado do pai do teu filho. Se em dias relativamente normais você já é assim, imagina quando tiver realmente com desequilíbrio hormonal". Mas a dor na consciência não durava muito, não. Por mais incrível que pareça, aquilo era bom e ajudava em cheio na ansiedade causada pela tal TPM. Pelo menos, era nisso que eu acreditava.
O processo por trás dessas três letrinhas é simples. O corpo da mulher tem como intuito básico a reprodução. Por isso, nos primeiros 14 dias ele direciona grande parte dos seus esforços para deixar a pele, o cabelo, tudo mais bonito. Nesse período é dever da criatura em questão usar desses artifícios para arranjar alguém que a fecunde. Já nos 14 dias seguintes, a preocupação é com o possível feto. No final dos 28, o organismo tira a prova se sua dona teve ou não a capacidade de engravidar e, em caso negativo, joga tudo o que não foi usado fora para começar de novo.
A TPM inicia no instante em que o nosso corpo se preocupa mais com a criança que não existe do que com nós mesmas, mas normalmente só é percebida nos últimos dias, quando o déficit de hormônios está no seu maior nível. É nessa hora que a gente sente aquele vazio no peito, uma vontade fazer alguma coisa que nem mesmo sabemos o quê. É como se faltasse alguma coisa.
No fundo, falta. Faltam hormônios, mas a aparência é de que falta atenção, sentimento, reconhecimento, carinho e até mesmo um objetivo na vida. Basta qualquer fato mais relevante - como o fim do relacionamento entre os mocinhos da novela ou o nascimento de um jacaré, exibido no National Geographic - para que o olho se encha de lágrimas. A gente pensa "tadinhos" ou "ah, que lindo"! Mas só pensa, porque a garganta está travada demais para emitir qualquer som.
Por outro lado, comentários até mesmo sutis de outras pessoas significam agressões sem tamanho. Em resposta, tem mulher que chora, tem mulher que explode. E como explode. Há algum tempo, a TPM deixou de ser um mito. Mulheres que cometeram crimes passionais já tiveram a pena reduzida ao provarem que estavam nesse período complicado.
No trabalho, a sensibilidade tanto pode ser um fato positivo quanto negativo, já que, por conta dela, a mulher tende a ser mais instável. Regras de beleza e boa forma ajudam nessa tendência de ficarmos cada vez mais frias, racionais. Todos os dias há aquela preocupação em manter o peso, se controlar emocionalmente, ser profissional, não dar escândalos por besteira. Enfim... esquecer todo o nosso lado "menininha". Até que, por apenas uma semana, menos até, a gente se dá o direto de surtar, chorar, gritar.
Beber muita água, fazer exercícios, tudo isso ajuda, mas com toda certeza a melhor forma de diminuir os sintomas é se matar de tanto comer chocolate, sorvete, gelatina com leite condensado, manga com doce de leite - coisas que só fazem sentido em picos de ansiedade. O vazio existencial é curado com milhares de calorias.
Se é sempre a falta de hormônios ou se já virou costume, não importa. A questão é que a TPM se tornou a chance do mundo feminino se libertar daquele monte de regras que nos impomos. É o nosso corpo que arranjou uma desculpa pra gente ser mais humana.
O processo por trás dessas três letrinhas é simples. O corpo da mulher tem como intuito básico a reprodução. Por isso, nos primeiros 14 dias ele direciona grande parte dos seus esforços para deixar a pele, o cabelo, tudo mais bonito. Nesse período é dever da criatura em questão usar desses artifícios para arranjar alguém que a fecunde. Já nos 14 dias seguintes, a preocupação é com o possível feto. No final dos 28, o organismo tira a prova se sua dona teve ou não a capacidade de engravidar e, em caso negativo, joga tudo o que não foi usado fora para começar de novo.
A TPM inicia no instante em que o nosso corpo se preocupa mais com a criança que não existe do que com nós mesmas, mas normalmente só é percebida nos últimos dias, quando o déficit de hormônios está no seu maior nível. É nessa hora que a gente sente aquele vazio no peito, uma vontade fazer alguma coisa que nem mesmo sabemos o quê. É como se faltasse alguma coisa.
No fundo, falta. Faltam hormônios, mas a aparência é de que falta atenção, sentimento, reconhecimento, carinho e até mesmo um objetivo na vida. Basta qualquer fato mais relevante - como o fim do relacionamento entre os mocinhos da novela ou o nascimento de um jacaré, exibido no National Geographic - para que o olho se encha de lágrimas. A gente pensa "tadinhos" ou "ah, que lindo"! Mas só pensa, porque a garganta está travada demais para emitir qualquer som.
Por outro lado, comentários até mesmo sutis de outras pessoas significam agressões sem tamanho. Em resposta, tem mulher que chora, tem mulher que explode. E como explode. Há algum tempo, a TPM deixou de ser um mito. Mulheres que cometeram crimes passionais já tiveram a pena reduzida ao provarem que estavam nesse período complicado.
No trabalho, a sensibilidade tanto pode ser um fato positivo quanto negativo, já que, por conta dela, a mulher tende a ser mais instável. Regras de beleza e boa forma ajudam nessa tendência de ficarmos cada vez mais frias, racionais. Todos os dias há aquela preocupação em manter o peso, se controlar emocionalmente, ser profissional, não dar escândalos por besteira. Enfim... esquecer todo o nosso lado "menininha". Até que, por apenas uma semana, menos até, a gente se dá o direto de surtar, chorar, gritar.
Beber muita água, fazer exercícios, tudo isso ajuda, mas com toda certeza a melhor forma de diminuir os sintomas é se matar de tanto comer chocolate, sorvete, gelatina com leite condensado, manga com doce de leite - coisas que só fazem sentido em picos de ansiedade. O vazio existencial é curado com milhares de calorias.
Se é sempre a falta de hormônios ou se já virou costume, não importa. A questão é que a TPM se tornou a chance do mundo feminino se libertar daquele monte de regras que nos impomos. É o nosso corpo que arranjou uma desculpa pra gente ser mais humana.
Friday, February 15, 2008
Pau-a-pique e pé-de-barro
O carnaval já passou, mas as lembranças ficam. Fui acampar no interior mineiro. Ok, eu sei. Acampar no meio do mato, sem energia elétrica... Tudo isso soa meio estranho pra quem me conhece. Mas devia isso para uma pessoa muito querida e, apesar choque cultural, sobraram histórias pra contar. E a cachoeira era maravilhosa. Então valeu à pena!
A balada era uma casa de pau-a-pique no meio do nada. Pra chegar lá, do camping onde estávamos, precisava pegar uma estrada de terra mal iluminada (nos trechos em que havia alguma iluminação).
Pra completar o clima roots, ela estava infestada de hippies e nativos, e tocava forró.
A primeira vez me causou tantos traumas que, no caminho de volta, pela tal estradinha de terra com mais duas meninas, prometi pra mim mesma que não voltaria lá.
Mas como não podemos botar a mão no fogo por nada que prometemos no carnaval, acabei voltando. Dois dias mais tarde em um Gol quadradinho com mais oito pessoas!!!
Fui convencida pelos primos da minha amiga que haviam recém chegado. Imaginei que, em uma turma grande, acabaria me distraindo.
Pasmem! Havia uma cantora de MPB, parece que sobrinha da dona do local, com uma bela voz. Dei o braço a torcer, dancei e me diverti. Mas desanimei quando acabou o show e ela anunciou que em breve a banda de forró tomaria seu lugar.
Pois mal havia sentado e a namorada de um dos primos veio me chamar, porque um amigo seu queria me conhecer. Na hora não sei se fiquei mais pasma de pensar que alguém realmente acreditava que eu me levantaria de lá pra ir até ele, e não o contrário, ou se era porque fiquei imaginando quem ainda se prestava ao serviço de pedir pra alguém “agitar uma mina”.
Não levantei. Algumas músicas mais tarde ele apareceu. Um cidadão grande, de uns 30 e poucos anos e da largura de um armário. Tava meio grandinho pra pedir pra agitarem qualquer coisa, né? Pois bem. Estava sentada ao lado de uma caixa de som e ele queria que fosse conversar com ele do lado de fora da casinha.
Apesar de ter dito que não levantaria, ele insistiu dizendo que eu não o ouviria bem. Cansei! “Com todo respeito, não levanto daqui nem pra dançar com meus amigos, não vejo porque levantaria pra conversar com você. Se quiser, converso aqui, estou te ouvindo bem”. Ele se irritou, porque depois que falei isso, levantou e acompanhado de um gesto agressivo com os braços gritou que eu ficasse lá então. Hehe, mas não era exatamente isso que eu queria? Na hora pensei que o cara fosse me bater e que de longe esse seria o episódio mais bizarro da noite. Ledo engano!
Já no fim da balado um cidadão nativo (nascido naquele fim de mundo, onde as pessoas ainda devem se assustar com antena parabólica), trinta e poucos anos, cabelos enroladinhos e regatiiiinha, começou a me olhar. Percebi e, como sempre, ignorei!
Pouco tempo depois, seu amigo que era uma espécie de César Cielo depois da febre amarela, e que olhava pra mulheres da maneira mais nojenta que já vi na vida, de longe começou a fazer gestos com os dedos indicadores de que eu e seu amigo deveríamos ficar juntos. Na hora fiz que não, assim nem teria o trabalho de dispensá-lo. Que nada, o cara veio me tirar pra dançar forró. Agradeci mas disse que não dançava. Só que ele insistiu.
“ Hoje é seu dia de sorte, porque eu sou professor de forró”. O pior, falava isso com orgulho. Como não tinha/tenho interesse em aprender, disse que não queria. E ele já profetizou o que seria minha noite. “Não acha que desisti. Daqui a pouco volto”.
Pois voltou. E repeti que não queria. E essa história se repetiu por várias vezes durante a noite, intercalada com sermões sobre eu não querer fazer amigos, e sobre eu não poder ir para não sei onde, no Espírito Santo, porque lá só tocava forró. Valeu a dica, pra eu nunca por os pés por lá mesmo!
O amigo, o tal que parecia uma cópia mal feita do César Cielo, começou a dizer que ele deveria tentar falar em Mandarim, já que “ a japonesinha não estava entendendo o que ele tava falando”. Ai ai ai.
“Ô pé-de-barro do caramba, Mandarim se fala na China. E a China e Japão são dois países diferentes. Incrível, né?”, respondi, com o ar mais prepotente que consegui encontrar.
Meu humor, que já não estava lá em seus melhores dias, acabou de acabar com a demonstração de ignorância capiau.
E o cidadão pareceu gostar da brincadeira de me irritar, porque não parou.
Quando voltou a perturbar, decidi perguntar quantos anos tinha. Ele se assustou e disse que não fazia diferença. “Ué, você não queria conversar comigo? To tentando conversar com você”, disse ironicamente.
“Tenho , 35, e você?”
“Tenho 12 a menos”
“Mas você quer que eu faça conta?”
Aaaaaai, nem preciso falar que a conversa encerrou e fiquei com vontade de dizer que, com aquela idade, ele já devia, no mínimo, ter aprendido a chegar em uma mulher.
Pouco tempo depois, levantei pra comprar uma coca-cola e ele, literalmente, pulou na minha frente e segurou meu braço. Fui seca:
“Tira a pata! Amigão, desencosta agora”.
“Calma, só quero dançar com você”.
“Olha aqui, não to entendendo porque você tá me enchendo o saco, mas se você quiser me irritar, vai ser pior pra você. Quem ta pagando o mico na frente dos amigos, de ficar tomando bota da mesma pessoa a noite inteira é você”, disse e passei.
Mas ele não desistiu. Ao mesmo tempo em que ouvia seus argumentos pela enésima vez, outro cidadão se prestou dizer que seu amigo queria me beijar. Foi a gota d´água! Desabafei irônica:
“Ah, que maravilha, vamos formar uma fila logo pra beijar a menina que veio de São Paulo, vamos pegar senha. Afinal de contas, achei minha boca no lixo mesmo, sabe? Então, todos os nativos, todo mundo que quiser me beijar, fiquem à vontade. Francamente, é assim que funciona nesse fim de mundo?”
Metade da balada caiu na risada e a outra metade ficou com os olhos arregalados. Acho que ninguém esperava essa reação. Que ótimo, afinal de contas, ia acabar a chateação. Que nada!
Já no finalzinho da balada, ele sentou em um banquinho atrás do meu e começou a roçar o pé no meu. Que nojo! Na hora chamei um dos primos, que já nem sabia mais onde estava, e abracei-o.
O cidadão pegou o bando e saiu do lugar. Por um tempo eles ficaram parados na entrada, e eu temi que estivessem esperando pra me bater. Do jeito que os primos da minha amiga estavam, eles não conseguiriam levantar um dedo pra me defender, ia ter de me virar sozinha. Depois de alguns momentos de tensão, o carro chegou e eles foram embora. Fim de noite, carona no bom e velho Gol quadrado, que estranhamente parecia mais confortável. Voltei pra barraca cansada, irritada, mas rindo do que havia acontecido e imaginando o que seria do resto do meu feriado.
A balada era uma casa de pau-a-pique no meio do nada. Pra chegar lá, do camping onde estávamos, precisava pegar uma estrada de terra mal iluminada (nos trechos em que havia alguma iluminação).
Pra completar o clima roots, ela estava infestada de hippies e nativos, e tocava forró.
A primeira vez me causou tantos traumas que, no caminho de volta, pela tal estradinha de terra com mais duas meninas, prometi pra mim mesma que não voltaria lá.
Mas como não podemos botar a mão no fogo por nada que prometemos no carnaval, acabei voltando. Dois dias mais tarde em um Gol quadradinho com mais oito pessoas!!!
Fui convencida pelos primos da minha amiga que haviam recém chegado. Imaginei que, em uma turma grande, acabaria me distraindo.
Pasmem! Havia uma cantora de MPB, parece que sobrinha da dona do local, com uma bela voz. Dei o braço a torcer, dancei e me diverti. Mas desanimei quando acabou o show e ela anunciou que em breve a banda de forró tomaria seu lugar.
Pois mal havia sentado e a namorada de um dos primos veio me chamar, porque um amigo seu queria me conhecer. Na hora não sei se fiquei mais pasma de pensar que alguém realmente acreditava que eu me levantaria de lá pra ir até ele, e não o contrário, ou se era porque fiquei imaginando quem ainda se prestava ao serviço de pedir pra alguém “agitar uma mina”.
Não levantei. Algumas músicas mais tarde ele apareceu. Um cidadão grande, de uns 30 e poucos anos e da largura de um armário. Tava meio grandinho pra pedir pra agitarem qualquer coisa, né? Pois bem. Estava sentada ao lado de uma caixa de som e ele queria que fosse conversar com ele do lado de fora da casinha.
Apesar de ter dito que não levantaria, ele insistiu dizendo que eu não o ouviria bem. Cansei! “Com todo respeito, não levanto daqui nem pra dançar com meus amigos, não vejo porque levantaria pra conversar com você. Se quiser, converso aqui, estou te ouvindo bem”. Ele se irritou, porque depois que falei isso, levantou e acompanhado de um gesto agressivo com os braços gritou que eu ficasse lá então. Hehe, mas não era exatamente isso que eu queria? Na hora pensei que o cara fosse me bater e que de longe esse seria o episódio mais bizarro da noite. Ledo engano!
Já no fim da balado um cidadão nativo (nascido naquele fim de mundo, onde as pessoas ainda devem se assustar com antena parabólica), trinta e poucos anos, cabelos enroladinhos e regatiiiinha, começou a me olhar. Percebi e, como sempre, ignorei!
Pouco tempo depois, seu amigo que era uma espécie de César Cielo depois da febre amarela, e que olhava pra mulheres da maneira mais nojenta que já vi na vida, de longe começou a fazer gestos com os dedos indicadores de que eu e seu amigo deveríamos ficar juntos. Na hora fiz que não, assim nem teria o trabalho de dispensá-lo. Que nada, o cara veio me tirar pra dançar forró. Agradeci mas disse que não dançava. Só que ele insistiu.
“ Hoje é seu dia de sorte, porque eu sou professor de forró”. O pior, falava isso com orgulho. Como não tinha/tenho interesse em aprender, disse que não queria. E ele já profetizou o que seria minha noite. “Não acha que desisti. Daqui a pouco volto”.
Pois voltou. E repeti que não queria. E essa história se repetiu por várias vezes durante a noite, intercalada com sermões sobre eu não querer fazer amigos, e sobre eu não poder ir para não sei onde, no Espírito Santo, porque lá só tocava forró. Valeu a dica, pra eu nunca por os pés por lá mesmo!
O amigo, o tal que parecia uma cópia mal feita do César Cielo, começou a dizer que ele deveria tentar falar em Mandarim, já que “ a japonesinha não estava entendendo o que ele tava falando”. Ai ai ai.
“Ô pé-de-barro do caramba, Mandarim se fala na China. E a China e Japão são dois países diferentes. Incrível, né?”, respondi, com o ar mais prepotente que consegui encontrar.
Meu humor, que já não estava lá em seus melhores dias, acabou de acabar com a demonstração de ignorância capiau.
E o cidadão pareceu gostar da brincadeira de me irritar, porque não parou.
Quando voltou a perturbar, decidi perguntar quantos anos tinha. Ele se assustou e disse que não fazia diferença. “Ué, você não queria conversar comigo? To tentando conversar com você”, disse ironicamente.
“Tenho , 35, e você?”
“Tenho 12 a menos”
“Mas você quer que eu faça conta?”
Aaaaaai, nem preciso falar que a conversa encerrou e fiquei com vontade de dizer que, com aquela idade, ele já devia, no mínimo, ter aprendido a chegar em uma mulher.
Pouco tempo depois, levantei pra comprar uma coca-cola e ele, literalmente, pulou na minha frente e segurou meu braço. Fui seca:
“Tira a pata! Amigão, desencosta agora”.
“Calma, só quero dançar com você”.
“Olha aqui, não to entendendo porque você tá me enchendo o saco, mas se você quiser me irritar, vai ser pior pra você. Quem ta pagando o mico na frente dos amigos, de ficar tomando bota da mesma pessoa a noite inteira é você”, disse e passei.
Mas ele não desistiu. Ao mesmo tempo em que ouvia seus argumentos pela enésima vez, outro cidadão se prestou dizer que seu amigo queria me beijar. Foi a gota d´água! Desabafei irônica:
“Ah, que maravilha, vamos formar uma fila logo pra beijar a menina que veio de São Paulo, vamos pegar senha. Afinal de contas, achei minha boca no lixo mesmo, sabe? Então, todos os nativos, todo mundo que quiser me beijar, fiquem à vontade. Francamente, é assim que funciona nesse fim de mundo?”
Metade da balada caiu na risada e a outra metade ficou com os olhos arregalados. Acho que ninguém esperava essa reação. Que ótimo, afinal de contas, ia acabar a chateação. Que nada!
Já no finalzinho da balada, ele sentou em um banquinho atrás do meu e começou a roçar o pé no meu. Que nojo! Na hora chamei um dos primos, que já nem sabia mais onde estava, e abracei-o.
O cidadão pegou o bando e saiu do lugar. Por um tempo eles ficaram parados na entrada, e eu temi que estivessem esperando pra me bater. Do jeito que os primos da minha amiga estavam, eles não conseguiriam levantar um dedo pra me defender, ia ter de me virar sozinha. Depois de alguns momentos de tensão, o carro chegou e eles foram embora. Fim de noite, carona no bom e velho Gol quadrado, que estranhamente parecia mais confortável. Voltei pra barraca cansada, irritada, mas rindo do que havia acontecido e imaginando o que seria do resto do meu feriado.
Thursday, January 31, 2008
Quando o sentimento acaba
Incrível como um rosto que antes era tão querido hoje representa tão pouco. Aquele brilho no olho que parece querer entrar dentro de você, que te conhece tão bem, não recebe mais reciprocidade. Ao contrário, parece uma invasão, causa desconforto.
O toque meio sem jeito, as palavras de carinho, balbuciadas quase como pedindo licença - já que não há mais intimidade pra isso - continuam ali... no fundo, são os mesmos, poderiam ser confundidos com aqueles do começo da relação. Mas não. Alguma coisa dentro de você mudou. E o que antes provocava risos, alegria, hoje não é mais do que uma situação esquisita.
No lugar daqueles sentimentos há somente um vazio. Você lembra de tudo o que sentia, mas não consegue encontrar nem ao menos resquícios. O pouco que sobrou, se é que sobrou alguma coisa, traz um sentimento amargo, tal como aquele gostinho de chocolate que ficou horas na boca e em nada se parece mais com o doce original.
Ver a pessoa antes tão querida e não sentir mais vontade de pular em seus braços, trocar carinhos. Sentir até mesmo repulsa em imaginar essas cenas provoca um turbilhão de sentimentos diferentes dentro da gente, uma massa podre que queria arrancar de dentro do peito, uma angústia.
Como tudo aquilo pode ter sumido? Será que não foi de verdade? Duvidamos de nós mesmos, dos sentimentos que dizíamos ter pelo outro. Falsidade? Confusão? Coisa de momento.
As flores, antes favoritas, ganharam um significado ruim depois de terem ilustrado tantas voltas pós-briga. As orquídeas nunca mais serão as mesmas.
Talvez não seja mesmo culpa de ninguém. Simplesmente não deu. Mesmo assim, a falta desse sentimento nos deixa tristes. É como se gostar de alguém nos fizesse pessoas melhores. Por isso a dificuldade e a tristeza ao percebermos que realmente acabou.
O toque meio sem jeito, as palavras de carinho, balbuciadas quase como pedindo licença - já que não há mais intimidade pra isso - continuam ali... no fundo, são os mesmos, poderiam ser confundidos com aqueles do começo da relação. Mas não. Alguma coisa dentro de você mudou. E o que antes provocava risos, alegria, hoje não é mais do que uma situação esquisita.
No lugar daqueles sentimentos há somente um vazio. Você lembra de tudo o que sentia, mas não consegue encontrar nem ao menos resquícios. O pouco que sobrou, se é que sobrou alguma coisa, traz um sentimento amargo, tal como aquele gostinho de chocolate que ficou horas na boca e em nada se parece mais com o doce original.
Ver a pessoa antes tão querida e não sentir mais vontade de pular em seus braços, trocar carinhos. Sentir até mesmo repulsa em imaginar essas cenas provoca um turbilhão de sentimentos diferentes dentro da gente, uma massa podre que queria arrancar de dentro do peito, uma angústia.
Como tudo aquilo pode ter sumido? Será que não foi de verdade? Duvidamos de nós mesmos, dos sentimentos que dizíamos ter pelo outro. Falsidade? Confusão? Coisa de momento.
As flores, antes favoritas, ganharam um significado ruim depois de terem ilustrado tantas voltas pós-briga. As orquídeas nunca mais serão as mesmas.
Talvez não seja mesmo culpa de ninguém. Simplesmente não deu. Mesmo assim, a falta desse sentimento nos deixa tristes. É como se gostar de alguém nos fizesse pessoas melhores. Por isso a dificuldade e a tristeza ao percebermos que realmente acabou.
Wednesday, January 30, 2008
Liberdade demais enlouquece
Dizem que a melhor (ou talvez única) forma de segurar um elefante é acostumá-lo desde pequeno às correntes. Se você mostra ao filhote que não adianta, que, por mais que ele tente, não vai conseguir fugir, ele uma hora cansa. O bicho cresce, mas não percebe que já pode estourar aquilo. Por maior que ele seja, não vai ser preciso aumentar os ferros proporcionalmente.
Em muitas famílias, a menina, principalmente, se comporta como um elefante. Quando pequena pede mil vezes pra sair, voltar às 5h, 6h da manhã, dormir fora de casa. Algumas estão tão acostumadas com a rédia curta dos pais que, com o tempo, acabam evitando pedir para não criar desentendimentos. "Eu sei que eles não vão deixar, então pra que vou arranjar briga à toa?".
Mulher e ainda por cima filha, neta mais velha, ou eu acostumava ou não saía. Acho que não preciso dizer o que aconteceu. O simples tema desse blog já mostra o caminho escolhido. Estourei as correntes, mas continuava com o resto dela amarrado na perna, como se fosse uma ligação simbólica com o circo.
No começo, minhas saídas eram só shows, durante ou no final da semana. Depois, baladas - todo final de semana, já que morava ali do lado, mas só de final de semana. A fama de baladeira se espalhou e os convites se multiplicaram. Amigas que não têm com quem sair já ligavam e os grupos foram aumentando. Ao entrar na faculdade, começar a trabalhar, o mundo social aumentou e teve semanas em que saí literalmente de terça a domingo.
Mas daí chega uma hora que cansa, as baladas sempre iguais, e chegou a fase de dar as próprias festas - pequenas reuniões em casa que chegaram a ter mais de 20 pessoas num apartamento que nem de longe era grande o suficiente pra isso. Essas comemorações duraram até meus pais, preocupados com a freqüência de uma ou outra pessoa mais estranha, darem um basta na brincadeira. Sim, porque em nenhum momento a relação pais-baladas foi tranqüila. Toda saída durante a semana na minha adolescência - e pós adolescência - resultava em um sermão atrás do outro, sob os argumentos de que não iria agüentar, precisava dormir, descansar, que desse jeito ia me matar. "Você sabe que a cada dia que você passa sem dormir você perde um ano da sua vida?"
Por mais velha que ficasse, as broncas continuavam. Ao mudar de apartamento, mais longe do trabalho e do roteiro de bares do que o outro, passei menos tempo em casa, o que foi motivo para diversas chantagens emocionais. "Você não gostou dessa nova casa, né?", "Ah, eu tenho que tirar essa parede vermelha do seu quarto. Não é à toa que você não pára quieta... esse vermelho deve emitir algumas vibrações diferentes"
Pra me fazer passar em casa depois do trabalho antes de sair de novo, minha mãe resolveu que não ia mais dar comida pra minha cachorra à noite. Se não quisesse que o bichinho passasse fome, que voltasse pra casa. O clima melhora e piora dependendo talvez dos astros, quem sabe do humor dos meus pais, da cotação do dólar... não dá pra explicar, mas conforme o mês está mais fácil ou mais difícil lidar com isso, como já devem ter percebidos todos que têm pais ditos normais.
Mas acontece que, pouco a pouco, eles resolveram ter uma qualidade de vida melhor. Barzinhos no final da tarde, as viagens nos finais de semana ficaram mais freqüentes e, graças a horários cada vez mais flexíveis, começaram as viagens também durante a semana. Foi com grande surpresa que, ao voltar pra casa um dia desses, ouvi da minha mãe, brava porque já passava das duas da manhã, que ela não iria para a praia no dia seguinte, mas pro sítio e que lá ia ficar pelas próximas duas semanas, mas que era lógico que eu não sabia disso porque não parava em casa. Ela, meu pai, minha avó (que passava férias com a gente) e minha cachorra. Todos fora. Em casa, só eu, meu irmão e os peixes do aquário.
Acho que poucas vezes fiquei tão perdida na vida. Não precisava mais voltar pra casa pra nada. Pros peixes era fácil de dar comida. Eu jogava aquelas plantinhas de manhã e de madrugada, alguém à noite e, se peixe realmente não dorme, o de madrugada não precisava ser sempre no mesmo horário. Como resultado, em nenhum dia voltei direto. Já que nem eu nem meu irmão cozinhamos, jantar era uma desculpa pra ir pro bar. Depois de um tempo, não agüentava mais comer sanduíche. Já no final de semana (nos dois finais de semana) São Pedro afogou meus planos e fez chover o dia todo. Acabei saindo só à noite. Meu irmão, se, ao contrário de mim, já não tinha muitas regras ("eu não tenho medo que teu irmão saia porque ele tem medo, já você é meio louca, vai pra tudo quanto é canto") ficou ainda pior. Mal nos vimos durante esse tempo todo.
Quinta-feira, véspera de feriado, os peixes já quase mortos e dentro de um aquário imundo de tanta comida, começou a melhor das maratonas. A idéia era primeiro ver um amigo tocar, depois encontrar meu grupo de faculdade no outro lado da cidade e, por fim, decidir se ia pra praia ou não. Por causa do trabalho, não consegui ver o show. Depois de usar a internet do McDonald's, fui direto pro bar, ver um povo que não encontrava há dois anos. Era meu dia de voltar a beber, então uma caipirinha e uma cerveja em comemoração. Chegando em casa, às 4h, arrumo a mala, durmo 1h30 e sigo pra encontrar Lucy.
Dois dias na praia, com aventuras dignas de Jones, e voltamos domingo cedo. O tempo bom que estava no litoral não tinha chegado a São Paulo, mas eu só descobri isso quando faltava meia hora pra alcançar a marginal. Meio deprimida de pensar em outro dia dentro de casa, vejo uma plaquinha que praticamente brilhava "Rio de Janeiro / Taubaté". Tava cedo ainda... 10h30 da manhã. Pegar a estrada rumo ao sítio significava encarar mais uma hora e meia de estrada (exatamente o que tinha rodado até então). Olhei mais uma vez pro céu e quando vi, estava no caminho oposto, sentido interior. Se meus pais tivessem em casa, provavelmente brigariam de eu pegar a estrada de novo, enfrentar o trânsito de volta de feriado à noite, cansada, ir e voltar no mesmo dia, dirigir mais de 6 horas no total. Mas a liberdade me deu saudades. Fui pro interior só pra ouvir "ah, só você pra fazer isso... mas, que bom que veio". No fim, o circo, as correntes viciam.
Em muitas famílias, a menina, principalmente, se comporta como um elefante. Quando pequena pede mil vezes pra sair, voltar às 5h, 6h da manhã, dormir fora de casa. Algumas estão tão acostumadas com a rédia curta dos pais que, com o tempo, acabam evitando pedir para não criar desentendimentos. "Eu sei que eles não vão deixar, então pra que vou arranjar briga à toa?".
Mulher e ainda por cima filha, neta mais velha, ou eu acostumava ou não saía. Acho que não preciso dizer o que aconteceu. O simples tema desse blog já mostra o caminho escolhido. Estourei as correntes, mas continuava com o resto dela amarrado na perna, como se fosse uma ligação simbólica com o circo.
No começo, minhas saídas eram só shows, durante ou no final da semana. Depois, baladas - todo final de semana, já que morava ali do lado, mas só de final de semana. A fama de baladeira se espalhou e os convites se multiplicaram. Amigas que não têm com quem sair já ligavam e os grupos foram aumentando. Ao entrar na faculdade, começar a trabalhar, o mundo social aumentou e teve semanas em que saí literalmente de terça a domingo.
Mas daí chega uma hora que cansa, as baladas sempre iguais, e chegou a fase de dar as próprias festas - pequenas reuniões em casa que chegaram a ter mais de 20 pessoas num apartamento que nem de longe era grande o suficiente pra isso. Essas comemorações duraram até meus pais, preocupados com a freqüência de uma ou outra pessoa mais estranha, darem um basta na brincadeira. Sim, porque em nenhum momento a relação pais-baladas foi tranqüila. Toda saída durante a semana na minha adolescência - e pós adolescência - resultava em um sermão atrás do outro, sob os argumentos de que não iria agüentar, precisava dormir, descansar, que desse jeito ia me matar. "Você sabe que a cada dia que você passa sem dormir você perde um ano da sua vida?"
Por mais velha que ficasse, as broncas continuavam. Ao mudar de apartamento, mais longe do trabalho e do roteiro de bares do que o outro, passei menos tempo em casa, o que foi motivo para diversas chantagens emocionais. "Você não gostou dessa nova casa, né?", "Ah, eu tenho que tirar essa parede vermelha do seu quarto. Não é à toa que você não pára quieta... esse vermelho deve emitir algumas vibrações diferentes"
Pra me fazer passar em casa depois do trabalho antes de sair de novo, minha mãe resolveu que não ia mais dar comida pra minha cachorra à noite. Se não quisesse que o bichinho passasse fome, que voltasse pra casa. O clima melhora e piora dependendo talvez dos astros, quem sabe do humor dos meus pais, da cotação do dólar... não dá pra explicar, mas conforme o mês está mais fácil ou mais difícil lidar com isso, como já devem ter percebidos todos que têm pais ditos normais.
Mas acontece que, pouco a pouco, eles resolveram ter uma qualidade de vida melhor. Barzinhos no final da tarde, as viagens nos finais de semana ficaram mais freqüentes e, graças a horários cada vez mais flexíveis, começaram as viagens também durante a semana. Foi com grande surpresa que, ao voltar pra casa um dia desses, ouvi da minha mãe, brava porque já passava das duas da manhã, que ela não iria para a praia no dia seguinte, mas pro sítio e que lá ia ficar pelas próximas duas semanas, mas que era lógico que eu não sabia disso porque não parava em casa. Ela, meu pai, minha avó (que passava férias com a gente) e minha cachorra. Todos fora. Em casa, só eu, meu irmão e os peixes do aquário.
Acho que poucas vezes fiquei tão perdida na vida. Não precisava mais voltar pra casa pra nada. Pros peixes era fácil de dar comida. Eu jogava aquelas plantinhas de manhã e de madrugada, alguém à noite e, se peixe realmente não dorme, o de madrugada não precisava ser sempre no mesmo horário. Como resultado, em nenhum dia voltei direto. Já que nem eu nem meu irmão cozinhamos, jantar era uma desculpa pra ir pro bar. Depois de um tempo, não agüentava mais comer sanduíche. Já no final de semana (nos dois finais de semana) São Pedro afogou meus planos e fez chover o dia todo. Acabei saindo só à noite. Meu irmão, se, ao contrário de mim, já não tinha muitas regras ("eu não tenho medo que teu irmão saia porque ele tem medo, já você é meio louca, vai pra tudo quanto é canto") ficou ainda pior. Mal nos vimos durante esse tempo todo.
Quinta-feira, véspera de feriado, os peixes já quase mortos e dentro de um aquário imundo de tanta comida, começou a melhor das maratonas. A idéia era primeiro ver um amigo tocar, depois encontrar meu grupo de faculdade no outro lado da cidade e, por fim, decidir se ia pra praia ou não. Por causa do trabalho, não consegui ver o show. Depois de usar a internet do McDonald's, fui direto pro bar, ver um povo que não encontrava há dois anos. Era meu dia de voltar a beber, então uma caipirinha e uma cerveja em comemoração. Chegando em casa, às 4h, arrumo a mala, durmo 1h30 e sigo pra encontrar Lucy.
Dois dias na praia, com aventuras dignas de Jones, e voltamos domingo cedo. O tempo bom que estava no litoral não tinha chegado a São Paulo, mas eu só descobri isso quando faltava meia hora pra alcançar a marginal. Meio deprimida de pensar em outro dia dentro de casa, vejo uma plaquinha que praticamente brilhava "Rio de Janeiro / Taubaté". Tava cedo ainda... 10h30 da manhã. Pegar a estrada rumo ao sítio significava encarar mais uma hora e meia de estrada (exatamente o que tinha rodado até então). Olhei mais uma vez pro céu e quando vi, estava no caminho oposto, sentido interior. Se meus pais tivessem em casa, provavelmente brigariam de eu pegar a estrada de novo, enfrentar o trânsito de volta de feriado à noite, cansada, ir e voltar no mesmo dia, dirigir mais de 6 horas no total. Mas a liberdade me deu saudades. Fui pro interior só pra ouvir "ah, só você pra fazer isso... mas, que bom que veio". No fim, o circo, as correntes viciam.
Sunday, January 20, 2008
A vida como num conto de fadas
"A gente tá saindo todo dia, há mais de uma semana e, por mais que eu peça, ele ainda não pegou meu telefone e nem me deu o dele";
"Ele sempre fala que quer marcar alguma coisa, mas nunca passa disso, ou, quando liga, é em cima da hora. Que que ele acha? Que eu tenho que ficar com a agenda aberta, esperando?";
"Se é pra ficar com outras na minha frente, por que continua me dando esperanças?";
"Eu juro que tento, mas não consigo ficar sem ligar. Daí a gente sai, fica junto e no dia seguinte ele volta a ignorar minhas ligações";
"Ele liga, manda mensagem, diz que é de mim que ele gosta, mas não larga a namorada de jeito nenhum";
"Sim, ele é um idiota, mas o que posso fazer? Eu gosto dele";
"Eu sei que é errado, que vou me machucar depois, mas no momento ele tá me fazendo bem"
Essas são só algumas críticas. Daria pra fazer um post inteiro só com citações recentes, mas daí não teria fim mas só lamentos.
Segundo a dona da última frase, não existem mais príncipes encantados hoje em dia. Segundo uma outra amiga, o príncipe encantado é simplesmente "alguém que me trate com respeito e que goste de mim".
Péssimo pensar que todos os sonhos de infância com o cara ideal tenham se restringido a isso. Pior ainda é pensar que nem mesmo alguém que goste da gente e que nos respeite não está tão fácil de encontrar.
Pelo menos uma vez eu queria ouvir: "ah, conheci um cara novo. Tão legal. Educado. Solteiro. Não espera até a última hora pra me convidar pra sair. Me dá segurança. Começamos a ficar há pouco tempo e já conheci alguns de seus amigos".
Dessa forma, poderia ficar só feliz por minhas amigas. Em vez disso, cada história desperta uma nova rodada de preocupação e, às vezes, broncas. Se bem que mesmo essas têm ficado menos constantes. Ser cabeça dura não é um privilégio das Jones. O mulherio em geral costuma adorar dar com a cabeça na parede. Então, em vez de falar com as portas, a gente acaba desistindo e simplesmente fica perto, esperando pra ajudar quando a casa cair.
E é engraçado como a gente se sujeita a isso. Um dia uma pessoa me perguntou qual era o meu problema. "Por que (mil elogios depois), você deve ter algum problema para estar solteira". Não soube responder, lógico, e, algum tempo depois, um amigo me disse que deveria ter respondido "o problema são os homens, não eu". Adorei a resposta, mas não acredito que seja verdade. Pensando bem, o problema acho que está nas nossas escolhas. O tipo de pessoa de quem gostamos, os valores que mais prezamos, além da aceitação do tipo de comportamento acima.
Pegar um cachorrinho e depois descobrir que ele tá doente é um risco, não tem muito o que fazer. Agora, se você vê que o bicho tá com o pêlo todo falhado, comido e mesmo assim resolve ficar com ele, não do quê reclamar. Essa atitude até poderia ser chamada de idiotice, mas acontece que "ah, ele é tão bonitinho" que acaba valendo a pena arranjar a tal sarna pra se coçar. E quem já não fez isso?
Mesmo que seja com a pretensa desculpa de não se envolver, para deixarmos de ficar sozinhas, permanecer com quem gostamos ou mesmo esquecer alguém tão ruim quanto (ou até mesmo pior) a gente aceita sair com tipos não tão legais. Além do que, mulher tem esse costume horrível de achar que vai consertar os homens (se é que existe alguma coisa a ser consertado).
Sempre me recusei a concordar que "homem é tudo filho da puta", mas confesso que ultimamente tem sido cada vez mais difícil defender a raça. Não que eles não tenham culpa. Têm sim, e muita. Mas a gente também não pode se eximir da nossa. Acontece, que se ele é galinha, é porque tem mulher que deixa. Se ele chifra, alguém foi conivente. Se você hoje é a outra, amanhã pode ser a chifrada. Às vezes, mesmo quando a gente parece que encontra alguém, aparece uma bruxa, tão perversa quanto a medusa do mar, espreitando para tentar roubar o príncipe alheio.
Mesmo sem perceber, a gente de vez em quando se torna a vilã de uma história. Depois, reclama que homem não presta, mas a verdade é que nós contribuimos pra esse tipo de comportamento, pro fim dos contos de fada.
"Ele sempre fala que quer marcar alguma coisa, mas nunca passa disso, ou, quando liga, é em cima da hora. Que que ele acha? Que eu tenho que ficar com a agenda aberta, esperando?";
"Se é pra ficar com outras na minha frente, por que continua me dando esperanças?";
"Eu juro que tento, mas não consigo ficar sem ligar. Daí a gente sai, fica junto e no dia seguinte ele volta a ignorar minhas ligações";
"Ele liga, manda mensagem, diz que é de mim que ele gosta, mas não larga a namorada de jeito nenhum";
"Sim, ele é um idiota, mas o que posso fazer? Eu gosto dele";
"Eu sei que é errado, que vou me machucar depois, mas no momento ele tá me fazendo bem"
Essas são só algumas críticas. Daria pra fazer um post inteiro só com citações recentes, mas daí não teria fim mas só lamentos.
Segundo a dona da última frase, não existem mais príncipes encantados hoje em dia. Segundo uma outra amiga, o príncipe encantado é simplesmente "alguém que me trate com respeito e que goste de mim".
Péssimo pensar que todos os sonhos de infância com o cara ideal tenham se restringido a isso. Pior ainda é pensar que nem mesmo alguém que goste da gente e que nos respeite não está tão fácil de encontrar.
Pelo menos uma vez eu queria ouvir: "ah, conheci um cara novo. Tão legal. Educado. Solteiro. Não espera até a última hora pra me convidar pra sair. Me dá segurança. Começamos a ficar há pouco tempo e já conheci alguns de seus amigos".
Dessa forma, poderia ficar só feliz por minhas amigas. Em vez disso, cada história desperta uma nova rodada de preocupação e, às vezes, broncas. Se bem que mesmo essas têm ficado menos constantes. Ser cabeça dura não é um privilégio das Jones. O mulherio em geral costuma adorar dar com a cabeça na parede. Então, em vez de falar com as portas, a gente acaba desistindo e simplesmente fica perto, esperando pra ajudar quando a casa cair.
E é engraçado como a gente se sujeita a isso. Um dia uma pessoa me perguntou qual era o meu problema. "Por que (mil elogios depois), você deve ter algum problema para estar solteira". Não soube responder, lógico, e, algum tempo depois, um amigo me disse que deveria ter respondido "o problema são os homens, não eu". Adorei a resposta, mas não acredito que seja verdade. Pensando bem, o problema acho que está nas nossas escolhas. O tipo de pessoa de quem gostamos, os valores que mais prezamos, além da aceitação do tipo de comportamento acima.
Pegar um cachorrinho e depois descobrir que ele tá doente é um risco, não tem muito o que fazer. Agora, se você vê que o bicho tá com o pêlo todo falhado, comido e mesmo assim resolve ficar com ele, não do quê reclamar. Essa atitude até poderia ser chamada de idiotice, mas acontece que "ah, ele é tão bonitinho" que acaba valendo a pena arranjar a tal sarna pra se coçar. E quem já não fez isso?
Mesmo que seja com a pretensa desculpa de não se envolver, para deixarmos de ficar sozinhas, permanecer com quem gostamos ou mesmo esquecer alguém tão ruim quanto (ou até mesmo pior) a gente aceita sair com tipos não tão legais. Além do que, mulher tem esse costume horrível de achar que vai consertar os homens (se é que existe alguma coisa a ser consertado).
Sempre me recusei a concordar que "homem é tudo filho da puta", mas confesso que ultimamente tem sido cada vez mais difícil defender a raça. Não que eles não tenham culpa. Têm sim, e muita. Mas a gente também não pode se eximir da nossa. Acontece, que se ele é galinha, é porque tem mulher que deixa. Se ele chifra, alguém foi conivente. Se você hoje é a outra, amanhã pode ser a chifrada. Às vezes, mesmo quando a gente parece que encontra alguém, aparece uma bruxa, tão perversa quanto a medusa do mar, espreitando para tentar roubar o príncipe alheio.
Mesmo sem perceber, a gente de vez em quando se torna a vilã de uma história. Depois, reclama que homem não presta, mas a verdade é que nós contribuimos pra esse tipo de comportamento, pro fim dos contos de fada.
Thursday, January 10, 2008
This is so last year
Sabe aquele poema que postei recentemente (post "Tá na hora de escolher a calcinha"), de Carlos Drummond, que fala sobre a renovação, virada de ano e tal? Acho que deveria tê-lo guardado para colocar no começo do ano.
A gente costuma terminar dezembro com mil planos, faz inúmeras promessas, mas confesso que tinha me esquecido de uma parte: é frustrante chegar dia 2 e perceber que tudo continua a mesma coisa. Apesar de estar com um ânimo novo pra mudar os rumos, a realidade continua a mesma e dá uma preguiiiça pensar no trabalho que vai dar pra alterar tudo isso.
Lucy me disse recentemente ter ouvido de uma amiga que ela estava numa fase única, em que pode levar a vida dela pra onde quisesse, começar do zero, sem amarras. Ela percebeu que é verdade e talvez tenha ganhado um pouco de ânimo com a constatação. Um ano inteiro em branco a ser escrito. Já no meu caso, é horrível chegar em São Paulo ainda com o cabelo duro de Cidra derramada, depois de 19 horas de viagem, e perceber que o trabalho continuava o mesmo, apesar de um ambiente diferenciado, que as pendências de 2007 (pendências, também segundo Lucy, é uma palavra que faz a gente se sentir muito adulto) também continuavam as mesmas. Os problemas que a gente escuta, as conversinhas, os casos mal resolvidos. Todos esses foram levados para 2008, tais como cachorros que levam suas pulgas consigo quando mudam de casa.
Esse ano, como já contei pra muita gente, não fiz promessa alguma, pois assim não preciso cumprir. Aliás, depois daquele show de "eu conheço simpatias" dado em posts recentes, me rebelei, mesmo que inconscientemente, e a única simpatia que fiz foi pular 9 ondinhas (sete pra mim e mais duas, que me atrapalhei na hora de fazer os pedidos e cedi para um amigo que preferiu não molhar os pés). Mas essa história, junto com algumas outras aventuras de Patty e Lina no ano novo, fica pra depois.
Se você faz uma promessa, deve ter determinação para levá-la ao fim, senão não tem por que prometer. Determinação, pra mim, pode ser tanto uma virtude quanto um vício. E a minha, de tão forte, fica bem nesse meio termo. Quando decido que vou fazer alguma coisa, não páro até conseguir. Bato a cabeça no muro quantas vezes forem necessárias, até o concreto cair ou, por um motivo qualquer, eu achar que não vale mais a pena. Normalmente, esse motivo é o tempo. Se demorou muito pra dar certo, perde a graça. Um exemplo são os exercícios da academia (que recomecei). O pior deles é a esteira. Não tem fim! Você não vê um fim... correr tem todo aquele charme de ser um esporte que tá na modinha, as pessoas vão a parques uniformizadas, mas... você tá correndo por quê? A pergunta é tão sem resposta que virou slogan do Nike 10. Mas precisa, eu corro. No começo, até acho divertido. Depois, canso e quando não vejo mais sentido, páro e desisto.
E mesmo que hoje não me arrependa, confesso que fiquei um pouco frustrada quando desisti de alguns dos meus planos feitos no ano passado. São coisas que perderam o sentido, importância, ou que simplesmente foram preteridas por algo novo, mais interessante, que mudou o rumo das coisas. Lucy, por sinal, (amiga, essa é a terceira vez que te cito nesse texto, acho que você tá fazendo mais falta do que imaginava rs) costuma dizer que toda escolha implica em uma perda. Frase dura, mas real. E para não ter que desistir de nada neste ano, me frustrar de novo, em vez das tais promessas, fiz desejos bem genéricos. Sete desejos para sete ondas. Mas daí também vem a escolha. O que você deseja para esse ano? Mudar ou continuar a mesma coisa? Eu não tinha percebido até descer daquele ônibus no dia 2, ainda de shorts e uma quase frente única - "quase uma Charlie's Angel", me comparou Lina, já que os trajes e a pele morena em nada combinavam com o dia frio que fazia aqui - mas não fazer planos é decidir que está bom como estava antes e que assim vai continuar.
No dia seguinte, conversando com um amigo querido, que disse não estar se sentindo em 2008, que tá tudo muito igual ainda, notei que a minha situação estava a mesma e que não tinha mudanças em vista. Simplesmente porque tinha só desejos. Muitos desejos, alguns até contraditórios.
No Natal, algumas mães têm o costume de fazer os filhos darem os brinquedos parados, já que ganharam novos. Senão, o armário fica cheio e não se aproveita nem um nem outro. Acho que é essa a idéia. Na hora de fazer novos desejos, na praia, esqueci de jogar alguns fora. Antigos se confundiam com novos e tudo aquilo só trazia uma frase para minha cabeça: this is so last year. Por fim, vieram algumas ações de ano novo e, consequentemente, desejos antigos foram jogados fora ou, pelo menos, encaixotados lá no fundo do sótão, de onde, quem sabe, um dia voltem, quem sabe, não.
A gente costuma terminar dezembro com mil planos, faz inúmeras promessas, mas confesso que tinha me esquecido de uma parte: é frustrante chegar dia 2 e perceber que tudo continua a mesma coisa. Apesar de estar com um ânimo novo pra mudar os rumos, a realidade continua a mesma e dá uma preguiiiça pensar no trabalho que vai dar pra alterar tudo isso.
Lucy me disse recentemente ter ouvido de uma amiga que ela estava numa fase única, em que pode levar a vida dela pra onde quisesse, começar do zero, sem amarras. Ela percebeu que é verdade e talvez tenha ganhado um pouco de ânimo com a constatação. Um ano inteiro em branco a ser escrito. Já no meu caso, é horrível chegar em São Paulo ainda com o cabelo duro de Cidra derramada, depois de 19 horas de viagem, e perceber que o trabalho continuava o mesmo, apesar de um ambiente diferenciado, que as pendências de 2007 (pendências, também segundo Lucy, é uma palavra que faz a gente se sentir muito adulto) também continuavam as mesmas. Os problemas que a gente escuta, as conversinhas, os casos mal resolvidos. Todos esses foram levados para 2008, tais como cachorros que levam suas pulgas consigo quando mudam de casa.
Esse ano, como já contei pra muita gente, não fiz promessa alguma, pois assim não preciso cumprir. Aliás, depois daquele show de "eu conheço simpatias" dado em posts recentes, me rebelei, mesmo que inconscientemente, e a única simpatia que fiz foi pular 9 ondinhas (sete pra mim e mais duas, que me atrapalhei na hora de fazer os pedidos e cedi para um amigo que preferiu não molhar os pés). Mas essa história, junto com algumas outras aventuras de Patty e Lina no ano novo, fica pra depois.
Se você faz uma promessa, deve ter determinação para levá-la ao fim, senão não tem por que prometer. Determinação, pra mim, pode ser tanto uma virtude quanto um vício. E a minha, de tão forte, fica bem nesse meio termo. Quando decido que vou fazer alguma coisa, não páro até conseguir. Bato a cabeça no muro quantas vezes forem necessárias, até o concreto cair ou, por um motivo qualquer, eu achar que não vale mais a pena. Normalmente, esse motivo é o tempo. Se demorou muito pra dar certo, perde a graça. Um exemplo são os exercícios da academia (que recomecei). O pior deles é a esteira. Não tem fim! Você não vê um fim... correr tem todo aquele charme de ser um esporte que tá na modinha, as pessoas vão a parques uniformizadas, mas... você tá correndo por quê? A pergunta é tão sem resposta que virou slogan do Nike 10. Mas precisa, eu corro. No começo, até acho divertido. Depois, canso e quando não vejo mais sentido, páro e desisto.
E mesmo que hoje não me arrependa, confesso que fiquei um pouco frustrada quando desisti de alguns dos meus planos feitos no ano passado. São coisas que perderam o sentido, importância, ou que simplesmente foram preteridas por algo novo, mais interessante, que mudou o rumo das coisas. Lucy, por sinal, (amiga, essa é a terceira vez que te cito nesse texto, acho que você tá fazendo mais falta do que imaginava rs) costuma dizer que toda escolha implica em uma perda. Frase dura, mas real. E para não ter que desistir de nada neste ano, me frustrar de novo, em vez das tais promessas, fiz desejos bem genéricos. Sete desejos para sete ondas. Mas daí também vem a escolha. O que você deseja para esse ano? Mudar ou continuar a mesma coisa? Eu não tinha percebido até descer daquele ônibus no dia 2, ainda de shorts e uma quase frente única - "quase uma Charlie's Angel", me comparou Lina, já que os trajes e a pele morena em nada combinavam com o dia frio que fazia aqui - mas não fazer planos é decidir que está bom como estava antes e que assim vai continuar.
No dia seguinte, conversando com um amigo querido, que disse não estar se sentindo em 2008, que tá tudo muito igual ainda, notei que a minha situação estava a mesma e que não tinha mudanças em vista. Simplesmente porque tinha só desejos. Muitos desejos, alguns até contraditórios.
No Natal, algumas mães têm o costume de fazer os filhos darem os brinquedos parados, já que ganharam novos. Senão, o armário fica cheio e não se aproveita nem um nem outro. Acho que é essa a idéia. Na hora de fazer novos desejos, na praia, esqueci de jogar alguns fora. Antigos se confundiam com novos e tudo aquilo só trazia uma frase para minha cabeça: this is so last year. Por fim, vieram algumas ações de ano novo e, consequentemente, desejos antigos foram jogados fora ou, pelo menos, encaixotados lá no fundo do sótão, de onde, quem sabe, um dia voltem, quem sabe, não.
Thursday, December 20, 2007
Que animal você quer ser em 2008?
Teste rápido
Pense em um animal. Agora, dê três características dele.
Faça isso mais uma vez, com outro bicho.
Agora, de novo.
Pronto?
(Aviso: se você é daqueles que gosta de testes de personalidade, realmente faça isso antes de continuar a ler, não toma muito tempo e daqui a duas frases o jogo perde totalmente a graça)
......
Segundo esse teste que fiz uma vez, os três animais representam, juntamente com suas qualidades e defeitos, como você se vê, como os outros te vêem e como você gostaria de ser.
Infelizmente depois que você faz a primeira vez e sabe a resposta é meio complicado fazer de novo. Quando acabar esse texto provavelmente vou refazer o meu, respondido há cerca de uns dez anos. O problema é que essa coisa do "quem você é" e afins fica no inconsciente e pode influenciar a resposta. Se você também faz o tipo meio confuso e já esqueceu a ordem do que significa cada um dos animais, pensar nisso pode fazer uma salada ainda maior. Por isso, mesmo que tenha decidido fazer só agora, abstraia as respostas.
Quanto mais diferentes forem as características usadas no primeiro e no segundo exemplo, mais legal a idéia. Isso só mostra que ninguém pode falar "eu sou...". A gente acha que é. Afinal, quem está mais certo sobre a sua personalidade: você mesmo ou os outros, que te vêem de fora, observam suas expressões, seus gestos mas não têm a menor idéia dos argumentos que permeiam cada uma de suas decisões?
Os textos desse blog refletem muito isso. Não é incomum uma Jones mandar pra outra os links e perguntar "o que você acha? Parece que estou muito...?" e daí o adjetivo varia de Jones para Jones. Lucy normalmente se preocupa em não parecer carente, deprimida, já que sua ironia nem sempre é evidente. Ariel, apesar da fama de durona, se apresenta como a pessoa mais romântica e apaixonada do mundo. Já eu constantemente pareço insensível. Talvez seja difícil pra quem só conhece uma faceta das Jones admitir isso, mas Lucy é muito forte, Ariel é super carinhosa, eu tenho meus momentos de fossa, Lana tem um lado sério e Lina é racional. Escrever o "Cuidado com seus desejos", por exemplo, foi uma tentativa de contraponto na minha seqüência de posts a la Sex and the City e, assim, amenizar esta imagem.
Por falar na série, tem outro teste que só comprova a teoria. "Quem é você em Sex and The City?" diz que sou Carrie e que meu lado cool disfarça minha insegurança. Verdade? Talvez. Mas é engraçado essa diferença de visão que temos da mesma pessoa e, principalmente, a visão que nós temos de nós mesmas. É lógico que a gente pode bater o pé e dizer que não, que os outros estão errados, mas a auto-análise é o primeiro passo pra nos tornarmos aquela pessoa que a gente pensa que é - e gosta. Por isso, continuando a série "Posts de final de ano", fica a pergunta do título: que animal você quer ser em 2008?
Pense em um animal. Agora, dê três características dele.
Faça isso mais uma vez, com outro bicho.
Agora, de novo.
Pronto?
(Aviso: se você é daqueles que gosta de testes de personalidade, realmente faça isso antes de continuar a ler, não toma muito tempo e daqui a duas frases o jogo perde totalmente a graça)
......
Segundo esse teste que fiz uma vez, os três animais representam, juntamente com suas qualidades e defeitos, como você se vê, como os outros te vêem e como você gostaria de ser.
Infelizmente depois que você faz a primeira vez e sabe a resposta é meio complicado fazer de novo. Quando acabar esse texto provavelmente vou refazer o meu, respondido há cerca de uns dez anos. O problema é que essa coisa do "quem você é" e afins fica no inconsciente e pode influenciar a resposta. Se você também faz o tipo meio confuso e já esqueceu a ordem do que significa cada um dos animais, pensar nisso pode fazer uma salada ainda maior. Por isso, mesmo que tenha decidido fazer só agora, abstraia as respostas.
Quanto mais diferentes forem as características usadas no primeiro e no segundo exemplo, mais legal a idéia. Isso só mostra que ninguém pode falar "eu sou...". A gente acha que é. Afinal, quem está mais certo sobre a sua personalidade: você mesmo ou os outros, que te vêem de fora, observam suas expressões, seus gestos mas não têm a menor idéia dos argumentos que permeiam cada uma de suas decisões?
Os textos desse blog refletem muito isso. Não é incomum uma Jones mandar pra outra os links e perguntar "o que você acha? Parece que estou muito...?" e daí o adjetivo varia de Jones para Jones. Lucy normalmente se preocupa em não parecer carente, deprimida, já que sua ironia nem sempre é evidente. Ariel, apesar da fama de durona, se apresenta como a pessoa mais romântica e apaixonada do mundo. Já eu constantemente pareço insensível. Talvez seja difícil pra quem só conhece uma faceta das Jones admitir isso, mas Lucy é muito forte, Ariel é super carinhosa, eu tenho meus momentos de fossa, Lana tem um lado sério e Lina é racional. Escrever o "Cuidado com seus desejos", por exemplo, foi uma tentativa de contraponto na minha seqüência de posts a la Sex and the City e, assim, amenizar esta imagem.
Por falar na série, tem outro teste que só comprova a teoria. "Quem é você em Sex and The City?" diz que sou Carrie e que meu lado cool disfarça minha insegurança. Verdade? Talvez. Mas é engraçado essa diferença de visão que temos da mesma pessoa e, principalmente, a visão que nós temos de nós mesmas. É lógico que a gente pode bater o pé e dizer que não, que os outros estão errados, mas a auto-análise é o primeiro passo pra nos tornarmos aquela pessoa que a gente pensa que é - e gosta. Por isso, continuando a série "Posts de final de ano", fica a pergunta do título: que animal você quer ser em 2008?
Monday, December 17, 2007
Tá na hora de escolher a calcinha
Escrever esse texto me dá até um arrepio. Clichê à parte, parece que foi ontem que Lucy mandou um e-mail desafiando todas as Jones a fazerem uma retrospectiva de 2006. Eram os primeiros meses do blog, a freqüência ainda era razoável e... nossa, é difícil demais comparar. Dois mil e sete foi um ano extremamente intenso. Essa certeza eu tive agora, ao reler meu próprio post, datado de 23 de dezembro. A lembrança da faculdade ainda era recente e o título, "o ano do pato", demonstrava que haviam sido 365 dias (completados depois) de pura experimentação. Nesse, ao contrário, intensidade foi a palavra marcante.
Intensidade essa dividida em três itens: trabalho, rugby e baladas. Se parar pra fazer uma auto-crítica, talvez pareça meio fútil. Mas acontece que os três elementos permearam todo o ano de 2007, em todas as áreas. E agora chega 2008, uma simples mudança de número que traz uma infinidade de novas esperanças, de novos planos. E correndo o risco de deixar - de novo - o meu texto grande demais, vou dar uma paradinha com um poema que adoro.
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número
e outra vontade de acreditar que,
daqui pra frente...
tudo vai ser diferente.
Carlos Drummond de Andrade
Acho que ele resume bem tudo o que sinto. Desde pequena, aprendi que uma parte importante da virada é a reflexão, mesmo que superficial, do que aconteceu. Do que você fez, de bom, de ruim, de que tipo de pessoa está se tornando (idéia da eterna mutação). Do que você quis fazer e não conseguiu. Não fez porque mudou de planos, não se empenhou o suficiente ou não deu mesmo? Esses planos continuam para o ano seguinte? Quem marcou a sua vida nestes 365 ou 366 dias? Quando você lembra de tudo o que passou, quais os rostos que mais lhe vêm à mente? E com que sentimento?
Com base em tudo isso, traçava planos para o ano seguinte. Coisas que gostaria que acontecesse. Pequenos sonhos para o ano que está começando e que não necessariamente serão realizados. Mas é muito bom pensar que sim. Uma agenda inteira a ser preenchida. E com essas idéias na cabeça a gente cria ou participa de simpatias, rituais.
Na ceia, não pode ter nada que coma andando para trás, porque a vida vai andar pra trás junto. Galinha e porco estão proibidos. O melhor é peixe. Lentilha traz dinheiro, assim como a uva e a romã, mas essas duas só funcionam se comer de pé. Por falar em romã, não lembro direito quantos, mas sei que guardar alguns carocinhos da fruta dentro da carteira também era importante, assim como folhas de louro. Se você passar na praia, pule sete ondinhas. Cada uma pensando em um desejo. Na volta, ande para trás, não dê nunca as costas para o mar ou Iemanjá vai ficar brava. Ela, por sinal, recebe milhões de oferendas todo o ano e devolve para a terra aquelas cujos solicitantes não terão seus desejos atendidos. O resultado, infelizmente, são praias imundas no dia 1o, por isso, parei de jogar as rosas.
À meia-noite, a primeira pessoa a ser cumprimentada deve ser do sexo oposto. E a primeira vez que você entrar em casa tem que ser pela porta da frente e com o pé direito. Se quiser viajar, tire uma mala de dentro do armário e dê uma volta pela casa com ela.
As simpatias são divertidíssimas. É só você não se estressar demais em tentar cumpri-las e começar o ano brava - daí é melhor nem fazer. Uma não muito divulgada é de queimar defeitos - ou pecados. No último dia do ano você escreve o que você quer mudar em você mesma em um pedaço de papel. Cada defeito em um pedaço. Quando fiz, era meio gordinha e, assim como quem me ensinou a simpatia, escrevi "gordura" em um dos papéis. Mas também vale coisas mais complexas como insegurança, arrogância e por aí vai. Não há limite de papéis, mas sempre acho que quanto mais focado você for, mais fácil de atingir seus objetivos. Terminada a primeira parte, junte tudo em algum lugar e coloque fogo. A gente jogou na churrasqueira, mas hoje acho que seria muito mais legal queimar um a um, vendo tudo aquilo que te incomoda desaparecer devarzinho entre as chamas.
Sem defeitos, com a vida andando pra frente e feito um monte de planos, que venha o novo ano, guiado pela escolha certa da calcinha (texto abaixo).
Intensidade essa dividida em três itens: trabalho, rugby e baladas. Se parar pra fazer uma auto-crítica, talvez pareça meio fútil. Mas acontece que os três elementos permearam todo o ano de 2007, em todas as áreas. E agora chega 2008, uma simples mudança de número que traz uma infinidade de novas esperanças, de novos planos. E correndo o risco de deixar - de novo - o meu texto grande demais, vou dar uma paradinha com um poema que adoro.
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número
e outra vontade de acreditar que,
daqui pra frente...
tudo vai ser diferente.
Carlos Drummond de Andrade
Acho que ele resume bem tudo o que sinto. Desde pequena, aprendi que uma parte importante da virada é a reflexão, mesmo que superficial, do que aconteceu. Do que você fez, de bom, de ruim, de que tipo de pessoa está se tornando (idéia da eterna mutação). Do que você quis fazer e não conseguiu. Não fez porque mudou de planos, não se empenhou o suficiente ou não deu mesmo? Esses planos continuam para o ano seguinte? Quem marcou a sua vida nestes 365 ou 366 dias? Quando você lembra de tudo o que passou, quais os rostos que mais lhe vêm à mente? E com que sentimento?
Com base em tudo isso, traçava planos para o ano seguinte. Coisas que gostaria que acontecesse. Pequenos sonhos para o ano que está começando e que não necessariamente serão realizados. Mas é muito bom pensar que sim. Uma agenda inteira a ser preenchida. E com essas idéias na cabeça a gente cria ou participa de simpatias, rituais.
Na ceia, não pode ter nada que coma andando para trás, porque a vida vai andar pra trás junto. Galinha e porco estão proibidos. O melhor é peixe. Lentilha traz dinheiro, assim como a uva e a romã, mas essas duas só funcionam se comer de pé. Por falar em romã, não lembro direito quantos, mas sei que guardar alguns carocinhos da fruta dentro da carteira também era importante, assim como folhas de louro. Se você passar na praia, pule sete ondinhas. Cada uma pensando em um desejo. Na volta, ande para trás, não dê nunca as costas para o mar ou Iemanjá vai ficar brava. Ela, por sinal, recebe milhões de oferendas todo o ano e devolve para a terra aquelas cujos solicitantes não terão seus desejos atendidos. O resultado, infelizmente, são praias imundas no dia 1o, por isso, parei de jogar as rosas.
À meia-noite, a primeira pessoa a ser cumprimentada deve ser do sexo oposto. E a primeira vez que você entrar em casa tem que ser pela porta da frente e com o pé direito. Se quiser viajar, tire uma mala de dentro do armário e dê uma volta pela casa com ela.
As simpatias são divertidíssimas. É só você não se estressar demais em tentar cumpri-las e começar o ano brava - daí é melhor nem fazer. Uma não muito divulgada é de queimar defeitos - ou pecados. No último dia do ano você escreve o que você quer mudar em você mesma em um pedaço de papel. Cada defeito em um pedaço. Quando fiz, era meio gordinha e, assim como quem me ensinou a simpatia, escrevi "gordura" em um dos papéis. Mas também vale coisas mais complexas como insegurança, arrogância e por aí vai. Não há limite de papéis, mas sempre acho que quanto mais focado você for, mais fácil de atingir seus objetivos. Terminada a primeira parte, junte tudo em algum lugar e coloque fogo. A gente jogou na churrasqueira, mas hoje acho que seria muito mais legal queimar um a um, vendo tudo aquilo que te incomoda desaparecer devarzinho entre as chamas.
Sem defeitos, com a vida andando pra frente e feito um monte de planos, que venha o novo ano, guiado pela escolha certa da calcinha (texto abaixo).
Retrospectiva por cores
Entre todos os rituais de final de ano, um dos mais legais, exatamente por ser simples, é a escolha da roupa. A cor que escolhemos antes de sairmos de casa já mostra nosso ânimo. Não é à toa que às vezes você sai na rua e vê um monte de gente com a mesma cor que você. São pessoas que estão sob a mesma influência, mesmo humor, guiadas pelo tal inconsciente coletivo. Por isso, nada melhor do que na virada do ano você escolher qual cor vai predominar na sua vida nessa nova etapa.
Aqui no Brasil acostumamos a usar branco pedindo paz. Em outros países, o normal é o preto. Mas, debaixo da roupa, onde (quase) ninguém vê, cada um ostenta um desejo secreto. Um pedido delimitado por cores para o ano seguinte. O que você quer para 2008? Paz? Amor? Uma paixão? Prosperidade financeira? Saúde? Proteção? Às vezes, acontecimentos de final de ano podem distorcer sua visão do ano inteiro. Então, para descobrir o que faltou e fazer o pedido certo, nada melhor do que uma retrospectiva. A minha, vai aí embaixo:
Verde (saúde): No arraial do sítio, fizeram um altar pra imagem do Chrygor, mas melhor do que isso teria sido colocar uma bola de rugby ao lado das velas. Apesar de ainda não ter acontecido o milagre do nosso time fazer try em jogos oficiais, o poder da bola oval me fez por dias acordar às 6h da manhã pra correr no parque do Ibirapuera. Melhorei meu condicionamento físico. Fui pra academia e para treinos três vezes por semana. Participamos de três campeonatos, mais alguns amistosos, incluindo um de union. Passei da ponta para centro e terminei o ano jogando até mesmo de abertura, posição que faço toda a questão de devolver.
Amarelo (prosperidade): Se pelo esporte, virei secretária de Lucy, meses depois repeti a função no trabalho, como X-sistent. Tudo isso toma tempo e vicia. Me enfiei de cabeça no trabalho. Minha pulseira amarela caiu e eu não fui pra África. Em compensação, além do emprego de sempre, em que troquei os plantões de final de semana por serões constantes, foram frilas (de jornalismo e publicidade) e toda a infinidade de textos. Intensifiquei meu currículo como repórter. Cara de pau ao extremo, entrevistei até em italiano, que há anos não falava. Por um tempo, o blog também ficou agitado. Nessa brincadeira de querer abraçar o mundo, até pagamento em almoço ganhei.
Branco (paz): conceito relativo esse. Como bem definiu meu irmão, só duas pessoas nesse mundo conseguem me deixar nervosa. As duas, da família. E essa história de mudar de casa - e passar ainda menos tempo nela - acentuou as crises por um tempo. Depois, tudo resolvido. Nicks como "você não gosta dessa casa, né?" ou "é tudo culpa da parede" eram comuns no meu msn. Aliás, seria ótimo fazer uma retrospectiva só com base em nicks de msn. Fora do ambiente familiar, apesar deste ano não ter arrumado encrenca em balada (pelo menos não muita), nem apontado as pintas de meninos mal educados, confesso que tenho me irritado mais freqüentemente.
Preto (proteção): 2007 voltou a ser um ano de perdas. Perda, no singular, mas de grande importância e que mostrou o quanto é bom termos as pessoas queridas (amigos e família) sempre ao lado. O meu chaveiro de amuletos chegou ao fim quando o coração se desfez. O de olho grego, dado pela minha mãe, caiu inteiro e de uma vez - fato que tem se tornado comum entre as Jones.
Rosa e vermelho (amor e paixão): na área dos relacionamentos, uma intensidade diferente, houve alguns começos sem nenhum fim e um fim que não teve um começo de verdade.
Azul (tranqüilidade): nessa, a situação foi ainda pior e a cor azul terminou em déficit. A fama de baladeira se alastrou, juntamente com as olheiras que tomaram pouco a pouco conta do meu rosto. "Se me mato de trabalhar, me mato na diversão também". No começo do ano saí por escola de samba e ganhei o carnaval - mesmo que não tenha sido pela X-9. Em compensação, entrevistei o carnavalesco, simpaticíssimo. Fui pro meu sexto e último Juca como atleta, após dois anos como ex-aluna. Nas festas, até de menina-flor fomos, numa fantasia única, mesmo com chapéu roubado.
Na hora de pensar em tudo o que esse ano foi, bate uma certa tristeza, uma saudade antecipada de tudo o que 2007 foi e de tudo que ele poderia ter sido. Esse texto em si não tem muita razão de ser. Uma auto-reflexão publicada. No fim, serve como agenda, em que contamos tudo o que foi feito e tudo o que não foi feito. Vários textos que pensaram em ser escritos e nunca saíram do rascunho. Festa de um ano do próprio eraumavez, festa de um ano do rugby. Coisas que ficaram e que vão ter que ser compensadas no ano seguinte. Conclusão mesmo, não cheguei a nenhuma. Não lembro da cor usada nem do que pedi no ano passado. Mas acho que é até melhor assim. O legal é curtir as possibilidades naquele momento da passagem. Depois, se os pedidos foram realizados ou não, é insignificante. O que importa é que tenha sido um ano bom.
Aqui no Brasil acostumamos a usar branco pedindo paz. Em outros países, o normal é o preto. Mas, debaixo da roupa, onde (quase) ninguém vê, cada um ostenta um desejo secreto. Um pedido delimitado por cores para o ano seguinte. O que você quer para 2008? Paz? Amor? Uma paixão? Prosperidade financeira? Saúde? Proteção? Às vezes, acontecimentos de final de ano podem distorcer sua visão do ano inteiro. Então, para descobrir o que faltou e fazer o pedido certo, nada melhor do que uma retrospectiva. A minha, vai aí embaixo:
Verde (saúde): No arraial do sítio, fizeram um altar pra imagem do Chrygor, mas melhor do que isso teria sido colocar uma bola de rugby ao lado das velas. Apesar de ainda não ter acontecido o milagre do nosso time fazer try em jogos oficiais, o poder da bola oval me fez por dias acordar às 6h da manhã pra correr no parque do Ibirapuera. Melhorei meu condicionamento físico. Fui pra academia e para treinos três vezes por semana. Participamos de três campeonatos, mais alguns amistosos, incluindo um de union. Passei da ponta para centro e terminei o ano jogando até mesmo de abertura, posição que faço toda a questão de devolver.
Amarelo (prosperidade): Se pelo esporte, virei secretária de Lucy, meses depois repeti a função no trabalho, como X-sistent. Tudo isso toma tempo e vicia. Me enfiei de cabeça no trabalho. Minha pulseira amarela caiu e eu não fui pra África. Em compensação, além do emprego de sempre, em que troquei os plantões de final de semana por serões constantes, foram frilas (de jornalismo e publicidade) e toda a infinidade de textos. Intensifiquei meu currículo como repórter. Cara de pau ao extremo, entrevistei até em italiano, que há anos não falava. Por um tempo, o blog também ficou agitado. Nessa brincadeira de querer abraçar o mundo, até pagamento em almoço ganhei.
Branco (paz): conceito relativo esse. Como bem definiu meu irmão, só duas pessoas nesse mundo conseguem me deixar nervosa. As duas, da família. E essa história de mudar de casa - e passar ainda menos tempo nela - acentuou as crises por um tempo. Depois, tudo resolvido. Nicks como "você não gosta dessa casa, né?" ou "é tudo culpa da parede" eram comuns no meu msn. Aliás, seria ótimo fazer uma retrospectiva só com base em nicks de msn. Fora do ambiente familiar, apesar deste ano não ter arrumado encrenca em balada (pelo menos não muita), nem apontado as pintas de meninos mal educados, confesso que tenho me irritado mais freqüentemente.
Preto (proteção): 2007 voltou a ser um ano de perdas. Perda, no singular, mas de grande importância e que mostrou o quanto é bom termos as pessoas queridas (amigos e família) sempre ao lado. O meu chaveiro de amuletos chegou ao fim quando o coração se desfez. O de olho grego, dado pela minha mãe, caiu inteiro e de uma vez - fato que tem se tornado comum entre as Jones.
Rosa e vermelho (amor e paixão): na área dos relacionamentos, uma intensidade diferente, houve alguns começos sem nenhum fim e um fim que não teve um começo de verdade.
Azul (tranqüilidade): nessa, a situação foi ainda pior e a cor azul terminou em déficit. A fama de baladeira se alastrou, juntamente com as olheiras que tomaram pouco a pouco conta do meu rosto. "Se me mato de trabalhar, me mato na diversão também". No começo do ano saí por escola de samba e ganhei o carnaval - mesmo que não tenha sido pela X-9. Em compensação, entrevistei o carnavalesco, simpaticíssimo. Fui pro meu sexto e último Juca como atleta, após dois anos como ex-aluna. Nas festas, até de menina-flor fomos, numa fantasia única, mesmo com chapéu roubado.
Na hora de pensar em tudo o que esse ano foi, bate uma certa tristeza, uma saudade antecipada de tudo o que 2007 foi e de tudo que ele poderia ter sido. Esse texto em si não tem muita razão de ser. Uma auto-reflexão publicada. No fim, serve como agenda, em que contamos tudo o que foi feito e tudo o que não foi feito. Vários textos que pensaram em ser escritos e nunca saíram do rascunho. Festa de um ano do próprio eraumavez, festa de um ano do rugby. Coisas que ficaram e que vão ter que ser compensadas no ano seguinte. Conclusão mesmo, não cheguei a nenhuma. Não lembro da cor usada nem do que pedi no ano passado. Mas acho que é até melhor assim. O legal é curtir as possibilidades naquele momento da passagem. Depois, se os pedidos foram realizados ou não, é insignificante. O que importa é que tenha sido um ano bom.
Wednesday, December 12, 2007
Monólogo inútil
Acho que ele tem namorada. Só pode né? Some, depois reaparece rapidamente e me liga pra gente sair só durante a semana. No aniversário, disse que não sabia se ia comemorar e me chamou pra sairmos outro dia só nós dois. Ou seja, mesmo que ele dê uma festa não vai me chamar. Não pode me apresentar. Se bem que se fosse comigo, também não ia apresentar pros meus amigos sem ter nada. Ah, que ridículo, apresenta, paga de namorandinho e na semana seguinte acaba. Nem se ele me chamasse eu iria. Pelo menos não nessa condição.
A gente se conheceu num sábado. Ele me ligou na segunda. Tá interessado, né? Mas depois sumiu. Tinha o tal problema do TCC, mas não sei. Assim que acabaram as provas marcamos de sair, mas não deu certo. Problemas com trabalho. Isso acho que foi verdade. Ficamos conversando até as 20h e ele ainda estava no escritório. Daí eu que não atendi o telefone. Esqueci, de novo, dentro da bolsa. Coitado, ficou esperando. Ah, mas também... duvido que fosse dar certo. Já tava tarde. Então ele jogou alguma coisa como "durante a semana é complicado". Trabalho, trabalho, trabalho... ah, gente workaholic. Por que ele não é igual todo mundo que trabalha das 8h às 17h? Bom... meus happy hours nunca começam antes das 21h. Quase 12 horas por dia dentro de uma salinha. Daí, lógico que no final de semana tenho que sair, desestressar, não dá pra ficar esperando um convite em cima da hora. Se ele não acontece, vou ficar em casa, morgando? Ver Zorra Total é estar a um passo da decadência. No máximo, ouvir de fundo, sem prestar muita atenção, enquanto se arruma. Ficar em casa também pode ser, mas daí tem que ser um plano mais elaborado, filminho... enfim, tudo combinado com antecedência. Seria muito mais fácil ser uma mulher-namorada, acostumada a ter uma vida mais leve. Meu pai me disse outro dia que estou me acabando. Que exijo demais de mim mesma e que um dia o corpo vai cobrar. Pode ser, mas é melhor assim.
Pensando bem, acho que um dia eu comentei que pra mim era complicado de sábado e domingo, que era melhor durante a semana. Que bonitinho, ele lembrou! O problema é que nem todo mundo agüenta esse ritmo. Talvez aquilo fosse uma deixa pra gente combinar algo no sábado. É, acho que ele não tem namorada, ou ela ia estar viajando. Não, chega de paranóia. Eu, tonta, ouvi aquilo e não ofereci da gente sair no final de semana. Quem sabe da próxima. Mas, também, podia ele ter perguntado né? Se fosse comigo... ai... se fosse comigo eu ia ter certeza que eu tenho namorado.
A gente se conheceu num sábado. Ele me ligou na segunda. Tá interessado, né? Mas depois sumiu. Tinha o tal problema do TCC, mas não sei. Assim que acabaram as provas marcamos de sair, mas não deu certo. Problemas com trabalho. Isso acho que foi verdade. Ficamos conversando até as 20h e ele ainda estava no escritório. Daí eu que não atendi o telefone. Esqueci, de novo, dentro da bolsa. Coitado, ficou esperando. Ah, mas também... duvido que fosse dar certo. Já tava tarde. Então ele jogou alguma coisa como "durante a semana é complicado". Trabalho, trabalho, trabalho... ah, gente workaholic. Por que ele não é igual todo mundo que trabalha das 8h às 17h? Bom... meus happy hours nunca começam antes das 21h. Quase 12 horas por dia dentro de uma salinha. Daí, lógico que no final de semana tenho que sair, desestressar, não dá pra ficar esperando um convite em cima da hora. Se ele não acontece, vou ficar em casa, morgando? Ver Zorra Total é estar a um passo da decadência. No máximo, ouvir de fundo, sem prestar muita atenção, enquanto se arruma. Ficar em casa também pode ser, mas daí tem que ser um plano mais elaborado, filminho... enfim, tudo combinado com antecedência. Seria muito mais fácil ser uma mulher-namorada, acostumada a ter uma vida mais leve. Meu pai me disse outro dia que estou me acabando. Que exijo demais de mim mesma e que um dia o corpo vai cobrar. Pode ser, mas é melhor assim.
Pensando bem, acho que um dia eu comentei que pra mim era complicado de sábado e domingo, que era melhor durante a semana. Que bonitinho, ele lembrou! O problema é que nem todo mundo agüenta esse ritmo. Talvez aquilo fosse uma deixa pra gente combinar algo no sábado. É, acho que ele não tem namorada, ou ela ia estar viajando. Não, chega de paranóia. Eu, tonta, ouvi aquilo e não ofereci da gente sair no final de semana. Quem sabe da próxima. Mas, também, podia ele ter perguntado né? Se fosse comigo... ai... se fosse comigo eu ia ter certeza que eu tenho namorado.
Wednesday, November 14, 2007
Cuidado com seus desejos...
... eles podem se tornar realidade
"Ah, meninas, sabe que eu fico assim, olhando pra vocês desse jeito. Dá um aperto no coração. Eu me sinto um robozinho vendo uma criança chorar, sabe? 'Como que funciona isso?' Lógico que eu entendo que a gente sofre. Mas se o cara já falou que não vai mesmo ficar com você, pra que insistir? Juro que eu queria só uma vez sentir um pouquinho do que vocês estão sentindo. Assim podia entender e tentar ajudar melhor".
Esse discurso eu fiz inúmeras vezes, sempre que via alguma amiga - Jones ou não - triste pelo ex-ficante, namorado. Por isso, ao ouvir recentemente de um moço que "a verdade é que você se envolveu demais. Você, que sempre se disse tão bem resolvida, se envolveu em um nível maior do que eu", eu pensava, meio desacreditada, "nossa... é comigo".
Na hora, ainda argumentei "é, acho que estava a um passo de, por isso entrei em crise". Mas o fato é que é difícil assumir que ele estava certo. Sempre preguei, pra quem quisese ouvir, que a gente só sofre enquanto quer sofrer. Depois que cansa, passa. Fiquei meses, anos tentando convencer as outras disso. E ali estava eu, tendo que ouvir que tinha me envolvido mais do que o outro numa relação que já comecei sabendo que não teria futuro. E ao perceber, confesso que veio uma pontinha de felicidade em meio a tudo aquilo: não sou mesmo uma pessoa insensível, desapegada. Pelo menos não tão assim.
Já a conclusão do envolvimento é óbvia. A minha maior - única - reclamação no relacionamento era insegurança. E se a pessoa com quem eu estava tivesse demonstrado que estava tão ou mais envolvida do que eu, seria ridículo falar em insegurança. Como não estava... explodi o cômodo.
E não tem jeito, mulher é um bicho estranho, chato. Vê tudo, analisa como quer e tira as conclusões que lhe interessa, mesmo que seja um interesse quase psicótico, como acontece principalmente no começo das relações. Tudo é motivo para desespero. Se não responde mensagem é porque tá com outra ou tá de saco cheio do grude. Se, no meio de um churrasco com algumas mulheres que você não conhece, ele te dá um beijo carinhoso na testa em vez de um selinho é porque tá interessado em outra e não quer que ela saiba de vocês (se não for isso, por que estaria escondendo?). Uma simples crítica de uma amiga pode se tornar um possível motivo para acabar com tudo se vier do ficante. "Ah, não... ele tava me testando e eu não percebi. Pronto, já era. Quem mandou? Da próxima, vê se ouve sua mãe quando ela falar pra não comer com os cotovelos apoiados na mesa. Agora ele viu, te chamou a atenção e não quer mais nada contigo", e por aí vai.
Besteiras assim poluem o pensamento de quase todo o mulherio, provocando uma insegurança absurda. A diferença é que algumas colocam isso pra fora (as namoradas-esposas, normalmente) e outras (as namoradas-amantes) são orgulhosas demais pra isso. Admitir que está com problemas de auto-confiança e estragar a tarde do outro com isso não é uma opção, principalmente quando você não vê disposição dele em ter a chamada DR (discussão de relacionamento). Por isso, a gente vai agüentando, agüentando, até a hora que não agüenta mais. Nesse momento, ou você se prepara pro fim doloroso e devagar, ou sai enquanto é tempo. E daí chegamos ao ponto da fuga.
Apesar de eu falar que queria sentir um pouquinho daquilo que elas estavam sentindo, sei que a única responsável por aquilo era eu. Se só sofre quem quer, só se abre quem quer também. Por isso, bem-aventuradas Lucy. Ariel e Lina, que se doam por alguém sem medo de se estourar depois.
Acontece que ninguém gosta de se machucar. Eu mesma já fugi mais vezes. Dessa vez, com o apito do timer da bomba ecoando na minha cabeça que o meu período tinha acabado, me joguei no abismo que parecia mais confiável. Era possível que o tique-taque da bomba fosse falso, que estivesse somente na minha cabeça, mas quando falava da possível explosão, ninguém me corrigia. Logo, se ninguém nega, é porque o fato existe. Lá no meu inconsciente talvez tenha pensado vou pular. Talvez me machuque sozinha, sem porquê, mas a bomba tá pra explodir e se esperar vou ficar ainda mais angustiada. E tique-taque pára. O tempo acabou. São os segundos de silêncio final. Agora, é só esperar a explosão. O abismo está ali do lado e, apesar de desconhecido, pode representar uma chance de sobrevida. Pulei, com um peso enorme de deixar tudo aquilo pra trás.
Em antigas conversas com homens, percebi que nem sempre para eles esse raciocínio faz sentido. A maioria acha que o certo é pular mesmo, não porque está insegura, mas porque pode ser divertido. Outros, não conseguem entender alguém pirando o suficiente pra se matar desse jeito. Então, só me resta dizer que é por coisas assim que Telma e Louise são mulheres, e não homens. Se fossem do sexo masculino nao se jogariam no rio, mas sim iriam para o meio dos policiais, morrendo por tiros mas em busca de seus objetivos. Já no original, as duas amigas, ao não terem mais a certeza de que conseguiriam executar o plano, perdem o rumo e vão pro suicídio.
Outro problema é que, segundo o catolicismo, quem se mata não vai pro céu nem pro inferno. Fica ali, no limbo, esperando o juízo final. E ele vem. Na hora do acerto de contas, você tenta por horas se justificar, fazer o juiz entender seus motivos. Se precisa, até faz teste de sanidade mental pra mostrar que estava perturbada. Mas ele não entende. Diz que você perdeu o direito. A resposta não é de nem de longe a que você quer ouvir. Mas, quando um não quer, dois não ficam.
"Você me disse que agora eu teria duas opções: mostrar serviço ou pedir demissão. Agora está me demitindo é isso?"
"Sinto muito, eu achei que pudesse ficar com você depois de tudo, mas estava errado. Eu simplesmente não consigo."
Foi nesse momento que tudo fez sentido. Essa não era a resposta que eu queria, que eu esperava. Uma parte de mim dizia que só ia sair daquele lugar quando tudo se resolvesse. Imagina, como acabar tudo desse jeito? Não vai. A gente vai ficar aqui até você mudar de idéia. A outra, mais racional, só pensava em fugir. Não se pode forçar ninguém a gostar do outro, a ficar com o outro. Meus argumentos já tinham se esgotado, meus desejos já estavam à mostra, o que mais podia fazer? Mensagens de celular a gente bem que tenta, mas parece que depois de uma situação mais tensa todas mudam de conotação e só piora. Em parte, porque o espaço é muito pequeno pra colocar tudo (se meus textos são desse tamanho, imagine se eu consigo escrever tudo o que quero em 700 caracteres).
Infelizmente não tenho mais cinco anos pra vencer os outros pelo cansaço (sim, quando eu queria alguma coisa, eu era uma criança muito chata). Então, o que eu podia fazer? Esperar, talvez. Já tinha falado mais do que deveria. Cabia ao outro analisar tudo e ver se valia a pena recomeçar, direito dessa vez, ou não. Me veio, naquele instante a imagem das meninas dizendo que queriam mandar mensagens e eu reclamava que não podiam, não deviam, que isso só ia alongar ainda mais o possível desfecho. Não há nada pior que a impotência e ali eu não podia fazer nada. Fui embora, não pra casa porque, por mais que falar não fosse mudar em nada a situação (já estava tudo exposto. Eu só podia esperar a reação do outro) precisava colocar tudo pra fora. Então, tentando levar na brincadeira, fui falar com Lucy. "Amiga, lembra que eu falava que queria entender vocês? Eu consegui. Mas agora que entendi, tá bom já!"
"Ah, meninas, sabe que eu fico assim, olhando pra vocês desse jeito. Dá um aperto no coração. Eu me sinto um robozinho vendo uma criança chorar, sabe? 'Como que funciona isso?' Lógico que eu entendo que a gente sofre. Mas se o cara já falou que não vai mesmo ficar com você, pra que insistir? Juro que eu queria só uma vez sentir um pouquinho do que vocês estão sentindo. Assim podia entender e tentar ajudar melhor".
Esse discurso eu fiz inúmeras vezes, sempre que via alguma amiga - Jones ou não - triste pelo ex-ficante, namorado. Por isso, ao ouvir recentemente de um moço que "a verdade é que você se envolveu demais. Você, que sempre se disse tão bem resolvida, se envolveu em um nível maior do que eu", eu pensava, meio desacreditada, "nossa... é comigo".
Na hora, ainda argumentei "é, acho que estava a um passo de, por isso entrei em crise". Mas o fato é que é difícil assumir que ele estava certo. Sempre preguei, pra quem quisese ouvir, que a gente só sofre enquanto quer sofrer. Depois que cansa, passa. Fiquei meses, anos tentando convencer as outras disso. E ali estava eu, tendo que ouvir que tinha me envolvido mais do que o outro numa relação que já comecei sabendo que não teria futuro. E ao perceber, confesso que veio uma pontinha de felicidade em meio a tudo aquilo: não sou mesmo uma pessoa insensível, desapegada. Pelo menos não tão assim.
Já a conclusão do envolvimento é óbvia. A minha maior - única - reclamação no relacionamento era insegurança. E se a pessoa com quem eu estava tivesse demonstrado que estava tão ou mais envolvida do que eu, seria ridículo falar em insegurança. Como não estava... explodi o cômodo.
E não tem jeito, mulher é um bicho estranho, chato. Vê tudo, analisa como quer e tira as conclusões que lhe interessa, mesmo que seja um interesse quase psicótico, como acontece principalmente no começo das relações. Tudo é motivo para desespero. Se não responde mensagem é porque tá com outra ou tá de saco cheio do grude. Se, no meio de um churrasco com algumas mulheres que você não conhece, ele te dá um beijo carinhoso na testa em vez de um selinho é porque tá interessado em outra e não quer que ela saiba de vocês (se não for isso, por que estaria escondendo?). Uma simples crítica de uma amiga pode se tornar um possível motivo para acabar com tudo se vier do ficante. "Ah, não... ele tava me testando e eu não percebi. Pronto, já era. Quem mandou? Da próxima, vê se ouve sua mãe quando ela falar pra não comer com os cotovelos apoiados na mesa. Agora ele viu, te chamou a atenção e não quer mais nada contigo", e por aí vai.
Besteiras assim poluem o pensamento de quase todo o mulherio, provocando uma insegurança absurda. A diferença é que algumas colocam isso pra fora (as namoradas-esposas, normalmente) e outras (as namoradas-amantes) são orgulhosas demais pra isso. Admitir que está com problemas de auto-confiança e estragar a tarde do outro com isso não é uma opção, principalmente quando você não vê disposição dele em ter a chamada DR (discussão de relacionamento). Por isso, a gente vai agüentando, agüentando, até a hora que não agüenta mais. Nesse momento, ou você se prepara pro fim doloroso e devagar, ou sai enquanto é tempo. E daí chegamos ao ponto da fuga.
Apesar de eu falar que queria sentir um pouquinho daquilo que elas estavam sentindo, sei que a única responsável por aquilo era eu. Se só sofre quem quer, só se abre quem quer também. Por isso, bem-aventuradas Lucy. Ariel e Lina, que se doam por alguém sem medo de se estourar depois.
Acontece que ninguém gosta de se machucar. Eu mesma já fugi mais vezes. Dessa vez, com o apito do timer da bomba ecoando na minha cabeça que o meu período tinha acabado, me joguei no abismo que parecia mais confiável. Era possível que o tique-taque da bomba fosse falso, que estivesse somente na minha cabeça, mas quando falava da possível explosão, ninguém me corrigia. Logo, se ninguém nega, é porque o fato existe. Lá no meu inconsciente talvez tenha pensado vou pular. Talvez me machuque sozinha, sem porquê, mas a bomba tá pra explodir e se esperar vou ficar ainda mais angustiada. E tique-taque pára. O tempo acabou. São os segundos de silêncio final. Agora, é só esperar a explosão. O abismo está ali do lado e, apesar de desconhecido, pode representar uma chance de sobrevida. Pulei, com um peso enorme de deixar tudo aquilo pra trás.
Em antigas conversas com homens, percebi que nem sempre para eles esse raciocínio faz sentido. A maioria acha que o certo é pular mesmo, não porque está insegura, mas porque pode ser divertido. Outros, não conseguem entender alguém pirando o suficiente pra se matar desse jeito. Então, só me resta dizer que é por coisas assim que Telma e Louise são mulheres, e não homens. Se fossem do sexo masculino nao se jogariam no rio, mas sim iriam para o meio dos policiais, morrendo por tiros mas em busca de seus objetivos. Já no original, as duas amigas, ao não terem mais a certeza de que conseguiriam executar o plano, perdem o rumo e vão pro suicídio.
Outro problema é que, segundo o catolicismo, quem se mata não vai pro céu nem pro inferno. Fica ali, no limbo, esperando o juízo final. E ele vem. Na hora do acerto de contas, você tenta por horas se justificar, fazer o juiz entender seus motivos. Se precisa, até faz teste de sanidade mental pra mostrar que estava perturbada. Mas ele não entende. Diz que você perdeu o direito. A resposta não é de nem de longe a que você quer ouvir. Mas, quando um não quer, dois não ficam.
"Você me disse que agora eu teria duas opções: mostrar serviço ou pedir demissão. Agora está me demitindo é isso?"
"Sinto muito, eu achei que pudesse ficar com você depois de tudo, mas estava errado. Eu simplesmente não consigo."
Foi nesse momento que tudo fez sentido. Essa não era a resposta que eu queria, que eu esperava. Uma parte de mim dizia que só ia sair daquele lugar quando tudo se resolvesse. Imagina, como acabar tudo desse jeito? Não vai. A gente vai ficar aqui até você mudar de idéia. A outra, mais racional, só pensava em fugir. Não se pode forçar ninguém a gostar do outro, a ficar com o outro. Meus argumentos já tinham se esgotado, meus desejos já estavam à mostra, o que mais podia fazer? Mensagens de celular a gente bem que tenta, mas parece que depois de uma situação mais tensa todas mudam de conotação e só piora. Em parte, porque o espaço é muito pequeno pra colocar tudo (se meus textos são desse tamanho, imagine se eu consigo escrever tudo o que quero em 700 caracteres).
Infelizmente não tenho mais cinco anos pra vencer os outros pelo cansaço (sim, quando eu queria alguma coisa, eu era uma criança muito chata). Então, o que eu podia fazer? Esperar, talvez. Já tinha falado mais do que deveria. Cabia ao outro analisar tudo e ver se valia a pena recomeçar, direito dessa vez, ou não. Me veio, naquele instante a imagem das meninas dizendo que queriam mandar mensagens e eu reclamava que não podiam, não deviam, que isso só ia alongar ainda mais o possível desfecho. Não há nada pior que a impotência e ali eu não podia fazer nada. Fui embora, não pra casa porque, por mais que falar não fosse mudar em nada a situação (já estava tudo exposto. Eu só podia esperar a reação do outro) precisava colocar tudo pra fora. Então, tentando levar na brincadeira, fui falar com Lucy. "Amiga, lembra que eu falava que queria entender vocês? Eu consegui. Mas agora que entendi, tá bom já!"
Sunday, November 11, 2007
A esposa e a amante
Certa vez, uma pessoa me disse que eu tenho muito mais jeito para amante do que para namorada, esposa. Na mesma hora, questionei os motivos da frase e, como resposta, escuto a seguinte frase:
"Você não se apega. Não é fria, mas não se apega - ou pelo menos não aparenta. Namorada, esposa, normalmente dá showzinho, é mais insegura, carente, o que cansa, mas de vez em quando é bom. Já você, não."
Na época, considerei isso como um elogio. Quer dizer, na dúvida, achei que era mais uma coisa boa do que uma ruim. Hoje, já não tenho mais certeza se isso é realmente tão bom ou se ele continuaria certo.
Ontem, em uma conversa recente com Ariel, chegamos à conclusão que ninguém é 100% um tipo ou outro. Todas as mulheres somos amantes e esposas. Temos o nosso jeito principal mas, dependendo da situação, mês ou até dia - dada a inconstância do gênero feminino - a gente pende mais para um lado do que para o outro. Por isso, resolvi fazer uma lista, não de prós e contras, porque a classificação seria no mínimo polêmica, mas de diferenças entre esposas e amantes. Aqui vai:
Para a mulher-esposa todos os momentos são do casal. Por isso, nada de marcar compromissos sem ter falado com o outro primeiro. Não é incomum você ouvir um "ah, lógico, vou falar com Fulano" quando chama sua amiga-esposa pra sair. Já com a amante, o discurso é diferente. Se não tem nada marcado no dia, ela simplesmente aceita o convite. Depois, avisa ao outro "tal dia marquei de ir em tal lugar, quer ir?"
Sempre que não há nada combinado, a esposa volta do trabalho/faculdade direto pra casa, onde vai falar com ele antes de dormir, tranqüila. A amante, acostumada a agitação, se recusa a ir de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Sai com amigos, vai ao shopping, cinema, o que for. E isso não significa de forma alguma que ela traia o parceiro; simplesmente acha que a vida tem que ter algo mais.
Mulheres esposas fazem o papel figurativo em festas. Ficam sempre ao lado do companheiro em questão, deixando-o mais confiante, trocando carinhos. Podem até beber e brincar, mas sua imagem não se dissocia por mais de um segundo do par. Podem estar um em cada ponta da sala, mas freqüentemente os olhares se cruzam. As amantes, por sua vez, se divertem com amigas, amigos. Dão liberdade ao parceiro e usufruem da mesma. Com isso, às vezes pecam por ficar longe demais do moço.
As mulheres esposas são as mais meninas. Femininas, sabem se portar e são admiradas como um exemplo de boas companheiras. São simpáticas e agradáveis com quem devem ser. As amantes, acostumadas a ficar no meio só de homens, às vezes se confundem com um deles. Bebem, jogam, brincam e riem de igual para igual.
Por participar das festas - e não só acompanhar - as amantes tendem a ser menos ciumentas. Porém, como a liberdade é para os dois, não é difícil que alguém ultrapasse a tênue linha das brincadeiras normais e desperte a insegurança alheia. Já as esposas vivem ao redor do seu homem. Apesar dele ser uma preocupação constante, ela está ali do lado, então não há porque ter medo.
As amantes não entendem como as esposas conseguem ser tão submissas. As esposas não admitem como alguém pode ser tão fútil. Por fim, esposas são as namoradas perfeitas. Amantes, as mais companheiras.
A gente até tenta, mas não dá pra fazer uma ficar no lugar da outra.
Conheço várias esposas que, antes de encontrarem seu par ideal já se depararam com alguém que, para dar certo, foram obrigadas a ser mais espirituosas. A situação cansa quando ela percebe que, por mais que tente ficar numa boa, a atenção dos outros nunca vai ocupar o espaço da dispensada pelo ser amado.
Da mesma forma, forçar uma amante a ser discreta e caseira é o mesmo que colocar um ipê dentro de uma sala de estar. Ela vai se sentindo presa, insegura, murcha. Então, ou morre ou explode o cômodo.
"Você não se apega. Não é fria, mas não se apega - ou pelo menos não aparenta. Namorada, esposa, normalmente dá showzinho, é mais insegura, carente, o que cansa, mas de vez em quando é bom. Já você, não."
Na época, considerei isso como um elogio. Quer dizer, na dúvida, achei que era mais uma coisa boa do que uma ruim. Hoje, já não tenho mais certeza se isso é realmente tão bom ou se ele continuaria certo.
Ontem, em uma conversa recente com Ariel, chegamos à conclusão que ninguém é 100% um tipo ou outro. Todas as mulheres somos amantes e esposas. Temos o nosso jeito principal mas, dependendo da situação, mês ou até dia - dada a inconstância do gênero feminino - a gente pende mais para um lado do que para o outro. Por isso, resolvi fazer uma lista, não de prós e contras, porque a classificação seria no mínimo polêmica, mas de diferenças entre esposas e amantes. Aqui vai:
Para a mulher-esposa todos os momentos são do casal. Por isso, nada de marcar compromissos sem ter falado com o outro primeiro. Não é incomum você ouvir um "ah, lógico, vou falar com Fulano" quando chama sua amiga-esposa pra sair. Já com a amante, o discurso é diferente. Se não tem nada marcado no dia, ela simplesmente aceita o convite. Depois, avisa ao outro "tal dia marquei de ir em tal lugar, quer ir?"
Sempre que não há nada combinado, a esposa volta do trabalho/faculdade direto pra casa, onde vai falar com ele antes de dormir, tranqüila. A amante, acostumada a agitação, se recusa a ir de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Sai com amigos, vai ao shopping, cinema, o que for. E isso não significa de forma alguma que ela traia o parceiro; simplesmente acha que a vida tem que ter algo mais.
Mulheres esposas fazem o papel figurativo em festas. Ficam sempre ao lado do companheiro em questão, deixando-o mais confiante, trocando carinhos. Podem até beber e brincar, mas sua imagem não se dissocia por mais de um segundo do par. Podem estar um em cada ponta da sala, mas freqüentemente os olhares se cruzam. As amantes, por sua vez, se divertem com amigas, amigos. Dão liberdade ao parceiro e usufruem da mesma. Com isso, às vezes pecam por ficar longe demais do moço.
As mulheres esposas são as mais meninas. Femininas, sabem se portar e são admiradas como um exemplo de boas companheiras. São simpáticas e agradáveis com quem devem ser. As amantes, acostumadas a ficar no meio só de homens, às vezes se confundem com um deles. Bebem, jogam, brincam e riem de igual para igual.
Por participar das festas - e não só acompanhar - as amantes tendem a ser menos ciumentas. Porém, como a liberdade é para os dois, não é difícil que alguém ultrapasse a tênue linha das brincadeiras normais e desperte a insegurança alheia. Já as esposas vivem ao redor do seu homem. Apesar dele ser uma preocupação constante, ela está ali do lado, então não há porque ter medo.
As amantes não entendem como as esposas conseguem ser tão submissas. As esposas não admitem como alguém pode ser tão fútil. Por fim, esposas são as namoradas perfeitas. Amantes, as mais companheiras.
A gente até tenta, mas não dá pra fazer uma ficar no lugar da outra.
Conheço várias esposas que, antes de encontrarem seu par ideal já se depararam com alguém que, para dar certo, foram obrigadas a ser mais espirituosas. A situação cansa quando ela percebe que, por mais que tente ficar numa boa, a atenção dos outros nunca vai ocupar o espaço da dispensada pelo ser amado.
Da mesma forma, forçar uma amante a ser discreta e caseira é o mesmo que colocar um ipê dentro de uma sala de estar. Ela vai se sentindo presa, insegura, murcha. Então, ou morre ou explode o cômodo.
Tuesday, October 30, 2007
Relações modernas
- Alô?
- Oi, é a Patty, tudo bem? Tá pronto?
- Oi!... sim!... como faremos?
- Bom... a rua aqui é meio movimentada, difícil de parar, mas tem um posto na frente, conhece? Quer se encontrar lá?
- Sei sim, pode ser
- Tá, então tou indo pra lá
- Ah, na volta, você me deixa?
- Hum... tá, lógico... deixo... o problema é que... você deve tar exausto né? não deve querer ficar mais um minuto aí...
- Não, por quê? Não tá pronta? Posso esperar
- Ah, que ótimo. 8h30 no posto, pode ser?
- Não posso tomar meu banho primeiro, daí te encontro?
- Nossa, perfeito. Como que a gente faz? Você me liga?
- Não, termina suas coisas aí. Quando acabar, me liga que eu saio
...
Depois de desligar o telefone, assinei o cheque que daria para ele em seguida.
Não, apesar da conversa ter sido exatamente assim, ela não fazia parte dos últimos acertos de um encontro. Esta fui eu conversando com o mecânico do meu carro (que até então nunca tinha visto) pra que ele viesse trazer meu bichinho de volta.
Quem manda trabalhar até tarde? À noite, as coisas mais esquisitas, como a conversa acima, acabam parecendo normais, ou pelo menos aceitáveis. Talvez por isso o blog tenha esse nome.
- Oi, é a Patty, tudo bem? Tá pronto?
- Oi!... sim!... como faremos?
- Bom... a rua aqui é meio movimentada, difícil de parar, mas tem um posto na frente, conhece? Quer se encontrar lá?
- Sei sim, pode ser
- Tá, então tou indo pra lá
- Ah, na volta, você me deixa?
- Hum... tá, lógico... deixo... o problema é que... você deve tar exausto né? não deve querer ficar mais um minuto aí...
- Não, por quê? Não tá pronta? Posso esperar
- Ah, que ótimo. 8h30 no posto, pode ser?
- Não posso tomar meu banho primeiro, daí te encontro?
- Nossa, perfeito. Como que a gente faz? Você me liga?
- Não, termina suas coisas aí. Quando acabar, me liga que eu saio
...
Depois de desligar o telefone, assinei o cheque que daria para ele em seguida.
Não, apesar da conversa ter sido exatamente assim, ela não fazia parte dos últimos acertos de um encontro. Esta fui eu conversando com o mecânico do meu carro (que até então nunca tinha visto) pra que ele viesse trazer meu bichinho de volta.
Quem manda trabalhar até tarde? À noite, as coisas mais esquisitas, como a conversa acima, acabam parecendo normais, ou pelo menos aceitáveis. Talvez por isso o blog tenha esse nome.
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