Garotas empolgadas, em algum lugar, naquela balada, numa mesa de bar, em alguma sala de cinema, em uma viagem ou simplesmente na casa de alguém. Afinal, elas são AS JONES!
Friday, May 11, 2007
Aprendendo com a girafa
Quando era mais nova, confesso que não era tão confiante. Não usava salto alto e ainda acolhi o pedido de mamãe de jogar vôlei, "que é mais bonito. Você já é alta. Vai jogar basquete e ficar mais grande ainda". Lógico que ela tava falando só porque nunca viu graça nas pessoas se batendo e correndo de um lado pro outro pra acertar a cestinha, mas pedido de mãe, principalmente quando se tem 13 anos, a gente não discute (pode até não aceitar, mas nunca discute).
A questão é que só fui voltar a treinar basquete no 3o ano da faculdade. Até então, minhas idas e vindas com o volei não foram suficientes nem pra que eu aprendesse a sacar (já que descobri que a partir de uma certa idade "sacar por cima" se torna redundante).
Hoje, apesar de ainda me considerar uma vaca, amigável e avoada, e não uma girafa, a meu ver, com um ego absurdo apesar da sua esquisitice (questão levantada naqueles jogos de "com que bicho você se parece"), já ostentei por um bom tempo um namorado um pouquinho mais baixo (o que foi uma das maiores provas à minha auto-estima), dentro meus sapatos de salto alto tenho um de salto fino de mais de 8 centímetros, que usei pra sair correndo junto com Lucy no meio na formatura desse ano, adoro a posição de pivô e, mesmo quando ando com amigas bem mais baixas, dificilmente lembro dessa diferença.
Hoje, entretanto, foi um dia em que percebi o mal que podem fazer alguns centímetros. Com o dia de folga, fui ao banco no meio de The OC. Pensei, em menos de 15 minutos volto. Entrei na agência para fazer o depósito. Uma, duas, três vezes deu erro no auto-atendimento por causa de um código bancário, um tal de OP que tive que chamar a funcionária para descobrir.
Além disso, havia o problema do teclado bancário. Talvez o motivo do banco tê-lo colocado em posição inversa à do telefone seja por segurança. Talvez tenha sido por estupidez. Para piorar, tem aquele telhadinho que fica em cima do teclado. A tampinha usada para que as pessoas que ficam atrás na fila não enxerguem os números digitados me ajudou ainda mais a parecer uma asna - dessa vez, nem vaca, nem girafa - em frente ao computador.
Por causa da inclinação, para conseguir enxergar, toda vez tinha que dar uma leve agaixadinha. E como a cada erro por causa do OP a minha vontade de fazer tudo direitinho diminuía, no final, já fazia tudo correndo e errava ainda mais. Os erros foram tantos ao ponto de provocar a entrada em manutenção de uma das máquinas.
Quando troquei de terminal, acho que finalmente tinha me acostumado à localização esquisita das teclas. Cerca de 10 minutos depois de ter começado a primeira transação (o normal é uns 30 segundos), fiz meu depósito, respirei e fui embora, cabeça erguida, fingindo, para todos os efeitos, que a culpa era do outro computador. Afinal, mais importante que aprender a andar de salto é não descer nunca mais dele.
Saturday, April 28, 2007
Que graça tem o círculo?
Já faz muito tempo que enrolo pra escrever de novo. E olha que não posso nem reclamar de falta de tempo. Nesses... provavelmente meses que fiquei longe do Era Uma Vez até falta de internet teve no trabalho - e se tratando de um site de notícias isso siginifica que fiquei sem ter o que fazer. Também não posso reclamar de falta de baladas. Elas existiram. Só eram... perfeitinhas demais.
Eu, Lana ou Lucy já escrevemos uma vez sobre a balada perfeita. Mas quem leu o texto deve se lembrar que ela foi perfeita: 1 - porque conhecemos jogadores de rugby (e percebemos que era o destino nos chamando pro jogo) 2 - porque acabamos em uma outra balada ainda mais louca que a primeira 3 - porque nada foi como o planejado. Essa é a graça de tudo. Com baladas, amores, histórias em geral.
Li no orkut de um amigo, na parte de relacionamentos, que a mulher ideal para ele é uma mulher imperfeita. Comecei a dar muita risada e achei aquilo "lindo", como diria Lucy. Agora, explicando esse título bem estranho, vai uma analogia mais esquisita ainda, daquelas que eu devia ter vergonha na cara e editar enquanto ainda é tempo, mas que se eu não postasse ia ficar com aquilo na cabeça, então além de escrever, quase desenho.
O círculo é a figura geométrica mais perfeita que existe, inteiramente proporcional. Porém, não encaixa em nenhuma outra. Enquanto losangos, trapézios e afins se unem em suas arestas, o círculo se basta. Para isso é só lembrar do Tangram, aquele jogo japonês de montar desenhos com sete figuras geométricas, sendo que nenhuma delas é um círculo. Acho que não é preciso me alongar muito mais. A experiência própria fala por si só - não sei quanto aos homens, mas qualquer menina com mais de 10 anos já percebeu e tem alguma história para contar de quando um defeitinho ou outro chega até a ser um charme.
Agora, voltando ao assunto principal, a balada funciona do mesmo jeito. Nesses meses todos fui junto com várias Jones no desfile da Mocidade, encontros na casa da nossa querida pilar, uma festa à fantasia, um lugar onde o flashback contagia pessoas de 25 a 50 anos, botecos mais tranqüilos, agitados e muito mais. Todas muito boas mas sem algo de diferente pra se contar (com raras exceções, como roteiro de carnaval que fiz com a Lana, mas esse passou a época).
Mas então eis que na quarta-feira pré-Páscoa Lana (sempre Lana rsrs) me chama pra uma balada de psy, coisa que há muito tempo não ia. Já na fila conheço uma das personagens da época de faculdade, uma figura cujo filme favorito é o de um homem que passeia pelo centro da Terra dentro de uma bolha, se alimentando da árvore da vida. Pra piorar (ou melhorar) essa teoria não é só somente obra de admiração. Anos antes da tal obra-prima cinematográfica ser lançada, ele mesmo já tinha escrito um livro inteiro sobre a existência da tal planta miraculosa, que parece feita de bolo de capuccino.
Depois de muito tempo na porta, meia double catuaba e música boa ajudaram a trazer de volta a empolgação. A aula de psy de Lana Banger então, maravilhosa. Nunca tinha reparado a existência de barulhos de morcegos e de risadinhas escondidos no dark psy e... no outro que eu não sei o nome.
Em certo momento a perspectiva muda. Impressão ou não, já começava a achar que as pessoas não eram tão alternativas (o tal "povo de corrente" que nossa amiga tanto abomina também marcou presença). Até que, de repente, bebendo um líquido quase tão brilhante quando as faixas fluorescentes que decoravam o lugar, aparece a segunda figura da noite.
Empolgadíssimo, o cara grande e desengolçado dançava levantando o joelho até o peito. Em um dos momentos passou a imitar uma locomotiva, puxando a cordinha e tudo. Não é demais relembrar que isso acontecia dentro de uma casa noturna da Vila Olimpia. Mas a felicidade dele era tanta que até as duas Jones entraram na brincadeira - queria ver receber um tackle correndo com os joelhos levantados daquele jeito.
Como era apenas quarta-feira, fomos embora cedo. Pela mesma porta em que saíamos, outras pessoas entravam. E a balada que estava longe de ser perfeita se tornou memorável, tão especial quanto aquela mancha de tinta toda torta, que em nada se parece com uma bolinha perfeita, mas que em momentos de distração a gente fica horas admirando, tentando relacionar com uma estrela, um palhaço, ou qualquer outro objeto conhecido.
Wednesday, February 21, 2007
"eu vou a pé pelas ruas da cidade"
Thursday, February 15, 2007
O batismo
Nesse meu batismo, nada melhor do que começar pela apresentação.
Sou Ariel Jones. Sim, Ariel por causa da Pequena Sereia, minha princesa favorita; que vem da Disney, meu lugar favorito no mundo inteiro - Só fala mal quem nunca foi!!! E acreditem, isso já diz muito sobre mim.
E já que o ano está começando, nada melhor do que cumprir uma das muitas promessas de ano novo, e escrever um texto para o blog as Jones.
Ano novo, vida nova. É o que costumam dizer e que eu estou fazendo um tremendo esforço para acreditar. Não que 2006 tenha sido um ano ruim. Fui contratada no lugar onde queria trabalhar, e trabalhei muito muito muito, tive uma formatura inesquecível, trabalhei muito muito muito, consegui passar um diazinho no Juca, trabalhei muito muito muito, teve Copa do Mundo na Alemanha, Mundial de Ginástica em São Paulo (sim, vi Marian Dragulescu e Elena Zamolodchikova de pertinho) e tantos outros momentos especiais.
E outros tantos momentos de tristeza. Quanto tempo é necessário para deixar de amar uma pessoa? Quanto tempo precisamos para superar a perda de um grande amor? Quanto tempo ainda mais haverá de sofrimento?
Como escrever sobre isso não alivia para o meu lado, vou começar a cumprir outra resolução de ano novo: não pensar para não sofrer.
Esse é o único e doloroso caminho que tenho para chegar lá.
E daí é que vem mais uma promessa. Por milhares de motivos passei
muito menos tempo do que gostaria com as minhas amigas. Mas quem
diabos é melhor do que elas para alegrar a minha vida e amortecer
esse longo caminho?
Um exemplo? Acabo de receber um horóscopo via e-mail, da minha
amiga Lucy Jones:
LEÃO - Vários planetas incentivam o amor, siga o coração,
apaixone-se e inaugure uma nova era na vida íntima ... Mudanças no
estilo de vida incluirão novas atividades no cotidiano (e viva o
rugby!).
Mesmo sem perceber, ela me ajuda... Todas me ajudam muito. E nada,
excesso de trabalho, cansaço, Jogos Pan-americanos e até mesmo um
novo Eric (para quem não conhece, é o príncipe encantado da Ariel)
irá me afastar delas.
E assim chega ao fim esse meu primeiro texto, tão sem rumo como
está a minha vida.
Mas sobrevivi ao meu batismo, e acho que agora já posso ser
considerada uma legitima Jones!
Sunday, February 04, 2007
À procura de um herói
A semana seguinte ao dia 12 de janeiro foi marcada pelo acidente conhecido como o buraco da Marginal. Enquanto equipes de 30 bombeiros cada se revezavam debaixo da terra para tentar resgatar as vítimas, dezenas de jornalistas ficavam de plantão nas escadarias da estação CPTM de trem à espera de notícias.
Por três dias eu estive entre eles. E como notícias não são só o que está acontecendo neste momento aproximadamente às 16h o pessoal da redação me liga pedindo que encontrasse um personagem em especial: o operador que estava trabalhando no alto da grua (espécie de guindaste) que quase caiu no buraco na hora do acidente. Como a direção do consórcio tinha instruído os funcionários a ter o menor contato com a imprensa, pedir ajuda ao assessor era inútil e o jeito era ver se um dos operários sabia pelo menos o nome do moço que viu todo o acidente de cima e por pouco não foi mais uma vítima.
Saí feliz do cercadinho feito para jornalistas, uma espécie de chiqueirinho para crianças delimitado por faixas da CET, e fui esperar a passagem de operários da Via Amarela, já que o lugar onde eles ficam é bem afastado, permitido somente para funcionários. O problema é que ele saíam muito pouco. A troca de turno, conforme descobri depois, tinha acontecido há cerca de duas horas. Mesmo assim consegui conversar com mais de uma dezena deles. Meio receosos, apesar de nem todos conversarem numa boa, tive alguns bons papos. O único problema é que não achei um que estivesse trabalhando no dia do acidente.
A Via Amarela possui 26 frentes de trabalho divididas em todo o trecho a ser construído do metrô. Com o acidente todas foram enviadas à estação Pinheiros, o que tornou minha busca ainda mais difícil. Não bastava só falar com os operários, tinha que ser o operário do setor certo. Como a oferta de operários era pouca, mesmo que não soubessem nada, continuava conversando com os que estavam por lá. Quase uma Maria Concreteira, se é que esse termo existe. Com um deles o papo durou mais de meia hora. O seu nome é F***.
No final do meu plantão, encontrei com ele de novo. Já cansada, pergunto brincando: "Poxa, F***, nada de descobrir o nome pra mim?" Já tinha pedido outras vezes, mas ele não sabia e nem pensava em se expor tentando descobrir. Por isso, mais uma vez, deu uma risada meio tímida e negou. Mas talvez incentivado pelo amigo que estava do lado, resolveu em segredo me ajudar.
Cinco minutos depois estava no telefone com o pessoal do trabalho quando F*** passa na minha frente sem nem olhar pro lado. Em seguida, o amigo passa e me diz entre dentes: "vai atrás dele que ele vai te dar o nome. Mas disfarça". Empolgadíssima, desliguei o telefone e saí correndo atrás de F***. Já eram quase 10h da noite, o lugar estava bem menos movimentado e muito escuro. F*** se escondeu atrás da tenda da CET onde não havia ninguém e eu fui atrás - o que depois ia me render uma bela bronca da minha mãe, que ficou toda preocupada com o que pudesse ter acontecido.
Muito sério, ele me entrega um papel dobrado sem nem olhar direito pro meu rosto e me diz baixo e muito rápido "olha, não fui eu quem te deu. Lê e queima depois". Ainda fui me justificar "ah, imagina, eu falei com tanta gente, ninguém nem vai imaginar que você", mas antes de eu terminar a frase ele já estava longe. Abro o cartão toda feliz, mas quando olho...
"Ricardo"
Só "Ricardo". Sem nome, apelido, nada. Com aquele quantidade imensa de operários o que eu ia fazer com o primeiro nome só? Quase saí correndo atrás de F***, mas ele ja estava longe, disfarçando, como se tivesse cometido o maor dos crimes. Liguei de volta para a redação e contei a super descoberta, que provocou muitos risos do outro lado da linha.
Mais de quatro horas conversando com todos os operários que vi pela frente, um super esquema de entrega de informações para ter só o primeiro nome. E se ainda fosse Wandcleison, Iarlei... até poderia ser. Mas Ricardo?
Dois dias depois saiu no Estadão uma entrevista com o moço da grua, que não chama Ricardo, mas revezava na grua com ele. Por isso a confusão. Dizem que ficou muito boa, eu ainda não li. E ao contrário do que tinham me dito (que ele estava de licença depois do susto), o operador da grua continuava trabalhando após ter descido mais de nove metros com o equipamento super inclinado, carregando não sei quantos quilos de areia nas costas. "Um verdadeiro herói" segundo quem leu a entrevista.
Sunday, January 21, 2007
Pendências
A viagem
Apesar de ter conseguido folga de uma semana no trabalho, só três dias coincidiam com a dos outros. Por isso resolvi ir com uma amiga de ir pra Ubatuba. Pertinho, assim valia a pena ficar só do dia 30 ao 1o.
Por causa dessa correria de final de ano, só parei para decidir que ia de ônibus pra praia quatro dias antes da viagem. Nessa data já não tinha mais passagem e o jeito era ir até o terminal no próprio dia da viagem e esperar por ônibus extras. Na sexta, saí do trabalho, fui pro bar com uns amigos, voltei pra casa, fiz minha mala e fui pra rodoviária. Cheguei às 6h30 do sábado e só consegui passagem pras 12h15. Pra não ficar esperando todo esse tempo, orientada pelo moço do guichê, fiquei atrás dos motoristas dos ônibus que estavam saindo a fim de pegar um lugar mais cedo. Na terceira tentativa, às 8h, consegui subir.
Do feriado em si nada de extraordinário. A pousada chamava "Sossego do Surfista" e o nome é a melhor coisa dela. Os chalés que a gente alugou eram pequenas suítes com um beliche e uma cama de casal cada. Já os amigos da minha amiga e os amigos dos amigos da minha amiga são bem legais. Andávamos em cerca de quinze. Quanto à musica, o repertório foi um dos mais variados, passando do reggaezinho tocado no violão ao psy da útima balada do ano (que me fez pensar muito em Lana e seu Universo Paralelo). A meia-noite, ao contrário da Lina, passei de blusa branca, como em todos os anos, e biquini por baixo, já que Ubachuva honrou sua fama e branco na chuva não é legal.
Dizem que o que você faz no primeiro dia do ano você repete nos outros 360 e tantos. No meu primeiro dia do ano, depois de um banho de cachoeira e uma corrida de 5 minutos na praia - pra tentar criar um comportamento pró-rugby - voltamos pra São Paulo. Saí da cachoeira dizendo que tinha me energizado. Desde que voltei pra casa, há 3 semanas, continuo me energizando.
Também dizem que o número 7 é cabalístico. Pois no primeiro dia de 2007 demorei 7 horas pra chegar em casa.
Ano Novo
Voltando a São Paulo, as pendências continuavam. Por causa do despertador e da reforma não comprei a agenda - sempre escolhida a dedo. Não tendo despertador não acordei cedo um dia sequer pra ir à academia. Não tendo agenda, acordava (tarde) sem ter um plano definido e até decidir o que vou fazer não dava mais tempo de fazer quase nada. O carro continua funcionando graças ao conserto temporário. Afinal, como vou levá-lo pra arrumar se não tenho agenda pra saber se amanhã vou precisar dele? Não vou trocar meu presente de Natal porque tem mais coisas pra fazer a caminho do shopping e assim quando for já faço tudo junto, mas sem enumerar todas as coisas que preciso fazer acabo não fazendo nada.
Sim, com uma boa argumentação quase tudo é justificável. Mas pra não assumir que tudo era desculpa e já que estava enrolando demais pra começar esse ano, consegui um despertador e uma agenda (doada pela Lucy, o que facilitou meu trabalho já que presente a gente não escolhe) antes de escrever o primeiro texto do ano.
Nova pendência resolvida. Coincidência ou não, essa no dia 21, três vezes o cabalístico 7.
Thursday, January 11, 2007
Do dia que embarquei no jongo
Uma voz doce canta ao fundo. Bela voz feminina entoa um samba triste, o pandeiro lhe acompanha em procissão. Aos poucos, outras vozes se unem a sua cantoria. E, num ritmado compasso de palmas ganham outra lira:
Viver e não tenha a vergonha de ser feliz Cantar (e cantar e cantar) a beleza de ser um eterno aprendiz Ah meu Deus!, eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será mas isso não impede que eu repita é bonita, é bonita e é bonita
E, numa parte, em seguida, que nem eu conhecia, me acordam do meu sono. Entre uma curva e outra, estrategicamente realizadas pelo nosso motorista, com passos de mestre-sala ao redor do quebrado segundo ônibus da excursão que fazia às horas de porta-bandeira, os meus colegas de viagem continuavam a cantar:
O que é, o que é, meu irmão Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo É uma gota é um tempo que nem dá um segundo Há quem fale que é um divino mistério profundo É o sopro do criador Numa atitude repleta de amor Você diz que é luta e prazer Ele diz que a vida e viver Ela diz que melhor é morrer pois amada não é..
Era como um prenúncio do que veríamos. O 11 Encontro de Jongueiros por fim e entremeios não aconteceu inteiramente no Quilombo São José, em Valença, por causa do barranco que invadiu o único acesso a região. Claro que era possível se aventurar à pé, mas com a garoinha que fazia, desde que saímos de Conservatória, não valia a pena se arriscar naquele breu. Por sorte, assim como nós, quatro grupos de jongueiros não conseguiram subir o morro e se aportaram no tímido clube da cidadezinha de St. Isabel para se apresentar. Afinal, descobri o que era o jongo, como era a dança africana que havia nos levada a embarcar nesta viagem e aí entendi o fascínio.
Tamandaré
Guaratinguetá
Piquete
Serrinha
Aos olhos atentos da matriarca, cada um deles exibia a força de suas cores e gingado enquanto a platéia inesperada daquele pequeno clube se apertava para observá-los. Do lado de fora da roda, arrisquei alguns passos, errei outros, mas no meio da história sobre o som dos atabaques me rendi e estava numa espécie de transe que não sei bem explicar. Empresto palavras do autor moçambicano Mia Couto em O Outro Pé da sereia.
A brasileira afastou-se das outras e, conservando o mesmo ritmo, foi rodopiando pelo pátio, ao compasso das batidas no almofariz. Foi acelerando o passo, deixando-se possuir pela dança. Sambava? Os pés ligeiros desconheciam o voltear do corpo. Aos poucos ela estava penetrando no território dos sonhos.
Quando a festa acabou, fomos todos ao único boteco da região. Pedimos para o senhor abrir as portas, nos servir uma cerveja, era madrugada, mas queríamos mais zunzunzun.. Ali, ao lado da mesa de sinuca, nosso amigo de viagem puxava o samba junto com um pessoal animado daquele município perdido de St.Isabel, no Rio de Janeiro. Eu e minha amiga, entre um copo cheio dali e de cá, tentávamos ainda aprender a dançar o jongo enquanto a madrugada avançava.
Friday, January 05, 2007
Babilônia Brasileira
Cheguei ao aeroporto com mais de 5 horas de antecedência, para não correr o risco de overbooking ou qualquer pau que pudesse acontecer no sistema aéreo. Vi muuuuuuuitas pessoas das mais diferentes espécies, encontrei amigos, famosos, comi coxinha, bebi suco de uva, fui ao banheiro duas vezes, meus pais foram embora, um cara que eu pagava pau (num programa da MTV ) sentou do meu lado, comprei palavra cruzada, ouvi MP3 e pronto, chegou o grande momento.
Depois de uma viagem mais que tranquila, ao lado de um casal nojentinho (mas simpático) que iria pra Costa do Sauípe, desembarquei de mala e cuia em Salvador, com minhas trancinhas e a maior pinta de sujinha
- Moço, eu cheguei. Que horas sai o bus para o Universo Paralello?
- Olá, moça... vamos sair ás duas horas, horário aqui da Bahia.
Ou seja, tive que esperar, pelo menos, mais uma hora para embarcar naquele ônibus gelado.
- Gente, só pra avisar, prenderam um onibus que vinha de Góiás e outro de Minas... Por favor, que estiver com aquelas coisinhas ilicitas, coloque no bagageiro. Lá ninguém revista e todos podemos seguir viagem em paz. Não precisa ter vergonha... eu, você, ele... todos já fizemos isso.
OK. Tudo escondido, seguimos, rumo ao paraíso, escutando algo bizarro para situação: o motorista firmou suas raízes com 3 CDS inteiros ( e repetidos) do Lapada na Rachada.
Passaram-se 5 demoradas horas até chegarmos no local. O mexicano que estava atrás de mim não estava entendendo nada, só dava risada de tudo que falávamos... ainda mais quando viu que, para chegarmos até lá, deveríamos pegar um pau-de-arara, aqueles caminhões que transportam bóias-frias, animais, etc... Experiência única! Mas deu aquele charme...
Malas revistadas, pulserinha e roteiro na mão : "Bem-vindo ao Universo Paralello, fique á vontade". E fiquei.
Localizei a barraca pela sinalização de bandeiras nas árvores. Mas o espírito de comunidade era tamanha, que tinham duas pessoas estranhas dormindo nela... "Não liga não, são os vizinhos", disse minha prima.
Ligar? To nem aí... vamo pra pista! Até lá, uns 2 km (fácil,fácil), mas que era diminuido pela quantidade de atrações que tinha pelo caminho...Simplesmente mágico!
Todos os meus dias foram de pura festa, desde ás 4h30 da matina (também, com aquele sol...), conhecendo muitas pessoas master diferentes, sem dormir, praia, som, dança, bebidas, coisinhas.... Encontrei meus amigos, conheci mais amigas(os) e uma família nada convencional. Nos programamos para passar o ano novo todos juntos, numa mesma vibe.
Detalhe para a família: a mãe alucinada e empolgdíssima, mas mega responsável; o filho, pentelho, sabe tudo e que cuida dos adultos; o tio, uma bicha, velha, e promíscua(como ele ficou conhecido... hahahaha) e o priminho mais velho, gay que serve ao exército. Todos de Brasília...
Bom, pulando uma graaaande parte de detalhes, a hora da virada(e as seguintes)... ai, ai ai... foram sensacionais! FOI A MELHOR PASSAGEM DE ANO DA MINHA VIDA!
Tudo como eu sempre sonhei: com os meus djs preferidos e experimentando a melhor sensação de tooodos os tempos!Nunca ninguém vai saber (não, entender é mais apropriado) o que aconteceu das 00h00 ás 18h00 do dia 01/01/07, quando tive que deixar aquele lugar .... sem palavras.
Teve gente que achou que os anteriores estavam melhores. Só lamento não ter ido neles...
Até a precariedade dos banheiros foi esquecida!
Se meu ano inteiro for assim, cheio de energia e com aquela inesquecível sensação, eu não quero mais nada!
Sunday, December 31, 2006
O ano-novo é verde
Monday, December 25, 2006
Patty sem bateria
A semana pré-Natal foi um desses exemplos absurdos. Na sexta-feira teve amigo secreto do meu grupo da empresa, no sábado treino de manhã e festa do Rio Branco à noite, no domingo Mocidade. Segunda teve festa geral da empresa, mas por pressão familiar acabei desistindo de ir. Na terça, o famoso bombeirinho no Mineiro que acabou se estendendo pro boteco da Bohemia a Três Reais; na quarta... não lembro o que teve na quarta, mas teve alguma coisa. Ah, sim... formatura do meu irmão. Na quinta, festa com os amigos do trabalho antigo. Na sexta, o amigo secreto das Jones. Deu pra entender o porquê da tal energia descrita pela Lana?
Acontece que no dia do amigo secreto a minha carga não estava tão cheia quanto deveria. O excesso de eventos aliado à reforma na minha casa irritou minha rinite e me deixou constipada, palavra bem feia que combina perfeitamente com o meu estado de espírito no dia. Mesmo assim, continuei na balada até... 3h da manhã, quando ganhei uma super carona da Lucy. Agora a pergunta: acabou o post? Não!!! Não foi aí ainda que acabou minha bateria.
Muito pelo contrário, depois de ser forçada a respirar naquele lugar abafado e em seguida relaxar dormindo até depois das 8h pela primeira vez em uma semana, melhorei absurdamente. Tanto que no sábado depois do plantão, ia pro shopping com uma amiga pras últimas compras do dia 23, numa quase tradição natalina de incentivar as lojas abertas por 24h. Mas minha amiga teve que desistir, e eu não estava com tanta vontade de ir sozinha. Acabei indo pra casa e passei a madrugada escrevendo a minha retrospectiva, pro desafio lançado pela Lucy. No dia 24, véspera de Natal, trabalhei até a meia-noite e em seguida fui pra festa familiar de Natal. Só não saí depois porque estava tarde pra entrar em qualquer balada.
Conversando com uma colega do trabalho, confessei que estava achando estranho. Que, talvez por conta da gripe, nem tinha me dado conta que estou trabalhando há 10 dias direto, tanto que pra mim hoje (segunda-feira de Natal) ainda era domingo. Estou trabalhando sem perceber e sem cansar. Falado isso, dá meia-noite e meia, desço as escadas do prédio, passo a catraca, entro no carro. Dou partida. O carro nem liga direito e morre. Tento de novo. Percebo que o pára-brisa e a luz estão (ou deveriam estar) ligados. Desligo. Tento de novo. Nada. Lembro que hoje de manhã não liguei a luz. Ou seja, ela estava acesa desde a volta da festa, 3h30 do dia anterior.
Depois de ter ido atrás de orientação paterna, na verdade foi mais um pedido de milagre, pego um cartão da bolsa e ligo pro 0800 indicado. Do outro lado, um cara gentilíssimo me pergunta qual o meu problema. Resposta simples.
"Estou sem bateria".
PS: Depois do socorro descobri que não estava só sem bateria, mas também sem pilha. Mas como esses assuntos automobilísticos são muitos chatos, melhor deixar por alto mesmo.
Sunday, December 24, 2006
Um turbilhão de mudanças....
Não sou nada religiosa (apesar de ter sido criada e conviver com uma família "católica") mas acredito muito em energias. E não existe melhor momento para estabelecer metas e repensar a vida do que esse. Só que, ao mesmo tempo, acredito que é uma grande perda de tempo.
Eu, por exemplo, acredito que quase nenhum dos meus objetivos se realizaram (e olha que pulei o dobro de ondinhas que recomendam, andei com folha de loro na carteira e passei a virada toda de branco, com calcinha amarela e vários apetrechos da sorte!).
Mas em compensação, tive um dos anos mais loucos, interessantes, divertidos e inesquecíveis da minha vida! Se eu disser que dei uma virada de 720° não é exagero...
Pra se ter uma noção, em quase 365 dias:
- foram embora melhor amigo, melhor amiga e mais três amigos super presentes;
- mas em quatro dias, ganhei duas amigas especiais, que se tornaram inseparáveis e um bando de amigos que marcaram cada dia que estiveram presentes comigo;
- emagreci muito e engordei tudo de novo;
- arranjei um emprego suicida, que mudou meu olhar sobre as coisas;
- e , graças ao universo, encontrei outro que é uma delícia e está me fazendo amadurecer a cada dia;
- sai muito sozinha mas descobri que com amigos é muito melhor - e agora tenho quem me acompanhe pra qualquer lugar;
- tive quatro meses inteiros de samba nas veias (impressionante!);
- frequentei as melhores raves da minha vida ( e a próxima está chegando);
- corri atrás de um ladrão de ingressos e segurei ele com toda minha força;
- pela primeira vez na história, me apaixonei por um esporte que não fosse dança ou ligado á academia: o rugby.
- hoje eu não faço balada, eu estudo balada;
- bebi tanto, mas tanto, mas tanto... e mais um pouco;
- tive o recorde de tempo sem homens na minha vida. E ainda o mantenho...É ótimo ser solteira!
- não virei dj, talvez ano que vem;
- tive meu primeiro contato direto com a morte... e acho que sei lidar com isso;
- fui menos ao cinema (uma pena);
- fui mais ao bar (ebaaa);
- gastei muito dinheiro á toa;
- estou semi-independente;
- descobri o que é sentir saudades e amar;
- e também que o amor platônico tem um charminho especial...
Existem zilhões de coisas que ainda nem mencionei.
Mas acredito que esteja tudo bem resumido.
Para 2007? Sei lá... quero que tudo isso se transforme em pequenos pedaços de novas experiências. Quero engolir tudo isso de uma vez só...
Mas com um detalhe: um pouco maias de juízo. Mas só um poquinho para não falarem que ainda sou uma criança :)
BOM COMEÇO DE ANO Á TODOS VOCÊS!
Saturday, December 23, 2006
2006: o ano do pato
Na área profissional, participei de um teste para tradução literária de italiano. Fiz um curso de comunicação ambiental e outro de produção de eventos. Brinquei uma ou duas vezes de redação publicitária para um amigo. Fiquei três meses na área de desenvolvimento de softwares e locução. Tive minha primeira experiência com chefes politicamente incorretos. Larguei o trabalho. Depois da metade do ano, voltei à área. Na falta de um, fui aceita em dois empregos - no mesmo dia. Decidi pelo mais jornalista.
Na social, aí a lista é grande, tive (de novo) minha época extremamente baladeira, saindo de terça a domingo. Mas ela não durou todo o ano. Foram fases. Graças aos trabalhos, fiz também bons amigos de balada. Minha primeira estagiária me levou à 'Casa De Todas As Casas'. Um eterno refúgio, com bebida e chapelaria de graça. Depois foi a minha vez de apresentar o mesmo lugar à minha chefe de reportagem junto a outras amigas, na tal balada perfeita já relatada pela Lucy.
Em relação às amizades foi como separar o joio do trigo. No carnaval, fui pruma casa com quase 30 pessoas em que cada uma não conhecia mais que 3 ou 4 e hoje grande parte é de pessoas muito, muito queridas. Quanto aos já conhecidos, por diferentes motivos, alguns deixaram de ter um espaço tão grande na minha vida. Outros, que via e saía só de vez em quando, hoje são inseparáveis. Um exemplo importantíssimo são as próprias Jones, tao amigas que me fizeram quebrar o bloqueio de sentar e escrever só por escrever.
Em assuntos sentimentais, nada de muito marcante. Quebrei alguns tabus próprios, tive um típico 'american date', cuspi pra cima e tomei na testa - de novo. Mesmo assim, acredito que o resultado foi positivo. Se não sei o quero, pelo menos deixei de ter alguns preconceitos e mantenho certezas do que não quero.
A minha área acadêmica-trabalhos sociais voltou à ativa. Não consegui ficar mais de um ano longe de tudo isso. Prestei vestibular, voltei a participar ativamente de ONGs. E se não li um décimo da quantidade de livros que deveria, no quesito esportivo bati vários de meus recordes. Mesmo já formada continuei no basquete, fiz bem mais do uma única cesta no Juca (vergonha para um pivô, como diria meu avô) e entrei no novo esporte casperiano - rugby -, em que não só me identifiquei desde o primeiro momento como me deu razão para freqüentar a academia, o que deixou toda a família e amigos impressionados.
No fim... bem, lembro de uma frase, essa sim de um livro, só não sei qual, que diz que uma pessoa que faz de tudo possivelmente não faz nada bem. A comparação é com um pato, que nada, voa e anda, mas faz tudo beeeem mais ou menos. Um bicho estranho. No fim, meu ano foi estranho. Talvez por isso não tenha ainda entrado no clima de Natal. Não comprei todos os presentes que queria - e que provavelmente vou dar só no começo do ano que vem, como presentes sem data - e muito menos tenho noção que 2006 está acabando. Em todo caso, a retrô foi feita. E por falar em retrô... as músicas que mais ouvi esse ano foram todas anos 80 e 90... de trash a BSB e Britney, coisas que não ouvia nem na época. Realmente um ano para experimentar de tudo.
Monday, December 18, 2006
Universos Paralelos
Entrar em um ensaio é quase como atravessar um portal. O estilo paulistano de se vestir fica na catraca. A partir daí, ele ganha cores e diminui de tamanho. A primeira sensação de quem chega é o estranhamento, mas cinco minutos depois até se esquece que o mundo não era assim.
Cores fluerecentes, que você acreditava terem morrido nos anos 80, estão presentes por todos os lados, em decoração e roupas de cetim. Micro-saias com ou sem legging por baixo também. Se a calça for branca, melhor. Tudo isso ligado às tais sandálias prateadas e chapéus de malandros, ícones do samba e que persistem em meio às mudanças da moda.
Em poucos lugares há uma confraternização tão grande e de pessoas tão diferentes. Um deles é o campo de futebol. O outro é o ensaio. Mas esse último tem um diferencial. A misciginação não acontece só entre brancos, negros, orientais. Velhos, jovens e crianças, homens, mulheres, hetero e homossexuais convivem em perfeita harmonia. Aliás, é até engraçado ver as bibas desbancando as mulatas no samba.
A bateria toca num ritmo frenético e a multidão canta empolgadíssima o samba-enredo. Corpos suados do calor abafado esquentam ainda mais quando sambam em fila pela quadra da escola - treino para atravessar o sambódromo. Agora dá pra entender o porquê dos trajes reduzidos. Queria eu ter sido mais esperta.
Faltam três meses para o grande dia. Só três meses? Ainda três meses? Difícil dizer. Desde o meio do ano a música estava pronta. Na época apenas como uma das músicas concorrentes. Agora, já decorado como o samba-enredo oficial. As fantasias estão à venda, mas ainda há muito trabalho a ser feito. Muitas voltinhas em torno da quadra. Até lá as pessoas continuam se reunindo em dias estratégicos e horários marcados. Para começar e terminar. Às 22h o portal fecha. Às vezes um pouco mais tarde.
Do lado de fora, o shorts que antes parecia estar de bom tamanho quase não cobre tudo o que deveria. É nesse momento que a magia acaba. Seja bem-vindo de volta. Até o próximo ensaio.
Wednesday, December 06, 2006
Os só bonitos que me desculpem, mas charme é fundamental
Dizem que o melhor da festa é o barman. Afinal, nada melhor do que ser servida por um homem bem bonito, como tem sido os garçons ultimamente. Mas se beleza (GRAÇAS AOS CÉUS!!!) é um conceito relativo, como pode um mesmo ser agradar a várias garotas de gostos tão distintos?
Simples. Quando você pede uma bebida não recebe só um copo. Junto com ele vem um sorriso. Às vezes um elogio. Uma brincadeira... e quem disse que precisa ser de verdade? Há pessoas que conquistam os outros naturalmente. Outras são treinadas para isso.
(nesse momento do texto tenho dois caminhos a seguir: um deles é continuar com a argumentação sobre o charme das pessoas. Outro é fugir para a tal busca do macho alpha - conceito já muito debatido nas mesas de bar pós-rugby. Então, como boa discípula de Dorothy, vou pelo caminho a que me propus e continuarei pela estrada de tijolos dourados, quase tão brilhantes quanto os olhos de uma pessoa feliz. Assim, deixo aberto convite pra quem quiser dissertar sobre o segundo tema)
Uma vez uma amiga - não só minha como de todas as Jones, e cujo codnome veremos publicado nesse blog assim que ela tiver algum tempo - me disse que não via graça em trabalhar com esportes se não fosse na televisão. Segundo ela, o gostoso dessas atividades é a imagem. São as expressões e sensações que ela passa que fazem com que a gente se apaixone pelo assunto.
Dentre as pessoas que têm controle sobre sua imagem e sabem lidar com o charme estão atores, dançarinos e... músicos! Vocalistas principalmente. E não é à toa. Demora muito até que uma banda faça sucesso e os fãs paguem para assisti-la. Nesse meio tempo, conseguir que os freqüentadores de um bar parem de conversar, brincar, flertar para que o grupo consiga ser ouvido é extremamente difícil.
Já era final de festa quando esse monte de coisas passava pela minha cabeça. Encostada numa mureta, bebendo uma cerveja, felicíssima porque a semana chegara ao fim, não conseguia parar de olhar aquele vocalista. O braço gordo com uma tatuagem de violão junto com o cabelo comprido e ensebado nunca fizeram meu estilo. Quer dizer, minto. Já fizeram sim. Mas isso já faz muito tempo - adolescência é uma fase engraçada.
É lógico que o fato de não estar dirigindo contribuiu para o estado de relaxamento. Mas indiferente a preferências estéticas e níveis alcoólicos, a empolgação com que ele cantava do pop nacional mais simples ao classic rock me impedia de tirar os olhos do palco. Nesse momento, só pensava uma coisa. Nossa, o sorriso é mesmo um baita diferencial! Eu nem sei se a pessoa é realmente simpática ou não - minha fascinação parou na reflexão antropológica e olha que já foi muito - mas gostei só de vê-lo cantando, todo feliz.
Me aprofundava na divagação mental quando ouço meu nome. "Oi!!! Você é amiga de tal pessoa, não é?" A conversa corriqueira não dura mais de um minuto. Quando volto a olhar pro palco o brilho no olhar, o sorriso continuam. Mas o meu estado de espírito mudou. Se ficasse mais algum tempo possivelmente conseguiria ver aquela erradiação de energia de novo. Mas estava cansada, acabamos indo embora.
A ciência política coloca o carisma dentro das quatro mais importantes formas de poder. É uma das mais perigosas, já que uma vez perdido, dificilmente consegue ser recuperado, mas também uma das mais fortes. Não há argumentos contra um bom sorriso.
Friday, November 24, 2006
Conversas de pub e algumas definições
***
Numa das laterais do bar, dois caras tocam blues. Gaita, voz e guitarra só. O suficiente para tornar o clima ainda mais gostoso. Em cima da mesa, uma jarra de dois litros de chopp está quase no final. Na lousa pendurada acima do bar, os nomes dos recordistas em beber chopp. É nesse momento que entra o diálogo transcrito no início do texto.
"Bebendo desse jeito é impossível de vc entrar na lousa. Agüenta mais? Então acaba esse primeiro".
O homem era um mala. Uma exceção naquela mesa. Mas depois de ter dito que queria entrar na lousa, mesmo que brincando, não podia voltar atrás. Sabia que ele só queria ver a gente bêbada - e ficou decepcionadíssimo ao perceber que a Lucy, que já tinha parado há algumas rodadas, estava bem longe de chegar nesse nível - porém, bebida paga a gente não recusa. Virei o copo e em cinco minutos veio outra jarra pro pessoal da 'Caisssper'.
Tínhamos combinado de ir ao pub pra assistir a final do Mundial feminino. Inglaterra e Nova Zelândia. Mas a gente chega no bar e está passando um jogo masculino. Quando acaba, desligam a TV. É tal a nossa insistência em pedir pro garçom colocar no jogo que chegou aos ouvidos do dono do bar que provavelmente jogávamos rugby. Simpaticíssimo, ele veio até nós, ofereceu uma jarra de chopp por conta do time de veteranos da mesa ao lado. Foi assim que conhecemos o famoso espírito de confraternização rugbeer do qual tanto ouvimos falar. De quebra, tiramos algumas conclusões em relação às posições do rugby. Só três na verdade, o que mostra que precisamos participar de muito mais jogos e confraternizações.
As definições
O moço chato lá de cima é o fly, ou abertura. Metódico, certinho, arrogante. É ele que começa a jogada e talvez por isso esse ar de capitão de time de futebol americano combine tão bem. É preciso no mínimo ser seguro de si. Por coincidência ou não, ele adorou a Lucy... que no nosso time de sevens, mais por capacidade de comando do que por arrogância, é a fly!
Também conhecemos um exemplar que fica num meio termo entre o chato e o leso. Peça essencial tanto para o ataque quanto para a defesa, este é o oitavo homem. Grande, sereno - talvez por causa da bebida sereno até demais - e rápido, o oitavo tem a função de definir a jogada. Numa conversa de bar ele seria aquele cara gente boa, com quem você pode conversar por horas, assuntos legais, mas sem emoções mais fortes. Todo oitavo precisa ter um mínimo de inteligência. Mas tudo isso estou falando por hipótese... sabe o lance da rapidez? Então, o oitavo em questão foi elevado a pilar conforme aumentou de peso... é aquela história, se não corre, derruba.
Por fim, o pilar!!! Classe essa à qual pertencem quase todas as meninas do nosso time, pelo menos espiritualmente. Pilar é aquela pessoa ogra, que não pensa muito, faz trapalhada à beça e acaba resolvendo as coisas pela força. Em exemplos dados no próprio pub, "pilar é o cara que vai pressionar o garçom porque a cerveja não tá chegando. É aquele que vai trocar o pneu do ônibus porque ninguém mais se oferece". Mas também é o mais divertido, o que mais fala besteira, o mais aéreo, perdido... aqui vai uma comparação. Só pra variar eu me perdi pra chegar o bar. Então, comentei que isso é uma atitude típica de pilar. O nosso amigo, bendito entre as mulheres, me corrigiu dizendo "você chegou, não chegou? Um pilar estaria procurando o caminho até agora". Exageros à parte, acho que uma boa definição prum pilar seria o Hagrid, do Harry Potter. Fofo à beça por sinal.
Bem, não entramos na lousa dos recordistas naquela noite. Como em toda competição, é preciso ter alguém controlando desde o primeiro copo e quando a gente viu a lusa já era tarde. Mas combinamos de voltar outro dia. Lana disse que o recorde feminino era de 16 chopps. Relativamente fácil. Principalmente se continuarmos treinando em terceiros tempos. Afinal... ainda falta descobrir a definição psicológica de hooker, meio-scrum, centro e ponta (pelo menos).
Monday, November 13, 2006
Atração irresistível
Nessa relação esquisita não há cobranças de nenhum dos lados. Tudo é feito através de flerte e entrega. Porém, como com todo boy toy, exclusividade é uma palavra que não existe. Além de sair comigo, ele flerta e envolve todas as minhas amigas - e amigos.
Não posso negar que os encontros com ele não sejam algo no mínimo revigorante. Às vezes apenas algumas horas juntos funcionam melhor do que massagens e sessões de relaxamento.
O vai e vem já dura anos. Baladeira convicta, sempre faço dos nossos encontros a última opção da noite. Mas trabalho e cansaço acabam sempre me deixando mais vulnerável.
Eu, que nunca fui de cancelar programas com amigos, nos últimos meses em pelo menos três ocasiões desisti de sair para ficar só com ele. Como em todo vício, a tentação está sempre presente e é preciso ser forte para resistir.
Nesse sábado, após algumas boas cervejas voltei para casa. Tomei banho e enquanto esperava o horário para sair de novo, ele veio falar comigo. Me chamou para mais um encontro. Eu, já meio tonta, nem tentei resistir. Fiz somente uma ressalva: 'só posso ficar meia hora'. Já tinha combinado de sair com Lana Banger, mas talvez esses trinta minutos me ajudassem a despertar.
Para ajudar a negar a relação, costumo estipular prazos máximos para esses encontros. Pena que dessa vez não aconteceu. Me entreguei aos braços de Hypnus e me deixei levar por Morpheus em um sono que durou mais de dez horas. Um absurdo para quem só dorme seis ou sete por noite.
Estava louca para dançar mas só consegui mais um sábado perdido. Uma ótima noite de sono, porém uma balada que não aconteceu.
Por que dormir é tão inevitável?
Friday, November 10, 2006
Metamorfoses ambulantes
Síndromes de Cinderela à parte (toda menina sonha em ser levada para longe montada num cavalo branco e ao lado de um príncipe encantado), cada pessoa que passa pela nossa vida deixa um pouco de si conosco. Pode ser expressões, como os mil significados de "fofo" que incorporei de Lucy Jones, alegria interminável da qual compartilho com Lana Banger ou uma empatia instantânea como a que senti por Lina. E pra ficar só no exemplo das Jones.
A cada vez que lembramos de determinado acontecimento ou pessoa e aquele sorriso ou no melhor dos casos a vontade absurda de começar a rir querem aparecer é como se a pessoa envolvida estivesse presente, fosse um pouco parte de nós.
Normalmente só costumamos dizer isso em ocasiões de perda "não se preocupe, vou estar sempre com você aí no seu coração". Mais uma cena piegas mas inevitavelmente emocionante, cena de filmes, em homenagem ao novo amigo cineasta e que adora encontrar essas imagens no blog. Enfim, o ponto em que quero chegar é que não são só as pessoas queridas que têm esse poder.
Uma vez, há uns bons anos, perdida como sempre, resolvi perguntar para uma moradora de rua se o ponto de ônibus mais perto ficava para a esquerda ou para direita da enorme Avenida Santo Amaro. A moça (outra expressão roubada de Lucy, já que a mulher tinha quase tantos cabelos brancos quanto negros) não deveria falar com alguém há muito tempo tal foi a felicidade e a obstinação com que me respondeu. Só faltou dizer, naquele linguajar meio enrolado, quantos passos demoraria para chegar até o ponto. Na verdade, ela pode até ter dito. Lembro que não entendi nada da explicação. Lembro também do hálito horrível de quem está há muito tempo sem comer ou escovar os dentes. Mas mais do que tudo, lembro do sorriso dela enquanto eu agradecia pela décima vez e ia para a direção que - acreditava - ela tinha indicado.
Para quem não sabe, parte do meu nome - Marie - foi escolhida em homenagem a uma grande heroína dos quadrinhos e principalmente dos desenhos animados. Dentre suas diversas características, Anne Marie, conhecida como Rogue ou Vampira não pode se aproximar das pessoas, pois suga-lhes a energia vital.
Acredito que todos temos essa maldição. Entretanto, em vez de sugarmos somente, absorvemos e doamos experiências, hábitos, alegrias e tristezas. Somos altamente influenciados uns pelos outros. Por isso não é raro quando ver alguém chorando e sofrer aquele aperto no peito sem nem saber porquê. Ou então ouvir uma gargalhada e - ah, como gosto desse som - sentir o dia todo se iluminar.
Adoro pessoas. Adoro conhecê-las. Por mais que a conversa seja de cinco minutos, sempre há uma característica que você leva junto contigo. A mesma pessoa poderá seguir n caminhos durante a vida dependendo do contato que ela tiver com a sociedade. Essa é a graça do jogo e por isso acho muito bom conhecer o máximo de gente possível. Dos mais diversos tipos. Quando tinha cinco anos me minha mãe me colocou no balé - perdição total -, quem ia me imaginar no rugby???
Thursday, November 09, 2006
"Dreher"
É duro olhar em volta e perceber o quanto vida passou rápido... E mais que isso: se deparar com um vazio no peito deixado por todos aqueles que passaram e foram importantes para seu crescimento pessoal ou simplesmente tatuaram um negócio do lado esquerdo, impossível esquecer.
É uma pena que essas pessoas tenham desaparecido, como se nada tivesse acontecido; e num movimento circular mega viciado, novas pessoas vêm e vão numa rapidez alucinante.
É fato que crescer envolve tudo isso... será que eu sou a única desesperada por ver pessoas escorrerem pelas mãos como a água da torneira, de cada manhã?
A sorte é que curti cada momento intensamente... mas será que tudo foi tão intenso assim?
Se tudo é apenas um vai e vem desenfreado, eu não deveria acreditar em amor eterno, família, amizade verdadeira, realização profissional entre outras coisas certinhas da sociedade... Mas como é difícil!
É complicado correr contra a conrrente e desejar, mais que um amante, um amigo pra vida inteira e fazer de tudo para que se viva de acordo com ideais lúdicos de confiança, fidelidade (e não possessividade), ajuda mútua e um mundo cheio de gliter. Um vida dúbia entre esses dois paralelos faz parar o tempo, perder amigos e dá uma solidão quase sempre angustiante...
Não quero me afogar num copo de cerveja.
Me dá logo um DREHER pra encarar a realidade.
Sunday, November 05, 2006
Divagações na Metrópole - 10 minutos no metrô
"Humm... esse cara é estilosinho: tatuado, converse no pé, mochila nas costas, alargador, mas com uma roupa bonitinha de trabalhar... No mínimo deve trampar como designer ou em alguma dessas empresas de informática e , com certeza, tá escutando rock. Ele não tem cara de EMO, então... deve ta escutando essas coisinhas novas britânicas. Pena que ele é baixinho e a mega aliança prateada na mão direita, tá reluzindo mais que uma dourada na mão esquerda: esse aí namora, pelo menos, há uns 2 anos...."
O trem abre as portas na estação seguinte e é impressionante como as pessoas se adaptam áquele estágio de inércia induzido. O tal do garoto comprometido, faz mil e uma acrobacias para que uma menina esbaforida, bem mais baixa e volumosa que ele, se encaixe naquele emaranhado de mãos, braços, pernas, peitos, bundas grandes, mochilas, sacolas e cheiros de todos os tipos...
"Nossa, que cara de mau! Ela deve trabalhar em alguma coisa ligada á vendas ou cobrança ali no centro e não deve achar que trabalho traz realização profissional, só dinheiro e encheção de saco dos patrões. Com certeza ela sabe todos os seus direitos trabalhistas e deve colocar no pau qualquer empresa que se meta a besta com ela.Aliás, acho até que os engraçadinhos e engraçadinhas com ela não têm vez... Mas será que essa calça grudada, esse cinto grande e essa blusa decotadissima e sufocante não colaboram pro seu mau humor? Acho que nem o brinco de dançarina do ventre e faixa colorida no cabelo alegram a tornam mais simpática..."
Na outra parada, o vagão continuaria no mesmo estado, se um casal não se entrelaçasse e ocupasse o mínimo de espaço que ainda restava diante da porta. "Uhhh, amor... conseguimos - smack na boca - Me abraça mais um pouquinho que a gente fica bem", disse o homem para a mulher.
" É, o amor deve ser realmente lindo e superar todos os obstáculos. A menos que eles tenham se conhecido por essas bandas e nesssas mesmas condições... E não é que eles combinam?! Tá certo que o desastre na cama é quase previsível: ela não parece ser nem um pouco sexy e tem uma certa aprência de sujinha. Não como os hippies da paulista, mas uma sujeira natural. Ele, sem a menor pinta de comedor nem de come quieto. É até estranho imaginar que um dia ele tenha sido punheteiro! Huum.. pensando melhor, ele tem cara daqueles caras de chat... e ela também! É fato: se encontraram num shopping um dia desses, depois de teclarem numa sala por aí, e viram que têm várias coisas em comum e se apaixonaram... inclusive se sintonizaram na horizontal. Que sejam felizes!"
A viagem da garota continua aperdatíssima e cada vez mais sufocante. Ela já não sabe mais se está se sustentando nos próprios pés ou alguém está fazendo isso por ela. Numa inspeção rápida e minuciosa, ela percebe...
"Putz, onde eu vim me meter! Tudo bem que não tinha tanto lugar pra ir, mas ficar embaixo dos braços de um gordinho com pizzas na camisa, ninguém merece!Ainda bem que meu poder de abstração das coisas e meu mp3 são maiores que tudo... O cara deve ser bancário e tem orgulho de mostrar que trabalha no Banco do Brasil, exibindo crachá e bolsa personalizada, além da camisa azul e amarela. Deve ser gente boa, mas a respiração ofegante e aquele olharzinho "sou tímido, mas se mexer comigo eu topo tudo" poderiam acabar com qualquer amizade. Aliás, ele não tem cara de muitos amigos. Parece bem caseiro, do tipo que tem família pequena e amigos ecléticos que entendem o dance como sinônimo de música eletrônica e o sertnejo como redenção em qualquer casório. Ai, é melhor eu tentar ir um pouco mais pra frente..."
Já diz o velho ditado que coração de mãe, sempre cabe mais um. Couberam mais quatro... e daqueles filhos bem barulhentos e desalmados...
"Como é possível! Esses daí são daqueles que querem aparecer á qualquer custo. Já chegam empurrando, gritando e ai de quem olhar torto pra eles. É capaz de cuspirem em alguém! A camiseta surradaa , o cabelo molhado e o perfume a la AVANÇO não negam um dia duro de trabalho em alguma fábrica da região. Mas isso não diminuiu o bom humor:têm piadas e frases feitas na ponta da língua. Aposto que para cada dia da semana devem resmungar algo diferente! Mulher...eita bicho bão, eles devem pensar. É lógico que baranga eles expulsam com alguma musiquinha brincalhona. Mas eles mal sabem falar direito... Devem ganhar pouco, só que têm família pra cuidar lá no fim da cidade. Engraçado como eles não demonstram se importar com isso! Eles é que estão certos... já estão prontos para um cerveja no bar e o trabalho no dia seguinte..."
ESTAÇÃO SÉ... ACESSO Á LINHA 1, AZUL. DESEMBARQUE PELO LADO ESQUERDO DO TREM.
Em questão de segundos o garoto do rock, a menina mau humorada, o casal enlaçado, o gordinho franzino e os "quatro felizes do jeito que sou" são expulsos do vagão, como acontece em parto normal. A tal da garota, que divagou pela vida de pessoas tão diferentes, com toda sua educação, tenta não empurrrar ninguém. Impossível... o máximo que conseguiu fazer foi olhar para os outros, dar aquela risadinha de "isso não muda nunca e é um absurdo", ajeitar sua roupa, mudar a música do mp3 e se preparar psicologicamente para conhecer tipos mais diferentes na nova jornada que ainda a aguardava.
Mas dessa vez seriam uns 10 minutos a mais de desconforto!
Sunday, October 29, 2006
A noite que valeu por um ano
Depois de muito tempo as Jones se reuniram novamente - só faltou a Lina. E depois de um tempo maior ainda conseguimos ir na Trash 80's, programa que combinávamos desde que esse blog foi lançado.
A noite foi perfeita. Rimos muito, dançamos de David Bowie a Xuxa, com coreografia e tudo - lógico. Quase cinco horas dançando sem parar como há muito tempo não fazia. Ah, como estava precisando disso! E não adianta pensar que a balada tava boa só porque ela é boa, e que semana que vem estaria igual. Normalmente 3h é fim de festa - opinião confirmada por Lana Banger, freqüentadora assídua da casa.
Dessa vez, aniversário de dois anos do lugar, fomos embora 4h30 e ainda tinha uma quantidade bem considerável de pessoas na pista. O show do saudosíssimo Double You talvez tenha ajudado a manter o clima. Mas a seleção de músicas, todo o cuidado com coreografias e a pista cheia mas com possibilidade de se dançar fizeram toda a diferença. Tanto que só fomos embora a hora que pés e costas já não tinham mais condições - e eu comecei a correr do risco de me atrasar mesmo sem dormir. Por sorte, ainda consegui deitar por meia hora - contada no relógio - antes de levantar para tomar o café e sair de casa quase de madrugada.
Como já foi dito por uma das Jones nesse mesmo espaço, existe uma série de combinações para que uma balada seja perfeita. Há várias semanas tenho saído para lugares legais mas... nem tanto. Agora, que finalmente a noite especial chegou, seria um absurdo não aproveitá-la. Mesmo que isso signifique o sacrifício de praticamente não dormir (e assim, segundo a lógica da minha mãe, diminuir 12 meses da minha existência).
Assim como baladas perfeitas existem amores perfeitos, momentos perfeitos, lugares perfeitos. Nas duas últimas duas semanas dois amigos vieram me contar que acharam seu perfect match... alguém especial com quem estavam saindo e que combinava perfeitamente com seus estilos de vida. Um deles, por achar que não estava em um momento para se envolver, acabou desistindo. A outra está tentando com o cara. Meio com medo de se machucar, mas faz parte.
A questão é... é tão difícil nos depararmos com esses pedaços de perfeição que não podemos desperdiçá-los, mesmo com a correria, mesmo com os riscos.
...
Plageando a Lucy, diria que esse post não tem muita razão de existir. Talvez tenha escrito numa tentativa de me auto-justificar por estar exausta e ainda ter um dia inteiro pela frente. Talvez seja simplesmente uma maneira de exteriorizar as sensações de algumas horas atrás. As notícias ainda não começaram a chegar, não tem ninguém no msn e portanto não tenho com quem conversar. A música do Double You ainda ecoa na minha cabeça. Muito bom.