Monday, September 25, 2006

Quem é quem nas Jones

É consenso entre as Jones que qualquer um que nos conheça mesmo que um pouquinho saberia identificar nossas verdadeiras identidade. Tanto é verdade que as pessoas acabam descobrindo sozinhas depois de lerem alguns textos. Porém, cansadas de tanto ouvir "qual delas é você?", resolvemos revelar o mistério através desse joguinho. Enjoy it, mas façam rápido. Já existem Jones no banco, loucas pra entrar em campo. E esse teste vai aumentando de dificuldade à medida que crescemos em número.



Quem é quem nas Jones?

+ As Jones são formadas por quatro meninas: Maria Carolina (Carol), Bruna, Anna Paula (Paullette) e Verena.
+ Cada uma escolheu um codnome: Lina, Lana Banger, Patty Marie e Lucy.
+ Anna Paula e Patty Marie se viram a primeira vez no trote da faculdade.
+ Carol e Lina se conheceram no trabalho.
+ Todas estão formadas em alguma área da Comunicação Social.
+ Três delas são jornalistas e uma é publicitária.
+ Três fizeram Cásper e uma PUC.
+ Verena não fez publicidade.
+ Uma das meninas escolheu se chamar Patty Marie para matar a frustração de não ter nome duplo. Maria Carolina, ao contrário, optou por um nome simples.
+ Lana Banger não era do mesmo curso que Bruna e Lucy mas todas freqüentavam as mesmas festas universitárias.

Fácil, vai? Só não vale jogar a resposta no comentário.

Wednesday, September 20, 2006

A mais nova invenção ou a última maldição?

Transexuais, Homossexuais, Sadomasoquistas, relacionamento que se preze, mesmo entre os heteros, mudou. Cada um do seu jeito, cada louco com suas respectivas esquisitices, por isso, tento sempre começar do zero, sem idéias pré-estabelecidas do que deveria acontecer. E, tudo normalmente, inicia-se com uma boa amizade. Aquele amigo que chega de fininho na sua vida e ganha uma importância, menina, vira o algo mais, até aí normal. Mas, a última é a amizade antes e depois do relacionamento. Pois é. Há quem seja categorico, impossível! Acabou, acabou! E, aquela frase: "Vamos ser amigos" não saia da teoria. Hum.. e quando a pessoa é daquele tipo "too good to be truth". Existe tanto em comum, tanta história, que seilá, afinal, você não quer mesmo perder o vínculo. Será que o momento "let go" precisa realmente acontecer para você seguir em frente?
Estava quase achando que se podia ter o melhor de alguém, compartilhar a amizade, sem de fato estar junto, mas depois dos últimos acontecimentos, reavaliei meus conceitos, e se for algo como uma maldição disfarçada. Explico. Recentemente, descobri que meu mais novo pretê pode ter uma namorada. Digo, pode, porque foi o que li no seu blog (eita, internet..hehe). Até aí, blz, senão fosse um simples detalhe. Antes da descoberta, ele já tinha me ligado algumas vezes para marcarmos de sair juntos e, devido aqueles desencontros da vida, nunca deu certo. Ele tinha mostrado interesse, mas, agora, paro e penso: Será que ele só quer mesmo minha amizade? Será alguma nova maldição de relacionamentos mal-começados e mal-terminados?

Sunday, September 17, 2006

São 4h50 da manhã de domingo

Sim, eu deveria estar dormindo, mas há mais de dez dias enrolo para escrever um texto sobre meninos de baladas e agora preciso pagar minha dívida antes que mais coisas aconteçam e essa bola de neve vire uma avalanche. Calma, o tema é clichê mas nem tanto. Independente de quanto tempo dura uma relação iniciada na balada, minha divagação seria sobre preconceitos e, principalmente, pedidos.

Mas eis que o tempo passou, "cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade" não foi escrito e hoje eu, apesar de já ter toda uma redação contruída na cabeça, não pude falar sobre meu novo esporte, o rugby! Tudo por peso na consicência de estar devendo o maldito relato sobre baladas.

Para não repetir o erro, vou falar tudo de uma vez, o texto talvez fique meio desconexo mas depois arrumo nos comentários. Assim, caso alguma coisa bombástica aconteça na vida desta Jones estou livre para contar de cara. Incrível como a gente tem esperança, né?

Bom, para começar eis minha conclusão: não acredito mais em romances de festas. Talvez esteja ficando velha, afinal, ao contrário de Lucy, já passei há um bom tempo dos meus 19 anos. Mas o fato é que crei certos preconceitos quanto a homens. E em 3 baladas seguidas, conversando com diferentes tipos, não encontrei nenhum que passasse pela peneira.

Não desisti das baladas em si. Adoro dançar. Minha próxima meta é ir a uma rave porque só 5h de música não estão mais sendo suficientes. Ontem recebi até o conselho de começar a correr pois estava com "excesso de energia acumulada" - depois de treinar por duas horas deixei meus amigos cansados de tanto dançar e pular. Além disso, tenho conhecido várias pessoas divertidas, hoje até fiz um amigo de orkut. Mas caras com mais de 20, menos de 35 e altura maior que 1,77 não encontro. Praga? Não gosto de acreditar nessas coisas, mas quem sabe. Afinal, as primeiras exigências nem são tão grandes e algumas podem até ser condicionadas. Para comprovar, aqui vai uma descrição das figuras mais relevantes conhecidas nessas últimas 3 baladas. E o pior é que quanto mais falo, maiores ficam as chances de cair um grande cuspe na minha testa e eu acabar gostando exatamente de um desses. Patty Marie é uma mulher muito complicada. Na próxima encarnação juro que nasço como Verônica Franco (who is this? Gooogle it: "Veronica Franco" Italia Veneza filme)

4a-feira, dia 6: Apresento-vos R***, Um moço simpaticíssimo. Bonitinho, alto. Com cara e jeito de 18 aninhos, mas na verdade tinha 20. Enfim... não deu. Tem certos erros que a gente comete uma vez na vida e só. Por mais que meninos mais novos sejam uns amores, eles costumam ser extremamente imaturos - nesse momento acabo de cuspir para cima e por um bom tempo é capaz de ficar tensa com o que vem do céu -. A única história bem-sucedida desse tipo que conheço está na música do Legião Urbana, mas mesmo assim a gente não sabe se Eduardo já não trocou a Mônica por uma de 20 anos a menos - que ele. Ah, aqui vai uma dica de filme sobre o assunto: Terapia do Amor. Enfim, depois de umas 5 vezes que encontrei a mesma pessoa na balada e de todas ele ter perguntando "mas você não vai ficar comigo só por que eu sou moleque?", a gente se via, dava oi, ele me disse umas mil vezes que sou muito simpática e eu quase poderia tê-lo adotado como meu segundo irmão mais novo.

5a feira, dia 7: CUIDADO COM OS SEUS DESEJOS ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE. A cena que mais ilustra esse dia é eu conversando com alguém e ao fundo Lana Bang se matando de dar risada. Isso se repetiu as três vezes. Menos de 24h depois de ter dado um não pro Errezinho, me aparece esse trio de senhores com idade um pouco avantajada. Um de cada vez. Dois deles provavelmente freqüentaram o ginásio na mesma época que meus pais. O terceiro devia estar começando a faculdade quando eu ainda usava fraldas. E isso num bar onde chegamos a achar que era o próprio buraco negro, ou seja, deveria ter caras de 25 mais ou menos. Só a gente que não encontrou. E a voz do Errezinho ressoava na minha cabeça "você vai me dar o fora só porque eu sou moleque?". Aliás, o conselho em caixa alta não serve só para esses casos não. Minha amiga um dia me disse que queria sair mais comigo. Avisei-a do ditado e... uma semana depois o namorado deu um fora. Nem eu mais lembrava disso e quando contei do bar ela me disse que até hoje se lembra do cuidado com seus desejos.

Sábado, dia 16: sei que sai no outro fds, mas não tenho idéia para onde. Horrível isso. Tá tudo ficando tão igual que até some da memória. Bem, com um lapso de baladas indignificantes, eis que hoje foi engraçadíssimo ao ponto de me fazer ficar mais de uma hora escrevendo um texto assim que cheguei em casa. Conheci dois caras muito legais e outros que não vale a pena nem citar. Um deles é o M***. Chegou com papo esranho de que queria tirar foto pra colocar no orkut. Eu já tenho rejeição natural a fotos. Para quem eu não conheço ainda mais. Porém eis que de repente minha amiga estava com a máquina do moço pronta na mão e tirou a tal foto. Depois mais duas. M*** é engenheiro. Tem 26 anos (mas esse com a carinha de baby não me espanto que tenha conseguido até enganar o buraco) e não é lá muito alto. Tem certos erros que a gente só comete... algumas vezes na vida. Além dele, conheci E***. E esse, muito baixinho, não hesitou em pedir pezinho pro amigo no meio da pista para falar comigo. A cena foi hilária, não havia omo não olhar e dar risada - eu, ele, minha amiga e um monte de pessoas à nossa volta. Por umas três vezes foi içado pelo amigo para falar de igual para igual comigo. Adorei a criatividade. Mas não.

Começa a clarear. A minha balada de sábado acabou. Finalmente começo a sentir sono. Acho que é gostinho de missão cumprida. Escrevi sobre os meninos de balada. Falta de sorte? Exigências demais? O fato é balada a cada dia mais está para dar risada, dançar, ver os amigos... desisti de encontrar um par por aí. Será que algum dia já procurei? Mas pelo menos antes encontrava. Aliás, só para terminar esse texto esquisitíssimo, uma compilação de várias baladas e teses, aí vai um recadinho: Amiga, parabéns pelo novo boy. Esse é divertidíssimo. Acredito que enfim você tenha encontrado um cara que te merece. Vai sem medo.

Se der, um dia, escrevo do rugby... quem sabe mais pra frente. Chega de comprometimentos com assuntos. Por enquanto, só um comentário: que é muito legal, ah, isso é.

Monday, September 04, 2006

Caiu no PARAÍSO? CONSOLAÇÃO é a salvação!

Qualquer paulistano com o mínimo de senso de diversidade é filho legítimo - e presente - da Av. Paulista. Sua beleza materna pode se expressar pelo charme do pretinho básico excutivo em contraste com o sol de 30º, a imponência de sua arquitetura e o caos sincronizado, o mix de tribos, credos e classe social... Mas a sua vida noturna realmente é o que há de mais interessante: viver por lá a noite me faz sentir que estou em Londres ou Nova York (tá é uma viagem...mas é a MINHA viagem).

Eu sou muito suspeita, porque além de ter me refugiado, namorado e me formado nessa região,eu me rendi ás baladas diferentonas e mega alternativas do circuito FREI CANECA / AUGUSTA / BELA CINTRA/ CONSOLAÇÃO. Circuito, aliás, que é muito conhecido por ser O MAIS COLORIDO da cidade... quer coisa mais divertida?!

Não sou lésbica nem bi, nem nada - mesmo que tenha certeza absoluta que seria uma bichona chiquérrima se nascesse com coisinhas no meio das pernas. O que acontece é que as baladas tradicionais, que estava acostumada a frequentar desde os 11 anos, se tornaram um saco: sem criatividade nenhuma (o que acontece com os djs? Tenho medo de em tornar uma por causa disso...), cheia de "crianças" com piadinhas/xavecos prontos, e com aquele passinho bááásico (pro lado, pro outro com dedinhos apontados pro céu) que dá ânsia.

No circuito colorido tudo é "permitido": andar com roupa rasgada e fora de moda, dançar como ET, maquiagem borrada (mas isso sempre é bom evitar...), pessoas fora de forma, tocar 12 músicas da Madonna em sequência, menina no banheiro de menino e vice-versa... Sem contar que quanto mais a noite passa, melhor fica a balada. Então ser o último a sair não é feio... é mais natural que se possa imaginar.

AH.. e as pessoas são mais velhas, estilosas, cabeça aberta e sabem dançar - cada um do seu jeito, obviamente.

Acho que agora tá mais fácil entender proque eu me ENCONTREI nos inferninhos, baladas de porão, casas GLS entre outras variações. Posso dizer que depois das raves, eles eles são responsáveis pelas minhas noitadas mais incríveis...

E geralmente, quando não tenho nada pra fazer, sem carro, sem dinheiro e com muito pique pra ficar vendo TV e engordando, é só me deixar na linha verde do metrô que eu me viro e não saio de lá sem, no mínimo, ter perdido umas 900 calorias!

A teoria do buraco negro

Há algum tempo tenho reparado que em todas as festas, baladas, barzinhos só encontro garotos de 19 a 21 anos. No máaaximo 22. A maior parte das minhas amigas já desistiu de procurar e agora namora com garotos mais novos. E eu, independente mas sem a menor vocação pra dona de creche, fico pensando... onde estão os homens mais velhos? Depois de muito analisar, cheguei a uma teoria: todos foram engolidos por um buraco negro!

Calma, não é tão loucura. Pense: com a quantidade infinita de baladas em centros como São Paulo, seria muito difícil para um homem abandonar as noites de farra, ficadas sem compromisso e finalmente sossegar e criar uma família. Prevendo que dessa forma o fim da espécie chegaria mais cedo, a Mãe Natureza, que não mede esforços para salvar seus filhos, resolveu agir e tirou os imaturos de circulação.

Tal como borboletas usam o casulo, foi criado um buraco negro que suga todos os seres do sexo masculino prestes a completar um quarto de século de vida e os deixa maturando por algum tempo. A devolução só acontece quando eles passaram dos 28 ou atingiram o nível espiritual compatível com a perpetuação da raça - ou seja, vontade de casar e cuidar de filhos, mais do que fazê-los.

Sei que minha teoria parece bizarra. Eu mesma gostaria que fosse, afinal não estou pronta para um passo tão grande. Por isso, antes de escrever esse texto, com a esperança de que estivesse errada, fiz a uma pesquisa de campo e percebi que infelizmente ela é aceitável.

Teste Final
Para pôr fim às dúvidas decidi correr o risco de miar minha noite de sábado e fui para o lugar onde mais ouço falar que dá gente velha - "ok, dá gente velha, mas velha quanto? Ah, Marie, velha tipo uns 38. Muito velha" -. Esse é o Darta Jones, famoso bar que toca música anos 80 na Vila Madalena.

Assim que cheguei no lugar, a informação foi confirmada. Posso até citar exemplos como homens de cabelo branco e mulheres estilo senhoras casadas. Também foi possível ver a pirralhada de sempre e alguns seres do sexo masculino que aparentavam os 20 e MUITOS.

Nessa hora quase me empolguei. Mas, como esse é um blog sério e não pode ficar só nas aparências, a equipe Jones perguntou para uma quantidade considerável de homens aparentemente da faixa etária desaparecida quantos anos eles tinham. Resultado? Váaarios de 21 e 22. Um de 29. Até mesmo os que a gente jurava que iriam acabar com minha teoria não passavam dos 22.

Um dos meninos reclamou que eu só queria saber a idade dele ("tenho 21. Mas tá... e aí? Você quer saber minha idade e... só? Sim, só isso. Estou perguntando para os caras do bar. Obrigada"). Depois disso, tive que explicar o porquê da enquete e citei a teoria do buraco negro, correndo o risco de parecer mais louca ainda.

Para minha surpresa, o moço, com ar pensativo, concordou, "é, você tem razão, tá muito difícil ver caras mais velhos por aí. Em qualquer balada". Nesse momento, fiquei desolada. Até os próprios homens perceberam isso. Vai ver, coitado, era mais um que estava se sentindo tragado.

Friday, August 18, 2006

Do que é feita uma boa balada?
by Bruna - a mais alta Jones

Existe regra para uma festa ser boa? Tem gente que diz que o mais importante é a companhia, mas sempre há casos em que você está com o melhor cara desse planeta, com a turma mais empolgada e a balada continua miada.Durante um jogo de twister*, depois de muita bebida e com uma quantidade enorme de risadas e tombos pela frente, um grupo de meninas resolve fundar um blog.
As Jones vêm daquela personagem - antes literária que cinematográfica - criada pela escritora britânica Helen Fielding.Discípulas de Brigite, as Jones têm uma grande tendência para pagações de mico. Dos que ficaram para trás, você, leitor, provavelmente nem ficará sabendo, mas a gente promete aprimorar ainda mais os nossos causos - será que é possível?Esse será um espaço para falar de baladas boas e miadas, programas de índio muito divertidos e comportamento em geral. Homens? Lógico, afinal, com um bando de mulher juntas esse é um assunto que não poderia faltar.No primeiro final de semana do nosso blog, as Jones se dividiram. Uma delas foi para um bar badalado da Vila Olímpia. Outra, para uma balada desconhecida e com toda pinta de GLS na Consolação. Qual das duas se divertiu mais? O que cada uma encontrou em sua respectiva balada... cada festa é um mistério, e a gente adora desvendá-lo.


* twister - jogo consagrado na série Friends. Composto de um dado e de um tapete com círculos coloridos, os participantes se contorcem amontoados, tentando ficar com pés e mãos nas cores designadas e sem derrubar uns aos outros. Simplificando: jogo ideal pra pagar mico e dar risada.

Sunday, June 08, 2003

Um dia com a mais vibrante

Normalmente as coisas começam assim, com um simples convite: "você quer ir?" e daí, em vez de eu me perguntar "será que eu realmente quero?" a frase que ressoa na minha cabeça é "por que não?". Se, nos mínimos instantes entre o ouvido receber o estímulo e a boca emitir um sono "ah, eu quero!", eu encontrar um motivo para recusar, ok. Mas como na maioria das vezes isso não acontece, acabei ganhando a fama de arroz de festa e virei figurinha carimbada na maioria dos eventos, dos mais tradicionais até aqueles protegidos pela Funai (principalmente nesses, por sinal). A última dessas aventuras foi o clássico Corinthians e Palmeiras, a que assisti junto com o pessoal da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras).

Há algum tempo, acho que desde que fomos morar perto do Palestra Itália, que meu irmão ficou mais próximo do futebol. Passou a ir a todos os jogos, entrou na Mancha (antes Verde, agora Alvi Verde), mas não durou muito lá. Em pouco tempo, mudou pra TUP, onde, diz a fama - e todos os seus integrantes - a união é maior e as pessoas são muito menos arrogantes. Enquanto a minha confraternização era com o pessoal do rugby, a dele era com o pessoal da torcida. Conhecida como "a mais vibrante", a TUP vira e mexe faz churrascos, cervejadas, viagens (sempre com a desculpa de ver os jogos). E como tudo o que é festa interessa, ela ganhou minha simpatia. Mas só isso. Até que semana passada, meu irmão me chama pra ir ver um jogo com ele. Achei o máximo, mesmo porque homem é mais difícil de chamar pro seu mundinho. Mulher que é mais expansiva. Mas naquele final de semana era impossível. Rugby, aula de dança o dia todo e festa - esses dois últimos na companhia de Lucy. O jogo seguinte, por sua vez, era contra o principal rival, alvinegro, então estava descartado.

Passado o final de semana, meu irmão retoma o convite "você não quer ir comigo no jogo domingo?". Dessa vez, a cabeça nem teve tempo de se preocupar em pensar. A boca foi muito, mas muito rápida:

"Ah, eu quero!"

"Tá, mas é contra corinthians..."

Pronto. Ganhei o tal tempo pra pensar. Mas mesmo assim não consegui achar uma razão forte para recusar. Fiquei simplesmente gaguejando..."ah... contra Corinthians? Ah, é... bem, não sei... não é melhor ir em outro?"

No fundo, eu nunca tive uma opinião formada sobre esses jogos. As pessoas me falam que é perigoso, que não é bom mulher ir, eu acreditei. E como ninguém tinha me chamado prum clássico desses, nunca tinha pensado a respeito. Sendo assim, ele não precisou de mais de duas frases de efeito como "as torcidas não querem mais brigar porque isso só prejudica elas" e "não vai ter problema, vai um monte de meninas" pra me convencer.

A partir daí foi um vai-não vai. Tinha decidido que não ia contar pras pessoas que eu ia, porque vai que a criatura desistisse de me levar. Mas ele tava empolgado, então achei que não tinha risco. Contei pra alguns amigos e não é que no meio da semana descubro que não vou mais? "Ah, teu irmão falou que acha melhor você não ir. Vai ter muito homem, vai tar muito cheio. Melhor você ir em outro". Ok, né? Se ele, que é quem tinha me convencido a ir achou melhor não, eu não vou. O pior é que eu já tinha até me empolgado. Nem reclamei quando ele vetou minha regata e me mandou ir de calça comprida - que depois consegui trocar pruma bermuda até o joelho. "É, só não me vai com esses seus calções" (calções, pra quem nunca ouviu é o sinônimo inventado pelo pai pra palavra 'shorts').

Quando já planejava o que fazer com meu domingo recém-liberado, ele me liga pra dizer que eu podia, sim, ir. Uma das meninas mais antigas da TUP (o que é incrível já que ela não aparenta ter mais do 20 e médios anos, como diria Lucy) garantiu que não teria problemas e que elas tinham fechado um ônibus só de mulheres.

"Tá, então eu vou?"

"Ah, você quem sabe, mas não tem problema"

"Tá... então eu vou!"

O jogo começava às 16h e eu já tinha feito todo meu esquema. De manhã vou tomar sol, depois pego o cachorro da minha tia emprestado pra passear, tomo um banho e encontro com o povo lá pelas 14h. Até que soube que o pessoal ia se encontrar ao meio-dia! O passeio com o dog foi cortado dos planos.

Meio-dia e pouco meu pai me levou até o bar perto Palmeiras. O lado de fora do Palestra estava tomado por metaleiros que esperavam - alguns há dias - para ver o show do Iron Maiden. Perguntei pro meu pai o que ele preferia, a minha fase antiga (quando possivelmente estivesse naquele bolo) ou essa de agora, indo para o jogo junto com a TUP. Ao contrário do que pensei, a resposta veio fácil. "Só de você não usar mais piercing eu já fico feliz".

Encontrei com meu irmão, que me levou de carro até a quadra da torcida. Fiquei com ele, meu primo e uns amigos dos dois até a hora de entrar nos ônibus, quando fui apresentada à tal veterana - uma loirinha super simpática - e a outras meninas.

Durante todo o tempo na quadra ficamos ali, eu e os meninos, encostados no carro. Chegavam ônibus da TUP zona sul, zona leste, ABC, Baixada e por aí vai. Fomos em nove ônibus, se não me engano.

Cumprimentei mil pessoas que eu não lembro do rosto - novidade - e nem soube o nome. Em um determinado momento, comentei, apontando para uma garota "olha, tá vendo? Tem menina de shorts e regata". Ele nem se deu ao trabalho de olhar pra mim quando respondia, displicente, "ela não é minha irmã!". Em seguida, se justificou, não sei se falando em relação ao meu pai ou aos outros caras, "o pior é que se acontece alguma coisa, não é você, sou eu quem vou ter que agüentar". Eu respeitei o argumento.

E os cuidados não ficaram só no vestuário. Em todo momento que estivemos na TUP, eu parecia uma criança no shopping. Não podia ficar sozinha de jeito algum. Nos últimos dias, meu pai já tinha dito mil vezes "você, vê se você cuida da sua irmã". Meu irmão, obediente, me levou com ele pra cima e pra baixo e, no único momento em que realmente precisou sair, fez do meu primo meu guardião. "Eu vou ali na frente. Você fiiiica aqui com ela". Nessa hora, como em tantas outras, eu caí na gargalhada. É difícil exibir um "frágil" estampado na testa, ainda mais quando se tem 1,77m e joga-se rugby.

"Você, vê se cuida da minha irmã". Esse foi meu irmão, plagiando meu pai, no momento em que me passou para os cuidados da amiga loira. Quem diria que eu é que sou quase seis anos mais velha...

Íamos no ônibus só de mulheres, mas a brincadeira durou pouco, como comentou uma das garotas. Aquilo, que mais parecia uma caixa de fósforos vermelha e amarela, foi invadido pelo povo da TUP ABC, que já anunciou "aê, gente, quem quiser sair, que saia agora. Esse ônibus vai quebrar. Todo ônibus que a TUP ABC pega acaba quebrando". E olha que não era difícil. De todos os ônibus, aquele era de longe o pior. Felizmente, essa previsão, juntamente com a outra, um pouco mais terrível, de que iríamos cair de cima da ponte, não se concretizou.

Depois soube que, de fato, não há povo melhor do que o ABC para pegar ônibus que quebra e arrumar briga. "Não teve ônibus só de mulher? Bom, pelo menos vocês estavam protegidas. Uma vez sete carinhas da TUP ABC encontraram uns 40 Gaviões. Os caras do ABC se recusaram a fugir. Os caras da Gaviões falaram 'vocês apanhar!'. Os da da TUP falaram a gente vai apanhar, mas não vamos fugir de vocês. Uns foram roubados, outros apanharam, até que a polícia chegou. Mas eles não fugiram", contaria, depois, meu irmão no caminho para casa.

Problemas com ônibus e com policiais atrasaram a saída um pouco. Para subir no veículo, era preciso abrir a bolsa e - teoricamente - levantar a camisa até a altura do umbigo. Eu, assim como tantas outras, entendi que aquilo era só para os homens e só abri a bolsa. Ninguém reclamou.

Já para chegar no Morumbi, nada melhor. Policiais de motos iam escoltando os ônibus e parando o trânsito para a caravana passar. Nenhum estresse dirigindo ou procurando lugar para parar o carro. No caminho, ainda aprendi mil musiquinhas. Algumas meninas exageraram um pouco e, na falta de coisa melhor, xingavam até o poste, literalmente.

Apesar de termos saído menos de uma hora antes do jogo, chegamos ainda no comecinho. O único contato com a torcida adversária foi visual, quando cheguei na arquibancada e olhei pra frente. Vimos o jogo, toda a mulherada junta. Mesmo cheio, não estava nem de longe apertado. Deu pra ficar cada uma em cima de um, às vezes até de dois banquinhos. A bateria da TUP não parava um só segundo e o bandeirão, verde e branco, voava por causa do vento e parecia uma enorme tenda - bem diferente para quem está acostumado com o vermelho e preto casperiano dentro de uma quadra sem ventilação ou luz. E fazia tanto tempo que eu não ia a um estádio que parecia estar vendo essas coisas pela primeira vez.

Aliás, o tempo sem ver futebol também me trouxe uma impressão esquisita. Durante os primeiros minutos, assistia ao jogo mas não conseguia achar nada de super interessante. Só passes, nada mais intenso. Depois percebi o problema. Provavelmente meu inconsciente esperava algum tackle, choque ou jogada mais de contato, coisa que não iria acontecer, simplesmente por ser futebol, e não rugby. Algum tempo depois, voltei a me empolgar com o jogo. Ainda mais porque o resultado foi perfeito: Palmeiras 1 a 0.

Na volta, nada de pressa. Os corinthianos saíram mais cedo do estádio, talvez tristes com a derrota. Então, a gente que esperasse. Quanto menor o risco de uma torcida encontrar com a outra, melhor. Só lá perto das 20h é que os policiais liberaram nossa carreata. Eram cerca de 30 ônibus, juntando todas as torcidas do Palmeiras, e que acabam indo pra mesma região. Nós voltamos junto com a TUP Itaquá, que foi invadida pela torcida feminina.

Parece que a Mancha e alguns fãs do Iron brigaram antes do jogo. Um jogando pedra no outro, mas na TUP, nada. E eu já terminava meu dia achando que tinha sido tranqüilo até demais. Chegamos na quadra, me despedi das meninas. Já estava até pensando que meu post ia ficar meio sem graça. Daí, quando já estava no carro, meu irmão fala "puta, fodeu" e mandou meu primo e o amigo dele trocarem correndo a camisa, já que os dois estavam com a regata - ou farda - da TUP (descobri que nem há tanto problema em estar com a camisa dos clubes. O que pega mesmo é você estar com algo da torcida).

O povo da Gaviões zona norte tava passando na porta da quadra. Aparentemente, isso é normal, porque é o caminho deles para pegar a Marginal, mas segundo contaram toda vez é um stress. Nunca se sabe quando eles estão só passando ou quando vão querer invadir. Por isso, todo mundo foi pra porta. Quer dizer, quase todo mundo né... eu e os meninos já estávamos no carro, prontos pra sair e meu irmãozinho, suficientemente estressado por manobrar em meio àquele bando de carros e motos deixados de qualquer jeito pra pensar em descer. Quando finalmente ele conseguiu sair com o carro, os caras já tinham ido embora... e a gente voltou pra casa feliz.