Garotas empolgadas, em algum lugar, naquela balada, numa mesa de bar, em alguma sala de cinema, em uma viagem ou simplesmente na casa de alguém. Afinal, elas são AS JONES!
Tuesday, September 11, 2007
A nova escola
"Ah, imagina, como ele vai saber? Não é pra cara dele que eu tô olhando"
Dizem que a necessidade promove grandes avanços. Os espartanos saíam pelo mundo provendo saques e escravização, mas não porque nasceram assim. A falta de terra para plantar fez com que eles decidissem. Ou a gente procura comida em outro lugar ou morre de fome. Saíram.
A mesma coisa acontece séculos depois, com algumas diferenças. Tenho amigos que, quando estão dirigindo, não páram para que nenhuma mulher bonita atravesse a rua. O argumento é que essas são muito metidas e que não parar ajuda a diminuir a arrogância. Mas, mesmo sem dar bola, mulher já sofre andando na rua. É assobio, cantada chata. Imagine se ela desse um sorrisinho feliz a todo instante.
É 8 ou 80. Quando saímos dando risada sozinha pela rua, vira e mexe tem alguém que resolve exteriorizar das piores formas o quanto gostou da felicidade alheia. Já se vc está de cara fechada, é metida, chata ou simplesmente "nem tudo isso".
As meninas pra quem meu amigo pára na rua dão um sorriso enorme para ouvir o mesmo elogio. Elas também deixaram Esparta para sobreviver. E conseguiram. Há muitos homens que assumem gostar de mulher feia, mais dedicadas, no mínimo. Da mesma forma, há várias meninas que preferem os feios por serem mais fiéis. Mas, mais do que eles, há um grupo que a cada dia mais conquista o seu lugar ao sol: os homossexuais ou gays.
O preconceito ainda existente em alguns setores (no esporte, por exemplo) bate de frente com eventos como a passeata do orgulho gay. A espontaneidade é marca das baladas características e o mulherio, sempre tão acostumado a aparecer nas festinhas tradicionais, fica apagado em meio a tanta e energia. Em matéria de diversão, eles dão aula.
Exemplo prático: num lugar ao longe, uma garota e dois rapazes conversam. Ela, interessada no primeiro, o chamou pra uma festa, onde o amigo estava junto a tantos outros. No momento em que ele chega é interesse à primeira vista. Não dela, que esse era antigo, mas do amigo, que adorou o rapaz e já foi se jogando.
A garota, tal como uma da família Jones, fica confusa e não sabe o que fazer. Ainda não tinha nada com o outro. Planejava, mas não tinha. O amigo não sabe disso e talvez também não se importasse. À medida que o tempo passa, mais a situação fica tensa. Seria quase impossível frear a investida. Se o outro quisesse, era. Mas o outro não quer.
A festa termina. O que chegou por último volta frustrado. Ela volta angustiada e confusa. O amigo volta mais radiante do que nunca. Não conseguiu o queria, mas se divertiu muito.
Briga entre grupos? Não, um simples convite à evolução. Antropofagia: assimilar as características positivas do outro. Difícil, mas a gente tenta. A prova éramos eu e Lana tentando imitar o gingado de alguns meninos no carvanal deste ano. Pelo menos no rebolado, mulata já era.
Friday, September 07, 2007
Ah...Os sonhos!
Numa dessas noites agitadas eu tive um desses sonhos que valem registro. Nada faz sentido. Mas, acreditem se quiserem, algumas amigas encontraram a tal mensagem que os sonhos nos trazem.
O primeiro atentado terrorista brasileiro. E como se trata de um país de terceiro mundo, óbvio, não foi um boeing entrando no prédio. Foi um teco-teco mesmo, desses bem pequenos. Ele tava carregando uma arma de destruição em massa x e, ao mesmo tempo em que pilotava, conferia o orkut em seu laptop, que estava sentadinho em seu colo. De repente, um novo scrap, uma ameaça. Se ele não liberasse a arma que carregava sobre um shopping center x, algo de muito, mas muuuuito ruim ia acontecer. E ele liberou.
Aí eu tenho um branco. Lembro do que estava acontecendo, da poeira, fogaréu, gritos, escombros, apesar de não estar lá. Mas, por algum motivo que, obviamente, eu não tenho idéia, fiquei sabendo que meu ex estava naquele shopping, naquela hora. Óbvio, fui salvá-lo. E o meu sonho acabou! Ou apaguei esse trecho da memória, mas apaguei mesmo!
Claro que eu sei que o salvei, mas não lembro como.
Foi um pesadelo com todos os elementos: gente morrendo, atentado terrorista, destroços e até ex-namorado. Não que ele seja um pesadelo, apesar de ter feito, e de vez em quando insistir em querer me fazer mal. Mas não quero mais sonhar com ele. Ainda mais sonhar em salvá-lo. As minhas amigas dizem que isso foi uma mensagem. Mais uma vez, eu o salvei!
Mas prefiro pensar que não. Que, na verdade, eu faço muito mais falta na vida dele, do que ele na minha.
Tuesday, August 28, 2007
O poder das escolhas
Em compensação, depois que decido aprendi a não voltar atrás, não me arrepender. Justificativa pra ser cabeça dura, exemplificava com a imagem: "eu demorei seis meses pra escolher de que lado faria meu piercing. Imagina se toda vez que me olhasse no espelho pensasse 'ah e se eu tivesse feito do outro lado?'".
Por isso mesmo que demoro ainda mais pra tomar as tais decisões. Se sei que não vou me voltar atrás, tem que ser algo bem pensado. Pra decidir a cor dos vestidos pra festa foi um caos. Eu e Lucy... uma pior que a outra. Por fim, nossa quase Jones, mais impulsiva, foi toda de vermelho. Lucy, de peruca e pétalas rosa e vestido amarelo. Eu, de peruca e pétalas laranja e vestido azul. mas fofas.
Na hora da festa, novos problemas: o que beber? estou com vontade de cerveja, mas jurupinga é tãaao bom e demora tanto pra vir de novo pegar os copos, melhor escolher bem. Como a festa é open bar, facilita. Pego um de cada. Faço isso uma, duas, três vezes, pelo menos.
No fim, o cansaço de fim da festa, aumentado pelas escolhas não feitas, provoca um pequeno tombo. Mais uma das vezes que eu literalmente caio em festa (ou, como brincou minha mãe, saio embalada da balada). De lembrança, um joelho e uma perna bastante ralados. Qual deles? O esquerdo, mas isso eu não precisei escolher. Como conversava com Lucy um dia antes, o cansaço simplifica as coisas, a gente não pensa, só faz, e, em alguns casos, paga o preço depois.
Fomos umas bonecas
Em todo caso, valeu. Até agora é difícil acreditar que fizemos tudo aquilo sozinhas.
E tudo foi tão rápido, em apenas três dias. Na quarta à noite entramos em crise.
- Do que vamos na festa deste ano?
- Não sei. Pensa em algum desenho animado
(...)
- E se a gte fosse de menina-flor?
- Ah, Lucy, não lembro desse
- Tá, então vamos pensar em outro.... ah, Patty. Tudo mundo lembra da boneca
- É, eu sei. Na hora achei que você estava falando de desenhos e eu não conheço nenhum desenho de menina-flor. Já a boneca eu tinha.
- Então vamos?
- Vamos!
Respondi já pensando "não vai dar certo". A gente de vestido, flor na cabeça e vaso escondido andando pela festa. Não ia dar. Mas deu!
Do nada, aquele estalo. Vou para o paint, faço o desenho, mando pra Lucy, cujas idéias bateram perfeitamente. No dia seguinte fomos às compras.
12 metros de tecidos; três sombreros; 15 placas de EVA; um rolo de plástico verde; seis bambolês; muito pancake; fitas e rendas para criarmos três meninas-flor, com produçõ e tecnologia própria. Eu, Lucy e nossa quase-Jones fizemos vestidos mais vasos mais chapéus em apenas dez horas. A única ajuda, apesar de essencial, foi no manejo da máquina de costura.
Meninos, se vocês quiserem fiquem à vontade para falar da festa fantasia em si, tanto por posts quanto por comentários. Eu estou feliz falando só das nossas fantasias.
Thursday, August 16, 2007
A luta pra chegar no 8
Quando Lucy disse que buscava algum evento que a tivesse feito ficar "desse jeito" eu respondi imediatamente: "o meu motivo é fácil, a mídia", o que provocou gargalhadas dos dois lados. Mas, pensando bem, por mais que todas as minhas heroínas da infância sejam mulheres independentes, seguras e até insensíveis (é só pensar na maioria dos desenhos dos anos 80), isso tem mais a ver comigo do que com os personagens que tanto admirava.
A questão é a seguinte: mudar de humor demanda um esforço muito grande. As pessoas, por definição, buscam a felicidade. Então, em estado natural, é mais fácil você ver uma pessoa feliz do que brava. Para ela ter mudado de humor, algo aconteceu. E no caso de uma pessoa teimosa, não existe aquela coisa de ficar brava por cinco minutos e depois passar. Às vezes, você não agüenta mais o clima ruim, mas nunca que vai dar o braço a torcer. Voltar ao normal significa que o motivo pra você ter ficado daquele jeito não foi tão forte e que, portanto, você que estava errada em ter se exaltado. Enfim, hipóteses inadmissíveis.
Durante anos eu passei por isso. Não admitia que era teimosa. Simplesmente era justa. Se eu estava certa, não tinha porque ceder e, não, isso não era teimosia. Até que uma época, não lembro quando ao certo, assumi que sou uma taurina de verdade, daquelas que dá cabeçada até depois da porta ter caído, e comecei a administrar o meu próprio humor.
Uma das coisas mais gosto é argumentar e, portanto, sei que se entrar numa discussão e a vitória não for minha, vou ficar brava e vai me doer muito dar o braço a torcer. Na verdade, mesmo se eu ganhar ainda vou ficar com aquele orgulho me corroendo, louca pra contar pra alguém como "acabei" com tal pessoa. Mas, graças aos céus, isso é passado. Depois de - assim como Lucy - perder alguns amigos por palavras duras demais (embora as minhas fossem de verdade), passei a evitar discussões desnecessárias e só entro em conversas que sejam filosóficas demais para ter certo e errado. Nas outras, ouço, pontuo, mas não abraço mais pontos de vistas que pouco vão mudar minha vida. Discutir cansa. Cansa você ficar brava e cansa mais ainda voltar a ficar feliz, então vamos cortar etapas.
O problema é com isso a gente fica mais insensível... como 'ficar triste dá trabalho', nem penso em me abalar a não ser que seja por algo importante e mantenho meu (bom) humor natural e constante, sem picos de alegria e tristeza. Deixo de brigar, mas também deixo de dizer que gosto. Por fim, deixo de ver que, de vez em quando, as pessoas precisam de um pouco mais de atenção, por mais meloso que isso seja.
O lado bom de tudo isso, e talvez o real motivo destes post, é que melhorar é possível. Depois uma bronca, passei a colocar um "você quer ir?" quando respondo às amigas que, sim, já sei o que vou fazer no final de semana - o convite, pra mim, sempre esteve implícito, elas que não entendiam. Ainda não é suficiente, mas, segundo a minha eterna despreocupação, já é um começo.
Sunday, August 05, 2007
Meu Pan especial
Tudo passa, tudo sempre passará.”
Ok, não sou a maior fã de Lulu Santos, pra não dizer que o odeio. Mas foi exatamente essa música que ficou na minha cabeça desde que voltei pra casa.
E por quê?
Nem foi a viagem em que passei mais tempo longe de casa, nem foi a que fiquei mais sozinha, isolada do mundo. Afinal de contas foram apenas 40 minutos na ponte aérea, 50 centavos de roaming por ligação, em um mês e meio.
Não tive the time of my life, nem encontrei o amor da minha vida. Não enfiei o pé-na-jaca, acho que posso contar nos dedos os copos de caipiroska que tomei (nenhuma gostosa), e não beijei ninguém, nenhuma alma. Como diria a minha mãe, não por falta de pretendentes, hehe, e apesar de me sentir muuuito carente.
Ai, então por que essa viagem foi tão especial? Por que tanta coisa mudou na minha vida?
Porque realizei um sonho. Porque pela primeira vez trabalhei em um grande evento esportivo. O Pan passa longe de ser o maior, ou o mais importante, e sei que estava lá porque foi aqui no Brasil. Mas foi o primeiro, o MEU primeiro. Sei que fiz tudo direitinho, que gostaram do meu trabalho. Apesar da sensação de que poderia ter feito muito mais, de que poderia ter feito diferente. Acho que sempre vou sentir isso. Não tem problema, foi maravilhoso, inesquecível.
E a vida pessoal então. Um belo dia, no meio do Pan, acordei e percebi que não tava me fazendo falta. Fiquei tão ocupada trabalhando que não pensei, não senti, não lembrei. Então decidi: chega! Não quero nem preciso. Quero sim alguém que saiba o que quer e que seja maduro.
Quero sorriso fácil, suspiros profundos, mente leve, abraços apertados e beijos eternos. Ih, acho que já posso me apaixonar de novo.
Quem diria. Tudo passa, tudo sempre passará. Até pro meu coração
Thursday, August 02, 2007
O belo que só quem não enxerga vê
"hahaha, olha é possível"
Não era nem pela quantidade de bebida ingerida, muito menos por tentativa de me fazer de superior que disse aquilo. Lembrar do rosto, do nome das pessoas é uma tarefa cada vez mais difícil.
Excesso de informações, a tal síndrome do mundo moderno (em que você tem acesso a tantas coisas que acha que não sabe nada e, pior ainda, não registra quase nada). Só isso já seria desculpa mais que suficiente para pessoas... esquecidas, digamos.
Mas há ainda tem o fator "pé no chão". Pessoas ditas avoadas têm seu lado positivo, se estressam menos e por isso estão menos sujeitas a morrerem numa briga de trânsito. Em compensação, são potenciais vítimas de atropelamentos e de serem taxadas como metidas, mal educadas e afins.
Por indicação de Lucy, que compartilha desse problema, entrei no grupo "Metida não, míope", do orkut. Mas quem dera todas as pessoas que conheço fossem minhas amigas virtuais e soubessem dessa minha comunidade. Infelizmente, quem chegou nesse nível de interesse é porque já me conhece e não vai ficar bravo se eu passar reto. Ao contrário, esses amigos até se divertem. Esperam passar bem perto pra dar um grito bem no ouvido; agarram o braço ou simplesmente ficam pulando na sua frente, agitando os braços - e comentando com quem estiver do lado "aposto que nem assim ela vai ver".
Cumprimentar é um assunto muito complicado. Além de ver as pessoas, você precisa decidir como vai abordá-las, principalmente em relações de trabalho.
Para e-mails, criei uma regrinha: no fim da página, antes da assinatura, começo com "abçs". Se a pessoa mudar para "bjs", mudo também, assim não passo nem por dada nem por mal educada.
Hoje, voltando do almoço, vi (acho que vi) um dos meninos de outro setor que só encontrei ao vivo umas duas ou três vezes, mas com quem freqüentemente tenho que falar por e-mail, e que, por isso, já passou do para "bjs". Vi o moço, parei, pensei "eu conheço ou não conheço?"... não cheguei a nenhuma conclusão. A pessoa ficou me encarando, mas como eu estava de óculos de sol, não sei se percebeu que olhava de volta ou não. No fim, falei um oi, séria, quase inaldível. Se era, eu falei, ele que não ouviu. Se não era, foi tão baixo que ele nem deve ter ouvido. Chega a ser ridículo você mandar beijos pra uma pessoa que você nem lembra o rosto, mas enfim, acontece.
Pra evitar esse tipo de problema, criei uma terceira regra, porém, como se percebe, não é 100% eficaz. Sempre que conheço uma pessoa tento relacionar o rosto e o nome dela com alguma coisa, normalmente alguém já conhecido. O problema é que se você conseguiu lembrar de uma pessoa porque ela parece com outra, isso significa que o rosto é comum e provavelmente haverão outros também parecidos.
Numa festa chamei um menino de longe, apresentei minha amiga, puxei conversa, ficamos muito tempo conversando, ele meio desconfortável, até que me pergunta "ah, legal, e você, quem é?" Nessa de não lembrar rostos, confundi o menino com um amigo, que estava no mesmo lugar. Argumentei por um bom tempo que ele era sim meu amigo, que só podia estar brincando comigo, até que, de repente, eis que o próprio chega, os dois vestidos do mesmo jeito. Aponto pra um, aponto pra outro... "também, olha só... um igual ao outro... parece espelho". Tanto tentei me justificar que o moço recém-conhecido ficou bravo, virou as costas e foi embora. Meu amigo, por ser meu amigo, só deu risada.
Frase do astrólogo Oscar Quiroga, muito mal reproduzida pro mim, já que lembro só vagamente: as pessoas parecem ficar bravas quando percebem que suas idéias e seus comportamentos não são únicos, mas não admitem o quanto é belo estarmos todos sob a mesma sintonia.
Tuesday, July 17, 2007
A viagem, o arraial e o final de semana
Por mais que se queira acreditar que é verdade e que vai acontecer, por todo momento duvidamos que aquela zona vai dar certo. E, para que isso aconteça, as pessoas se transformam, no melhor estilo "O que acontece no arraial fica no arraial". Quem sempre reclama para acordar antes das 9 horas nos sábados pula da cama quando ainda está escuro. Pessoas que se dizem sérias supreendem a todos numa versão bem mais relaxada. Sete horas da manhã, tendo ou não dormido, todos estão na estrada. Cantando, brincando.
Alguns levam a incorporação ao extremo. Lucy, talvez influenciada pelas chiquinhas, parecia uma criança com meio corpo para fora do carro, no meio da estrada, só para conseguir fotos "de todos os carrinhos, um atrás do outro. Olha que fofo!" Para isso, quanto maior a curva melhor e a serra, com árvores dos dois lados e pista única foi o cenário perfeito.
Na chegada, as bandeirinhas rapidamente colocadas na churrasqueira deram o clima julhino. Logo depois, todos alojados, o modelito São Paulo foi trocado pelo biquini. Mesmo que não tivesse, todos (e todas) cairiam na água do mesmo jeito. Churrasco pouca gente viu. A cerveja, ao contrário, quase não teve tempo de gelar.
Um altar feito na varanda homegeava o novo ídolo pagão: Crigor, do Exalta Samba, (ou ex-Exalta Samba... vai saber. Aliás, era Exalta Samba?). Menos de 48 horas depois ele honraria a devoção dos adoradores de São Francisco (a cachaça), realizando o primeiro milagre: fazer uma criança parar de chorar só com sua imagem.
O primeiro dia causou pequenos estragos. Alguns passaram mal, outros quatro desmaiaram na piscina e muitos precisaram de comprimidos contra dor de cabeça, causada, logicamente, pelo excesso de sol - e só por isso.
À noite, a seção lúdica aumenta. Nova troca de figurino. Dessa vez, roupa de gala caipira. Era dia de casamento. A brincadeira foi crescendo a tal ponto que foi criada toda uma trama complexa. Meio a la Shakespeare Apaixonado, onde nem sempre homens representam personagens masculinos e vice-versa, minha filha, Lucy, se engraçava com um velho endinheirado, representado espetacularmente por Lana Banger. O pai, recém-chegado, estava bravo porque a menina não sabe escolher catchup e encorajava o romance. Já o par de Lana, apesar de ser do gênero masculino, encarnou uma velha senhora que dava mais medo do que Maria Bonita, mulher de Lampião.
Apesar de - até onde se sabe - ninguém do grupo ser afeito a relações homossexuais, os noivos também não eram o que se pode se chamar de um casal tradicional. A dona das bodas, que se trocou sozinha, mas que teve toda a ajuda das amigas na hora da maquiagem, é o segunda linha do time masculino. A união, consagrada com um beijo cuja veracidade deixou muita gente desconfiada, foi com um possível companheiro de posição, mas que jogava em outro time.
Quadrilha, roda de samba em volta da fogueira, funk, falshback, volta olímpica com uma tocha improvisada - em homenagem ao Pan recém-começado. O grupo de 17 pessoas demorou pra cansar. Quando isso aconteceu, colchonetes, edredons e cadeiras. Tudo isso para tornar a espera pelo nascer do dia - que ninguém chegou a ver - o mais confortável possível.
Algumas horas de sono somente. Ao acordar, resta somente pouco tempo de universo paralelo (num plágio explícito ao tão sonhado reveillón de Lana). Para um melhor aproveitamento, os grupos se desfazem, caronas mudam de carros.
Metade do grupo foi embora cedo. O outro preferiu adiar um pouco mais a volta à realidade. Afinal, como disseram muitos, "fazer o que em São Paulo?".
Depois de jogos de truco, buraco e futebol (esse último só pela TV), rumamos de volta. Essa rejeição à rotina fez com que algumas mães se desesperassem, ligando pras amigas das rebentas. Em um ato extremo, um celular atravessa as janelas, de um carro a outro, em plena Dutra. Na devolução, o receio de quebrar o brinquedo alheio promoveu uma parada estratégica na mesma rodovia. Vale ressaltar que no momento não havia nem sombra de carro ou caminhão a caminho. "É, você é louca, não burra".
Ao voltar para a casa e perceber que o quarto continua desarrumado da mesma forma que você deixou, vem aquele sentimento de que a viagem não passou de um sonho. A certeza de que aconteceu vem em difentes momentos: ao receber as fotos, ouvir os relatos (incluindo os de acontecimentos que, por algum motivo, você esqueceu ou não viu) e, no pior deles, arrumar o despertador para o dia seguinte. Diferentemente do filme, só parece que o tempo não passou.
Friday, June 29, 2007
Touch no terceiro tempo
O resultado, infelizmente, não foi o desejado. Mas, no melhor espírito rugbeer, a festa compensou. Eu, Lana Banger, a nossa quase Jones e meu novo companheiro de carona começamos o dia no churrasco de um dos meninos do time. Chegamos cedo e cedo fomos embora. Não que o clima não estivesse gostoso.
O sol e o calor nada típico de inverno junto com a conversa boa ao lado da churrasqueira já seriam suficientes prum post de dia perfeito. Mas tinha o jogo e, por mais que a gente ainda não tenha comprado os pompons vermelhos, a torcida é um compromisso quase que obrigatório.
Dizem que nos filmes sempre há aquele acontecimento que marca a mudança na tragetória da trama. Enquanto estávamos no prédio, o sol estava forte e Lana, de calça e blusa preta, é que achava que tinha feito a escolha errada de roupa. Pouco antes das 15h, meu amigo empresta um casaco pra uma das meninas, dando o indício da mudança.
Na saída do prédio, minha sandália estoura, me deixando descalça. A targetória inicial sofre mudanças pela parada no supermercado. Troca de sapato. Na chegada ao campo da USP, já descemos com frio e tal qual para um bando de desabrigadas, todo e qualquer pano servia para se cobrir. Agora, eu, de saia, mesmo que com casaco, é que lamentava a escolha infeliz.
Nosso time era mais alto, mais forte. Os jogadores estavam concentrados. A tática nipônica de estapear a cabeça dos companheiros de time trouxe uma motivação aos Reds, mas alguma coisa faltou e pra não ficar remoendo infelicidades, vamos passar direto pro terceiro tempo.
Várias eram as jogadoras do nosso time que foram assistir ao jogo. Afinal, a lei da reciprocidade vale e torna convivência tão grande que pouco a pouco os gêneros se confundem. Garotas passam a arrotar e homens já consideram meninas.
Dessa forma, o terceiro tempo, que normalmente só tem jogadores, foi tomado por quase uma dezena de garotas que bebem à vitória ou à derrota. Duas delas logo se apossaram do som, trocando um ritmo qualquer pelo funk, inofensivo. Por mais que as letras peçam algo mais pesado, as coreografias há um bom tempo deixaram de ter o apelo sexual e se tornaram simplesmente motivo de risada. Até o coach dançou junto e teve que mostrar a existência de cabelo debaixo do boné no momento em que a música, eloqüentemente, pedia "estrupa os careca".
Churrasco mesmo pouca gente viu. Mas a cerveja lotou o freezer e, mesmo com garrafa de 600 ml virando long neck, durou até mais de dez horas.
Na churrasqueira, o excesso de pessoas fez mesmo quem não estava bebendo ficar com calor. De repente, alguém vê três pessoas sozinhas no campo, ao lado. Foi o suficiente pra que um número x de pessoas trocassem o concreto pela grama e dançassem umas três músicas, já que, tirando Lana Banger, quem estava lá entendia muito mais de rugby do que de raves. Por isso, de algum lugar veio a idéia de jogar um touch. Enquanto nosso quase Jones foi buscar a bola, tirei correndo a sandália. Mas a música melhorou. "Depois dessa música, vai?". Coloquei a sandália de novo e fui até a churrasqueira. Algumas músicas depois... "vamos?" E lá vai a meia-dúzia de pessoas mas outra vez uma música mais empolgada adiou o começo do jogo. Na última tentativa, todos já estavam em campo. As meninas menos precavidas, como eu, descalças. Acreditando realmente que naquele momento a gente iria jogar, tiro minha saia pra jogar com o shorts que estava por baixo. Porém, mais uma música, mais uma parada. Nessa, algumas meninas subiram no balcão e dançaram cerca de... trinta segundos, até olharem pra baixo e perceberem a convulsão que causavam. Eu, embaixo, fiz a última tentativa de chamar as meninas que se diziam interessadas pra jogar. Uma delas me disse, possivelmente inocentemente, que só jogaria se fosse meninos contra meninas. Em vez de discutir que, por mais que ela estivesse bêbada, é muito difícil você confundir as pessoas do seu próprio time num touch, onde são duas linhas, uma contra a outra e não há os amontoados de pessoas como hucks e mauls, preferi avisar. "Eu já tirei a minha saia, se colocar de novo, não jogo mais".
Apesar de não ter sido por causa da minha intimada, deu certo. Jogamos um touch estranho, com pessoas desconhecidas e mais gente assistindo do que em campo. Nosso pilar, que não largou a garrafa de cerveja nem pra passar a bola, logo desistiu de jogar e virou juiz. A divisão dos times foi alterada freqüentemente, toda vez que um scrum era formado, para que meninos ficassem contra meninas. E as meninas ganharam! Todas as vezes.
No fim, uma sucessão de hakas, que passou do tradicional do All Blacks a uma adaptação performática da música Acerere, do Rouge. Na volta pra churrasqueira, mais dança, mais risada, mais cerveja. Até que tudo fica quieto. O som acaba, começa a caça aos amigos desgarrados e termina o terceiro tempo. Pelo menos nisso a gente foi campeão.
Saturday, June 02, 2007
Enfim, o aniversário!
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Na hora de elaborar o convite, atrasado como tem sido a maioria das coisas ultimamente, veio a dúvida: duas festas, como fazer para que as duas sejam legais e a divisão não fique estranha? Toda vez em que fiz mais de uma comemoração, como no ano em que foram quatro, sempre tinha aquela que era a mais legal. Por isso, já tinha resolvido fazer uma festa só, no sábado. O problema é que, como meu irmão resolveu tocar na véspera, não podia deixar passar a oportunidade.
Para resolver, até pensei em chamar metade para sexta e metade para o sábado, mas esse meu estilo laissez faire (como bem escreveu um amigo), ou simplesmente desencanado, me impede de tomar decisões pelos outros. No fim, o email ficou desse jeito, variando um pouco conforme o grupo:
"Meninos, eis que meu aniversário chega outra vez. Por isso, tenho mais uma desculpa pra ver meus amigos tão queridos, juntamente com seus amigos, acompanhantes e afins (resumindo, levem quem vcs quiserem). Neste ano vão ser duas festas:
Dia 4, sexta-feira, é o aquecimento, com parabéns só a partir da meia-noite, no Riveira Bar. Lá será mais fácil de conversar e vocês podem conhecer o In Flow (banda do meu irmão, que toca rock nacional, mais voltado a Barão Vermelho do que a CPM).
Dia 5, sábado, é a festa oficial, ao som de pop/samba rock e dj, no Café Folclore. A comemoração será em conjunto com mais 3 amigas"
A diversidade de gêneros musicais e de ambiente também ajudou a criar duas festas totalmente distintas. Nos dois dias estavam presentes somente Lucy e a minha eterna companheira de parabéns, um dia mais velha e com quem há muitos anos comemoro o aniversário junto.
Apesar de ter acontecido em um bar, a festa de sexta-feira parecia aquela coisa de família, todos reunidos num almoço de domingo. Amigos de longa data que nem precisavam ser apresentados a papai e mamãe, que aproveitaram o show do meu irmão para cantar parabéns com a rebenta mais velha. Meus tios e minha prima também passaram para ver a grande evolução da banda In Flow. Aliás, uma das boas coisas de estar mais velha é poder reunir pacificamente família e amigos, sem aquele mal estar adolescente. Quando meu pai passou reto por mim no dia do meu aniversário para dar os parabéns para minha amiga (já que nem tinha percebido que era quase uma da manhã), a mesa inteira deu risada e concordou quando alguém disse "É, a gente percebe que é de família".
E esse clima sossegado tomou conta da maior parte da noite. Antes das 2h, cantamos parabéns com velinhas rosa e branca, para combinar com os 24 anos. Em seguida, alguns foram embora e veio o show. Enquanto esperava o pagamento do cachê e a retirada dos instrumentos, passei a madrugada conversando com um dos amigos mais sinceros que existe - mesmo que ele ache que ser sincero seja meio gay. Na hora de ir embora, pra mostrar que não mudei nada com a nova idade, derrubei o bolo em cima do meu amigo, por sorte - e por pouco - só no ombro. Entretanto, meu irmão parece que não ligou e acabou com o doce logo em seguida.
Entre colocar os pés em casa, dormir e sair para o treino de basquete não perdi mais que 3 horas. Cheguei atrasada, o treino atrasou mais ainda, mas deu para tirar um pouco da ferrugem e ainda ir para o rugby. Na maratona, eu e Lucy invictas. Ariel começou dos boxes, no treino de basquete, e Lina só deu uma voltinha na pista, passando pelo Villa Lobos. Como presente de aniversário, um elogio do coach ao time feminino, que melhorou a linha, e um montinho, que graças ao céus não teve muita adesão. Depois de um rápido pit stop com cheiro de terceiro tempo, fui para casa para a maratona da família: almoço com os pais e visita à outra aniversariante (em uma mesma família, três fazem aniversário no mesmo dia).
Parte 2
Chegando em casa, mais duas horas de sono. Levanto, escolho uma roupa e vou para a festa, onde minhas duas amigas aniversariantes (a do dia anterior e a nossa quase-Jones) já me esperavam junto com Lucy e Ariel. Às 22h, o bar estava vazio. A banda começava a tocar pop rock e não havia a menor indicação de que a noite ia ser tão boa. Lucy, depois da festa, até comentou "Achei que tivesse mais pessoas conhecidas, mas era só a gente de sempre", com alguns bons acréscimos, é verdade, mas mesmo assim a gente fez uma zona.
Nossos queridos pilares chegaram cedo e cedo foram embora. O coitado atropelou uma moto e agora o ânimo diminui. Lana, acompanhada do nosso querido "ponta-1o,2ocentro-fullback-abertura", chegou logo depois. Em seguida, vieram os amigos dele. Um deles que, inclusive, comemorou o aniversário conosco. Minha maninha, que eu tanto adoro, também esteve presente empolgadíssima como sempre.
Na mesa, um drink verde passava de mão e mão seguido de uma careta. A mistura de tequila, leite condensado, abacaxi e curaçau blue resultou em algo com "gosto de festa de criança", como bem resumiu a pilar. "Pra variar", como diria Lucy, eu gostei da bebida.
Sabe aquela coisa que você experimenta a primeira vez e acha estranho, mas já que está ali você experimenta de novo e de novo até que gosta? Bem, essa é a Micareta.
O troca-troca de lugares para conversar foi o estopim para que logo as pessoas fossem em direção à pista. Durante o intervalo da banda, nossa rodinha tomou conta da frente do palco e, quando os músicos voltaram, lá continuamos. O parabéns que não foi cantado pela banda do meu irmão - já que ninguém se dispôs a tirar - teve no Café Folclore uma versão em ritmo de samba!
Ao longo da noite a empolgação foi aumentando em proporções gigantescas. Tackles eram dados no meio da pista e até o vocalista da banda perdeu a compostura, e precisou segurar a risada, quando viu a bundada delicada entre duas das aniversariantes.
Uma pequena pausa para champagne e parabéns com bolos de chocolate e velinha sem número, só com a imagem de quatro princesas (Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela e Bela) para quatro garotas - e também para um garoto, que acabou assoprando as preferidas da Disney sozinho, logo em seguida.
Na volta, dançamos até o chão e pulamos quaase até o teto. A noite só acabou quando apagaram as luzes e desligaram o som. Se fosse um pouquinho mais tarde nem isso teria feito diferença, pois já estava quase claro e a nossa voz havia tempos estava mais alta que a música do dj - para comprovar, um vídeo, por sorte bem escondido, com algumas pessoas cantando e dançando funk no palquinho.
Na hora de pegar as coisas, descubro que perdi meu celular, deixado displiscentemente em cima da mesa, antes cheia, agora vazia. Lógico que poderia fazer mais uma daquelas relações complexas envolvendo aniversário, mudança de idade, perda de telefone, alteração na forma de ver o mundo e se comunicar com os outros... mas acho que a explicação mais simples é que tenho muito mais a aprender com a minha versão masculina do que simplesmente dançar forró, apesar dele e do amigo aniversariante terem me proporcionado uma evolução enorme. "Só falta o básico", bem disse Lana Banger.
Friday, June 01, 2007
Superação
Não pude recusar a sugestão da Patty Mary Jones, minha irmãzinha querida.
Além do mais estou em dívida com o blog, só escrevi um único texto. E nesse tempo aconteceram tantas coisas.
E de pensar que tudo isso começou do fim.
No fim do meu relacionamento com a pessoa que mais amei na vida (amor de homem/mulher, não de mãe/filha). Para ele, uma decisão nossa. Para mim, completamente dele. Simplesmente não agüentou barra e foi pelo caminho mais simples. Ou vai dizer que é mais fácil resolver um grande problema do que simplesmente eliminá-lo?
Os homens são muito mais fãs da praticidade. Se não funciona, o caminho é dar um tempo. Eu, pelo menos, nunca desisto de nada. Tenho essa visão ridícula e romântica de que, quando se ama de verdade, sempre há uma solução.
Lembranças, sonhos, desejos, carências, tristezas profundas e a crença de que o nosso lugar não era longe um do outro. Acho que é por isso que sofri tanto e por tanto tempo. Mas quando as pessoas deixam de se amar, elas também deixam de se preocupar com as palavras ou gestos. Magoar o outro não incomoda tanto, passa a ser uma espécie de diversão voyerista do sofrimento alheio. E um bom remédio para o ego. O que afasta cada vez mais um do outro.
A gente ter se conhecido na hora errada? O caminho é dar um tempo até a hora certa chegar? O momento certo é a gente que faz.
Mas como esse texto é para falar de superação e não de sofrimento, eis meu turning point.
É um trecho de uma música da Cássia Eller. "Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba". E ela tava certa. Amigos, família, todos falam. Mas é a gente, sozinha, que se dá conta de que a esperança só existe se ela for alimentada. E que a decisão de alimentá-la é completamente pessoal.
E não é que o sol volta a iluminar nossos dias?!
De repente as lágrimas secam. De repente cai a ficha de que a vida é muito curta para gastá-la sofrendo, e que tem tantas coisas boas pra gente descobrir, tantos sentimentos... Simplesmente não podemos perder tempo com sofrimentos.
E tudo volta a ser simples, as pequenas coisas voltam a trazer o sorriso, as pessoas queridas, aquelas que a gente sabe que nunca vão nos deixar, são ainda mais queridas. Que bem faz a vida!
Um abraço carinhoso de um amigo já é suficiente para percebermos que não estamos abandonadas no mundo.
No primeiro olhar do sexo oposto, dúvida, insegurança, até um pouco de vergonha. "Ah, acho que estou enferrujada". Mas como é bom correspondê-lo.
E depois de tanto tempo, um beijo, um abraço, um carinho...
A vida é boa demais para sofrermos tanto.
Friday, May 11, 2007
Aprendendo com a girafa
Quando era mais nova, confesso que não era tão confiante. Não usava salto alto e ainda acolhi o pedido de mamãe de jogar vôlei, "que é mais bonito. Você já é alta. Vai jogar basquete e ficar mais grande ainda". Lógico que ela tava falando só porque nunca viu graça nas pessoas se batendo e correndo de um lado pro outro pra acertar a cestinha, mas pedido de mãe, principalmente quando se tem 13 anos, a gente não discute (pode até não aceitar, mas nunca discute).
A questão é que só fui voltar a treinar basquete no 3o ano da faculdade. Até então, minhas idas e vindas com o volei não foram suficientes nem pra que eu aprendesse a sacar (já que descobri que a partir de uma certa idade "sacar por cima" se torna redundante).
Hoje, apesar de ainda me considerar uma vaca, amigável e avoada, e não uma girafa, a meu ver, com um ego absurdo apesar da sua esquisitice (questão levantada naqueles jogos de "com que bicho você se parece"), já ostentei por um bom tempo um namorado um pouquinho mais baixo (o que foi uma das maiores provas à minha auto-estima), dentro meus sapatos de salto alto tenho um de salto fino de mais de 8 centímetros, que usei pra sair correndo junto com Lucy no meio na formatura desse ano, adoro a posição de pivô e, mesmo quando ando com amigas bem mais baixas, dificilmente lembro dessa diferença.
Hoje, entretanto, foi um dia em que percebi o mal que podem fazer alguns centímetros. Com o dia de folga, fui ao banco no meio de The OC. Pensei, em menos de 15 minutos volto. Entrei na agência para fazer o depósito. Uma, duas, três vezes deu erro no auto-atendimento por causa de um código bancário, um tal de OP que tive que chamar a funcionária para descobrir.
Além disso, havia o problema do teclado bancário. Talvez o motivo do banco tê-lo colocado em posição inversa à do telefone seja por segurança. Talvez tenha sido por estupidez. Para piorar, tem aquele telhadinho que fica em cima do teclado. A tampinha usada para que as pessoas que ficam atrás na fila não enxerguem os números digitados me ajudou ainda mais a parecer uma asna - dessa vez, nem vaca, nem girafa - em frente ao computador.
Por causa da inclinação, para conseguir enxergar, toda vez tinha que dar uma leve agaixadinha. E como a cada erro por causa do OP a minha vontade de fazer tudo direitinho diminuía, no final, já fazia tudo correndo e errava ainda mais. Os erros foram tantos ao ponto de provocar a entrada em manutenção de uma das máquinas.
Quando troquei de terminal, acho que finalmente tinha me acostumado à localização esquisita das teclas. Cerca de 10 minutos depois de ter começado a primeira transação (o normal é uns 30 segundos), fiz meu depósito, respirei e fui embora, cabeça erguida, fingindo, para todos os efeitos, que a culpa era do outro computador. Afinal, mais importante que aprender a andar de salto é não descer nunca mais dele.
Saturday, April 28, 2007
Que graça tem o círculo?
Já faz muito tempo que enrolo pra escrever de novo. E olha que não posso nem reclamar de falta de tempo. Nesses... provavelmente meses que fiquei longe do Era Uma Vez até falta de internet teve no trabalho - e se tratando de um site de notícias isso siginifica que fiquei sem ter o que fazer. Também não posso reclamar de falta de baladas. Elas existiram. Só eram... perfeitinhas demais.
Eu, Lana ou Lucy já escrevemos uma vez sobre a balada perfeita. Mas quem leu o texto deve se lembrar que ela foi perfeita: 1 - porque conhecemos jogadores de rugby (e percebemos que era o destino nos chamando pro jogo) 2 - porque acabamos em uma outra balada ainda mais louca que a primeira 3 - porque nada foi como o planejado. Essa é a graça de tudo. Com baladas, amores, histórias em geral.
Li no orkut de um amigo, na parte de relacionamentos, que a mulher ideal para ele é uma mulher imperfeita. Comecei a dar muita risada e achei aquilo "lindo", como diria Lucy. Agora, explicando esse título bem estranho, vai uma analogia mais esquisita ainda, daquelas que eu devia ter vergonha na cara e editar enquanto ainda é tempo, mas que se eu não postasse ia ficar com aquilo na cabeça, então além de escrever, quase desenho.
O círculo é a figura geométrica mais perfeita que existe, inteiramente proporcional. Porém, não encaixa em nenhuma outra. Enquanto losangos, trapézios e afins se unem em suas arestas, o círculo se basta. Para isso é só lembrar do Tangram, aquele jogo japonês de montar desenhos com sete figuras geométricas, sendo que nenhuma delas é um círculo. Acho que não é preciso me alongar muito mais. A experiência própria fala por si só - não sei quanto aos homens, mas qualquer menina com mais de 10 anos já percebeu e tem alguma história para contar de quando um defeitinho ou outro chega até a ser um charme.
Agora, voltando ao assunto principal, a balada funciona do mesmo jeito. Nesses meses todos fui junto com várias Jones no desfile da Mocidade, encontros na casa da nossa querida pilar, uma festa à fantasia, um lugar onde o flashback contagia pessoas de 25 a 50 anos, botecos mais tranqüilos, agitados e muito mais. Todas muito boas mas sem algo de diferente pra se contar (com raras exceções, como roteiro de carnaval que fiz com a Lana, mas esse passou a época).
Mas então eis que na quarta-feira pré-Páscoa Lana (sempre Lana rsrs) me chama pra uma balada de psy, coisa que há muito tempo não ia. Já na fila conheço uma das personagens da época de faculdade, uma figura cujo filme favorito é o de um homem que passeia pelo centro da Terra dentro de uma bolha, se alimentando da árvore da vida. Pra piorar (ou melhorar) essa teoria não é só somente obra de admiração. Anos antes da tal obra-prima cinematográfica ser lançada, ele mesmo já tinha escrito um livro inteiro sobre a existência da tal planta miraculosa, que parece feita de bolo de capuccino.
Depois de muito tempo na porta, meia double catuaba e música boa ajudaram a trazer de volta a empolgação. A aula de psy de Lana Banger então, maravilhosa. Nunca tinha reparado a existência de barulhos de morcegos e de risadinhas escondidos no dark psy e... no outro que eu não sei o nome.
Em certo momento a perspectiva muda. Impressão ou não, já começava a achar que as pessoas não eram tão alternativas (o tal "povo de corrente" que nossa amiga tanto abomina também marcou presença). Até que, de repente, bebendo um líquido quase tão brilhante quando as faixas fluorescentes que decoravam o lugar, aparece a segunda figura da noite.
Empolgadíssimo, o cara grande e desengolçado dançava levantando o joelho até o peito. Em um dos momentos passou a imitar uma locomotiva, puxando a cordinha e tudo. Não é demais relembrar que isso acontecia dentro de uma casa noturna da Vila Olimpia. Mas a felicidade dele era tanta que até as duas Jones entraram na brincadeira - queria ver receber um tackle correndo com os joelhos levantados daquele jeito.
Como era apenas quarta-feira, fomos embora cedo. Pela mesma porta em que saíamos, outras pessoas entravam. E a balada que estava longe de ser perfeita se tornou memorável, tão especial quanto aquela mancha de tinta toda torta, que em nada se parece com uma bolinha perfeita, mas que em momentos de distração a gente fica horas admirando, tentando relacionar com uma estrela, um palhaço, ou qualquer outro objeto conhecido.
Wednesday, February 21, 2007
"eu vou a pé pelas ruas da cidade"
Thursday, February 15, 2007
O batismo
Nesse meu batismo, nada melhor do que começar pela apresentação.
Sou Ariel Jones. Sim, Ariel por causa da Pequena Sereia, minha princesa favorita; que vem da Disney, meu lugar favorito no mundo inteiro - Só fala mal quem nunca foi!!! E acreditem, isso já diz muito sobre mim.
E já que o ano está começando, nada melhor do que cumprir uma das muitas promessas de ano novo, e escrever um texto para o blog as Jones.
Ano novo, vida nova. É o que costumam dizer e que eu estou fazendo um tremendo esforço para acreditar. Não que 2006 tenha sido um ano ruim. Fui contratada no lugar onde queria trabalhar, e trabalhei muito muito muito, tive uma formatura inesquecível, trabalhei muito muito muito, consegui passar um diazinho no Juca, trabalhei muito muito muito, teve Copa do Mundo na Alemanha, Mundial de Ginástica em São Paulo (sim, vi Marian Dragulescu e Elena Zamolodchikova de pertinho) e tantos outros momentos especiais.
E outros tantos momentos de tristeza. Quanto tempo é necessário para deixar de amar uma pessoa? Quanto tempo precisamos para superar a perda de um grande amor? Quanto tempo ainda mais haverá de sofrimento?
Como escrever sobre isso não alivia para o meu lado, vou começar a cumprir outra resolução de ano novo: não pensar para não sofrer.
Esse é o único e doloroso caminho que tenho para chegar lá.
E daí é que vem mais uma promessa. Por milhares de motivos passei
muito menos tempo do que gostaria com as minhas amigas. Mas quem
diabos é melhor do que elas para alegrar a minha vida e amortecer
esse longo caminho?
Um exemplo? Acabo de receber um horóscopo via e-mail, da minha
amiga Lucy Jones:
LEÃO - Vários planetas incentivam o amor, siga o coração,
apaixone-se e inaugure uma nova era na vida íntima ... Mudanças no
estilo de vida incluirão novas atividades no cotidiano (e viva o
rugby!).
Mesmo sem perceber, ela me ajuda... Todas me ajudam muito. E nada,
excesso de trabalho, cansaço, Jogos Pan-americanos e até mesmo um
novo Eric (para quem não conhece, é o príncipe encantado da Ariel)
irá me afastar delas.
E assim chega ao fim esse meu primeiro texto, tão sem rumo como
está a minha vida.
Mas sobrevivi ao meu batismo, e acho que agora já posso ser
considerada uma legitima Jones!
Sunday, February 04, 2007
À procura de um herói
A semana seguinte ao dia 12 de janeiro foi marcada pelo acidente conhecido como o buraco da Marginal. Enquanto equipes de 30 bombeiros cada se revezavam debaixo da terra para tentar resgatar as vítimas, dezenas de jornalistas ficavam de plantão nas escadarias da estação CPTM de trem à espera de notícias.
Por três dias eu estive entre eles. E como notícias não são só o que está acontecendo neste momento aproximadamente às 16h o pessoal da redação me liga pedindo que encontrasse um personagem em especial: o operador que estava trabalhando no alto da grua (espécie de guindaste) que quase caiu no buraco na hora do acidente. Como a direção do consórcio tinha instruído os funcionários a ter o menor contato com a imprensa, pedir ajuda ao assessor era inútil e o jeito era ver se um dos operários sabia pelo menos o nome do moço que viu todo o acidente de cima e por pouco não foi mais uma vítima.
Saí feliz do cercadinho feito para jornalistas, uma espécie de chiqueirinho para crianças delimitado por faixas da CET, e fui esperar a passagem de operários da Via Amarela, já que o lugar onde eles ficam é bem afastado, permitido somente para funcionários. O problema é que ele saíam muito pouco. A troca de turno, conforme descobri depois, tinha acontecido há cerca de duas horas. Mesmo assim consegui conversar com mais de uma dezena deles. Meio receosos, apesar de nem todos conversarem numa boa, tive alguns bons papos. O único problema é que não achei um que estivesse trabalhando no dia do acidente.
A Via Amarela possui 26 frentes de trabalho divididas em todo o trecho a ser construído do metrô. Com o acidente todas foram enviadas à estação Pinheiros, o que tornou minha busca ainda mais difícil. Não bastava só falar com os operários, tinha que ser o operário do setor certo. Como a oferta de operários era pouca, mesmo que não soubessem nada, continuava conversando com os que estavam por lá. Quase uma Maria Concreteira, se é que esse termo existe. Com um deles o papo durou mais de meia hora. O seu nome é F***.
No final do meu plantão, encontrei com ele de novo. Já cansada, pergunto brincando: "Poxa, F***, nada de descobrir o nome pra mim?" Já tinha pedido outras vezes, mas ele não sabia e nem pensava em se expor tentando descobrir. Por isso, mais uma vez, deu uma risada meio tímida e negou. Mas talvez incentivado pelo amigo que estava do lado, resolveu em segredo me ajudar.
Cinco minutos depois estava no telefone com o pessoal do trabalho quando F*** passa na minha frente sem nem olhar pro lado. Em seguida, o amigo passa e me diz entre dentes: "vai atrás dele que ele vai te dar o nome. Mas disfarça". Empolgadíssima, desliguei o telefone e saí correndo atrás de F***. Já eram quase 10h da noite, o lugar estava bem menos movimentado e muito escuro. F*** se escondeu atrás da tenda da CET onde não havia ninguém e eu fui atrás - o que depois ia me render uma bela bronca da minha mãe, que ficou toda preocupada com o que pudesse ter acontecido.
Muito sério, ele me entrega um papel dobrado sem nem olhar direito pro meu rosto e me diz baixo e muito rápido "olha, não fui eu quem te deu. Lê e queima depois". Ainda fui me justificar "ah, imagina, eu falei com tanta gente, ninguém nem vai imaginar que você", mas antes de eu terminar a frase ele já estava longe. Abro o cartão toda feliz, mas quando olho...
"Ricardo"
Só "Ricardo". Sem nome, apelido, nada. Com aquele quantidade imensa de operários o que eu ia fazer com o primeiro nome só? Quase saí correndo atrás de F***, mas ele ja estava longe, disfarçando, como se tivesse cometido o maor dos crimes. Liguei de volta para a redação e contei a super descoberta, que provocou muitos risos do outro lado da linha.
Mais de quatro horas conversando com todos os operários que vi pela frente, um super esquema de entrega de informações para ter só o primeiro nome. E se ainda fosse Wandcleison, Iarlei... até poderia ser. Mas Ricardo?
Dois dias depois saiu no Estadão uma entrevista com o moço da grua, que não chama Ricardo, mas revezava na grua com ele. Por isso a confusão. Dizem que ficou muito boa, eu ainda não li. E ao contrário do que tinham me dito (que ele estava de licença depois do susto), o operador da grua continuava trabalhando após ter descido mais de nove metros com o equipamento super inclinado, carregando não sei quantos quilos de areia nas costas. "Um verdadeiro herói" segundo quem leu a entrevista.
Sunday, January 21, 2007
Pendências
A viagem
Apesar de ter conseguido folga de uma semana no trabalho, só três dias coincidiam com a dos outros. Por isso resolvi ir com uma amiga de ir pra Ubatuba. Pertinho, assim valia a pena ficar só do dia 30 ao 1o.
Por causa dessa correria de final de ano, só parei para decidir que ia de ônibus pra praia quatro dias antes da viagem. Nessa data já não tinha mais passagem e o jeito era ir até o terminal no próprio dia da viagem e esperar por ônibus extras. Na sexta, saí do trabalho, fui pro bar com uns amigos, voltei pra casa, fiz minha mala e fui pra rodoviária. Cheguei às 6h30 do sábado e só consegui passagem pras 12h15. Pra não ficar esperando todo esse tempo, orientada pelo moço do guichê, fiquei atrás dos motoristas dos ônibus que estavam saindo a fim de pegar um lugar mais cedo. Na terceira tentativa, às 8h, consegui subir.
Do feriado em si nada de extraordinário. A pousada chamava "Sossego do Surfista" e o nome é a melhor coisa dela. Os chalés que a gente alugou eram pequenas suítes com um beliche e uma cama de casal cada. Já os amigos da minha amiga e os amigos dos amigos da minha amiga são bem legais. Andávamos em cerca de quinze. Quanto à musica, o repertório foi um dos mais variados, passando do reggaezinho tocado no violão ao psy da útima balada do ano (que me fez pensar muito em Lana e seu Universo Paralelo). A meia-noite, ao contrário da Lina, passei de blusa branca, como em todos os anos, e biquini por baixo, já que Ubachuva honrou sua fama e branco na chuva não é legal.
Dizem que o que você faz no primeiro dia do ano você repete nos outros 360 e tantos. No meu primeiro dia do ano, depois de um banho de cachoeira e uma corrida de 5 minutos na praia - pra tentar criar um comportamento pró-rugby - voltamos pra São Paulo. Saí da cachoeira dizendo que tinha me energizado. Desde que voltei pra casa, há 3 semanas, continuo me energizando.
Também dizem que o número 7 é cabalístico. Pois no primeiro dia de 2007 demorei 7 horas pra chegar em casa.
Ano Novo
Voltando a São Paulo, as pendências continuavam. Por causa do despertador e da reforma não comprei a agenda - sempre escolhida a dedo. Não tendo despertador não acordei cedo um dia sequer pra ir à academia. Não tendo agenda, acordava (tarde) sem ter um plano definido e até decidir o que vou fazer não dava mais tempo de fazer quase nada. O carro continua funcionando graças ao conserto temporário. Afinal, como vou levá-lo pra arrumar se não tenho agenda pra saber se amanhã vou precisar dele? Não vou trocar meu presente de Natal porque tem mais coisas pra fazer a caminho do shopping e assim quando for já faço tudo junto, mas sem enumerar todas as coisas que preciso fazer acabo não fazendo nada.
Sim, com uma boa argumentação quase tudo é justificável. Mas pra não assumir que tudo era desculpa e já que estava enrolando demais pra começar esse ano, consegui um despertador e uma agenda (doada pela Lucy, o que facilitou meu trabalho já que presente a gente não escolhe) antes de escrever o primeiro texto do ano.
Nova pendência resolvida. Coincidência ou não, essa no dia 21, três vezes o cabalístico 7.
Thursday, January 11, 2007
Do dia que embarquei no jongo
Uma voz doce canta ao fundo. Bela voz feminina entoa um samba triste, o pandeiro lhe acompanha em procissão. Aos poucos, outras vozes se unem a sua cantoria. E, num ritmado compasso de palmas ganham outra lira:
Viver e não tenha a vergonha de ser feliz Cantar (e cantar e cantar) a beleza de ser um eterno aprendiz Ah meu Deus!, eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será mas isso não impede que eu repita é bonita, é bonita e é bonita
E, numa parte, em seguida, que nem eu conhecia, me acordam do meu sono. Entre uma curva e outra, estrategicamente realizadas pelo nosso motorista, com passos de mestre-sala ao redor do quebrado segundo ônibus da excursão que fazia às horas de porta-bandeira, os meus colegas de viagem continuavam a cantar:
O que é, o que é, meu irmão Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo É uma gota é um tempo que nem dá um segundo Há quem fale que é um divino mistério profundo É o sopro do criador Numa atitude repleta de amor Você diz que é luta e prazer Ele diz que a vida e viver Ela diz que melhor é morrer pois amada não é..
Era como um prenúncio do que veríamos. O 11 Encontro de Jongueiros por fim e entremeios não aconteceu inteiramente no Quilombo São José, em Valença, por causa do barranco que invadiu o único acesso a região. Claro que era possível se aventurar à pé, mas com a garoinha que fazia, desde que saímos de Conservatória, não valia a pena se arriscar naquele breu. Por sorte, assim como nós, quatro grupos de jongueiros não conseguiram subir o morro e se aportaram no tímido clube da cidadezinha de St. Isabel para se apresentar. Afinal, descobri o que era o jongo, como era a dança africana que havia nos levada a embarcar nesta viagem e aí entendi o fascínio.
Tamandaré
Guaratinguetá
Piquete
Serrinha
Aos olhos atentos da matriarca, cada um deles exibia a força de suas cores e gingado enquanto a platéia inesperada daquele pequeno clube se apertava para observá-los. Do lado de fora da roda, arrisquei alguns passos, errei outros, mas no meio da história sobre o som dos atabaques me rendi e estava numa espécie de transe que não sei bem explicar. Empresto palavras do autor moçambicano Mia Couto em O Outro Pé da sereia.
A brasileira afastou-se das outras e, conservando o mesmo ritmo, foi rodopiando pelo pátio, ao compasso das batidas no almofariz. Foi acelerando o passo, deixando-se possuir pela dança. Sambava? Os pés ligeiros desconheciam o voltear do corpo. Aos poucos ela estava penetrando no território dos sonhos.
Quando a festa acabou, fomos todos ao único boteco da região. Pedimos para o senhor abrir as portas, nos servir uma cerveja, era madrugada, mas queríamos mais zunzunzun.. Ali, ao lado da mesa de sinuca, nosso amigo de viagem puxava o samba junto com um pessoal animado daquele município perdido de St.Isabel, no Rio de Janeiro. Eu e minha amiga, entre um copo cheio dali e de cá, tentávamos ainda aprender a dançar o jongo enquanto a madrugada avançava.
Friday, January 05, 2007
Babilônia Brasileira
Cheguei ao aeroporto com mais de 5 horas de antecedência, para não correr o risco de overbooking ou qualquer pau que pudesse acontecer no sistema aéreo. Vi muuuuuuuitas pessoas das mais diferentes espécies, encontrei amigos, famosos, comi coxinha, bebi suco de uva, fui ao banheiro duas vezes, meus pais foram embora, um cara que eu pagava pau (num programa da MTV ) sentou do meu lado, comprei palavra cruzada, ouvi MP3 e pronto, chegou o grande momento.
Depois de uma viagem mais que tranquila, ao lado de um casal nojentinho (mas simpático) que iria pra Costa do Sauípe, desembarquei de mala e cuia em Salvador, com minhas trancinhas e a maior pinta de sujinha
- Moço, eu cheguei. Que horas sai o bus para o Universo Paralello?
- Olá, moça... vamos sair ás duas horas, horário aqui da Bahia.
Ou seja, tive que esperar, pelo menos, mais uma hora para embarcar naquele ônibus gelado.
- Gente, só pra avisar, prenderam um onibus que vinha de Góiás e outro de Minas... Por favor, que estiver com aquelas coisinhas ilicitas, coloque no bagageiro. Lá ninguém revista e todos podemos seguir viagem em paz. Não precisa ter vergonha... eu, você, ele... todos já fizemos isso.
OK. Tudo escondido, seguimos, rumo ao paraíso, escutando algo bizarro para situação: o motorista firmou suas raízes com 3 CDS inteiros ( e repetidos) do Lapada na Rachada.
Passaram-se 5 demoradas horas até chegarmos no local. O mexicano que estava atrás de mim não estava entendendo nada, só dava risada de tudo que falávamos... ainda mais quando viu que, para chegarmos até lá, deveríamos pegar um pau-de-arara, aqueles caminhões que transportam bóias-frias, animais, etc... Experiência única! Mas deu aquele charme...
Malas revistadas, pulserinha e roteiro na mão : "Bem-vindo ao Universo Paralello, fique á vontade". E fiquei.
Localizei a barraca pela sinalização de bandeiras nas árvores. Mas o espírito de comunidade era tamanha, que tinham duas pessoas estranhas dormindo nela... "Não liga não, são os vizinhos", disse minha prima.
Ligar? To nem aí... vamo pra pista! Até lá, uns 2 km (fácil,fácil), mas que era diminuido pela quantidade de atrações que tinha pelo caminho...Simplesmente mágico!
Todos os meus dias foram de pura festa, desde ás 4h30 da matina (também, com aquele sol...), conhecendo muitas pessoas master diferentes, sem dormir, praia, som, dança, bebidas, coisinhas.... Encontrei meus amigos, conheci mais amigas(os) e uma família nada convencional. Nos programamos para passar o ano novo todos juntos, numa mesma vibe.
Detalhe para a família: a mãe alucinada e empolgdíssima, mas mega responsável; o filho, pentelho, sabe tudo e que cuida dos adultos; o tio, uma bicha, velha, e promíscua(como ele ficou conhecido... hahahaha) e o priminho mais velho, gay que serve ao exército. Todos de Brasília...
Bom, pulando uma graaaande parte de detalhes, a hora da virada(e as seguintes)... ai, ai ai... foram sensacionais! FOI A MELHOR PASSAGEM DE ANO DA MINHA VIDA!
Tudo como eu sempre sonhei: com os meus djs preferidos e experimentando a melhor sensação de tooodos os tempos!Nunca ninguém vai saber (não, entender é mais apropriado) o que aconteceu das 00h00 ás 18h00 do dia 01/01/07, quando tive que deixar aquele lugar .... sem palavras.
Teve gente que achou que os anteriores estavam melhores. Só lamento não ter ido neles...
Até a precariedade dos banheiros foi esquecida!
Se meu ano inteiro for assim, cheio de energia e com aquela inesquecível sensação, eu não quero mais nada!
Sunday, December 31, 2006
O ano-novo é verde
Monday, December 25, 2006
Patty sem bateria
A semana pré-Natal foi um desses exemplos absurdos. Na sexta-feira teve amigo secreto do meu grupo da empresa, no sábado treino de manhã e festa do Rio Branco à noite, no domingo Mocidade. Segunda teve festa geral da empresa, mas por pressão familiar acabei desistindo de ir. Na terça, o famoso bombeirinho no Mineiro que acabou se estendendo pro boteco da Bohemia a Três Reais; na quarta... não lembro o que teve na quarta, mas teve alguma coisa. Ah, sim... formatura do meu irmão. Na quinta, festa com os amigos do trabalho antigo. Na sexta, o amigo secreto das Jones. Deu pra entender o porquê da tal energia descrita pela Lana?
Acontece que no dia do amigo secreto a minha carga não estava tão cheia quanto deveria. O excesso de eventos aliado à reforma na minha casa irritou minha rinite e me deixou constipada, palavra bem feia que combina perfeitamente com o meu estado de espírito no dia. Mesmo assim, continuei na balada até... 3h da manhã, quando ganhei uma super carona da Lucy. Agora a pergunta: acabou o post? Não!!! Não foi aí ainda que acabou minha bateria.
Muito pelo contrário, depois de ser forçada a respirar naquele lugar abafado e em seguida relaxar dormindo até depois das 8h pela primeira vez em uma semana, melhorei absurdamente. Tanto que no sábado depois do plantão, ia pro shopping com uma amiga pras últimas compras do dia 23, numa quase tradição natalina de incentivar as lojas abertas por 24h. Mas minha amiga teve que desistir, e eu não estava com tanta vontade de ir sozinha. Acabei indo pra casa e passei a madrugada escrevendo a minha retrospectiva, pro desafio lançado pela Lucy. No dia 24, véspera de Natal, trabalhei até a meia-noite e em seguida fui pra festa familiar de Natal. Só não saí depois porque estava tarde pra entrar em qualquer balada.
Conversando com uma colega do trabalho, confessei que estava achando estranho. Que, talvez por conta da gripe, nem tinha me dado conta que estou trabalhando há 10 dias direto, tanto que pra mim hoje (segunda-feira de Natal) ainda era domingo. Estou trabalhando sem perceber e sem cansar. Falado isso, dá meia-noite e meia, desço as escadas do prédio, passo a catraca, entro no carro. Dou partida. O carro nem liga direito e morre. Tento de novo. Percebo que o pára-brisa e a luz estão (ou deveriam estar) ligados. Desligo. Tento de novo. Nada. Lembro que hoje de manhã não liguei a luz. Ou seja, ela estava acesa desde a volta da festa, 3h30 do dia anterior.
Depois de ter ido atrás de orientação paterna, na verdade foi mais um pedido de milagre, pego um cartão da bolsa e ligo pro 0800 indicado. Do outro lado, um cara gentilíssimo me pergunta qual o meu problema. Resposta simples.
"Estou sem bateria".
PS: Depois do socorro descobri que não estava só sem bateria, mas também sem pilha. Mas como esses assuntos automobilísticos são muitos chatos, melhor deixar por alto mesmo.
Sunday, December 24, 2006
Um turbilhão de mudanças....
Não sou nada religiosa (apesar de ter sido criada e conviver com uma família "católica") mas acredito muito em energias. E não existe melhor momento para estabelecer metas e repensar a vida do que esse. Só que, ao mesmo tempo, acredito que é uma grande perda de tempo.
Eu, por exemplo, acredito que quase nenhum dos meus objetivos se realizaram (e olha que pulei o dobro de ondinhas que recomendam, andei com folha de loro na carteira e passei a virada toda de branco, com calcinha amarela e vários apetrechos da sorte!).
Mas em compensação, tive um dos anos mais loucos, interessantes, divertidos e inesquecíveis da minha vida! Se eu disser que dei uma virada de 720° não é exagero...
Pra se ter uma noção, em quase 365 dias:
- foram embora melhor amigo, melhor amiga e mais três amigos super presentes;
- mas em quatro dias, ganhei duas amigas especiais, que se tornaram inseparáveis e um bando de amigos que marcaram cada dia que estiveram presentes comigo;
- emagreci muito e engordei tudo de novo;
- arranjei um emprego suicida, que mudou meu olhar sobre as coisas;
- e , graças ao universo, encontrei outro que é uma delícia e está me fazendo amadurecer a cada dia;
- sai muito sozinha mas descobri que com amigos é muito melhor - e agora tenho quem me acompanhe pra qualquer lugar;
- tive quatro meses inteiros de samba nas veias (impressionante!);
- frequentei as melhores raves da minha vida ( e a próxima está chegando);
- corri atrás de um ladrão de ingressos e segurei ele com toda minha força;
- pela primeira vez na história, me apaixonei por um esporte que não fosse dança ou ligado á academia: o rugby.
- hoje eu não faço balada, eu estudo balada;
- bebi tanto, mas tanto, mas tanto... e mais um pouco;
- tive o recorde de tempo sem homens na minha vida. E ainda o mantenho...É ótimo ser solteira!
- não virei dj, talvez ano que vem;
- tive meu primeiro contato direto com a morte... e acho que sei lidar com isso;
- fui menos ao cinema (uma pena);
- fui mais ao bar (ebaaa);
- gastei muito dinheiro á toa;
- estou semi-independente;
- descobri o que é sentir saudades e amar;
- e também que o amor platônico tem um charminho especial...
Existem zilhões de coisas que ainda nem mencionei.
Mas acredito que esteja tudo bem resumido.
Para 2007? Sei lá... quero que tudo isso se transforme em pequenos pedaços de novas experiências. Quero engolir tudo isso de uma vez só...
Mas com um detalhe: um pouco maias de juízo. Mas só um poquinho para não falarem que ainda sou uma criança :)
BOM COMEÇO DE ANO Á TODOS VOCÊS!
Saturday, December 23, 2006
2006: o ano do pato
Na área profissional, participei de um teste para tradução literária de italiano. Fiz um curso de comunicação ambiental e outro de produção de eventos. Brinquei uma ou duas vezes de redação publicitária para um amigo. Fiquei três meses na área de desenvolvimento de softwares e locução. Tive minha primeira experiência com chefes politicamente incorretos. Larguei o trabalho. Depois da metade do ano, voltei à área. Na falta de um, fui aceita em dois empregos - no mesmo dia. Decidi pelo mais jornalista.
Na social, aí a lista é grande, tive (de novo) minha época extremamente baladeira, saindo de terça a domingo. Mas ela não durou todo o ano. Foram fases. Graças aos trabalhos, fiz também bons amigos de balada. Minha primeira estagiária me levou à 'Casa De Todas As Casas'. Um eterno refúgio, com bebida e chapelaria de graça. Depois foi a minha vez de apresentar o mesmo lugar à minha chefe de reportagem junto a outras amigas, na tal balada perfeita já relatada pela Lucy.
Em relação às amizades foi como separar o joio do trigo. No carnaval, fui pruma casa com quase 30 pessoas em que cada uma não conhecia mais que 3 ou 4 e hoje grande parte é de pessoas muito, muito queridas. Quanto aos já conhecidos, por diferentes motivos, alguns deixaram de ter um espaço tão grande na minha vida. Outros, que via e saía só de vez em quando, hoje são inseparáveis. Um exemplo importantíssimo são as próprias Jones, tao amigas que me fizeram quebrar o bloqueio de sentar e escrever só por escrever.
Em assuntos sentimentais, nada de muito marcante. Quebrei alguns tabus próprios, tive um típico 'american date', cuspi pra cima e tomei na testa - de novo. Mesmo assim, acredito que o resultado foi positivo. Se não sei o quero, pelo menos deixei de ter alguns preconceitos e mantenho certezas do que não quero.
A minha área acadêmica-trabalhos sociais voltou à ativa. Não consegui ficar mais de um ano longe de tudo isso. Prestei vestibular, voltei a participar ativamente de ONGs. E se não li um décimo da quantidade de livros que deveria, no quesito esportivo bati vários de meus recordes. Mesmo já formada continuei no basquete, fiz bem mais do uma única cesta no Juca (vergonha para um pivô, como diria meu avô) e entrei no novo esporte casperiano - rugby -, em que não só me identifiquei desde o primeiro momento como me deu razão para freqüentar a academia, o que deixou toda a família e amigos impressionados.
No fim... bem, lembro de uma frase, essa sim de um livro, só não sei qual, que diz que uma pessoa que faz de tudo possivelmente não faz nada bem. A comparação é com um pato, que nada, voa e anda, mas faz tudo beeeem mais ou menos. Um bicho estranho. No fim, meu ano foi estranho. Talvez por isso não tenha ainda entrado no clima de Natal. Não comprei todos os presentes que queria - e que provavelmente vou dar só no começo do ano que vem, como presentes sem data - e muito menos tenho noção que 2006 está acabando. Em todo caso, a retrô foi feita. E por falar em retrô... as músicas que mais ouvi esse ano foram todas anos 80 e 90... de trash a BSB e Britney, coisas que não ouvia nem na época. Realmente um ano para experimentar de tudo.
Monday, December 18, 2006
Universos Paralelos
Entrar em um ensaio é quase como atravessar um portal. O estilo paulistano de se vestir fica na catraca. A partir daí, ele ganha cores e diminui de tamanho. A primeira sensação de quem chega é o estranhamento, mas cinco minutos depois até se esquece que o mundo não era assim.
Cores fluerecentes, que você acreditava terem morrido nos anos 80, estão presentes por todos os lados, em decoração e roupas de cetim. Micro-saias com ou sem legging por baixo também. Se a calça for branca, melhor. Tudo isso ligado às tais sandálias prateadas e chapéus de malandros, ícones do samba e que persistem em meio às mudanças da moda.
Em poucos lugares há uma confraternização tão grande e de pessoas tão diferentes. Um deles é o campo de futebol. O outro é o ensaio. Mas esse último tem um diferencial. A misciginação não acontece só entre brancos, negros, orientais. Velhos, jovens e crianças, homens, mulheres, hetero e homossexuais convivem em perfeita harmonia. Aliás, é até engraçado ver as bibas desbancando as mulatas no samba.
A bateria toca num ritmo frenético e a multidão canta empolgadíssima o samba-enredo. Corpos suados do calor abafado esquentam ainda mais quando sambam em fila pela quadra da escola - treino para atravessar o sambódromo. Agora dá pra entender o porquê dos trajes reduzidos. Queria eu ter sido mais esperta.
Faltam três meses para o grande dia. Só três meses? Ainda três meses? Difícil dizer. Desde o meio do ano a música estava pronta. Na época apenas como uma das músicas concorrentes. Agora, já decorado como o samba-enredo oficial. As fantasias estão à venda, mas ainda há muito trabalho a ser feito. Muitas voltinhas em torno da quadra. Até lá as pessoas continuam se reunindo em dias estratégicos e horários marcados. Para começar e terminar. Às 22h o portal fecha. Às vezes um pouco mais tarde.
Do lado de fora, o shorts que antes parecia estar de bom tamanho quase não cobre tudo o que deveria. É nesse momento que a magia acaba. Seja bem-vindo de volta. Até o próximo ensaio.
Wednesday, December 06, 2006
Os só bonitos que me desculpem, mas charme é fundamental
Dizem que o melhor da festa é o barman. Afinal, nada melhor do que ser servida por um homem bem bonito, como tem sido os garçons ultimamente. Mas se beleza (GRAÇAS AOS CÉUS!!!) é um conceito relativo, como pode um mesmo ser agradar a várias garotas de gostos tão distintos?
Simples. Quando você pede uma bebida não recebe só um copo. Junto com ele vem um sorriso. Às vezes um elogio. Uma brincadeira... e quem disse que precisa ser de verdade? Há pessoas que conquistam os outros naturalmente. Outras são treinadas para isso.
(nesse momento do texto tenho dois caminhos a seguir: um deles é continuar com a argumentação sobre o charme das pessoas. Outro é fugir para a tal busca do macho alpha - conceito já muito debatido nas mesas de bar pós-rugby. Então, como boa discípula de Dorothy, vou pelo caminho a que me propus e continuarei pela estrada de tijolos dourados, quase tão brilhantes quanto os olhos de uma pessoa feliz. Assim, deixo aberto convite pra quem quiser dissertar sobre o segundo tema)
Uma vez uma amiga - não só minha como de todas as Jones, e cujo codnome veremos publicado nesse blog assim que ela tiver algum tempo - me disse que não via graça em trabalhar com esportes se não fosse na televisão. Segundo ela, o gostoso dessas atividades é a imagem. São as expressões e sensações que ela passa que fazem com que a gente se apaixone pelo assunto.
Dentre as pessoas que têm controle sobre sua imagem e sabem lidar com o charme estão atores, dançarinos e... músicos! Vocalistas principalmente. E não é à toa. Demora muito até que uma banda faça sucesso e os fãs paguem para assisti-la. Nesse meio tempo, conseguir que os freqüentadores de um bar parem de conversar, brincar, flertar para que o grupo consiga ser ouvido é extremamente difícil.
Já era final de festa quando esse monte de coisas passava pela minha cabeça. Encostada numa mureta, bebendo uma cerveja, felicíssima porque a semana chegara ao fim, não conseguia parar de olhar aquele vocalista. O braço gordo com uma tatuagem de violão junto com o cabelo comprido e ensebado nunca fizeram meu estilo. Quer dizer, minto. Já fizeram sim. Mas isso já faz muito tempo - adolescência é uma fase engraçada.
É lógico que o fato de não estar dirigindo contribuiu para o estado de relaxamento. Mas indiferente a preferências estéticas e níveis alcoólicos, a empolgação com que ele cantava do pop nacional mais simples ao classic rock me impedia de tirar os olhos do palco. Nesse momento, só pensava uma coisa. Nossa, o sorriso é mesmo um baita diferencial! Eu nem sei se a pessoa é realmente simpática ou não - minha fascinação parou na reflexão antropológica e olha que já foi muito - mas gostei só de vê-lo cantando, todo feliz.
Me aprofundava na divagação mental quando ouço meu nome. "Oi!!! Você é amiga de tal pessoa, não é?" A conversa corriqueira não dura mais de um minuto. Quando volto a olhar pro palco o brilho no olhar, o sorriso continuam. Mas o meu estado de espírito mudou. Se ficasse mais algum tempo possivelmente conseguiria ver aquela erradiação de energia de novo. Mas estava cansada, acabamos indo embora.
A ciência política coloca o carisma dentro das quatro mais importantes formas de poder. É uma das mais perigosas, já que uma vez perdido, dificilmente consegue ser recuperado, mas também uma das mais fortes. Não há argumentos contra um bom sorriso.
Friday, November 24, 2006
Conversas de pub e algumas definições
***
Numa das laterais do bar, dois caras tocam blues. Gaita, voz e guitarra só. O suficiente para tornar o clima ainda mais gostoso. Em cima da mesa, uma jarra de dois litros de chopp está quase no final. Na lousa pendurada acima do bar, os nomes dos recordistas em beber chopp. É nesse momento que entra o diálogo transcrito no início do texto.
"Bebendo desse jeito é impossível de vc entrar na lousa. Agüenta mais? Então acaba esse primeiro".
O homem era um mala. Uma exceção naquela mesa. Mas depois de ter dito que queria entrar na lousa, mesmo que brincando, não podia voltar atrás. Sabia que ele só queria ver a gente bêbada - e ficou decepcionadíssimo ao perceber que a Lucy, que já tinha parado há algumas rodadas, estava bem longe de chegar nesse nível - porém, bebida paga a gente não recusa. Virei o copo e em cinco minutos veio outra jarra pro pessoal da 'Caisssper'.
Tínhamos combinado de ir ao pub pra assistir a final do Mundial feminino. Inglaterra e Nova Zelândia. Mas a gente chega no bar e está passando um jogo masculino. Quando acaba, desligam a TV. É tal a nossa insistência em pedir pro garçom colocar no jogo que chegou aos ouvidos do dono do bar que provavelmente jogávamos rugby. Simpaticíssimo, ele veio até nós, ofereceu uma jarra de chopp por conta do time de veteranos da mesa ao lado. Foi assim que conhecemos o famoso espírito de confraternização rugbeer do qual tanto ouvimos falar. De quebra, tiramos algumas conclusões em relação às posições do rugby. Só três na verdade, o que mostra que precisamos participar de muito mais jogos e confraternizações.
As definições
O moço chato lá de cima é o fly, ou abertura. Metódico, certinho, arrogante. É ele que começa a jogada e talvez por isso esse ar de capitão de time de futebol americano combine tão bem. É preciso no mínimo ser seguro de si. Por coincidência ou não, ele adorou a Lucy... que no nosso time de sevens, mais por capacidade de comando do que por arrogância, é a fly!
Também conhecemos um exemplar que fica num meio termo entre o chato e o leso. Peça essencial tanto para o ataque quanto para a defesa, este é o oitavo homem. Grande, sereno - talvez por causa da bebida sereno até demais - e rápido, o oitavo tem a função de definir a jogada. Numa conversa de bar ele seria aquele cara gente boa, com quem você pode conversar por horas, assuntos legais, mas sem emoções mais fortes. Todo oitavo precisa ter um mínimo de inteligência. Mas tudo isso estou falando por hipótese... sabe o lance da rapidez? Então, o oitavo em questão foi elevado a pilar conforme aumentou de peso... é aquela história, se não corre, derruba.
Por fim, o pilar!!! Classe essa à qual pertencem quase todas as meninas do nosso time, pelo menos espiritualmente. Pilar é aquela pessoa ogra, que não pensa muito, faz trapalhada à beça e acaba resolvendo as coisas pela força. Em exemplos dados no próprio pub, "pilar é o cara que vai pressionar o garçom porque a cerveja não tá chegando. É aquele que vai trocar o pneu do ônibus porque ninguém mais se oferece". Mas também é o mais divertido, o que mais fala besteira, o mais aéreo, perdido... aqui vai uma comparação. Só pra variar eu me perdi pra chegar o bar. Então, comentei que isso é uma atitude típica de pilar. O nosso amigo, bendito entre as mulheres, me corrigiu dizendo "você chegou, não chegou? Um pilar estaria procurando o caminho até agora". Exageros à parte, acho que uma boa definição prum pilar seria o Hagrid, do Harry Potter. Fofo à beça por sinal.
Bem, não entramos na lousa dos recordistas naquela noite. Como em toda competição, é preciso ter alguém controlando desde o primeiro copo e quando a gente viu a lusa já era tarde. Mas combinamos de voltar outro dia. Lana disse que o recorde feminino era de 16 chopps. Relativamente fácil. Principalmente se continuarmos treinando em terceiros tempos. Afinal... ainda falta descobrir a definição psicológica de hooker, meio-scrum, centro e ponta (pelo menos).
Monday, November 13, 2006
Atração irresistível
Nessa relação esquisita não há cobranças de nenhum dos lados. Tudo é feito através de flerte e entrega. Porém, como com todo boy toy, exclusividade é uma palavra que não existe. Além de sair comigo, ele flerta e envolve todas as minhas amigas - e amigos.
Não posso negar que os encontros com ele não sejam algo no mínimo revigorante. Às vezes apenas algumas horas juntos funcionam melhor do que massagens e sessões de relaxamento.
O vai e vem já dura anos. Baladeira convicta, sempre faço dos nossos encontros a última opção da noite. Mas trabalho e cansaço acabam sempre me deixando mais vulnerável.
Eu, que nunca fui de cancelar programas com amigos, nos últimos meses em pelo menos três ocasiões desisti de sair para ficar só com ele. Como em todo vício, a tentação está sempre presente e é preciso ser forte para resistir.
Nesse sábado, após algumas boas cervejas voltei para casa. Tomei banho e enquanto esperava o horário para sair de novo, ele veio falar comigo. Me chamou para mais um encontro. Eu, já meio tonta, nem tentei resistir. Fiz somente uma ressalva: 'só posso ficar meia hora'. Já tinha combinado de sair com Lana Banger, mas talvez esses trinta minutos me ajudassem a despertar.
Para ajudar a negar a relação, costumo estipular prazos máximos para esses encontros. Pena que dessa vez não aconteceu. Me entreguei aos braços de Hypnus e me deixei levar por Morpheus em um sono que durou mais de dez horas. Um absurdo para quem só dorme seis ou sete por noite.
Estava louca para dançar mas só consegui mais um sábado perdido. Uma ótima noite de sono, porém uma balada que não aconteceu.
Por que dormir é tão inevitável?
Friday, November 10, 2006
Metamorfoses ambulantes
Síndromes de Cinderela à parte (toda menina sonha em ser levada para longe montada num cavalo branco e ao lado de um príncipe encantado), cada pessoa que passa pela nossa vida deixa um pouco de si conosco. Pode ser expressões, como os mil significados de "fofo" que incorporei de Lucy Jones, alegria interminável da qual compartilho com Lana Banger ou uma empatia instantânea como a que senti por Lina. E pra ficar só no exemplo das Jones.
A cada vez que lembramos de determinado acontecimento ou pessoa e aquele sorriso ou no melhor dos casos a vontade absurda de começar a rir querem aparecer é como se a pessoa envolvida estivesse presente, fosse um pouco parte de nós.
Normalmente só costumamos dizer isso em ocasiões de perda "não se preocupe, vou estar sempre com você aí no seu coração". Mais uma cena piegas mas inevitavelmente emocionante, cena de filmes, em homenagem ao novo amigo cineasta e que adora encontrar essas imagens no blog. Enfim, o ponto em que quero chegar é que não são só as pessoas queridas que têm esse poder.
Uma vez, há uns bons anos, perdida como sempre, resolvi perguntar para uma moradora de rua se o ponto de ônibus mais perto ficava para a esquerda ou para direita da enorme Avenida Santo Amaro. A moça (outra expressão roubada de Lucy, já que a mulher tinha quase tantos cabelos brancos quanto negros) não deveria falar com alguém há muito tempo tal foi a felicidade e a obstinação com que me respondeu. Só faltou dizer, naquele linguajar meio enrolado, quantos passos demoraria para chegar até o ponto. Na verdade, ela pode até ter dito. Lembro que não entendi nada da explicação. Lembro também do hálito horrível de quem está há muito tempo sem comer ou escovar os dentes. Mas mais do que tudo, lembro do sorriso dela enquanto eu agradecia pela décima vez e ia para a direção que - acreditava - ela tinha indicado.
Para quem não sabe, parte do meu nome - Marie - foi escolhida em homenagem a uma grande heroína dos quadrinhos e principalmente dos desenhos animados. Dentre suas diversas características, Anne Marie, conhecida como Rogue ou Vampira não pode se aproximar das pessoas, pois suga-lhes a energia vital.
Acredito que todos temos essa maldição. Entretanto, em vez de sugarmos somente, absorvemos e doamos experiências, hábitos, alegrias e tristezas. Somos altamente influenciados uns pelos outros. Por isso não é raro quando ver alguém chorando e sofrer aquele aperto no peito sem nem saber porquê. Ou então ouvir uma gargalhada e - ah, como gosto desse som - sentir o dia todo se iluminar.
Adoro pessoas. Adoro conhecê-las. Por mais que a conversa seja de cinco minutos, sempre há uma característica que você leva junto contigo. A mesma pessoa poderá seguir n caminhos durante a vida dependendo do contato que ela tiver com a sociedade. Essa é a graça do jogo e por isso acho muito bom conhecer o máximo de gente possível. Dos mais diversos tipos. Quando tinha cinco anos me minha mãe me colocou no balé - perdição total -, quem ia me imaginar no rugby???
Thursday, November 09, 2006
"Dreher"
É duro olhar em volta e perceber o quanto vida passou rápido... E mais que isso: se deparar com um vazio no peito deixado por todos aqueles que passaram e foram importantes para seu crescimento pessoal ou simplesmente tatuaram um negócio do lado esquerdo, impossível esquecer.
É uma pena que essas pessoas tenham desaparecido, como se nada tivesse acontecido; e num movimento circular mega viciado, novas pessoas vêm e vão numa rapidez alucinante.
É fato que crescer envolve tudo isso... será que eu sou a única desesperada por ver pessoas escorrerem pelas mãos como a água da torneira, de cada manhã?
A sorte é que curti cada momento intensamente... mas será que tudo foi tão intenso assim?
Se tudo é apenas um vai e vem desenfreado, eu não deveria acreditar em amor eterno, família, amizade verdadeira, realização profissional entre outras coisas certinhas da sociedade... Mas como é difícil!
É complicado correr contra a conrrente e desejar, mais que um amante, um amigo pra vida inteira e fazer de tudo para que se viva de acordo com ideais lúdicos de confiança, fidelidade (e não possessividade), ajuda mútua e um mundo cheio de gliter. Um vida dúbia entre esses dois paralelos faz parar o tempo, perder amigos e dá uma solidão quase sempre angustiante...
Não quero me afogar num copo de cerveja.
Me dá logo um DREHER pra encarar a realidade.
Sunday, November 05, 2006
Divagações na Metrópole - 10 minutos no metrô
"Humm... esse cara é estilosinho: tatuado, converse no pé, mochila nas costas, alargador, mas com uma roupa bonitinha de trabalhar... No mínimo deve trampar como designer ou em alguma dessas empresas de informática e , com certeza, tá escutando rock. Ele não tem cara de EMO, então... deve ta escutando essas coisinhas novas britânicas. Pena que ele é baixinho e a mega aliança prateada na mão direita, tá reluzindo mais que uma dourada na mão esquerda: esse aí namora, pelo menos, há uns 2 anos...."
O trem abre as portas na estação seguinte e é impressionante como as pessoas se adaptam áquele estágio de inércia induzido. O tal do garoto comprometido, faz mil e uma acrobacias para que uma menina esbaforida, bem mais baixa e volumosa que ele, se encaixe naquele emaranhado de mãos, braços, pernas, peitos, bundas grandes, mochilas, sacolas e cheiros de todos os tipos...
"Nossa, que cara de mau! Ela deve trabalhar em alguma coisa ligada á vendas ou cobrança ali no centro e não deve achar que trabalho traz realização profissional, só dinheiro e encheção de saco dos patrões. Com certeza ela sabe todos os seus direitos trabalhistas e deve colocar no pau qualquer empresa que se meta a besta com ela.Aliás, acho até que os engraçadinhos e engraçadinhas com ela não têm vez... Mas será que essa calça grudada, esse cinto grande e essa blusa decotadissima e sufocante não colaboram pro seu mau humor? Acho que nem o brinco de dançarina do ventre e faixa colorida no cabelo alegram a tornam mais simpática..."
Na outra parada, o vagão continuaria no mesmo estado, se um casal não se entrelaçasse e ocupasse o mínimo de espaço que ainda restava diante da porta. "Uhhh, amor... conseguimos - smack na boca - Me abraça mais um pouquinho que a gente fica bem", disse o homem para a mulher.
" É, o amor deve ser realmente lindo e superar todos os obstáculos. A menos que eles tenham se conhecido por essas bandas e nesssas mesmas condições... E não é que eles combinam?! Tá certo que o desastre na cama é quase previsível: ela não parece ser nem um pouco sexy e tem uma certa aprência de sujinha. Não como os hippies da paulista, mas uma sujeira natural. Ele, sem a menor pinta de comedor nem de come quieto. É até estranho imaginar que um dia ele tenha sido punheteiro! Huum.. pensando melhor, ele tem cara daqueles caras de chat... e ela também! É fato: se encontraram num shopping um dia desses, depois de teclarem numa sala por aí, e viram que têm várias coisas em comum e se apaixonaram... inclusive se sintonizaram na horizontal. Que sejam felizes!"
A viagem da garota continua aperdatíssima e cada vez mais sufocante. Ela já não sabe mais se está se sustentando nos próprios pés ou alguém está fazendo isso por ela. Numa inspeção rápida e minuciosa, ela percebe...
"Putz, onde eu vim me meter! Tudo bem que não tinha tanto lugar pra ir, mas ficar embaixo dos braços de um gordinho com pizzas na camisa, ninguém merece!Ainda bem que meu poder de abstração das coisas e meu mp3 são maiores que tudo... O cara deve ser bancário e tem orgulho de mostrar que trabalha no Banco do Brasil, exibindo crachá e bolsa personalizada, além da camisa azul e amarela. Deve ser gente boa, mas a respiração ofegante e aquele olharzinho "sou tímido, mas se mexer comigo eu topo tudo" poderiam acabar com qualquer amizade. Aliás, ele não tem cara de muitos amigos. Parece bem caseiro, do tipo que tem família pequena e amigos ecléticos que entendem o dance como sinônimo de música eletrônica e o sertnejo como redenção em qualquer casório. Ai, é melhor eu tentar ir um pouco mais pra frente..."
Já diz o velho ditado que coração de mãe, sempre cabe mais um. Couberam mais quatro... e daqueles filhos bem barulhentos e desalmados...
"Como é possível! Esses daí são daqueles que querem aparecer á qualquer custo. Já chegam empurrando, gritando e ai de quem olhar torto pra eles. É capaz de cuspirem em alguém! A camiseta surradaa , o cabelo molhado e o perfume a la AVANÇO não negam um dia duro de trabalho em alguma fábrica da região. Mas isso não diminuiu o bom humor:têm piadas e frases feitas na ponta da língua. Aposto que para cada dia da semana devem resmungar algo diferente! Mulher...eita bicho bão, eles devem pensar. É lógico que baranga eles expulsam com alguma musiquinha brincalhona. Mas eles mal sabem falar direito... Devem ganhar pouco, só que têm família pra cuidar lá no fim da cidade. Engraçado como eles não demonstram se importar com isso! Eles é que estão certos... já estão prontos para um cerveja no bar e o trabalho no dia seguinte..."
ESTAÇÃO SÉ... ACESSO Á LINHA 1, AZUL. DESEMBARQUE PELO LADO ESQUERDO DO TREM.
Em questão de segundos o garoto do rock, a menina mau humorada, o casal enlaçado, o gordinho franzino e os "quatro felizes do jeito que sou" são expulsos do vagão, como acontece em parto normal. A tal da garota, que divagou pela vida de pessoas tão diferentes, com toda sua educação, tenta não empurrrar ninguém. Impossível... o máximo que conseguiu fazer foi olhar para os outros, dar aquela risadinha de "isso não muda nunca e é um absurdo", ajeitar sua roupa, mudar a música do mp3 e se preparar psicologicamente para conhecer tipos mais diferentes na nova jornada que ainda a aguardava.
Mas dessa vez seriam uns 10 minutos a mais de desconforto!