<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877</id><updated>2012-01-16T04:30:08.951-08:00</updated><title type='text'>.: Era uma vez à noite :.</title><subtitle type='html'>Garotas empolgadas, em algum lugar, em alguma balada, naquela mesa de bar, em qualquer sala de cinema, em uma viagem ou simplesmente na casa de alguém... Afinal, elas são &lt;b&gt;AS JONES!&lt;/b&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Lana Banger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239915330428535708</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>132</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4910674596941554975</id><published>2011-11-25T13:45:00.000-08:00</published><updated>2011-11-25T13:45:51.996-08:00</updated><title type='text'>Entre a segurança e a paixão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida é feita de escolhas e na maioria das vezes essas escolhas não são fáceis. Assim, espera-se que em determinado momento da vida você já tenha aprendido o truque e consiga fazer uma opção sem hesitar tanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 28 anos, já se conhece as próprias necessidades, o que combina com você e o que não dá certo. Mas&amp;nbsp; quem disse que isso torna as coisas mais fáceis? Que o diga os geminianos, mas não só com eles. O ser humano, as mulheres, principalmente, têm necessidades diferentes todo dia. Às vezes, ao longo do mesmo dia.&amp;nbsp;Pesquisas demonstram que até o tipo de homem preferido depende do nível hormonal ou do ciclo da menstruação. Por isso, as duas horas escolhendo roupa, os 30 minutos olhando um cardápio ou os incontáveis minutos decidindo o que comprar em uma banca de revistas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com emprego, não é diferente. É comum a gente saber o que não quer. E frequentemente esto está relacionado com o tipo de trabalho que temos no momento. Se trabalha muito, quer algo mais tranquilo. Se está seguro, acomodado, quer desafios. E quando não aguenta mais tudo, só quer algo diferente. Essa, pro sinal, seria a situação mais simples, se não fosse tão complexa. Diferente é amplo e inclui desde o bom, seguro e promissor até o apaixonante e desafiador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta semana, disse alguém no twitter que maturidade é quando você não faz as coisas que sabe que não deveria. Amor, segundo a cultura popular,&amp;nbsp;é perene, seguro, mas não tem a excitação de uma paixão.&amp;nbsp;E é&amp;nbsp;aí que vem a prova. Neste mix de sentimentos, eu&amp;nbsp;me pergunto se finalmente estou pronta para ser madura.&amp;nbsp;Para quem jurava ter&amp;nbsp;deixado a&amp;nbsp;Terra do Nunca, a&amp;nbsp;grande verdade é que o apaixonante ainda me atrai.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4910674596941554975?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4910674596941554975/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4910674596941554975&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4910674596941554975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4910674596941554975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/11/entre-seguranca-e-paixao.html' title='Entre a segurança e a paixão'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2832826675772384273</id><published>2011-06-23T20:13:00.000-07:00</published><updated>2011-06-23T20:47:16.312-07:00</updated><title type='text'>True love</title><content type='html'>Este post está fadado a acontecer já há algum tempo... Mas despedidas, festas e provas me impediram de fazê-lo antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de uma amiga cruzar o mundo para fazer MBA, reunimo-nos, o trio inseparável do colegial, para um chá de despedida. Na conversa, homens... claro! Uma do grupo acabara de conhecer um candidato a crush e a outra, como podemos dizer, em uma fase atípica - ou nova - pós dispensada meio traumática. Assim, discutiam elas entre ser "desinteressada" ou se jogar de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, não houve nenhum veredicto, mas ficou uma pergunta no ar - um tanto filosófica, devo dizer -, será que é possível realmente amar alguém ou sempre nos apaixonamos pela idéia que fazemos das pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que é possível realmente conhecer alguém? Eu posso falar por mim... há muitas coisas sobre mim que acredito que nem mesmo pessoas muito próximas saibam. Eu mesma não saberia responder muitas perguntas sobre meus irmãos... e quem pode dizer que não os amo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que todos temos filtros. A criação, as experiências... tudo muda um pouco a maneira como vemos o mundo. Então, esses filtros também funcionam em relação às pessoas que vemos, eles vão ditar o que selecionamos da realidade para formar o nosso conceito sobre aquela pessoa. O que significa que raramente vemos o todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a discussão abrange relacionamentos românticos a coisa fica ainda mais insana. Em relacionamentos, há mais aparências do que nas amizades, mais tabus e menos reflexões sem sentido... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, será que é possível conhecer realmente alguém? É possível amar sem conhecer? E, usando o super clichê, por quantas pessoas você colocaria sua mão no fogo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2832826675772384273?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2832826675772384273/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2832826675772384273&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2832826675772384273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2832826675772384273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/06/true-love.html' title='True love'/><author><name>Lucy Jones</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3488/3720/320/southpark_Ca.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-951576897749060358</id><published>2011-06-22T15:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T16:22:54.340-07:00</updated><title type='text'>Alegoria de mim mesma</title><content type='html'>Era uma vez uma menina, talvez já não tão menina, que gostava de abraçar o mundo. Em casa, entrava, e, enquanto era recepcionada pelo cachorro, dava, sem olhar, um leve empurrão na porta que tinha acabado de atravessar. De propósito ou não, ela empurrava mas não fechava e a passagem para o corredor permanecia encostada até que outra pessoa da família resolvesse completar o serviço. O que isso significa?&amp;nbsp;Possivelmente&amp;nbsp;uma grande incapacidade de fazer escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do que diz Lucy, de que cada opção implica em uma renúncia, a menina preferia ignorar a física e só adicionava elementos à sua rotina de 48 horas diárias, se virando em mil para não abrir mão de nada. Além da amiga, seu pai também dizia “quem faz de tudo não faz nada direito”, mas a menina não ouvia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo que ela juntava com tanto gosto só crescia e pouco a pouco se tornou impossível segurá-lo, dada a circunferência e o peso da massa de objetos, pessoas e atividades reunidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não deixar nada cair, ela&amp;nbsp;apertou cada vez mais seu mundarel de coisas, segurando&amp;nbsp;tão forte&amp;nbsp;que ele explodiu e, ao explodir, o que era um globo aumentou de tamanho e se transformou em uma grande cuba, oca, que logo foi preenchida com pequenas representações do que ela mais gostava, tal qual uma enorme piscina de bolinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram bolas de rugby, amigos de time, colegas e livros da faculdade de Letras, amigas da faculdade de jornalismo, pessoas queridas que vieram da infância e outras que vieram do trabalho, família, um cachorro novo, mocinhos do passado e do presente, um curso de História em Quadrinhos, uma atividade de enduro a pé, um mochilão&amp;nbsp;de um mês, uma bicicleta meio largada e até um treinamento para a brigada de incêndio. Tanta coisa que deixaria qualquer um tonto e, muito embora fossem só espécimes sensacionais – na maioria das vezes, pelo menos – o excesso de informação fez com que o mundo da menina ficasse descontinuado, espalhado, absorto naquele caos de coisas divertidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a explosão, alguns objetos se perderam, como as aulas de ballet ou de windsurf (pagos, mas nunca feitos). Outros, apesar de estarem dentro da cuba, ficaram distantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se descobriu depois, as bolinhas têm o mesmo efeito de uma areia movediça. Por mais que se mexa é impossível sair do lugar. E a menina, que no começo tentou em vão dominar sua própria rotina, desistiu e se acostumou a fazer suas atividades tão queridas de vez em quando somente. "O que para der, maravilha. O que não der,&amp;nbsp;bom também". Afinal, chega uma hora que nem Hiro Nakamura aguenta conciliar tudo no varal do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso continuou por quase seis meses, mas eis que até o caos virou rotina e ela, cansada de fazer malabarismos com uma amarra de ferro em cada braço, mergulhou fundo e quebrou a parede já trincada da enorme tigela. Era uma saída, mas talvez não uma solução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como Alice, a menina e seu mundarel de coisas foram caindo, caindo, caiiiiindo... assim como ela, que caiu no sono. Quando acordou, estava deitada no chão, em grama verde e céu azul pintado de lápis de cor. Os ícones, representando suas coisas tão queridas, jogados. Alguns pertinho - porque ela fez questão de segurar junto ao peito na descida - outros, tão longe que mal dava pra ver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era hora de recomeçar. Começar a catar todos os elementos e assim, como em qualquer arrumação de começo de ano, separar o que fica, o que é lixo e o que pode ser doado ou reciclado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns desses trechos, só para ajudar,&amp;nbsp;ela teria de fazer a pé. O carro, representado pela carteira de motorista com excesso de pontuação, se perdeu no meio do caminho e não se&amp;nbsp;tem ideia de&amp;nbsp;quando volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo do percurso, que poderia muito bem ser de tijolinhos dourados, ela vê&amp;nbsp;no chão um jornal, com&amp;nbsp;o horóscopo do período: “ótima fase para reflexão; aproveite para decidir o que quer priorizar daqui pra frente" e pensa,&amp;nbsp;"é, bem-vinda ao retorno de Saturno”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-951576897749060358?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/951576897749060358/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=951576897749060358&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/951576897749060358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/951576897749060358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/06/alegoria-de-mim-mesma.html' title='Alegoria de mim mesma'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6783947115090434840</id><published>2011-03-02T15:52:00.001-08:00</published><updated>2011-03-03T10:37:36.889-08:00</updated><title type='text'>Universitária again</title><content type='html'>Quando meu pai me deixava na frente da Unip, um japonês bem magrinho com jeito de no máximo 17 anos descia do carro da frente. A piada era tão óbvia que decidi simplesmente abstrair. Meu pai, por outro lado, não teve o mesmo bom senso. Antes do japa terminar os cinco passos que separavam o carro de sua mãe da calçada, papai já olhava pra mim e, entre muitas risadas, soltou “olha aí onde você vai se meter... certeza que é isso que você quer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lógico que não. Certeza era a última coisa que eu tinha. Mas, já que tinha feito a inscrição, vamos fazer a prova né? E dessa mesma forma, já que passei da 1ª fase com meus incríveis 45 pontos, metade do total possível, porque não fazer os outros três dias de teste? E de “por que não” em “por que não”, eu me transformei em uma entre os 849 aprovados em Letras na Universidade de São Paulo deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro “por que não” foi no impulso. E depois ainda dizem que taurino não gosta de mudanças. Vai ver a proximidade cada vez maior dos 30 (ok, falta mais de dois anos, mas mesmo assim) está fazendo meu querido signo solar abrir espaço para um animal meio homem meio cavalo, daqueles bem chucros que de repente faz o que dá na telha, porque foi bem assim. Um dia estava entediada procurando alguma coisa divertida pra fazer. Curso de redação criativa, voluntariado em alguma ONG... enfim, qualquer coisa pra ocupar o restante das 48 horas que eu cismo que meu dia tem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, depois de uma busca um pouco frustrante penso “por que não outra faculdade?”. Por duas vezes depois de formada já tinha prestado história, mas em nenhuma delas consegui me dedicar o mínimo que fosse pra ter chance de matrícula (na segunda, na verdade, nem fiz a prova, depois de, no dia do exame, perceber que se não tinha estudado nada, era porque não era que bem isso que queria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez, como sabia que com campeonato no Uruguai e um trabalho cada vez mais intenso não teria mesmo chance de estudar, resolvi ser sincera comigo mesma e prestar uma carreira um pouco mais fácil. A mais fácil, se é que me entende. Apesar de ser extremamente bem conceituada, a faculdade de Letras da USP não é algo assim... difícil de entrar. Com suas mais de 800 vagas, a nota de corte da 1ª fase é de apenas ¼ do exame, o que me deixa um pouco apreensiva em relação aos colegas de classe. Mas, enfim, o que estou dizendo? Assim como eu, grande parte pode ter decidido simplesmente pela facilidade de prestar o curso mais fácil da instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olhei o site pela 2ª vez, era o último dia para inscrição e pagamento. Lógico que só podia ser um sinal. Paguei. E foi aí que começou a minha enxurrada de “por que nãos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase duas semanas depois do começo das aulas, essa foi a primeira vez que fui à escola. Não para assistir à aula, mas para dizer que, sim, eu confirmo minha matrícula. Ao contrário do que imaginava, não havia mais trotes ou bares. Todo mundo já está dentro das salas. A recepção dos alunos pelo visto ficou restrita à tal calourada – semana de integração à qual eu obviamente faltei. Se fosse há dez anos, quando prestei meu primeiro vestibular, dificilmente teria perdido um só dia dessa programação. Teria voltado todos os dias para casa semi-bêbada, feliz de ter conhecido um monte de gente que – desde sempre avoada e com memória fraquíssima – não ia lembrar mais o nome ou o rosto no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, vou para o trabalho logo depois da aula sabendo que é possível faltar de vez em quando sem perder uma quantidade irrecuperável de conteúdo; que ir pro bar durante o trote é ótimo mas não é de longe a única maneira de conhecer as pessoas na faculdade e, por fim, acreditando que muito mais vale aproveitar poucas matérias durante o ano – coisa impossível em faculdades pequenas como a Cásper – do que se formar no menor período possível fazendo todas as matérias de qualquer jeito, louca para receber logo o tal diploma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de arrependimento. Faculdades diferentes, épocas diferentes, interesses diferentes. Assim começa meus possíveis nove anos low stress de FFLCH e, como diz a loira-quase-J., nossa próxima fase de baladas universitárias. Se der certo, quem sabe não me junto a Lucy e começo a ter eternamente 21?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6783947115090434840?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6783947115090434840/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6783947115090434840&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6783947115090434840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6783947115090434840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/03/universitaria-again.html' title='Universitária again'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1989231665007979280</id><published>2011-02-24T09:26:00.000-08:00</published><updated>2011-02-24T11:35:11.851-08:00</updated><title type='text'>emergências fashion e afins...</title><content type='html'>Começo dos anos 2000, comprei uma saia jeans com fenda frontal para não passar mal de calor usando calça jeans no verão de São Paulo. Quem se lembra dessa época, lembra que o "in" eram saias compridas até os joelhos, justas ou plissadas. A minha, no caso, era do primeiro tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci do ônibus e, na minha pressa diária de chegar ao trabalho, fui andando àqueles passos largos de irmão mais velho até o outro ônibus. Sentei e começei a sentir que a saia já começava a lacear, deixando minha passada menos impedida e as pernas, já suadas, menos grudadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ônibus deixado e entro na empresa para meus afazeres diários. Assim que sento na cadeira ouço um rrrrhhh e minhas pernas ficam mais livres... algo está errado... laceadas não fazem rrrrhhh. Olho para baixo e a fenda frontal da saia já está pelo menos meia fenda mais comprida. F****!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corro pro banheiro para analisar o estrago sem que todo mundo veja que estou analisando o estrago. De alguma maneira, o que quer que estivesse segurando a costura... não estava mais. É, f****!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que tufos de papel higiênico não resolveriam o meu problema, voltei para a sala e olhei em volta procurando socorro feminino. É... bem... se alguém teria a solução para o meu problema, seria uma mulher, já que em uma carteira não cabe muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro impulso foi recorrer ao departamento de arte... e só o que havia era uma fita crepe. Ok, resolvo com a fita e depois investigo se há alguma outra fonte mais prevenida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao banheiro, fechei a porta, tirei a saia e, como uma cirurgiã, remendei o estrago com a maior quantidade de fita possível. Saí andando como uma gueixa... e perfeito! Talvez eu pudesse mesmo passar o dia assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento na cadeira... ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me chamam para aprender algo junto com um funcionário de arte. O aprendizado requer que eu me sente ao lado do instrutor. Sento, começa a instrução, e bem discretamente desço o olhar até a minha coxa. É então que vejo a fenda totalmente aberta e a fita aparecendo como um saiote de múmia por baixo dela. F**** de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que nem me lembro do que eu tinha de aprender, já que passei o tempo todo verificando a fenda e tentando ajeitá-la ou escondê-la debaixo da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia todo was a blur... (sorry, não tem outra expressão que encaixe melhor). O suor frio cada vez que eu tinha de levantar ou sentar, a constante checagem da saia... Péssimo, não desejo pra ninguém. E a situação era que nem para casa eu poderia ir, já que ainda tinha de ir para a faculdade para só depois ter minha condução. Também não havia ninguém pra me socorrer já que eu era nova na cidade e morava no interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, Any Any conseguiu que eu assistisse aula sem que outras pessoas tivesse de assistir ao meu pequeno constrangimento, e eu passei a carregar agulha e linha como ítem fundamental na minha carteira - coisa que Patty bem sabe, já que num Juca ela não acreditava que eu tinha o kit em meu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, a gente pensa que esse tipo de coisa só acontece com a gente, mas a verdade é que praticamente todo mundo já teve alguma emergência fashion de arrepiar os cabelinhos da nuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história me veio à mente esses dias ao imaginar o que eu sentiria se, pressionada por policiais, fosse revistada à força... tendo parte da minha roupa retirada sem a minha vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ser coagida a fazer algo, no sentido da coação legal mesmo, em que a pessoa pega na sua mão e te faz fazer o que não quer, já é algo que me tira a razão de tão contra a minha natureza que é. Agora, juntar isso ao constrangimento de mostrar aquilo que ninguém deveria ver para uma sala cheia de gente - e após para o Brasil inteiro - é simplesmente um crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico chocada ao ler as declarações de corregedores dizendo que os delegados - no caso da escrevente que teve a calça retirada à força - estavam agindo dentro do poder da polícia. Peraí, daonde eu venho a Constituição Federal é maior que seja lá que raio de procedimento eles estavam seguindo. E de acordo com ela, em nome da dignidade, a moça tinha direito a mostrar a famosa "periquita" apenas a policiais e delegadas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãs não pensem que porque eu acho que os delegados estavam agindo de maneira brutal que vejo a moça como pobre coitada. Se eles não souberam agir, ela provocou a ira... e, claro, era culpada do crime do qual era acusada. Afinal, a propina tava lá escondida nas partes íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria a minha mãe, um erro não justifica o outro. A fofa deve sim responder - e ser condenada - pelo crime. Mas pelos seus próprios delitos também devem responder os delegados. E, acredito, não apenas eles, mas a polícia como um todo, já que não é de hoje que vemos atrocidades cometidas por quem acha que é a lei. Veja bem, lei é lei, não está personalizada em uma pessoa. Isto se chamaria tirania. E de tiranos a história já está cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o pior mesmo foi a fofa gritar que o dinheiro - encontrado entre suar partes íntimas - não era dela. Se não era... quem foi que colocou ali... e ela nem percebeu?!?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1989231665007979280?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1989231665007979280/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1989231665007979280&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1989231665007979280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1989231665007979280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/02/emergencias-fashion-e-afins.html' title='emergências fashion e afins...'/><author><name>Lucy Jones</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3488/3720/320/southpark_Ca.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4401017598391512407</id><published>2011-02-15T16:24:00.001-08:00</published><updated>2011-02-15T16:33:51.373-08:00</updated><title type='text'>Always</title><content type='html'>Por que será que toda série que a gente nunca mais vai ver termina com always?!? Um pouco contraditório demais, não é não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ano começou com o fim de não apenas uma de minhas queridas séries... o adeus foi para Life Unexpected e (snif) Friday Night Lights.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira começou bem, deu uma desandada entrando em vários clichês muito batidos e terminou do jeitinho que eu queria. Só fico com muita pena de não ter visto a transformação mágica de destinos desencaminhados em hapily ever after... teria sido uma história bem melhor do que a segunda temporada inteira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a responsável por me fazer querer assistir a jogos de american football... deixará saudade! Apesar de ter sofrido um pouco com uma grande troca de elenco, FNL conseguiu retomar o ritmo e bem acho que tinha material para mais uma temporada... ou várias. E Erick Taylor é, sem dúvida, o melhor husband material ever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só espero que venha coisa boa por aí...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4401017598391512407?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4401017598391512407/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4401017598391512407&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4401017598391512407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4401017598391512407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/02/always.html' title='Always'/><author><name>Lucy Jones</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3488/3720/320/southpark_Ca.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4137594497715255614</id><published>2011-02-07T07:25:00.001-08:00</published><updated>2011-02-10T04:26:43.441-08:00</updated><title type='text'>Otimizando a vida</title><content type='html'>Tudo começou com aquela famosa limpeza de final de ano. Abri as gavetas e joguei tudo o que não queria mais fora. Em seguida, fui o armário, depois as gavetas. Por fim, como não tinha levado as coisas para doação ainda, abri a parte de cima do gaurda-roupa. Sapatos, bolsas, blusas, camisetas, shorts, brincos, bijuteria, papeis (muitos papeis), presentes, lembranças e por aí vai. O que não serve para doação vai para a reciclagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, o bichinho do desapego mordeu de verdade. Fim dessa história de dois celulares. Troquei o Nextel e o celular antigo por um único telefone, modernoso, com acesso à internet e touch (que eu não sei mexer direito). A multa de recisão é carinha, mas colocando na ponta do lápis, vale a pena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto nem mais esperava mudar alguma coisa... um surto e o fim das contas antigas de email! Pra que manter um endereço que só me traz spam? Sem dó, cancelado o Yahoo. Depois, com um pouco de pesquisa, importação do hotmail no Gmail. Um só email, um só celular. Menos tempo perdido, mais fácil de focar o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconscientemente, transfiro a tendência para o pessoal. Se cachorro que tem dois donos morre de fome e pessoa que tem dois celulares vive com um deles descarregado, quem não se decide pode até conseguir abraçar o mundo, mas vai derrubar continentes pelo caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4137594497715255614?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4137594497715255614/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4137594497715255614&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4137594497715255614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4137594497715255614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/02/otimizando-vida.html' title='Otimizando a vida'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2552026552014955947</id><published>2011-02-03T17:07:00.000-08:00</published><updated>2011-02-03T17:13:40.984-08:00</updated><title type='text'>Gentlemen, at last!</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_OXiUTzloORM/TUtSvQADnVI/AAAAAAAAFkY/Tc76sUX1_d4/s1600/being%2Bhuman"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 246px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569636335876283730" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_OXiUTzloORM/TUtSvQADnVI/AAAAAAAAFkY/Tc76sUX1_d4/s320/being%2Bhuman" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Finalmente achei uma série britânica que não me dá vontade de passar sabão na tela. O nome do achado é Being Human, e conta com dois fofos difíceis de não se apaixonar!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um lobisomen, um vampiro e um espírito dividem um apartamento e a difícil tarefa de tentar ser normais. Apesar do clichê de monstros, o drama explorado tem boas doses de humor e muito carisma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ponto pros britânicos!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2552026552014955947?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2552026552014955947/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2552026552014955947&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2552026552014955947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2552026552014955947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/02/gentlemen-at-last.html' title='Gentlemen, at last!'/><author><name>Lucy Jones</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3488/3720/320/southpark_Ca.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OXiUTzloORM/TUtSvQADnVI/AAAAAAAAFkY/Tc76sUX1_d4/s72-c/being%2Bhuman' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6074315014070434862</id><published>2011-01-30T19:25:00.000-08:00</published><updated>2011-02-03T04:19:57.494-08:00</updated><title type='text'>Malícia necessária</title><content type='html'>Apesar de saber que era verdade, era difícil acreditar naquilo que ouvia. Pra não me coçar, brincava com a colher do açaí, olhava pra cima, pra baixo, mas a verdade é que nada conseguia conter minha indignação. Aquilo tudo estava muito errado. Que espécie de homem se deixa enganar tão facilmente? Assim tudo bem, a gente reclama da raça masculina, mas quando uma mulher resolve ser ruim, coitado. E o pior de tudo é que ele nem merecia isso. Afinal, como alguém chega à maturidade ainda tão inocente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra situar, eis o resumo: os dois - meu amigo e essa menina - se conhecem no interior. Ele meio tímido, com um pouco mais de 30, ela um mulherão de vinte e poucos. Não ficam. Continuam conversando mesmo depois que ele volta pra São Paulo. Da 1ª vez que vem para a cidade, a pedido dele, ela pega um táxi e o encontra. Na portaria, ele deixa o dinheiro para o transporte, do terminal Tietê até a Faria Lima. Com o preço exorbitante do táxi em SP, pouco não foi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O detalhe é que ele não ganha absurdos. Vive de pequenos patrocínios (é esportista) e do dinheiro dos pais. Mesmo assim, mal começam a namorar e, a pedido dela, já paga as contas (novas e antigas) da menina. Como ele mesmo não tinha muitos gastos, não foi tão difícil, mas mesmo assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, depois de ouvir das amigas dela que ele estava sendo usado, ele dá um ultimato: se é pra eu pagar suas contas, você tem que que se decidir e casar ou pelo menos morar comigo. Resultado: um pé na bunda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ex-amigas da menina, grande espólio adquirido no período, aparentemente não são muito melhores. Vão pra casa dele da praia e o ignoram. Único homem no meio de quatro meninas, ele fica perdido enquanto elas conversam entre si. Não suficiente, por insistência dele, usufruem de toda a comodidade, vão pra praia desfrutar enquanto o moço arruma a cama (a dele e delas), organiza a casa, faz comida e até passa cera no chão. Absurdo? Talvez, mas ele não se incomoda e diz que gosta de ser util, um bom anfitrião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Natureza, os animais criam seus filhos e depois soltam os laços. Na idade adulta, ou o filho já sabe se virar ou morre de fome. É duro, mas é sábio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no chamado mundo desenvolvido, assim como o dele, há diversos casos de homens gentis demais, atenciosos demais e carentes ao extremo. São pessoas que sempre foram muito bem educadas, por vez protegidas pelos pais. Tiveram a sorte de não precisar sair de casa ou pagar suas próprias contas e, por isso, se acomodam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tais seres bonzinhos demais normalmente não adquiriram a tal malícia necessária para viver em sociedade e por isso acabam se machucando demais. Chegam aos vinte e pouco, trinta com aquele sentimento vazio e acabam se jogando para a primeira pessoa que lhe dá um pouco mais de atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se o oito não é bom, o oitenta é menos ainda. Mulher diz que gosta de bayboys mas é só fachada, ou pelo menos temporário. Pessoas inescrupulosas, que não se libertaram do instinto de sobrevivência também não são boas para o convívio e no fundo dificilmente devem estar em harmonia consigo mesmas. Ou seja, também não são felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão é complexa e talvez até inútil. Se vivêssemos em uma utopia, com todo mundo prezando uns pelos outros, ninguém precisaria dessa malícia adquirida. Como isso não acontece, todos têm que desde cedo se preparar para o mundo, por vezes correndo o rissco de exagerar na dose. Como diria Che: "ser duro sem perder a ternura". Esse é o ideal. Ok. Mas, se já é difícil educar um cachorro, sem mimá-lo demais, o que dirá tornar um filho bem criado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6074315014070434862?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6074315014070434862/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6074315014070434862&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6074315014070434862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6074315014070434862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/01/malicia-necessaria.html' title='Malícia necessária'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7525026568182811142</id><published>2011-01-20T18:12:00.000-08:00</published><updated>2011-01-20T18:47:06.193-08:00</updated><title type='text'>Strike and strike again</title><content type='html'>Hanna Marin (Pretty Little Liars) ganhou mais uns pontinhos comigo. Nos dois últimos episódios da série, ela aparece usando as tendências mais legais do verão: esmalte azul claro e unhas com cores diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564462162165202274" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_OXiUTzloORM/TTjw2s31fWI/AAAAAAAAFj8/qySmhTeAWUY/s320/hanna1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 155px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564462358688575058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_OXiUTzloORM/TTjxCI-qLlI/AAAAAAAAFkE/lMMnsBXk5nQ/s320/hanna2.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;A série - e os livros - são mesmo um estouro! Mal posso esperar pelo que vem aí!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XOXO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7525026568182811142?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7525026568182811142/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7525026568182811142&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7525026568182811142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7525026568182811142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2011/01/strike-and-strike-again.html' title='Strike and strike again'/><author><name>Lucy Jones</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/3488/3720/320/southpark_Ca.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OXiUTzloORM/TTjw2s31fWI/AAAAAAAAFj8/qySmhTeAWUY/s72-c/hanna1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3062397693314049328</id><published>2010-09-21T14:18:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T14:24:04.703-07:00</updated><title type='text'>Quando a realidade supera a ficção</title><content type='html'>Como diz Ariel, se nossa vida fosse um filme não seria tão louca. Isso vale para n episódios, mas, para exemplificar, vou me situar em uma determinada semana – a mesma semana mega estressante citada no último texto e que, naquele momento, tinha apenas começado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado, depois de perder o jogo, fui para casa e saí com Ariel e Lucy. Voltei de madrugada, com meu pai acordado, como de costume. Três horas depois de ter deitado, todo mundo acorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu irmão estava na delegacia. Tinha bebido, bateu carro, o motorista veio tirar satisfação. Pra não arranjar briga, fugiu. O cara foi atrás. Meu irmão bateu de novo, justo perto de um viaduto cheio de mendigos. A polícia, que tinha sido chamado pelo carro perseguidor, chegou, mas já era tarde. Ele, bêbado, já tinha saído do carro com os moradores de rua atrás. Tentou pular o muro, caiu no chão. Foi pra delegacia na viatura, recebendo pelo caminho três vezes maior do que o necessário o tratamento VIP reservado a delinquentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos na DP, o carro estava destruído por chutes e pontapés. O vidro de trás com um buraco do tamanho de uma bola de futebol e vários amassados enormes e profundos nos quatro cantos da lataria. Meu irmão, mancando, todo ralado e com um corte na mão, tinha acabado de voltar do IML, onde tirou o sangue que deve ajudá-lo a perder a carta. No Boletim de Ocorrência, “bateu depois de dirigir embriagado e nada mais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, preferi nem sair. A bruxa está solta, disse meu pai, completando que quatro situações limite em dois anos (contando com minha tentativa frustrada de enfiar o carro debaixo de um caminhão há cerca de dois meses) não é para qualquer família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando resolver os problemas decorrentes, a semana passou. Demorada, comprida.&lt;br /&gt;Na 5ª, enfim, chegou o dia do show. Victor e Leo, o primeiro dos novos sertanejos que conheci, fixação da minha amiga virginiana, comprado pela amiguinha loira do rugby há mais de quinze dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para evitar fazer besteira, optamos todas pelo táxi. Na saída, a amiga mais velha ainda comentou o alívio que deve ser para os pais verem os filhos indo de táxi, sabendo que vão voltar seguros, sem o perigo da direção embriagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, bebemos na pizzaria da esquina até pouco depois da meia-noite. Chegamos no início do show, nos perdemos e nos encontramos no final, no fumódromo, possivelmente único lugar onde era possível escutar o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quebra da trilha sonora marcou também a mudança de ritmo da história. O tal turning point, como diria uma ex-professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena clássica prévia a brigas, de repente todas as pessoas começam, cada uma a seu tempo a sair de um determinado ponto, olhando pra trás, se amontoando nas laterais do local. Porém, contrariando o que acontece nesses casos, nenhuma delas olhava assustada para o ponto em questão. Muito pelo contrário, as expressões eram quase de descrença, ou melhor, de desprezo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o segurança de 1,90m de altura dava uma chave de braço no infeliz, que nem podia ser visto dado o tamanho do moço que o segurava, o baixinho ali atrás dava pequenos pulinhos para socar o coitado por cima do cara de preto. Cena ridícula. Grande parte do fumódromo começa a reclamar. Afinal, “com o outro segurando até eu bato”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o moço tinha orgulho disso. A menina, junto com ele, em vez de se envergonhar, diz que ele bate com o outro segurando meeeesmo. Como é que se pode argumentar com alguém que assume ser frango? Enquanto discutia com a garota, levei um soco na testa do próprio cara - soco de menina, de um playboyzinho de duas décadas atrás que nem bater direito sabe. Se soubesse, teria sido mais fácil fazer alguma coisa, mas com um punho daquele, nem marca ficou. Mesmo assim, a vontade era voar pra cima. Enquanto tentava passar pelos três seguranças que "me protegiam" contra o pigmeu, veio outra tentativa de soco, dessa vez de menina de verdade, que de tão fina chamou minha amiga de puta rampeira. Rampeira, não sei, mas o adjetivo com certeza deixou minha amiga puta de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pra fora, decidida a ir pra delegacia. O segurança do cara, que segurava o moço do começo, veio conversar e chorou junto comigo - eu, nervosa por causa da tpm, ele porque não consegue ver mulher chorando. Depois de muito, fui convencida pelo moço que apanhou - que, assim como um monte de outros que conheci recentemente, era tenente da polícia militar - a não fazer denúncia na hora, porque ia me cansar à toa. Mas, já que a viatura estava por ali, a balada tinha miado e eu estava nervosa demais pra dormir, minha amiga descolou uma carona até a casa dela, onde ficamos até as 7h, pra conseguir acalmar da noite agitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No banco de trás da blazer, minha amiga agarrava o braço do policial, que segurava uma arma em posição, apoiada na coxa direita. Quando, ainda no carro, contei da existência do trabuco, ela assustada, perguntou, já quase confirmando, se estava desengatilhado. "Imagina, tá na agulha! Isso daqui é um alvo ambulante", respondeu o moço, rindo. Era só o que me faltava. Naquele momento, já me imaginei no meio de um tiroteio, dentro de um carro de polícia. Pior do que o risco de ser atingida seria ter que explicar a história toda pros meus pais. Mesmo assim, chegamos ileasas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, depois de ir até uma delegacia para o tal BO, descobri que fazer denúncias fora de flagrante são mais complicadas do que parecem. Mesmo em delegacia da mulher, que só funciona de segunda a sexta em horário comercial, tem que ir à específica da região, sabendo nome e endereço do agressor. Acabei desencanando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de passar meu feriado cultivando raiva contra o anão playboy, passeei, descansei, fiquei mais leve. Quando tive tempo, vi algumas das minhas séries favoritas: CSI, NCIS, Bones, Private Practice, Grey’s Anatomy e por aí vai – todas essas policiais ou de emergências médicas. Impossível como não relacionar. Aparentemente, a fronteira entre realidade e ficção está ficando tênue demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3062397693314049328?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3062397693314049328/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3062397693314049328&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3062397693314049328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3062397693314049328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2010/09/quando-realidade-supera-ficcao.html' title='Quando a realidade supera a ficção'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3308884874346947502</id><published>2010-08-29T17:29:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T17:44:42.896-07:00</updated><title type='text'>Um tempinho pra você</title><content type='html'>No aeroporto de Presidente Prudente, sentados na lanchonete, os cinco trocavam lamúrias a respeito dos compromissos que tinham em São Paulo - e que corriam o risco de perder por causa daquele maldito atraso de vôo, que já durava mais de duas horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu, só pra variar, tinha a ver com o rugby. O jogo era às 13h, em São José, o que dava o tempo certinho da minha amiga me pegar às 12h em Cumbica e seguirmos direto pro campo, mas isso já era. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os outros, uma das meninas ia pra praia com os amigos e namorado e se lamentava pelo meio final de semana já perdido. Outra, que trabalha para determinado candidato e acabou pagando 600 reais numa passagem alternativa, tinha até as 17h para entregar documentos importantes no TRE. O músico, por sua vez, era esperado em Santo André para fazer a canção de entrada no casamento de seu sobrinho - a cerimônia começava às 18h, mas antes ele ainda precisava ir de Guarulhos até Mogi das Cruzes, para pegar terno e família. Em resumo: todo mundo ferrado. Mas faltava uma. O grupo, então, olha para a última mulher, cuja astúcia e aparente fragilidade remontam a velhinha da Branca de Neve, alguns anos mais nova. "O meu único compromisso é comigo mesma" - disse, de cabeça erguida, mas em tom tranquilo e bem devagar, como de costume, para, em seguida, complementar que "esses são, na verdade, os compromissos mais importantes, não é mesmo?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ri, mas agora, pensando bem, tenho que concordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguém que visa como principal qualidade uma boa conversa, a possibilidade de ficar num quarto pensando na vida, chorando, ouvindo músicas deprês é simplesmente impensável. Além disso, a ideia de uma existência analisada demais, dramatizada demais, soa, no mínimo, muito, mas muito chata. Por isso, acaba que meus únicos momentos de introspecção são dirigindo ou tomando banho. Desses, como a água não é um bem que eu desperdice sem peso na conscência, sobra o carro. Fechada dentro daquela caixinha de metal, sem ter com quem conversar, as ideias fluem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se dirigir e escrever fosse tão fácil quanto dirigir e se maquiar, ou dirigir e pintar a unha, esse blog estaria muito mais atualizado. Como não é, só aparece texto novo quando uma das Jones tem tempo livre ou entra em catarse, com um daqueles sentimentos fortes - bons ou ruins - que só assentam quando colocados no papel, fazendo do blog quase uma autoterapia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo é esse texto. Há meses tenho tentado me policiar pra escrever mais, retomar os relatos, mas o trabalho, o rugby e as saídas - cada vez mais esporádicas por conta dos dois primeiros - tornam a tarefa mais e mais difícil. Até que hoje, depois de um final de semana com mil contratempos, mesmo com site pra fazer, matéria pra terminar, unha, depilação, bar, decidi parar um pouquinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo não era falar de casos singulares de tristezas ou de felicidades (principais inspiradores de textos), mas da importância da gente se dar um tempinho pra resolver essas questões consigo mesmo e, assim, quem sabe, dar o pontapé para a retomada deste lugar tão querido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3308884874346947502?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3308884874346947502/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3308884874346947502&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3308884874346947502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3308884874346947502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2010/08/um-tempinho-pra-voce.html' title='Um tempinho pra você'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-837741473379267202</id><published>2010-05-16T15:03:00.000-07:00</published><updated>2010-05-16T15:08:48.629-07:00</updated><title type='text'>Despedindo para voltar</title><content type='html'>Oi, Alguém ainda lembra de mim? De qualquer forma - &lt;strong&gt;Prazer, Lana...&lt;/strong&gt; Comecei esse projeto com mais três amigas e, por 2 ou 3 anos, abandonei geral o barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse período, milhões de coisas aconteceram, turbilhões de idas e vindas, quadrilhões de decepções, uma depressão e zilhões de motivos para dar a volta por cima e pensar nos meus próximos 60 anos, pelo menos! Então, resolvi arquivar tudo e começar do zero.  Não sei se será aqui esse recomeço mas, de qualquer forma,  vou tentar dar uma sintonizada em tudo para organziar as idéias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como estão as JONES?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vivas, certeza e acredito que felizes. Mas cada uma ta numa "vibe"... to tentando reencontrá-las, mas tá dificil. Eu tenho uma BOA parcela de culpa porque sempre me falta planejamentopra isso... mas acho que isso acaba acontecendo as vezes, né? Cada um segue seu rumo e se encontra quando dá. Quem tá mais próximo, acaba tendo a sorte de ter esses encontros frequentemente. Mas acho que essa distancia faz dos poucos momentos, inesqueciveis e nostalgicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era uma vez a noite by Lana Banger&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma nova persona, cansada e enjoada de 90% do que considerava "balada" e "diversão" desde os 11 anos de idade. Metida a sabe tudo , busca significados alternativos para essas palavras O ritmo é bem mais lento e com pitadas "malvadas" sobre o que acontece por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anna Wolt , o alterego&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Anna Wolt é uma dj, recém formada, decidiu mergulhar nisso de cabeça para, quem sabe, trabalhar (ou ter um hobby) com o que sempre sonhou desde sempre... Ela dará o ar da graça em cada evolução ou conquista. Está em fase de testes ainda, mas sua cultura musical é muito boa - apesar de precisar de muito mais para seu desenvolvimento! Ela ajudará Lana em várias pitadinhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas novas e máximas do famoso "a partir desse ano"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Vou cuidar mais de mim MESMO (menos bebida. gordura, e menos... talvez?)&lt;br /&gt;- Conhecer a GISELDA - Dizer NÃO para as coisas que eu realmente não quero fazer e sem desculpas (sim, vou me tornar mais antipática... já sei)&lt;br /&gt;- Planejamento financeiro: Acho que passei da fase preciso fazer hoje, senão não faço mais. (só acho...)&lt;br /&gt;- Viajar mais (conhecer os paraisos que ainda existem antes de tragédias causadas pelo clima)&lt;br /&gt;- Tentar frequentar mais lugares heteros (mas OBVIO que não vou pensar duas vezes em trocá-las pelas que ja frequento hoje, tá?)&lt;br /&gt;- Me abrir para conhecer alguém que me acompanhe... (não precisamos rotular como namorado por enquanto, ok? isso da medo...)&lt;br /&gt;- Enfrentar meus maiores medos (esses eu não falo aqui... hehehehehe) - Voltar a sair sozinha, como nos velhos tempos&lt;br /&gt;- Experimentar novos projetos - ajudar em uma ong, doar sangue, aprender gastronomia, moda, etc - Voltar a ser cinéfila&lt;br /&gt;- Ler mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... acho que é isso... por enquanto.&lt;br /&gt;Se eu realmente começar esse lance de escrever novamente, mando um novo endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me dou boas vindas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-837741473379267202?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/837741473379267202/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=837741473379267202&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/837741473379267202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/837741473379267202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2010/05/despedindo-para-voltar.html' title='Despedindo para voltar'/><author><name>Lana Banger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11239915330428535708</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2984993089193969379</id><published>2009-12-31T05:13:00.001-08:00</published><updated>2010-01-05T18:33:26.472-08:00</updated><title type='text'>Is it (so last year)?</title><content type='html'>Na mitologia, a maldição de Cassandra a fazia saber o futuro, mas ser incapaz de alterá-lo. Por não ter o dom da persuasão, Cassandra previu o que acontecia com Tróia, mas nada pôde fazer, senão assisti-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, perdi uma amiga querida por besteira. O fim de um relacionamento, uma pessoa carente que encontra abrigo no colo de outra, tão carente quanto. Eles eram só amigos, mas nós também já tínhamos sido assim uma vez. As coisas mudam, independentemente da nossa vontade. O que eu tinha pedido era só a verdade. Não tem nada, ok, mas então me conta o que está acontecendo. Prefiro saber por você do que por ele. Não contou e antes que aquilo que eu temia se consumasse, eu me afastei. Por mais que não tivéssemos mais nada, preferi não ser testemunha e não sofrer acompanhando os capítulos seguintes daquele reality show, do qual eu já previa o final, mas que todo mundo parecia querer me atualizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, a besteira foi que, mesmo que não intencionalmente, havia alguém maquinando os fatos, forçando um ciúme. Mas pra quem não sabe sentir essas coisas, o efeito pode ser desastroso: o aparente orgulho esconde uma insegurança que quando vem à tona explode, com o efeito quase de uma bomba atômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos mais tarde, mais ou menos na mesma época, o sentimento se repete. E daí, dá uma preguiça pensar em reviver tudo aquilo, se expor dessa forma e mostrar que de vez em quando até o touro mais forte sente dor. Dizer que está machucado é se abrir, é ser digna de compaixão e compaixão não combina com orgulho, mas acho que estou melhorando nesse quesito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos ao começo do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mesmo com a incrível tecnologia, a sina de Cassandra continua. Persuasão à parte, há fatos que ninguém pode alterar. A gente pode prever um desastre e tentar evacuar uma cidade, mas não parar o terremoto. O melhor que se pode, sim, fazer é mudar é a nossa resposta aos problemas, criando novas rotas de fuga, melhorando o sistema de socorro e de comunicação em casos de emergência. E isso em nada tem a ver com prever o futuro, mas de aprender com o que foi feito no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tais quatro anos depois, finalmente tudo o que tinha de estranho na nossa relação a três parece ter ido embora. Não somos mais amigos, mas parece que não há motivo para que não fôssemos, se assim ainda quiséssemos. Um bom exemplo do passado mostra que mesmo as coisas mais complicadas podem dar certo no futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2984993089193969379?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2984993089193969379/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2984993089193969379&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2984993089193969379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2984993089193969379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/12/is-it-so-last-year.html' title='Is it (so last year)?'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1378248733101749957</id><published>2009-12-31T05:04:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T18:38:35.861-08:00</updated><title type='text'>Pra fechar Oceania, a cultura maori</title><content type='html'>Testas grudadas e narizes encostados. Os olhos de um, quando não estão voltados para baixo, em atitude reflexiva, miram fixamente os do outro. Uma pausa. Os dois, compenetrados, respiram ao mesmo tempo. Duas vezes. Esse é o tradicional cumprimento maori. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O significado? "Vamos respirar a essência da vida juntos". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu já estava apaixonada pela cultura neozelandesa, naquele momento fiquei de quatro e sem perspectiva de levantar. Não é à toa que quatro meses depois de ter voltado ainda não tinha escrito esse texto. É tanta coisa que periga do texto ficar cansativo. Mas preciso terminar isso antes do fim do ano e nada mais parecido com clima de final de ano do que a espiritualidade maori (que eles pronunciam máori).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saí do Brasil, a Nova Zelândia que eu conhecia era rugby e ponto. Quer dizer, também tinha o lance de esportes radicais – tanto que foi lá que fiz meu bungy jump - e de ser um país muito frio, mas era isso. Porém, conforme fui conhecendo mais gente, percebi que esse povo que se auto-intitula kiwis (em homenagem ao pássaro nacional, que também dá nome à fruta) são muito mais fascinantes do que eu jamais poderia imaginar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neozelandês é simpático, cordial, expansivo, adooora uma festa e adora beber, então não é muito difícil entender porque todo mundo gosta deles - deles e dos irlandeses, um bando de bêbados extremamente festivos, barulhentos e engraçados, bem ao estilo leprechau. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro contato com um kiwi foi com um terceira linha de um time local de rugby union (coisa rara na Western Australia, que ama Australian Football e o Rugby League). Grande, simpático e com um sotaque que me fazia perguntar “sorry” a cada duas frases, o rolinho não suportou os problemas de comunicação (aliás, aqui vai uma dica: sempre que falar com um neozelandês e não entender, troque o som de i pelo de e; depois que você aprender que esquerda é lift, pão é bríd e cama é bid tudo fica mais fácil), mas foi suficiente pra deixar uma boa impressão, confirmada com a minha tal fada madrinha e com uma amiga que conheci em Melbourne. Sem pestanejar, ela me passou o contato do namorado que morava em Welington e que, junto com seus amigos, foi o melhor guia turístico que alguém poderia desejar, pelo menos na capital neozelandesa, grande, desenvolvida e com uma vida noturna invejável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo todos com quem conversei, Welington é a melhor cidade da ilha norte para se conhecer. A 12 horas de ônibus dali, fica Auckland, a maior delas, mas essa não tem absolutamente nada de especial. É uma cidade grande como São Paulo. Com exceção da já citada capital e da histórica Rotorua, o melhor está no sul, onde a própria história é interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a lenda que os dois irmãos criadores do povo maori estavam pescando. Por algum motivo eles começaram a brigar e o negócio foi tão feio que tirou sangue do nariz do mais novo. Esse usou o sangue que escorria e limpou no anzol. Com uma isca tão diferente, o que ele pescou não foi um peixe qualquer, mas a própria ilha sul, onde estão todas aquelas paisagens maravilhosas promovidas em filmes e comerciais de TV, tais como a capital mundial dos esportes radicais Queenstown, o santuário de pingüins de olho amarelo e albatrozes Dunedin e a encantadora Christchurch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da Austrália, que suprimiu seu povo nativo e os mantêm como marginais, na Nova Zelândia a história está viva, presente nas ruas. Há inúmeras escolas que se preocupam em passar adiante as características maoris de artesanato e tapeçaria. Não é à toa que mesmo não havendo mais um único maori puro vivo as tradições e lendas continuem presentes no dia a dia, por vezes em forma de amuletos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tal anzol, esculpido em jade ou em osso, representa um talismã para uma viagem segura. Além desse, existem os símbolos de um bom recomeço, proteção contra maus espíritos, amizade, entre outros. De todos, o que eu mais gosto é o Hei Tiki, uma espécie de bichinho esquisito, sempre com a língua pra fora, que representa a primeira mulher maori. Usado no pescoço, ele mostra um respeito a seus ancestrais, mas também pode ser um símbolo de fertilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um respeito absurdo pela natureza, para os kiwis, o dente de baleia é mais “valioso do que ouro”. Os maoris consideram as baleias como um presente de Deus e por isso não há possibilidade de alguém matá-la. Se você tem um dente de baleia, como o namorado da minha amiga tinha, é porque encontrou na praia ou porque ganhou de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todo esse clima de respeito, os maoris são guerreiros e já foram canibais. O haka, famoso no começo dos jogos de rugby, tem inúmeras funções, mas o cantado antes da guerra era uma maneira de amedrontar os oponentes e por vezes evitar uma luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em haka... por falta de companhia, já que não tinha nenhum jogo sensacional que coincidisse com meu roteiro maluco de sete cidades em nove dias, acabei indo sozinha ao estádio. Infelizmente, não estava nem perto de cheio, mas vi um bom jogo. O estranho era como era normal. Sentada ao lado e conversando com a família do recém-contratado primeiro centro, que por sinal jogou muito mal, coitado, vi velhinhos reclamando, xingando, como vi meu avô fazer tantas vezes nos jogos do Palmeiras. A diferença é que aquilo era rugby. Daí fechou. Não tinha como me sentir mais em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1378248733101749957?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1378248733101749957/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1378248733101749957&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1378248733101749957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1378248733101749957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/12/pra-fechar-oceania-cultura-maori.html' title='Pra fechar Oceania, a cultura maori'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1317525294092949622</id><published>2009-10-09T01:57:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T07:16:05.768-07:00</updated><title type='text'>Hurra Fiji</title><content type='html'>&lt;i&gt; ou Uma Jones no país que não fabrica chocolate &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos bem amarelos e com uma catarata demarcada pela pupila cinza. O senhor que rezava ajoelhado de frente para a imagem da deusa-elefante me viu sozinha, passeando pelo templo e resolveu compartilhar a história da edifício. Extremamente colorido, o prédio demorou um ano para ficar pronto, já que todo o trabalho foi feito por apenas um homem, que veio da Índia especialmente pra isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão interessante quanto o próprio lugar, era aquele senhor, cuja idade eu não sei, o nome não consegui pronunciar, mas que vou lembrar pra sempre pela forma como andava devagar e pelas palavras que recitava baixinho enquanto não falava comigo. Perguntei se a oração hindu era parecida com a do budismo e ele confirmou - vai ver viciou em evocar mantras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entrar no templo hindu de Nadi (se fala Nandi), em Fiji, o visitante precisa pagar uma pequena contribuição, de FJ$ 3,50, mas não é só. Na frente de cada imagem, tem uma caixinha de doações. "Aqui se paga para rezar. Olha só, esse é igual ao ministro da economia", brincou o homem, apontando para uma das imagens de metade bicho, metade mulher, com a caixinha de madeira ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, não é só para rezar que se paga em Fiji. A população parece menos pobre do que em Bali, mas os problemas, típicos de país que vive só de turismo, são parecidos. Na ilha em si não tem nada para se fazer, o centro é pequeno, os artesanatos e souvenirs não surpreendem e os preços não são baratos. Para piorar, o país tem sido vítima de uma imigração constante, de indianos ´principalmente. O povo vem, trabalha muito, ao contrário dos locais, faz dinheiro e toma conta da economia. Muita gente usou o fato de ser de Fiji e não indiano para que comprasse suas peças, mas diferente de Bali, aqui não é um paraíso de compras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única vez que comprei alguma coisa foi num mercadinho local, onde levei a réplica de uma máscara usada como escudo na época em que os fijianos eram canibais, o que não faz mais de 200 anos. Pra meu desconforto, todo souvenir que achava bonitinho já teve uma função medonha. Um era o escudo, o outro o quebra pescoços, também tinha o martelo pra quebrar crânios, a faca pra cortar carne humana e por fim, o garfo pra comer o cérebro. Nunca me arrependi tanto de ter perguntado se um artefato tinha história, mas depois de toda a boa vontade do vendedor, não dava pra voltar atrás. Aliás, gostei tanto dele que, quando o moço citou o rugby pra mostrar que ainda existiam fijianos grandes, quase o convidei pra ir no jogo do final de semana comigo, mas a lenda que ele contou a seguir, sobre o como é importante que o homem fijiano seja mais poderoso que a mulher, me fez mudar de idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O templo e a feira de artesanato, mesmo que pequena, eram duas das poucas coisas boas pra se fazer na ilha principal de Fji. Lá, pela primeira vez, percebi como um turista deve se sentir no Brasil. A cor de pele já condena à segregação e à proteção forçada. Tudo bem que as melhores paisagens estão mesmo nas ilhas menores (ao todo Fiji tem 300 ilhas), mas eles podiam ter pelo menos me dito como chegar nas praias de Nadi, onde minha amiga morava. O problema é que as praias da ilha principal, além de não serem tão bonitas, são consideradas perigosas por serem de livre acesso aos locais. De nada adiantou dizer que era do Brasil, que conhecia esses problemas. Pra ver algo de realmente interessante in Fiji não basta só pegar o ônibus. É preciso pegar o barco e o passeio de ida e volta não custa menos de FJ$ 120. A hospedagem era barata e como passar a noite dava quase no mesmo preço de ir e voltar no mesmo dia, acabei decidindo trocar temporiamente a casa da minha amiga por uma dessas ilhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia inicial era aproveitar a boa vida de Fiji e ainda conhecer a ilha de verdade, de vilas e gente simples, mas foi um pouco mais de realidade do que gostaria. Enquanto todos do barco iam prum albergue famoso, de uma rede internacional, eu era a única do local Joanas' backpacker. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praia de Mana Island era realmente linda, com o mar de um azul que parece de mentira, como diria minha mãe. As casas de madeira acho que também eram igual pra todo mundo, mas a qualidade das instalações era bem diferente. A eletricidade vinda de gerador era das 18h às 23h e só, o suficiente pra colocar alguma coisa pra carregar. O banho, cuja água vinha de um caninho enferrujado num quartinho imundo, era frio, e a chama da vela, que queimava torta em cima da pia, mal ajudava a ver as poças no azulejo velho - e coitada da minha blusa que caiu no chão. A comida inclusa no pacote era rala em quantidade e nutrientes, mas como não tinha outra opção, acabei me rendendo a sopa de pepino e mandioca cozida. E por fim, ao contrário do que acontecia no albergue ao lado, no Joanna's não tinha mais quase hóspedes ou atividades de recreação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, pela primeira vez, acordei feliz depois de sonhar que estava de volta ao Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra Nadi no dia seguinte e - pra compensar a experiência ruim - no sábado fui para uma outra ilha, mas dessa vez com essa minha amiga e um casal conhecido. O moço trabalhava no navio de uma das inúmeras empresas internacionais que exploram o turismo do país e por isso fomos quase de graça. Em vez de pousada pequena, um resort internacional. Foi snorkling, canoagem, vôlei de praia, banho de sol, comida(boa) e bebida à vontade acompanhados de showzinhos de dança. Tudo bem tranquilo, à vezes até demais. Pra quem não está acostumado o tal Fiji Time chega a ser irritante, já que é mil vezes pior do que o jeito baiano de ser. Ali, dizem que quem anda muito rápido leva multa - e eu perdi a conta de quantas vezes ouvi isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um dia perfeito, dá até pra entender porque tanta gente fala do arquipélago como um lugar paradisíaco. Minha consciência bem que tentou reclamar - afinal, por seis meses estudei o quão ruim é preferir empresas de fora a locais em países em desenvolvimento - mas foi sufocada pelo cansaço depois de um dia inteiro fazendo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único problema realmente não resolvido é que como é muito pequeno, Fiji não tem produção de quase nada. Eles têm a água mineral de Fiji e a Fiji Beer, em duas versões, por sinal, a Gold, cerveja sem carboidratos - e a Bitter, versão mais pesada. Outro produto que eles adoram é a tal da mandioca, que eu nunca fui fã. De resto, tudo importado, e daí salgadinho é caro, bolacha é caro e, principalmente, chocolate é caro! Tudo porque têm que vir da Australia ou Nova Zelândia. E eu, que tinha decidido ficar sem chocolate até sair de Melbourne, tive que aguentar mais cinco dias até chegar em Auckland.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1317525294092949622?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1317525294092949622/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1317525294092949622&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1317525294092949622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1317525294092949622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/10/o-pais-que-nao-fabrica-chocolate.html' title='Hurra Fiji'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5184759306229176211</id><published>2009-10-03T20:50:00.001-07:00</published><updated>2009-10-03T21:01:31.381-07:00</updated><title type='text'>Fechando o quebra-cabeça</title><content type='html'>Minha saída da Austrália tinha sido repentina. Depois de negociar com meus pais a data e ver o melhor preço, comprei a passagem pro dia 18 de agosto, treze meses e um dia depois de ter deixado o país. O quebra-cabeça parecia estar fechado, mas ainda faltavam umas pecinhas no meio. Meu vôo saía de Auckland, na Nova Zelândia, mas como e quando ia chegar lá só foi decidido em cima da hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única certeza é que em 13 de julho, sábado, tinha uma passagem de Townsville pra Brisbane. Lá, encontraria com as meninas de Perth. Faríamos uma viagem de dez dias pela costa leste. No dia 21 elas voltariam pra Western Australia e só então eu iria decidir o que fazer da minha vida. O mais provável é que depois de passar, sozinha, uma temporada na casa de uma amiga em Melbourne, fose pra Fiji e Nova Zelândia, só pra cansar bastante e voltar sem deixar nenhum plano pra trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem de Sydney pra Melbourne foi de trem, o que poderia ter sido bonito se não tivesse feito durante a noite. Cheguei em Melbourne à 8h da manhã e a cidade, como havia já esperava depois da aula de planejamento urbano, é maravilhosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melbourne respira cultura, que vai desde os showzinhos de contra-baixo e violoncelo que acontecem em vielas no centro - onde as pessoas, muito bem vestidas, se sentam em caixotes de feira pra almoçar - até as inúmeras galerias de arte, biblioteca, teatros, e brechós espalhados pela cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sistema de transporte funciona e a cidade é toda desenhada para incentivar o uso da bicicleta em vez do carro. O problema, como também já esperava, era o frio. Melbourne, fica numa latitude menor do que a do sul do Brasil e, pra quem estava acostumada com o calor de Townsville, manter o bom humor em temperaturas com apenas um dígito é uma coisa complicada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emprego, ao contrário do que esperava, estava razoavelmente difícil e daí, em vez de continuargastando em uma mesma cidade, decidi usar meu dinheirinho em um lugar diferente e de cotação mais baixa; adiantei a saída da Austrália pra ficar dez dias na Nova Zelândia e cinco em Fiji, não necessariamente nessa ordem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra NZ eu fiz toda a programação antes, afinal é um país grande pra tão pouco tempo. Pra ver tudo o que queria, ia fazer 7 cidades em 9 dias. Já pra Fiji, país pequeno, na hora a gente vê. O que a gente não lembra é que prum quebra-cabeça dar certo, todas as peças, mesmo as menorzinhas, devem estar no lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5184759306229176211?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5184759306229176211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5184759306229176211&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5184759306229176211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5184759306229176211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/10/fechando-o-quebra-cabeca.html' title='Fechando o quebra-cabeça'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5654431309809189898</id><published>2009-09-23T14:52:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T16:16:57.843-07:00</updated><title type='text'>Fada Madrinha</title><content type='html'>Certo dia, já em Melbourne, fiz um daqules testes (bobos, mas que eu adoro) do Facebook e uma das perguntas era se eu acreditava em fadas madrinhas. Pensei bem e não sei se respondendo como uma personagem de livro (objetivo do teste) ou como eu mesma não consegui achar outra resposta que nao "sim, elas existem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fada madrinhas são diferentes de anjos. Há muito tempo falo que o mundo está cheio de anjos. Anjos podem ser desde um cara que te ajudou a encontrar o caminho certo às 3h da manhã a alguém que, vendo a sua pressa, te deu uma carona em vez de simplesmente dizer onde era ponto de ônibus mais perto. Na Austrália, conheci vários anjos. Posso até mesmo dizer que a senhora com quem morava em Townsville era um anjo pra mim e talvez eu, um pra ela. Em resumo, anjos são pessoas normais que, por algum motivo ou outro, naquele momento te ajudaram, fizeram uma boa ação, às vezes mesmo que sem perceber. Já com a fada madrinha a história é diferente. Ela realmente se empenha pra te ajudar, essa é a missão dela dentro da história. E eis que, uma semana depois do tal teste, a minha fada madrinha, que já existia, tomou forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fadas madrinhas não precisam ser baixinhas e gordinhas, mas a minha era. Elas não precisam, muito menos, ter cabelo branco, mas a minha tinha e isso só contrastava ainda mais com aquele batom vermelho que ela usava. Pra falar a verdade, ela parecia a feiticeira da Pequena Sereia. Mas como essa história é de Patty Marie, não de Ariel Jones, a minha feiticeira era realmente boazinha e, mesmo sem pegar minha linda voz como moeda de troca, me ajudou a realizar os meus desejos - o que, naquele momento, significava aproveitar da melhor forma os poucos dias que teria na Nova Zelândia antes de chegar em casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci aquela senhora na rua, em frente à estação de trem de Melbourne, no momento em que cheguei de Sydney. Apesar de ter todas as indicações anotadas, resolvi perguntar, só pra ter certeza, onde ficava a tal William Street. Nos dez minutos entre uma estação de bonde e a outra, ela me contou que era da Nova Zelândia e eu contei que era para lá que estava viajando. Como ela nao ia a Auckland há muito tempo, na hora sacou o telefone de um amigo antigo, jornalista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois, me mandou um e-mail. O tal amigo estaria em Melbourne a trabalho e foi finalmente num café da manhã armado por ela que decidi meu roteiro. Duas horas de conversa sobre tudo o que existe nas ilhas norte e sul, além de algumas dicas sobre Fiji, onde ele também tinha morado, e meu roteiro estava feito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós duas ainda nos vimos uma vez antes de partir. Foi num almoço, sempre às custas dela, como presente de despedida, e mesmo depois continuamos a nos falar por e-mail. A fada madrinha tem sonhos de viver na Espanha, curtindo um descanso merecido. "Se eu já morasse lá você poderia me visitar e fazer da minha casa a sua base para viajar pela Europa". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que pra isso ela diz precisar de muito dinheiro, o que pode ser um dos incentivos para a fezinha que faz de vez em quando. No mesmo dia em que nos encontramos, ela ganhou uma rifa de AUD$ 190. Pra mim, resultado da bondade e energia positiva que cultiva. Mas em contos de fadas, magia também é relativa. Enquanto eu falo da minha fada madrinha para os meus amigos, ela fala para os dela sobre lovely Brazilian girl que conheceu na estação de trem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ter te conhecido foi uma das melhores coisas que me aconteceu ultimamente. Você me traz sorte!", disse ela, mas poderia ter dito eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5654431309809189898?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5654431309809189898/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5654431309809189898&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5654431309809189898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5654431309809189898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/09/fada-madrinha.html' title='Fada Madrinha'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4070132920730632147</id><published>2009-09-23T14:18:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T14:25:48.795-07:00</updated><title type='text'>Surfando no sofá</title><content type='html'>Três garrafas de vinho, uma de vodka, um monte de salgadinho. Drinking games, jogo da verdade. Como as meninas de Perth disseram no dia seguinte, "uma noite bem divertida" e o melhor de tudo, pelo menos pra mim, a constatação de que o esquema de acomodação gratuita realmente funciona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela era a minha primeira parada no roteiro a caminho de casa. Brisbane, capital de Queensland, pra onde fui de avião encontrar com as meninas de Perth. Os nossos companheiros eram um alemão, dono do apartamento, e um inglês, amigo dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui parar lá por insistência de uma outra amiga. Ainda em Townsville, só faltou ela ter ligado o meu computador e me cadastrado ela mesma, ali, na hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredita em mim - ela dizia -, eu não colocava muita fé, mas foi a melhor coisa, foi assim que consegui minha casa aqui e foi assim que fomos pra Magnetic Island. Você viu, né? Oito pessoas com acomodação gratuita. As pessoas são legais, todas com aquele espírito aventureiro e aquela vontade de conhecer gente nova. Vale muita a pena, acredita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso dela era tão enfático quanto o de um pastor fazendo pregação, mas o que a austríaca vendia não era a salvação da alma, mas um site de relacionamento mundial, onde as pessoas oferecem e buscam um sofá, uma cama sobrando ou mesmo um lugarzinho no chão para os viajantes deixarem seus sacos de dormir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome dessa maravilha é couch surfing e foi assim que eu fiz a maior parte da minha viagem até chegar no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte do cadastro, seguindo as instruções da tal amiga, mandei a mesma mensagem para várias pessoas procurando um sofá para mim e para as duas de Perth no dia em que estivéssemos em suas cidades. A viagem de Brisbane a Sydney ia servir como teste. Se tudo desse certo, repetiria a idéia na Nova Zelândia, quando minha viagem seria sozinha de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio é que só fui avisar as meninas depois de entrar em contato com meus possíveis hospedeiros. A morena, quando soube, se segurou pra não surtar. Segundo ela, muito melhor pagar albergue do que correr o risco de ficar em casa de gente estranha, carente de companhia e que ia achar que nós tínhamos obrigação de andar com eles. Já a loira se matava se dar risada. Um porque achou o esquema de acomodação gratuita com o bônus de conhecer gente nova a minha cara. Dois porque tinha certeza da reação da terceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme fui descobrir depois, couch surfing é sorte. Sorte de achar casas nas cidades pra onde você está indo, sorte das pessoas pra quem você mandou a mensagem te responderem e sorte delas serem legais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na viagem pela Austrália, tudo de bom. Depois de passarmos essa noite no quarto de hóspedes de M. em Brisbane e passar três dias em albergues em Gold Coast e Byron Bay, voltamos ao surfe no sofá. Dessa vez, por quatro noites seguidas, na casa de outro M., esse austríaco, e que junto com uns amigos nos apresentaram todos os pontos turísticos e baladas de Sydney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Nova Zelândia, pra onde iria depois, entre os três ou quatro couch surfings, experiências boas e nem tanto, mas que valem como aprendizado para uma próxima viagem. Eu nunca tinha imaginado, mas sofás podem ser extremamente desconfortáveis, principalmente se ele for tão velho quanto a casa da tal república de estudantes. Outra coisa é que, por mais simpático que seja o casal, se a distância do terminal de ônibus até a casa custar 30 dólares de táxi, vale mais a pena um albergue. Por fim, tem gente que eu não sei porque decide hospedar os outros, mas se o quarto é bom, a economia de dinheiro compensa o mau humor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4070132920730632147?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4070132920730632147/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4070132920730632147&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4070132920730632147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4070132920730632147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/09/surfando-no-sofa.html' title='Surfando no sofá'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3242887226226191640</id><published>2009-08-17T04:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T04:11:04.786-07:00</updated><title type='text'>O tal do cachecol</title><content type='html'>"Então, tá, não pode desistir. Essa é a meta do jogo. A gente tem que conhecer dois gatinhos e levar o cachecol pra casa, como recordação, fechado?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma sexta-feira de footy. Milhares de pessoas foram ao jogo ostentando camisetas, casacos e, principalmente, naquele frio de Melbourne, cachecóis de seus times. A ponte que liga o centro da cidade ao estádio estava linda, com aquela massa de pessoas todas fardadas, mas cada um por si. Aqui não tem torcida organizada. O mais perto que se chega disso são umas meninas sentadas nas arquibancadas atrás dos gols e levantavam e abaixavam umas plumas toda vez que o seu time pontuava. É bom que não dá briga, mas... ô meu Pai.... como é sem graça, viu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não dizer que nenhuma das duas entendia nada daquele esporte, eu sabia o básico, mas tive que aprender o resto. No Australian Footy vale jogar com o pé e com a mão, mas na maior parte do tempo eles passam chutando pra cima, bem alto. O campo é oval e não se faz try, se faz gol. São quatro postes. Se a bola entrar entre os do meio vale seis pontos. Se entrar entre os dos lados vale dois e se bater na trave, um (ahhh se isso fosse no basquete, meu ex-time tava feito!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntar sobre o jogo pode ser irritante para alguns, mas é sempre uma boa maneira de começar um papo. Por isso, a gente rodou bem aquele andar, mas não achou em todo o setor 3 de arquibancadas um único doador de cachecol compatível de quem pudéssemos sentar perto. Daí, na falta de algo mais interessante pra prestar atenção, resolvemos nos focar no jogo. A amiga carioca, esportista, mas de parede (não corre, escala), logo me deu o título de "a do estádio" e, como conseqüência, a responsabilidade de escolher os assentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estádio do Dockers (com o nome de Etihad Stadium por causa do patrocínio da companhia aérea) cabem 55 mil torcedores, apesar do campo parecer bem menor do que um de futebol. Moderno, novinho, o Etihad tem quatro andares de arquibancadas e setor VIP. Ali não tem essa de distância segura separando torcida do campo. Pra quem tá no primeiro andar tudo acontece bem pertinho, quase como no jogo dos meninos na USP, mas, também, nem precisa. Os torcedores são fanáticos, mas a rivalidade não é suficiente nem pra demandar uma separação de torcidas. Os supporters de North Melbourne e Carlton, dois times locais, ficavam sentados lado a lado, em plena harmonia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a nós - uma torcendo pelo N. Melbourne porque é bonitinho (azul e branco e com um canguru como mascote) e outra pelo Carlton, porque é preto e branco, assim como o Botafogo, acabamos ao lado de um grupinho de duas senhoras e um homem, todos acima dos 60. Quando já estava no meio, percebemos que Carlton na verdade era azul marinho e branco, e não preto, mas daí já era tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora do meu lado era Carlton e, apesar de ser toda simpática quando eu fazia perguntas sobre o jogo, acho que ficou meio irritada pelo meu suporte ao time adversário. Em certo momento, não se conteve e me disse, ainda que de uma forma muito educada, que eu não deveria torcer daquele jeito. Antes que eu pudesse ficar sem graça, fui socorrida pela moça da frente, mais nova, que, sorrindo muito, se meteu na conversa pra pedir, por favor, pra eu continuar, sim, torcendo, porque era divertido. Na dúvida, sorri pras duas, continuei gritando, mas parei de cantar, mesmo que baixinho, as músicas brasileiras de estádio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mais ou menos o primeiro quarto de jogo, a gente não tinha idéia de quem estava ganhando. Os vários telões mostram o jogo ao vivo, o replay - já que o formato do campo nem sempre deixa visível o que acontece na lateral - e o placar, mas isso não é assim tão simples. Embaixo do nome de cada time tinha um número decimal e um entre parênteses, por exemplo: 6.4(40) ou 4.11(35). Conforme fui aprender depois, isso significa que o primeiro time fez 6 gols valendo 6 pontos e 4 pontuações (o que pode ser golzinhos ou chutes na traves), enquanto o segundo vez quatro gols valendo 6 pontos e 11 pontinhos. A soma de tudo isso, e o que realmente vale no final do jogo, é o número entre parênteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, tudo parece simples, mas até a gente entender foram várias fotos e filminhos. Nessas, a gente conheceu os meninos de duas filas atrás, interessantes até, mas o papo não fluiu o suficiente, visto que tanto eles quanto a gente estávamos realmente concentrados na partida, que - infelizmente - teve vitória de Carlton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disputadíssimo o tempo todo, o jogo conseguiu quebrar a apatia da torcida, que já estava barulhenta como toda torcida deve ser. N.M. bem que fez mais gols, mas de um ponto só, o que me lembrou de novo o basquete casperiano - de que adianta jogar bem se perde de tanto errar lances livres? Saí do estádio tentando não ficar chateada. Era só um jogo de AFL e até três horas antes eu nem conhecia o time. Mesmo assim, virei N.M. de coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à minha amiga, bem... ela ganhou o tal cachecol. Não de um gatinho como ela queria, mas da mulher do meu lado, que, felicíssima com a vitória, deu o cachecol do Carlton para a nova companheira de time.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3242887226226191640?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3242887226226191640/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3242887226226191640&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3242887226226191640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3242887226226191640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/08/o-tal-do-cachecol.html' title='O tal do cachecol'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8743732054080725581</id><published>2009-08-17T04:04:00.001-07:00</published><updated>2009-08-17T04:25:53.222-07:00</updated><title type='text'>Os militares e a faxineira</title><content type='html'>No mesmo segundo em que a moça me perguntou se eu conseguia chegar numa boa no exército, me veio à cabeça o confessionário de Total Drama Island (o que traduzindo, é um banheiro de acampamento, aqueles de casinha de madeira, lotaaado de moscas, usado como confessionário e toilet pelos personagens desse fantástico desenho que tira uma onda de reality shows). Um instante depois, pensei no filme Tropa de Elite, que tinha visto de novo uma semana antes. Não foi uma imagem muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha surpresa foi que os militares de Townsville em nada se parecem com os de filme (americanos ou brasileiros). Na Austrália, ser militar é um negócio altamente lucrativo e por vezes quase burocrático. Eles ganham e ganham bem para servir ao país. Vão à base de 2a à 6a e nem precisam voltar pro quartel. Quem quiser, aluga uma casa na cidade e vai e volta  todo dia. Final de semana, o povo tá livre. É nessa horas que a maioria aproveita, alguns vão pra balada, bebem a rodo - já que têm dinheiro mais do que suficiente pra isso - e arranjam alguma encrenca. A má fama dos militares é bem conhecida na cidade. Afinal, como diz minha ex-land owner, eles são treinados pra brigar, essa é a única coisa que eles sabem fazer, mas isso nunca me afetou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho no exército surgiu da mesma agência de empregos pela qual ia trabalhar como bartender em um determinado evento. Já tinha avisado que estava de férias, com tempo livre, mas trabalho de garçonete ou bartender não tinha. Quando perguntei de house keeping, ou cleanner, na hora ela me colocou no exército. Assim como atrás do balcão, o uniforme era também todo preto, mas em vez de regatinha, calça e sapato, tinha que usar camiseta, bermuda e tênis. O problema é... quem disse que eu tinha camiseta preta? Na falta de uma melhor, passei a usar uma da Jim Bean que, do lado do avesso, escondia o logo enorme e a inscrição de bar staff.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira semana, ainda tentava me acostumar com a mudança de ambiente. Quando cheguei na Austrália, me recusava a trabalhar como cleanner simplesmente porque não fiz quatro anos de faculdade pra limpar quarto e banheiro dos outros. Com o tempo, o orgulho some (já provei o que tinha que provar, posso simplesmente ganhar dinheiro), mas a adaptação ainda é difícil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem está acostumada a servir as pessoas é esquisito entrar nas salas e interromper a rotina do povo ao trocar sacola de lixo ou passar paninho na mesa. Os banheiros era parte mais tranqüila. Como eram limpos sempre, nunca estavam sujos e esfregar espelhos virou terapia. Já as acomodações, tinha uma pior do que a outra, especialmente as das meninas, mas isso nunca chegou a ser um problema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tipo de trabalho eu já tinha superado, mas a rotina era punk. Me matava ter que acordar às 5h30 da manhã, pedalar meia hora pra depois ainda ralar de 7h a 9h/dia. Dizem que depois de um tempo acostuma, mas não fiquei o suficiente pra isso. Nas três semanas que fiz esse trabalho, antes de viajar com as meninas de Perth, conheci quase todas as áreas da base. A moça que fazia a escala me colocava cada dia num lugar diferente, um porque ela queria ser mesmo legal, dois porque minha função era ficar de regra 3. Nessas, passei por muitos prédios de escritórios, dormitórios (onde ficam os soldados que estão visitando a base, como os americanos que vieram prum workshop), acomodações (quartos-cozinhas super bonitinhos pro povo que está de vez por lá) e até mesmo lugares fora da base, como as casinhas dos guardinhas florestais ou os escritórios (e banheiros) do armazém de armamentos do exército, onde a vigilância é tão pesada que os celulares e câmeras são retidos na entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tempo no exército foi suficiente pra mudar o meu preconceito com relação ao trabalho de cleaner, o mesmo não aconteceu com a imagem passada pelos militares de lá. Mesmo entre eles, todos são mega simpáticos, nada de berros ou coisa parecida. Treinos físicos até se vê, mas nada pesado ao extremo. O tempo livre é tão grande que a base possui até um campo de golf, freqüentemente usado durante meu horário - ao contrário do de rugby, infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem que não era o meu país, mas aquilo de militar sem pressão não tava certo, e de tanto perguntar acabei achando duas explicações com certo sentido. A primeira é que o treinamento mais pesado deve acontecer em viagens de treinamento, não na base. A segunda é que existem várias bases na Austrália. A de Townsville era mais pro pessoal que já tinha voltado do Iraque ou Afeganistão, por isso talvez eles não precisassem mais de pressão ou tanto preparo físico, já tinham tido o suficiente e estavam só dando um tempo até serem mandados de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os moços, eu também relaxei. À mesma medida em que ganhei passes semanais em vez de diários fui me sentindo mais em casa. Desisti da camiseta ao contrário e passei a usar a maior regata, mas, ainda assim, regata. Entrava nos escritórios falando bom dia, toda feliz, e nem mais fiquei com medo de brincar com a cracatua (soldado Albert II) de um dos regimentos - só parei quando o idiota do passarinho me bicou de dentro do viveiro e eu, distraída, dei um mega berro. Como reflexo, quase dei um tapa no bicho, mas se ele já costumava berrar normalmente, imagina se levasse um tapa. Além disso, se alguém viesse, eu era a cleanner, ele era o militar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8743732054080725581?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8743732054080725581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8743732054080725581&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8743732054080725581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8743732054080725581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/08/os-militares-e-faxineira.html' title='Os militares e a faxineira'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8613812135581176</id><published>2009-08-17T03:57:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T04:22:33.044-07:00</updated><title type='text'>Festa pra (quem não quer ficar) solteiro</title><content type='html'>Quando olhei meu e-mail, quase um mês depois, vi que tinha recebido vários convites pra festas de solteiros. Até aí, normal. Desde o colegial que virou tradição entre meus diferentes grupos de amigas sairmos no dia 12 de junho. Enquanto todos os casais apaixonadíssimos comemoravam o dia dos namorados, a gente arranjava uma desculpa pra sair, o que podia ser desde um lanche no McDonalds a uma baladinha só pra gente desimpedida. Aliás, essa era a principal qualidade de se sair nessa época: entre os 365 dias do ano, o 12 de junho é definitivamente o mais improvável de se conhecer alguém comprometido. Isso porque 90% deles passam a noite com suas respectivas. Quem vai pra night é porque tá sozinho; por vezes, desesperado (será?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte da frase acima é minha mesma. A segunda, sobre o desespero, do povo com quem estava trabalhando. Coincidência ou não, no dia 13 junho, mesmo sem nenhuma relação com santo Antônio ou qualquer data especial, aconteceu no cassino de Townsville uma relativamente grande festa pra solteiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é padrão no Jupiters, a festa incluía boa comida, boa bebida e música animadíssima, que ia de flashback aos novos hits da rádio. A diferença só era perceptível por dois items: pilhas de bolachinhas de chopp espalhadas pela festa com os dizeres "call me" e um espaço pra completar com contato; e uma etiquetinha colada na roupa de cada um dos convidados, com o nome de algum personagem conhecido - mas essa parte da brincadeira eu demorei pra perceber. Foi só quando o amigo de Marco Antonio perguntou se meu nome não era Cleopatra é que caiu a ficha. Até então eu achava que a etiqueta mostrava o verdadeiro nome das pessoas, mas nem estava olhando muito. Se tivesse, provavelmente teria estranhado um cara chamar Sapo Krog ou outro chamar Helen (em homenagem à apresentadora americana de TV, assumidamente lésbica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Australiano tem um jeito diferente de flertar, mais demorado, por assim dizer. Eles conversam, por vezes pedem o telefone, mas é tudo bem gradual. Por isso, o jeito mais comum pra eles começarem a namorar é mesmo pela internet (o que no Brasil poderia ser considerado muito mais desespero). Já australiana é bem diferente. De uma personalidade bem forte, por vezes são elas que dão o primeiro passo. Não só chamam pra sair e pedem telefone como também beijam meninas sem o menor pudor e dançam se esfregando em diferentes caras, tudo isso mesmo com o namorado do lado (o que às vezes causa confusão - entre os dois meninos, já que elas saem ilesas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na festa, diferentes gerações se encontraram. No começo, todo mundo se segurando, cada um num canto. Mas daí, a bebida servida a rodo vai fazendo efeito e o povo se solta, dando em cima não só dos convidados, mas também em parte do staff. Enquanto os homens pediam telefone ou simplesmente davam seus cartões, algumas mulheres conseguiram assustar os garçons de tanto que provocavam (e por vezes beslicavam) quando eles passavam do lado com a bandeja. Em um ou dois casos a mulher simplesmente avisou que iria embora com o garoto naquela noite. Não importava que dissesse ter namorada, ela iria embora com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do (confirmado) desespero, o clima foi de uma descontração dificilmente vista nas functions. Em um momento de distração, um dos convidados agarrou minha bandeja e saiu oferecendo folhados de carne (chamados de beef weellingtons) pelo salão. Ótimo pra mim, que não agüentava mais carregar a bandeja de louça, enorme e pesadíssima, melhor ainda pra ele, que disse ter conhecido muita gente nos 5 minutos que eu fiquei papeando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era de se esperar numa festa de faixas etárias tão diferentes, nem todo mundo voltou feliz pra casa, mas até que aparentemente um número bem considerável de pessoas conseguiu se arranjar - o que, ao contrário do Brasil, não significa agarração. Nos cantinhos, só um ou outro casal. A maioria ficou só conversando, sorrindo, num flerte gostoso que só. Um deles era o mais bonitinho, um par mais velho, tanto ele quanto ela com uns 50 anos pelo menos, simpaticíssimos e cabeça aberta o suficiente pra pagarem $75 numa festa sem ter idéia do que iriam encontrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única chata de trabalhar nesse tipo de festa é que não se sabe o que acontece depois. Garçons, garçonetes e bartenders participam do começo, por vezes dando uma de cupido com o drink no lugar da flecha. Agora se dá certo ou não, vai saber. Anjo só dá o empurrão inicial. Pra finalizar, a conversa é com o santo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8613812135581176?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8613812135581176/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8613812135581176&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8613812135581176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8613812135581176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/08/festa-pra-quem-nao-quer-ficar-solteiro.html' title='Festa pra (quem não quer ficar) solteiro'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7227129013619008597</id><published>2009-08-15T18:44:00.000-07:00</published><updated>2009-08-15T19:23:27.382-07:00</updated><title type='text'>Encarando a vida de um jeito mais fácil - 5 passos</title><content type='html'>Nos últimos tempos tenho sofrido muito com os homens... Mentira, não vou ser injusta. Tenho sofrido muito com um homem.&lt;br /&gt;E numa das milhares de conversas-desabafo, dessa vez com Patty Mary Jones, recebi um conselho que decidi seguir: Encarar a vida de um jeito mais fácil.&lt;br /&gt;Um ótimo conselho, mas como fazer????&lt;br /&gt;Decidi preparar um guia para mim mesma, tornar essa coisa do sentimento um ciência exata... É claro que as coisas não funcionam assim, mas como não têm funcionado de nenhum outro jeito, não custa tentar, hehe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Não coloque o dedo na ferida, mesmo que ele tenha sido lavado com álcool em gel. Mesmo que você não pegue uma infecção, isso não ajuda em nada na cicatrização.&lt;br /&gt;Como fazer isso? Pare de pensar no que te faz mal, pare de tentar buscar informações por vias telefonianas ou internetianas. Pensar sobre é ruim por isso sempre tenha à mão um amigo que vai te fazer rir, ou uma lembrança feliz daquele golaço que garantiu a vitória do seu time naquele jogo nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Nenhum atleta compete doente. Então se fortaleça antes de enfrentar o adversário. Mesmo as pessoas que querem nosso bem podem nos magoar muito com algumas verdades. Que são verdades, ninguém tem dúvida, mas existem momentos e momentos em que elas devem ser ditas. Se você está enfraquecido emocionalmente, pra que ser colocado a prova?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Não faça nada que você vá se envergonhar no futuro. Controle a matraca. Para pessoas como eu, que gostam muito de falar, e que tem um raciocínio que muitas vezes é mais rápido do que deveria, a boca se torna uma inimiga. Quando somos colocados em situações de stress extremo, muitas vezes falamos coisa mais rápido do que a censura cerebral é capaz de bloquear. Elas podem cair como bombas, que só pioram tudo. Além disso, as discussões de relacionamento, quando não têm chance de terminar num make up sex, são infinitas e doloridamente destruidoras. Quanto mais se conversa, mais difícil se é chegar a um entendimento... E daí voltamos ao primeiro mandamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Válvula de escape. Se não tiver, explodimos. Algumas pessoas gostam de cozinhar, outras de cantar e dançar bem alto, há aquelas que liberam os momentos de stress com a famosa cangibrina. Eu prefiro levar meu corpo ao limite físico. Poderia ser com qualquer esporte, mas como é difícil ter esportes coletivos depois que você termina a faculdade, tenho corrido muito. Corro até não aguentar mais. E daí estou tão exausta que as coisas têm outro efeito sobre mim, um efeito muito menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Não sinta pena de você mesma. Já sofri muito com um fim de um relacionamento. É difícil, é dolorido, mas essa coisa de ficar jogada em uma cama, curtindo uma fossa, é coisa de adolescente. Não to falando que quando a gente fica adulta a gente não sofre igual. Pelo contrário. Sofre muito. Mas a gente tem mais o que fazer. A vida não pára pra nos recuperarmos. E a gente não pode querer que ela páre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso...&lt;br /&gt;Espero que me ajude, hehe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7227129013619008597?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7227129013619008597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7227129013619008597&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7227129013619008597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7227129013619008597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/08/encarando-vida-de-um-jeito-mais-facil-5.html' title='Encarando a vida de um jeito mais fácil - 5 passos'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8781207187587460731</id><published>2009-07-23T20:15:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T20:19:27.248-07:00</updated><title type='text'>Sorte que stripper não tem bolso</title><content type='html'>Santa fe e Bully's ocupam os dois primeiros andares de um pequeno prédio antigo na última esquina da Flinders street, a Vila Olimpia de Townsville. O edifício é de estilo colonial, com pé direito alto e varandinha, que foi fechada com vidro pra virar recepção da balada de cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrada do Bully's é uma porta grande no meio da rua. A do Santa Fé, uma porta pequena nessa esquina. Aqui não tem a desculpa de que 'tava na frente e resolvi entrar'. O SF é a última balada da rua. Depois só tem o aquário da cidade. Se, à noite, você andou os 20 metros depois do Bully's, só tinha um lugar onde pudesse querer ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dois lugares, a identidade é checada pelo segurança da porta, que aproveita e já barra os mais bêbados. Austrália não é um país fácil pra encher a cara - mas a galera consegue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou o segurança, a única opção é subir uma escadinha também antiga, estreita, de madeira e em formato de U. Na parede, também de madeira, um pôster de mulher de biquini com o logo "Santa Fe" dá uma idéia do que o visitante vai encontrar. Mesmo assim, tem casos de pessoas, casais, por exemplo, que, novos na cidade, receberam um flyer no meio da rua e foram conferir. Chegaram até a recepção, no alto dessa escada, ainda desavisados sobre o estilo da casa e foram embora putos ao saber que entravam numa balada de strip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentadinha atrás de uma mesinha de recepção, a hostess tem como responsabilidades básicas explicar o funcionamento da casa pros mais novos, cobrar a entrada (homens pagam $12, mulheres, $10 e o pessoal que já pagou a balada de baixo, $6) e tentar vender o tal Santafe Money, um dinheiro de brinquedo, parecido com o Banco Imobiliário, mas que tem o desenho de uma mulher pelada no lugar do brasão e serve para comprar o show das meninas. O trabalho é maçante, já que por vezes não tem nada pra fazer além de ficar paradinha, esperando as pessoas chegarem. No meio tempo, deve-se limpar as marcas de dedo da porta de vidro e preencher alguma pesquisa de satisfação baseada no que os clientes dizem ao deixar a casa. Quando as pessoas chegam, geralmente é em bando e precisa ser muito metódica para pegar o dinheiro, carimbar o braço e distribuir o flyer sem esquecer de anotar o número de pessoas que entrou e quanto cada um pagou. Não precisa nem dizer que eu e esse serviço não combinávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, pagou a entrada, passou a porta de vidro, chega-se ao Santafé propriamente dito, uma decepção para quem esperava música alta, showzinhos e locutor. Segundo uma pesquisa que eu mesma fui obrigada a fazer quando estava de hostess, 90% dos frequentadores vai (ou, pelo menos, diz ir) à casa simplesmente para tomar um drink e relaxar. Lógico que muitos falam isso da boca pra fora, mas conhecendo os outros bares de Townsville, em que falta um barzinho tipicamente happy hour, nem é difícil acreditar que algum dos clientes esteja falando a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente, por sinal, ajuda nessa versão. O lugar em si é bem pequeno. Da entrada, já dá pra ver o bar, no fundo do salão. Do lado esquerdo tem um palco bem pequenininho, com duas barras verticais para as meninas dançarem. A extensão entre o palco e o bar tem uma área avançada, uma parede que delimita uma espécie de cozinha, onde fica a geladeira e o microondas para o staff. No resto da área livre ficam mesinhas, poltronas, mesas mais altas e banquihos. É aí que as pessoas ficam a maior parte do tempo. O palco a princípio permanece vazio e a música em um volume aceitável. Ao contrário de outros lugares onde trabalhei, não lembro de alguém tendo que gritar pra que eu entendesse o pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os caras bebem nas mesinhas ou no balcão, as meninas desfilam por entre as mesas, usando vestidos-micro ou lingeries transparentes. Encostam nos grupinhos ou nos caras sozinhos, sorriem, conversam, por vezes arrancam uma bebida de graça, em outras até usam a sua própria cota de drinks gratuitos pra paparicar o possível cliente. Por fim, conseguem vender o show. O preço é apenas 20 dólares, que pode ser pago tanto com Santafé Money, quanto com o "dinheiro de verdade". As notas vão pro pé, o que me fez entender o motivo de toda vez elas me pedirem alguns elásticos do caixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, então, sobe no palquinho e tira a roupa. Tira tudo? Sim, tudo. Se a bartender consegue ver elas fazendo strip? Mais ou menos. Como o palco fica meio escondido, atrás da parede da cozinha, não dá pra ver muito não. Só quando estava vazio e ficava do lado oposto do palco, polindo copos que dava pra ver um pouco, o suficiente pra matar a curiosidade. Foi numa dessas vezes que percebi que aquela história de non-contact house não era tão sem contato assim. O cara (ou os caras, quando era um grupo que pagava) tinha que ficar ali sentadinho, na beira do palco, mas a menina, se quisesse, podia diminuir a distância. Em uma ocasião, a dançarina ficou de joelhos no palco e praticamente esfregava o tórax nu no rosto do moço. Por sorte, a meia-luz constante e o meu alto grau de astigmatismo não me deram mais detalhes do que os de quem está lendo o texto. A cena parecia tão distante que nem eu quisesse dava pra me sentir incomodada com aquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de efeitos de iluminação, por sinal, só não era maior do que a de preocupação com a música. Não tem dj no SF. A trilha é escolhida pelo mesmo gerente do bar e fica tocando de forma aleatória a noite toda. Se a stripper realmente quiser pode até pedir uma coisa especial, mas normalmente elas tanto dançam sob "I touch myself" (música símbolo do lugar) quanto sob "dancing in the moon light", música sem gracinha, que só meu manager e a amiga loira de Perth parecem gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara que quiser algo mais reservado, sem todo mundo vendo o que só ele pagou, pode optar por um showzinho particular, num segundo ambiente, uns cinco degraus abaixo e à direita do salão. Lá só entra quem pagou pelo show e só fica durante o strip. O preço é um pouco mais salgado: 50 dólares. Essa é a maior fonte de renda das meninas. Foi graças a esses private shows que a hong konguiana (seja lá como se escreve ou diz isso) que conhecemos no primeiro fim de semana em Perth disse que conseguia tirar até $700 por noite - um absurdo pra quem tinha acabado de chegar ao país e estava procurando emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Perth, a menina se gabava por que, ao contrário do que acontecia na casa concorrente, onde ela trabalhava não era obrigatório abrir as pernas durante a dança. Já em Townsville, as garotas dão duro pra conseguir os tais $50. Para cada sofazinho tinha uma mesinha. Enquanto os caras ficavam sentados no sofá, as meninas faziam strip na mesinha, o que incluía alongamentos absurdos com a perna. Outra vez, vi uma das meninas batendo altos papos com o cara. Ele sentadinho no sofá e ela, nua, deitada de bruços no chão, em cima daquele carpete provavelmente imundo. O andar de baixo ainda tem chuveiro dentro de um box transparente, mas ninguém usa. O show na ducha foi cancelado e riscado dos flyers antigos antes de eu começar a trabalhar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num ambiente tão diferente, a surpresa é que os caras respeitem tanto quem está no bar. Como hostess é diferente. Ouve-se gracinhas, perguntam que horas que vai ser a sua vez de dançar e coisas do tipo. Já como bartender, o máximo que rola são umas conversinhas bobas, um pedido de telefone, mas tudo dentro do normal, nada conectado a uma casa de stripper. E daí vem o lado bom. Se dizem que toda mulher tem a fantasia de saber como seria a vida de uma garota de programa, eu cheguei perto e trabalhei num strip club, mesmo sem nunca ter tirado uma peça de roupa. Quase um exercício de jornalismo, e ainda com ótimas gorjetas. Se as meninas ficavam com as notas, eu recebia cerca de 60 dólares por noite só em tips, a maior parte em moedas. Afinal, como diria meu gerente, "elas não têm bolso".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8781207187587460731?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8781207187587460731/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8781207187587460731&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8781207187587460731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8781207187587460731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/07/sorte-que-stripper-nao-tem-bolso_23.html' title='Sorte que stripper não tem bolso'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6544386602491005459</id><published>2009-07-23T17:20:00.001-07:00</published><updated>2009-07-23T20:34:52.662-07:00</updated><title type='text'>O novo emprego e os antigos tabus</title><content type='html'>Como é possível falar normalmente de uma coisa que no mínimo não é tão normal assim? Essa foi a a dificuldade que encontrei para falar do meu novo trabalho. Afinal, se Ariel, que me conhece há tanto tempo, já tinha ficado meio hororizada, o que diriam as outras pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a cada vez que contava para alguém era uma tática diferente, para falar com jeito, sem assustar. O mais normal era dizer que trabalhava numa balada da Flinders, o Santafé/Bully's, juntando o nome da balada de cima, de strip-tease, com a de baixo, famosinha na night de Townsville.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fazia isso é a própria dona dos estabelecimentos, ou pelo menos uma das donas, uma senhora de uns 60 anos, loira, peruíssima, de batom vermelho e que coincidentemente também é a responsável do Rotary pelos intercâmbios de high school na cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, não era mentira. Apesar de não ter trabalhado no Bully's, já tinha sido informada da possibilidade de fazer alguns shifts no andar de baixo. Mas o principal motivo é que normalmente as pessoas só prestam atenção no segundo nome. Fazem um "ah, tá" e morre o assunto. Já para os mais chegados, eu explicava que trabalhava mesmo no Santafé, o gentle's room (ou a balada de strip) em cima do Bully's, o que sempre gerava um ar espantado ou uma carinha de interesse por parte do ouvinte, por vezes mesmo depois de eu explicar que o meu trabalho era só de bartender - e vestida! pra ter certeza que não ficou nenhuma dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria senhora quando me ligou, me chamando para uma entrevista - não para a balada de baixo, pra que eu tinha mandado o tal 'resume' (versão aussie para currículo), mas para a de cima - me explicou que o lugar era bem frequentado, pagava para entrar, os caras não podiam tocar nas meninas e tinha um  monte de segurança por perto, caso eu precisasse. Era tanta explicação que eu até desconfiei e perguntei se me trabalho seria realmente só servir bebidas. Ela riu, para em seguida dizer que, sim, eu poderia continuar vestida. Minha vez de dar risada. Se era assim, então estava ótimo. Fiz o teste na 5a, na 3a estava trabalhando. Daí, o negócio era contar pros outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que possa parecer, contar pros meus pais não foi tão difícil. Eles sabiam que emprego estava complicado e que eu não ficaria tranquila sem ter dinheiro pra viajar. Se esse era o único ("não tem mesmo outro lugar?"), fazer o quê? A dificuldade foi falar pra senhorinha com quem morava. Quando fui contratada ela estava viajando e quando voltou eu já estava com shifts constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não lhe dever explicação alguma, eu e minha land owner mantínhamos uma relação de carinho e respeito mútuo, o que me deixava apreensiva ao pensar como daria a notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o choque maior foi o meu, já que, exceto por uma leve feição de espanto, ela encarou com a maior naturalidade e, ao ouvir a descrição do lugar, terminou o assunto dizendo que eu não sou mais uma menininha de 18 anos pra ficar assustada com essas coisas. A modernidade dessa senhora de 71 anos sempre me surpreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, tudo meio que mudou. Se ela levou meu emprego uma boa, percebi que não tinha mesmo porque esconder, especialmente na Astrália. Passei a falar com naturalidade. As pessoas, por sua vez, se interessavam e faziam perguntas sobre o cotidiano do lugar. Nesse momento, a dificuldade era como não falar de forma normal sobre uma coisa que pra mim já tinha deixado de ser diferente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6544386602491005459?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6544386602491005459/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6544386602491005459&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6544386602491005459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6544386602491005459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/07/o-novo-emprego-e-antiga-profissao.html' title='O novo emprego e os antigos tabus'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8476700736583597910</id><published>2009-07-20T20:09:00.001-07:00</published><updated>2009-07-20T20:09:39.399-07:00</updated><title type='text'>A vida sempre pregando peças</title><content type='html'>&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;"Quando estou longe, quero estar perto. E quando estou perto, quero estar mais perto ainda".&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;Acho que sou uma pessoa premiada... E isso não necessariamente quer dizer que é uma coisa boa. Porque tudo o que de mais bizarro pode acontecer com o ser humano, acontece comigo.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;Agora o mundo deu voltas e o que deveria ser a minha vingança se tornou minha aflição. E que aflição. Como diz minha irmã, tanta racionalidade pra acabar assim.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;Pois a tal da racionalidade é só uma casca grossa, por dentro sou um coração mole, muuuuuuito mole.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;O choro, os olhos nos olhos, a mão suando, o pedido de perdão, a declaração de amor... Tudo soa tão real, mas tenho medo de que seja só o conto do vigário. Será realmente que uma pessoa é capaz de se redimir, se arrepender, ou, passando a paixão momentânea, a aventura continuará?&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;Pelo menos não nego, ele mexe muito comigo. Mas isso já não basta mais. Penso em tudo o que meus amigos fizeram pra me ajudar esquecê-lo. E penso que, se mais uma vez ele for FDP, outra vez eles estarão lá, mas eu não terei mais coragem de procurá-los. Com razão, dirão que me avisaram, e que não quis ouví-los. &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica; min-height: 14.0px"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica"&gt;Tremi diante da declaração de amor aí em cima... &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8476700736583597910?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8476700736583597910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8476700736583597910&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8476700736583597910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8476700736583597910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/07/vida-sempre-pregando-pecas.html' title='A vida sempre pregando peças'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7462106255428407918</id><published>2009-07-06T23:32:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T23:39:08.588-07:00</updated><title type='text'>Os outros</title><content type='html'>Dois grupos de brasileiros se encontram no Strand, a espécie de calçadão de Townsville. O assunto era homestay. Eles ainda naquela fase de "pra onde e com quem você vai sair? que horas você volta?". A gente, morando sozinhos. Casa com cerveja na geladeira, cada um com seu quarto, suas coisas, ninguém pra ter que dar satisfacao exceto nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, alguém pergunta se todos morávamos juntos. Não, meu amigo disse. Eu moro com elas duas; ele e ela são casados, moram em outra casa. Uma discreta arregalada de olhos por parte dos nossos novos conhecidos. Por mais que até então a gente pudesse parecer uma idade parecida, a simples palavra casamento deu o indício que nem tudo era tão igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas e dramas de quem vem pra fora do país fazer curso de inglês, faculdade ou pós já foram mais do que relatados. É procura por emprego, casa, dificuldade nos cursos, que têm que justificar o investimento. Acontece que tem um outro tipo de gente que até então não tinha sido citado, mesmo porque até então não tinha conhecido. É esse povinho que larga a escola no meio e vem passar seis meses ou um ano fora, estudando em escola normal, tendo que usar uniforme e seguindo estritamente as regras de uma nova família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como "Os Outros" de Lost, esse pessoal levava a vida deles paralela à nossa em Townsville; cerca de 10 brasileiros que ninguém do nosso grupo conhecia, até que um deles foi com o cartão do pai até o Fish and Chips em que minha amiga trabalha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles são o tal povo da high school. Alguns tem 10 anos a menos do que eu, 12 a menos do que o casal, mas de vez em quando até dá pra esquecer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado bom de ter 16 anos é que não se tem aquela preocupação absurda com dinheiro, já que ainda se é 100% dependentes dos pais. Em compensação, também não têm essa de escolher casa, morar com amigos, fazer o próprio horário. Quem define a sua casa é a escola, dentre as várias famílias que se candidatam pra receber estudantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ser aceita no sistema de homestay, minha espécie de host sister em Perth recebeu em casa uns funcionários da agência responsável pra ver se ela realmente tinha condições de hospedar um estudante. Depois de feita a análise, eles tentam encaixar o perfil do aluno com o do dono do lugar: como na minha carta de apresentação eu disse que não queria um lugar que me prendesse, a única satisfação que tinha que dar era se ia ou não comer em casa pra ela não fazer comida a mais, o que em 90% do tempo significava macarrão, por vez miojo, ou arroz com legumes e salsicha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ok, ela recebia alunos da faculdade. Com a galera mais nova a responsabilidade é maior e, dependendo da escola, o esquema pode ser sufocante. Um exemplo são as viagens: não importa que os pais no Brasil tenham autorizado, pra passar a noite fora é preciso estar acompanhado por algum maior de 25 anos que viaje junto e se responsabilize pelo estudante, o que, pra nossa recém-conhecida, parecia quase impossível de acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não... OLHA SÓ PRA MINHA CARA! Quando que eu, AQUI, vou conhecer alguém com mais de 25 anos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como um monstro que fingindo ser bonzinho mostra sua verdadeira face, eu disse na maiorcalma do mundo: "acabou de conhecer! eu tenho mais de 25. vinte e seis, na verdade". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choque foi instantâneo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roda toda olhou pra mim ao mesmo tempo. A metade deles com uma cara de "nossa!". A minha metade - que incluía alguns ainda mais velhos que eu - com um sorriso de 'ah, é!". Meio segundo depois, ambos os grupos caíram juntos na gargalhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fusão tinha começado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7462106255428407918?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7462106255428407918/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7462106255428407918&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7462106255428407918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7462106255428407918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/07/os-outros.html' title='Os outros'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2145056640017451066</id><published>2009-07-06T06:37:00.000-07:00</published><updated>2009-07-06T06:54:39.438-07:00</updated><title type='text'>Um aniversário diferente</title><content type='html'>Todo ano, à meia-noite do dia 4 pro dia 5 de maio, meu pai vinha me dar um beijo de feliz aniversário, estivesse eu dormindo ou não. Nesse ano, primeiro longe de casa, calhou da minha landowner viajar na mesma época. A única que poderia me dar parabéns à meia-noite ou no outro dia cedo seria a gata, mas por mais que de vez em quando ela aparecesse no meu quarto, eu e Missy não éramos de muita conversa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando soube que ficaria sozinha, até cheguei a cogitar que aquilo fosse destino. Já tinha passado a meia-noite do Natal dentro do trem, a meia-noite do ano novo servindo tequila, vai ver era parte das novas experiências passar o aniversário by myself. Mas o pensamento não durou mais de um momento. Aproveitando que o marido da minha amiga tinha ido por uma semana pro Brasil, resolvi ignorar a ordem natural das coisas e dormir alguns dias na casa dela - sempre voltando de manhã e à noite para alimentar a tal da gata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A véspera do dia 5 foi quase como uma festa de pijama. Eu, ela e minha atual roommate, também brasileira. Fizemos bolo e brigadeiro pro dia seguinte, que ainda ia ter pão de queijo e bolinho de chuva. À meia-noite ganhei meus parabéns, ao vivo e pela internet, já que passei a noite acordada, estudando. No dia seguinte, quando todo mundo foi pra aula, eu voltei pra casa pra dar comida pra gata que, como previa, não me deu os parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superstição ou não, parece que as mudanças estão sempre relacionadas a épocas ou datas específicas e, por isso, eu já esperava que as coisas começassem a dar certo depois do aniversário, em especial com relação a trabalho, o que realmente aconteceu. Porém, a mudança de fuso horário deve ter deixado as minhas energias de aniversário tão perdidas quanto meus amigos. Recebi parabéns por até uns três dias depois, mesmo período em que foi vítima de uma sucessão de trapalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) O emprego: a vaga foi anunciada no domingo. Bartender pruma balada super movimentada. Tinha que ligar na 3a-feira, dia 5, ou mandar currículo. Eu enviei o e-mail no final de semana e ia ligar na 3a. Esse era certeza que ia conseguir. Não é qualquer um que dá conta de balada busy e eu já tinha boa experiência nisso. Antes que ligasse, a gerente me ligou. Consegui um teste pra dali a dois dias e em seguida fui contratada. Único problema, não explicitado no anúncio: a vaga era prum strip-club. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) O bolo: eu e a cozinha nunca fomos muito próximas, exceto por um item: bolo de chocolate, coisa que faço desde meus 10 anos, quando - criança gordinha - minha aptidão culinária era movida principalmente pela possibilidade de raspar o resto da massa. No dia 4, o bolo ficou gostoso, mas era pequeno demais. No dia seguinte, comprei um fermento novo e fiz uma nova receita. Na hora de colocar o fermento, em vez de usar a colher, resolvi dar uma batidinha no pote, o que me fez derrubar metade do pozinho branco em cima da massa. Dessa vez, o bolo ficou lindo, mas com tanto gosto de bicarbonato de sódio que foi pro lixo antes mesmo de esfriar. E faltava só uma hora pro povo chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) A bike, o telefone, o carro e o pneu: já aceitando que aquele não era um bom dia pra cozinhar, resolvi parar de ser cabeça dura e comprar o bolo. Peguei a bike nova e saí. Minha amiga me liga com problemas sentimentais. O menino que se mostrava super a fim estava na verdade a usando pra aprender como lidar com mulheres, segundo uma amiga dos dois. Eu pedalava e  escutava o caso complexo quando encontrei um amigo e também atual roommate vindo na direção contrária. Pra não perder tempo, passei a falar com ele, gesticulando do outro lado da rua, ouvir minha amiga no telefone e andar de bicicleta, tudo ao mesmo tempo. Fui parar na contra-mão, mas por sorte o sinal estava fechado. Ele, preocupado de que minha imprudência não me deixasse completar outro aniversário, foi na minha frente até o supermercado. De repente, olhou pra trás e me viu parada no meio da avenida, lá atrás, dando risada. Enquanto pedalava e falava no celular, ouvi um estouro e a parte de trás da bicicleta desceu. Conforme fui descobrir depois, uma pequena chave em L entrou no pneu da minha bike fazendo um rombo tão grande que nem o kit de borracheiro pôde reparar. Melhor rir do que chorar, ainda mais porque no dia seguinte acabaria voltando 11km a pé, empurrando a outra bike até em casa, depois de ignorar os conselhos desse tal amigo que era melhor não sair com a bike, porque ela não estava em condições (como meu pai diz... se você não vai ouvir, por que pede opinião?). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na festinha, só o povo de sempre, os brasileiros e a alemã. Muita, mas muita comida e vinho, em vez de cerveja. Prova de amadurecimento ou simples economia, já que a caixa com dois litros de vinho custa 11 dólares, enquanto o pack com seis stubies (a nossa long neck) de cerveja não é menos de $14 e acaba muito mais rápido. Ô saudade de engradado de 600 ml.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no Brasil o problema do dia 5 de maio era ser entre o feriado do dia 1o e o dia das mães, na Austrália esse é justamente o mês de mais trabalhos da faculdade, o que deixou as comemorações ainda mais difíceis. De festa, com bolo e velinhas, foi só isso. Três dias depois, quando, por conta da diferença de horário com o Brasil, os desejos de feliz aniversário pararam de chegar, a minha vida voltava ao normal, o pneu da bike estava trocado e eu já nem lembrava que a data era recente. Em compensação, a mudança de casa, 20 dias depois, eliminou a necessidade do aniversário como uma desculpa para reunir amigos. Entre os acessíveis, a maioria ficou ali, a um quarto de distância, e os outros são visita constante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2145056640017451066?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2145056640017451066/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2145056640017451066&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2145056640017451066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2145056640017451066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/07/um-aniversario-diferente.html' title='Um aniversário diferente'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2995358158718886669</id><published>2009-06-18T19:52:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T20:19:41.203-07:00</updated><title type='text'>Odisséia em duas rodas</title><content type='html'>A primeira idéia ao chegar em Townsville era comprar um carro ou uma moto. Não vou mais reclamar do sistema de transporte público daqui, mas preciso enfatizar que arranjar um emprego de madrugada sem 'own transportation' era praticamente impossível. Mas daí, fui morar perto da cidade, tudo ficou lindo. Se a pé eu demorava 25 minutos, de bicicleta não ia demorar muito mais do que dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, chegou a hora de comprar a bike. 90% dos estudantes acabam comprando bicicleta de segunda mão, o que é uma atividade altamente sustentável: tem benefícios econômicos porque se paga bem menos; ecologicamente correta porque diminui a produção de bens e a geração de lixo e social porque ajuda as pessoas a se conhecerem. Mas é lógico que ninguém pensa nisso e simplesmente compra de second hand porque é mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos meus amigos chegou a me oferecer a bike dele, com alguns problemas, mas que daria conta, afinal, eu só queria pra ir até a city. Não ia querer ir até a facul pedalando, ia? Até aquele momento eu não ia, mas quando ele me fez essa pergunta, um bichinho me mordeu e eu pensei "ah, mas por que não?". Daí f***. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pra variar um pouco, a história com a bicicleta também tem sido intensa. Em quatro meses andei em mais bicicletas do que em toda minha vida. Mas também, que graça teria comprar uma bicicleta nova, chegando em Townsville, andar com ela pra cima e pra baixo sem nada de diferente pra contar? Lógico que não precisa ser tanto, o texto fica longo, Lana reclama, mas mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu nunca fui lá muito amiga das duas rodas, preferi não arriscar e pegar uma bike melhorzinha - o que por sinal foi muito sábio, já que um mês depois a roda que estava solta quase caiu com meu amigo andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira bike que comprei, por 30 dólares, incluía capacete e uma corrente amarela que servia de decoração, já que não tinha chave e não dava pra abrir. Mesmo depois de trocar a borrachinha de lado, o freio não funcionava e tinha alguma coisa de errada com a correia, já que ela fazia altos barulhos quando pedalava. Apesar de tudo, ela me foi muito útil - durante quase um mês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que peguei a bike, quase morri de cansaço. Estava voltando pra faculdade pedalando com a amiga alemã, que encontrei na volta da casa da moça, mas o sol, o peso da mochila, o tênis e a bermuda apertada me fizeram me jogar na grama antes de passar o portão. Naquele dia, precisei tomar algumas cervejas na faculdade e uma casquinha do Mac no meio do caminho pra conseguir chegar em casa, já de noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de duas semanas, em vez de simplesmente de diminuir o tempo em que eu gastava pra chegar nos lugares, eu aumentei meu raio de atuação, e desde então conseguia andar por Townsville inteira mesmo com as restrições de ônibus. Em resumo: voltei a abraçar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia em que vi a bike prateada, fui até o shopping perto da faculdade, deixei-a acorrentada e voltei pra casa. O casal de brasileiros foi me pegar, fomos prum churrasco num bairro afastado. A idéia era sair de lá às 3h, pegar uma carona até a cidade, de lá pegar um ônibus até o tal shopping e ir de bike até o estádio de rugby, mega longe de tudo, onde ia trabalhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquele dia era feriado na Austrália, o chamado Anzac Day, em homenagem aos mortos em guerra, o que significa que os únicos ônibus pro estádio seriam fretados e em horário especial, muito mais tarde do que eu precisava. O plano complexo que arranjei era a minha melhor e talvez única opção. Mas, por sorte, ou azar, ganhei uma carona até perto do estádio. No fim do jogo, peguei outra carona direto pra cidade e só fui pegar minha bike no dia seguinte. A senhora com quem vivia me levou até o shopping com medo de que a bichinha não estivesse lá. Eu desci do carro, disse que estava tudo bem, ela foi embora pra em seguida eu perceber que a bicicleta parecia maior do que eu lembrava, o capacete era de outra cor e o cadeado era diferente. É, não era a minha bike, só a cor era igual, e eu acabei voltando de ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em Townsville, os únicos roubos que acontecem são de bicicleta. Em Perth ainda se roubava GPS, mas parece que aqui nem isso. Segundo o professor australino de um amigo, quem rouba é ou pra comprar droga ou porque não tá a fim de andar e resolve pegar a primeira bike que vê pela frente, que vai ser largada alguns quilômetros adiante. O meu cadeado, de numerozinho, é um dos mais fáceis de arrombar, mas como tenho certeza que se tivesse chave ia perder, fazer o quê?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, achei que o roubo da bike era coisa de inferno astral. Com tanta bike boa, nunca que achava que alguém ia querer a minha, mas em feriado em Townsville, talvez ela fosse a única disponível. Isso aliás, serve de esperança pra muita gente desiludida, achando que nunca vai encontrar o homem dos sonhos, o emprego perfeito... dependendo da situação, o inesperado, sim, acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu fiquei a pé de novo e só de despeito, como bem disse minha tia, mal perdi uma, comprei outra. Essa, bem boa, verde e roxa, com o freio funcionando perfeitamente, mas se duvidar ainda menor que a antiga. Só que como eu fui andando até a casa da mulher, a 7km da faculdade, nem cogitei desistir e voltar andando ou de ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tava quase acostumando com o tamanho dela, quando o pneu estourou enquanto ia comprar um bolo - no episódio épico do meu aniversário, onde tudo parece que resolveu dar errado. Voltei do mercado na bike de um amigo e ele com a minha nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, peguei a bike do brasileiro casado só pra ir pra faculdade, mas ela tava tão ruim que a correia quebrou, a roda girava em falso, tipo bicicleta ergométrica (o que me fez demorar duas horas pra fazer um percurso de 40 minutos), e o pedal caiu. Tudo no mesmo dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe é que os freios aqui são ao contrário do que no Brasil. O direito é o da frente e o esquerdo o de trás. Não que eu soubesse dessa diferença até vir pra cá, mas o tombo da minha roommate acabou me ensinando. Depois de eu tentar remendar o pneu com kit de borracheiro e tudo - mas acabar comprando outra câmara porque o furo era maior do que patch kit suportava - foi a vez dessa minha amiga levar um susto com a bike.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, usando minha possante, viu um carro e freou. Na sua ex-bike, que foi roubada (mas sem estar acorrentada) na porta de casa, o freio não funcionava. Então ela apertou ao máximo - o da direita, já que segurava o celular na esquerda. A bike parou, mas foi tão rápido que a roda de trás levantou, bicicleta e ciclista viraram de ponta-cabeça. Graças ao capacete, que aqui é realmente obrigatório, nada de mais sério aconteceu no rosto. Já joelhos e mãos, principalmente, ficaram bem ruins. No dia seguinte, ao ver o câmbio destruído, banco entortado e luzinha quebrada só ficava com mais pena do que aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eu, devo dizer que até semana passada, por mais incrível que pareça, ainda estava ilesa! Mas eis que depois de um ano sem me machucar, foram três vezes na mesma semana - o que é bom, já que significa que minha perna tá tão boa que já voltei a fazer as mesmas asneiras de sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da primeira vez que me machuquei, saí correndo de casa pra ir pra prova. Esqueci de colocar o shorts debaixo da saia mas tava atrasada demais pra voltar. Quando cheguei, a tempo, tinha muita gente no estacionamento de bicicletas. Deitei a bicicleta pra tentar levantar a perna o menos possível. Não deu certo, desequilibrei, caíram a bike e eu, por cima dela, no chão. Ralei o joelho, estanquei o sangue com papel higiênico e fiz a prova. Se o povo viu o tombo? Não tenho a menor idéia. Mas como o machucado foi pequenininho, fiz um upgrade nele no domingo, quando, durante uma partida inétida de vôlei de praia (é, aqui tá quente) ralei o mesmo lugar de novo - o bom de areia é que estanca o sangue rápido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, há dois dias, quando falava no celular, andava de bicicleta e descia uma ponte em declibe e curva, tudo ao mesmo tempo, caí de novo. Tinha tentado frear com o esquerdo e não deu. Acabei freando com a direita como última chance de não me estourar na parede. Na hora em que a roda de trás levantava eu só pensei "ah, de novo não". Joguei a bike e caí no chão. Dessa vez, machuquei bonito o joelho (o mesmo, lógico) e fiz um calombo roxo enorme na perna. Levantei, passou a dor, cheguei onde precisava, voltei pra casa. Pedalando, lógico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2995358158718886669?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2995358158718886669/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2995358158718886669&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2995358158718886669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2995358158718886669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/06/odisseia-em-duas-rodas_18.html' title='Odisséia em duas rodas'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1208561029101710606</id><published>2009-06-16T17:12:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T19:11:27.859-07:00</updated><title type='text'>Asas pra quem não tem cabeça</title><content type='html'>Na mesma semana em que comecei a tomar os tais Vs (post abaixo), uma mulher morreu por overdose de Redbull. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, eu tô simplificando, não foi bem assim. Mas uma garota de 28 anos, não sei se australiana ou não, porque só ouvi a notícia e os debates no rádio, morreu depois se alimentar durante oito meses só de RedBull e Honey Puffs, uma marca de cereal pra criança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher, que sofria de obesidade, descobriu que RedBull tirava apetite. Graças à essa dieta maluca de cerca de 14 latinhas por dia (!) ela perdeu 60 quilos (!) nesses oito meses, mas acabou morrendo de ataque cardíaco. Coitada, não vou nem julgar porque isso é doença, mas o mais engraçado é que ninguém percebeu o que ela tava fazendo até ela ter sido levada pro hospital a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perigo não era novo. Pela minha caixa de mensagens já tinham passado alguns e-mails sobre "o verdadeiro drink do inferno", a respeito dos malefícios de RedBull e cia, mas eu não me incomodava porque não tomava. Em Perth, mesmo detestando o gosto, bebia por motivos práticos. Quando trabalhava na balada, meu chefe me oferecia 5 minutos de intervalo pra tomar um RedBull. Nesse tempo exato de tomar a latinha eu podia ficar do lado de fora, respirar e descansar um pouco os ouvidos. Se não quisesse beber, não tinha desculpa pra sair. Como depois disso eu ainda trabalhava mais umas quatro horas e voltava a pé pa casa antes de dormir, só fui perceber o efeito do negócio quando realmente precisei das tais asas prometidas pelo comercial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, como alternativa à taurine e por influência dos meus roommates - uma de SC e outro que adora café - virei fã de chimarrão e até passei a colocar uma colher de sopa de café no meu copo de leite com Nesquick. O meu corpo que estava acostumado só com chocolate respondeu na mesma hora, o que me fez pensar em concordar com nossa querida eterna-loira-quase-Jones, que me comparava ao tal esquilinho de "Os Sem Floresta". Segundo o raciocínio dela, tanto eu quanto o esquilo não podíamos tomar café nem energético por que éramos agitados naturalmente. Até então eu rejeitava enfaticamente a teoria porque, além de nunca ter sentido nada com energético, conforme fui descobrir depois, o esquilinho é muito, mas muito idiota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que naquele último dia, antes da prova, possivelmente sem precisar, eu voltei ao energético. Estudei tudo o que precisava e quatro horas depois resolvi dormir. O problema e que só eu resolvi. A minha cabeça, não. Fiquei na cama, tentando relaxar por mais de meia-hora, o que parece pouco, mas consumiu 1/8 do meu sono daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, pode-se dizer que aprendi uma lição: passarinho voa e esquilo engorda. De nada adianta dar nozes a quem não tem dentes ou asas pra quem não tem cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, melhor voltar ao chocolate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1208561029101710606?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1208561029101710606/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1208561029101710606&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1208561029101710606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1208561029101710606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/06/odisseia-em-duas-rodas.html' title='Asas pra quem não tem cabeça'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1998941896069551466</id><published>2009-06-16T03:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T18:52:34.137-07:00</updated><title type='text'>Pior que vilão em filme de terror</title><content type='html'>Nunca achei que fazer a tal da pós seria fácil, ainda mais uma voltada pra Ciências e em inglês. Antes de vir pra Austrália o moço da primeira agência já tinha me dito que possivelmente nem conseguiria trabalhar, mas se eu trabalhava e estudava no Brasil, aqui não seria desculpa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, acho que normalmente nem é mesmo tão difícil. O problema é que eu aparentemente tive o dom de escolher justo as matérias com mais trabalhos em tooooda a faculdade. Nenhum dos meus amigos teve tanto. Em seis meses, foram 16 assignments, apresentações e essays, cada um com não menos do que 2500 palavras, o que dá umas 8, 9 páginas em letra 12 mais as malditas referências, que até hoje eu não sei fazer - "é fácil ser jornalista né? Você só rouba a idéia e não dá crédito pra ninguém", alfinetou um dos professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sobre a quantidade, diferença está possivelmente no tamanho da turma. As minhas aulas não tinham mais do que 50 alunos. Algumas disciplinas, em especial as de 1º ano, têm bem mais de cem. Por isso, o tempo que esses professores e assistentes demoram pra corrigir um trabalho, os meus corrigem 2, 3 ou mesmo 4. Mas foi tanto trabalho que em uma das matérias o professor esqueceu da última parte e deu a nota sem pegar o relatório da apresentação, que aparentemente foi feito à toa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, desde o meu aniversário, quando os dead-lines começaram a acumular, eu estava numa loucura sem tamanho. Pra completar, tinha arranjado um trabalho, numa balada, das 8h da noite às 3h, 4h, 5h da manhã de 3a, 5a e sábado. Na semana do dia 25 de maio, quando mudei de casa pra morar com dois amigos brasileiros, mal experimentei minha nova cama. Meus companheiros de madrugada eram o computador e alguns V, uma marca de RedBull que mistura a tal da Taurine, base do energético, com guaraná - o negócio é tão empolgado que eles colocaram um "Uhuuuuu" em vermelho ao lado do Guaraná, na tabela de nutrientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é pelo guaraná ou não, eu não sei, mas o negócio bem que funciona. Quatro latinhas, uma semana e só 20 horas de sono depois, terminei meus trabalhos. Em compensação, até chegar nesse ponto, meu cabelo caía mais do que o normal, meu olho estava fundo, sem brilho e eu quase não me reconhecia no espelho. Por mais que tentasse ficar acordada, dormia no meio da aula, o que me deixava morrendo de vergonha. Quando tudo foi entregue, me dei uma semana de descanso e começaram as provas. As minhas, por sorte (sem ironia dessa vez, já que não via agora de terminar tudo de uma vez), foram uma em seguida da outra. Na véspera do último exame, contrariando minha decisão de não tomar mais energético, voltei ao V.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo pra ter apelado foi simples: um dia antes recebi um e-mail do professor dessa matéria dizendo que precisava vê-lo pra discutir meu trabalho entregue na semana anterior. A primeira pergunta, sobre qual era o meu background, já mostrou que as coisas não iam muito bem. Ao ouvir que era jornalismo, quase deu pra ver a luz iluminando a cabeça do meu querido pesquisador de savanas (já que apesar do esteriótipo ele detesta florestas tropicais). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tá tão ruim assim?" "É, não está muito bom, não." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que ia ter que refazer todo o trabalho, era melhor ir muito bem na prova. Cheguei em casa desiludida. Há meses contava os dias pra acabar tudo e se já não bastasse a DP do semestre anterior agora ainda tinha esse mega trabalho pra refazer inteiro. O nick, no msn, foi esse de "pior do que vilão em filme de terror", em relação aos estudos, que por mais que você ache que terminaram, eles sempre acabam voltando; até acabar de vez com ele e descobrir a identidade do assassino demoooora e eu já não aguentava mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já meu adorável roommate, que desde que a gente mudou me chama carinhosamente de "a decoração da sala" devido à minha presença constante estudando no sofá, achou outra interpretação pro mesmo nick. Aos risos, me dizia que eu era o vilão do filme de terror, porque no final o vilão só se fode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, irremediável rugbeer, mesmo sem querer acabo dando apoio à teoria e depois de um ano sem machucar, sangrei meu joelho três vezes em uma semana (duas caindo de bike por motivos idiotas e outra, já com ele zuado, me jogando na areia durante o vôlei de praia). Realmente, vilão só se fode, mas pelo menos não só estuda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1998941896069551466?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1998941896069551466/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1998941896069551466&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1998941896069551466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1998941896069551466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/06/pior-que-vilao-em-filme-de-terror.html' title='Pior que vilão em filme de terror'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8572384013899282471</id><published>2009-04-09T16:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T21:23:39.610-07:00</updated><title type='text'>Vida de estudante</title><content type='html'>Por que o peru entrou na sala de aula? &lt;br /&gt;Porque a porta estava aberta&lt;br /&gt;(E porque tem muitos perus na faculdade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James Cook University não é uma das maiores faculdades do mundo. A USP, por exemplo, deve ser umas dez vezes maior. Mesmo assim, ela é importante, reconhecida internacionalmente como uma das melhores em biologia marinha e conservação ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, confesso que ela não era minha primeira escolha. Antes de decidir me mudar pra Townville, preenchi e paguei application forms in outras duas universidades: Griffith e University of Queensland - ambas também muito boas e baseadas em Brisbane. O problema é que é normal das instituições demorarem muito pra dar resposta e eu tinha prazo pra resolver meu visto. Então, quinze dias antes dele expirar, procurei uma última opção antes de desistir e voltar pro Brasil. Achei a JCU, em Townsville, cidade pequena, com 160 mil habitantes, e a mais de 1500 km da capital. Mesmo assim, era em Queensland, o estado mais bem conceituado em ambientalismo. Resposta foi rápida, aqui estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bicho grilo assumida, sempre tive na Cidade Universitária, em São Paulo, o meu ideal de faculdade. Tudo o que eu queria era ter aquelas arvorezinhas pra ficar encostada, tomando sol, entre uma aula e outra. Por melhor que seja em jornalismo, a Cásper, naquele bloco de concreto antíquissimo no meio da movimentada, barulhenta e sensacional Av. Paulista, deixou esse vazio, agora preenchido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no primeiro dia de JCU, fiquei fascinada. Um monte de área verde e passarinhos pra tudo quanto é lado. Na primeira aula, de Gestão de Recursos Terrestriais, pensava na diferenças entre uma faculdade e outra - coincidentemente, foi nesse exato momento que o tal peru entrou na sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que a maioria dos jornalistas se vista informalmente, durante os quatro anos, só uma vez tinha visto um professor entrar na sala usando camisa estilo havaino, bermudas e papetes. Aqui, todos os meus professores, sem exceção, se vestem desse jeito. Nos mais velhos, a barba e o cabelo branco completam o estilo de pesquisador de Mata Atlântica. Outro deles, mais novo, simplesmente desistiu do sapato e freqüentemente dá aulas descalço. Tudo bem natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos trabalhos, a história é ainda mais interessante. Numa das viagens de campo, a diversão foi passar três dias acampados em um parque nacional, medindo circunferência de troncos, distância entre árvores e cortando grama com faca - nem sempre afiada. O objetivo? Descobrir quanto de carbono está estocado naquela área - programa de índio, mas muito chique né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era de se esperar, os alunos também são diferentes (de Perth e de São Paulo). Aproveitando o fato de que TSV é muito quente, é difícil encontrar alguém usando calça comprida. Todos estão sempre de shorts ou bermudas. Vestidos e saia tem até menina que usa, mas também não é tão comum quanto era em Perth, já que o pessoal daqui é mais despojado do que o da Western Australia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, como nunca vai estar muito frio pra sair na rua, bicicleta é um dos meios de transporte mais comuns. Mesmo quem tem carro usa bike freqüentemente, mas essa parte da história vai ficar pra depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8572384013899282471?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8572384013899282471/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8572384013899282471&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8572384013899282471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8572384013899282471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/04/vida-de-estudante.html' title='Vida de estudante'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4890189620247225620</id><published>2009-04-01T06:27:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T06:49:07.501-07:00</updated><title type='text'>Quando o peixe foge da água</title><content type='html'>Não tinha mistério nenhum. Depois de preencher a ficha, a moça só pediu pra voltar e fazer duas horas de teste. E de todos os trocentos bares que já trabalhei aquele era de longe o mais simples. Pra exemplificar, dizia que era como um daqueles botecos do Brasil (coisa que há muito tempo aqui não via), mas hoje achei uma comparação ainda melhor. O nome do lugar terminava como centro social esportivo e recreativo. Um grêmio, bem daqueles que meu pai adora nas cidades vizinhas a São Paulo. O público, por sinal, lembra um pouco aqueles velhos senhores, de jeito simples, sotaque forte e aparência descuidada. Fidelidade e presença diária são recompensadas pelos atendentes, que conhecem todos pelo nome e nem esperam o pedido pra pegar o copo do tamanho preferido e a bebida de sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que entrei, mais da metade dos 20 homens que ocupavam o bar parou pra olhar, mas isso eu já esperava. Não deve ser comum mulher desacompanhda entrar ali. O que eu não esperava é que fosse ver de novo aquele estilo de garçonete. Loira, cabelo comprido até a cintura, nada na parte de cima e só uma pequena tanga na parte de baixo. Mas, dessa vez, não era um aniversário em festa fechada, era num bar, e ela não servia bebida, vendia rifas. Pra quê? Pra carne! O sortudo que fosse sorteado levava pra casa uma bandeja com vários e diferenciados pedaços de carne! Mais ogro, só se eles comessem ali, cru, na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei e fiquei meio sem graça. O ambiente era ruim, mas ninguém nunca morreu por trabalhar em lugar esquisito, então comecei a fazer o que sei de melhor (pelo menos aqui na Austrália): servir bebidas. Depois da primeira cerveja, já me senti mais em casa. No segundo pedido, entendi o cara queria, abaixei, peguei o copo, fui até a caixa de isopor (!!!) onde eles deixavam o gelo, coloquei no copo, servi a dose de rum e peguei a latinha de coca, já que nem refrigerante de máquina pra misturar com destilado eles tinham. Quando me viro, vejo uma bolinha de papel passando entre o meu quadril e a lata de lixo. Em seguida, o gerente, que nem tinha se apresentado, vem na minha direção e fala sério "fecha o teu zíper, que está aberto!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O zíper que fica na parte de trás da minha saia estava quebrado e inteiro aberto, deixando à mostra um pedação da minha calcinha. Pra piorar, o balcão ficava no meio do bar, num ambiente mais ou menos parecido com o bar de "O Cheiro do ralo" (a semelhança também está no fato de que, assim como acontecia com a personagem do filme, chamada simplesmente de "a bunda", muitos clientes não entendiam de jeito nenhum meu nome, por mais que eu forçasse o sotaque). Naquele momento fiquei com medo de que a tal bolinha de papel não estivesse direcionada para a lata de lixo. Menos mal que não entrou, nem na lata, nem na saia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que eu tentasse, não conseguia fechar. Depois de cinco minutos checando a cada vez que abaixava e tentando cobrir o rombo com a blusa que graça aos céus era semi-comprida, fui até o banheiro e consegui dar um jeito com um elástico de dinheiro que achei dentro do caixa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais constrangedor que fosse, não vou dizer que não combinava. O bar já tinha os clientes esquisitos, uma mesa pra apostas em corrida de cavalo, o balcão mais grudento que vi na minha vida, uma atendente feia, uma mulher de peitos de fora vendendo rifas, poças d'água dentro do freezer, um isopor pra guardar gelo, garrafas de suco e leite reutilizadas guardando a água que seria dada aos clientes e dois cachorros dormindo na porta. A outra atendente com a saia aberta era a única coisa que faltava naquela cena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou faltando. Mesmo assim, fui contratada. Por uma semana, até que fiquei amiga dos clientes e briguei com o dono. Daí, não mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4890189620247225620?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4890189620247225620/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4890189620247225620&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4890189620247225620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4890189620247225620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/04/quando-o-peixe-foge-da-agua.html' title='Quando o peixe foge da água'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8270923981448965987</id><published>2009-04-01T06:22:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T20:42:41.174-07:00</updated><title type='text'>A ameaça vem do ar (e pelo mar)</title><content type='html'>Amanheeece na cidaaaade de Toooownsville...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol apareceu nesse pedacinho do assim chamado Sunshine State, trazendo mais um dia de calor absurdo. Às 8h da manhã já fazia mais de 20 graus, os passarinhos cantavam e havia em média de uma lagartixa por metro quadrado, como acontece sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, nem tudo era estava tão calmo quanto parecia. A notícia divulgada na noite anterior de que Queensland estava na rota de um recém-detectado ciclone tropical deixou a população um pouco apreensiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciclones e furacões são fenômenos atmosféricos causados pela diferença de pressão em alto mar - num esquema e com algumas diferenças que eu tentei entender mais ou menos pra explicar aqui, mas não deu muito certo. Na prática, ambos são compostos por ventos circulares e chuvas muito fortes. Um ciclone tropical categoria 5 (a mais alta delas) pode ter ventos com velocidade acima de 249 km/h. O menor dos ciclones, de categoria 1, tem ventos de 118 a 152 km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, de vez em quando acontece uma tragédia ou outra, tipo as tempestades no sul, os alagamentos em São Paulo e em outras grandes cidades, mas nada assim. Foi por isso que eu arregalei o olho e comecei a dar risada de nervoso quando o moço da faculdade me falava, na maior naturalidade, que logo iam começar as novas temporadas de bush fires (os incêndios florestais, que há cerca de um mês mataram mais de 150 pessoas no sul do país) e de ciclones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bush fires eu não sei, mesmo porque ainda não chegou a hora, mas duas semanas depois do moço ter me falado dos ciclones o primeiro apareceu. Por sorte, nessa época já tinha arranjado um lugar pra ficar e não estava mais em albergue. Daí fiquei mais tranqüila, já que a dona da minha casa, agora com 71 anos, já estava mais do que acostumada, depois de passar por muitos e muitos ciclones nessa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, assim como ele, na maior tranqüilidade do mundo, veio me explicar que os ciclones acontecem direto. Por sorte, já faz algumas décadas que Townsville não era atingida seriamente. "O que acontece são chuvas fortes, ventos, nada demais. Quer dizer, de vez em quando você vê umas telhas, umas árvores voando, sim, mas isso é porque com as chuvas a terra fica enxarcada, deixa as raízes expostas e daí fica mais fácil do vento arrancar as árvores do chão". Enquanto ela explicava eu só me imaginava andando na rua nesse mesmo momento. Com chuva ou sem chuva, se o vento era capaz de arrancar uma árvore do chão, as chances de eu sair voando feito Mary Popins sem guarda-chuva (já que os guarda-chuvas comprados em supermercado quebram em cinco minutos) eram muito grandes. Mas ela continuou e explicou que para evitar esse problema, os moradores quando vêem uma árvore já meio morta ligam pra prefeitura que faz a retirada, evitando que ela seja levada com o vento. Antes de ciclones, eles também revisam telhados e tiram as telhas velhas antes que a Natureza o faça, daquele jeito bem de mãe mesmo, que faz, a contragosto e reclama (ou cobra as conseqüências) depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mocinho da faculdade também tinha me aconselhado a "seguir os locais". Enquanto o povo daqui não estivesse preocupado, eu não tinha porque me preocupar. Mesmo assim, o noticiário continuava alertando e pedindo pras pessoas começarem ou manterem os preparativos pré-ciclone. O problema é que "quais eram essas medidas" nunca estava na mesma reportagem, o que ratifica a minha versão de que, depois do tal incêndio em Victoria, quando as autoridades foram acusadas de demorar demais em dar o aviso, todo mundo entrou na onda do prevenir é melhor do que remediar e mesmo sem acreditar que o tal ciclone Hamish fosse atingir o litoral da cidade eles preferiram dizer que mandaram a população tomar providências. Mas não adiantou muito. A dona daqui foi uma das que perdeu a fé em ciclones. Por anos ela se preparou para cada um deles e nada acontecia, o que fez com que nesse ela ficasse bem displicente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu tentava levar minha vida normal (já que a dona da minha casa garantiu que ninguém ia me deixar na rua sozinha em meio a um ciclone), o tal do Hamish, que começou com categoria 1, passou pra 2, 3, 4 e chegou a 5! Mas ele estava longe, indo pro sul e sempre na mesma distância da costa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado à noite, vi umas velas e um isqueiro no meu quarto. Só precaução, caso o ciclone resolvesse mudar de rota e a gente ficasse sem energia. Eu estava pronta, de micro vestido e maquiada, mas até pensei em desistir de sair. Isso até ouvir o conselho de minha experiente sharemate, segundo a qual se isso realmente acontecesse eles iriam fechar o bar e eu iria me divertir muito mais com todo mundo lá dentro do que sozinha em casa, o que fez sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal sabíamos nós que naquela hora ele há tinha passado. Depois da garoa e dos ventos dos últimos dois dias, domingo amanheceu belo novamente. Segundo a senhora daqui de casa, Townsville é protegida por morros, o que segundo meu amigo oceonógrafo não faz sentido, já que o ciclone vem do mar. Por isso, vamos deixar as teorias de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que no final, com ou sem a ajuda das meninas suuuper poderoosas, a paz voltou à cidaaaade de Towwwwnsssville. Mas, assim como acontece sempre em desenhos animados, nem todo mundo ficou 100% feliz com o final dessa história. "Um ciclone enorme passando aqui do lado, ventos de mais de 200km/h e o máximo que a gente tem essa chuvinha. Me senti deixada de fora", reclamou, dando risada, a senhora do quarto ao lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8270923981448965987?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8270923981448965987/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8270923981448965987&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8270923981448965987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8270923981448965987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/04/ameaca-vem-do-ar-e-pelo-mar.html' title='A ameaça vem do ar (e pelo mar)'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7132567270584421373</id><published>2009-03-28T23:50:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T00:36:26.143-07:00</updated><title type='text'>O quarto e o dormitório</title><content type='html'>Não lembro ao certo quando isso começou, mas depois de um tempo começou a ficar mais constante e eu há muito perdi as contas de quantas vezes minha mãe me perguntou "você acha que essa casa é um albergue, né?". Bom, eu já não achava. Agora, com conhecimento de causa, posso dizer, a casa dos meus pais não é um albergue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, alguns meses antes de sair de Perth, conheci um mochileiro, irlandês. Daí, depois de quase ter caído sem querer na casa de um monte de indianos (já que Joyndintra, pra mim tava mais pra nome de mulher africana), decidi parar de procurar meu novo sharemate pela internet, ficar uma semana em um albergue e só quando chegasse em Townsville procurar um lugar pra ficar. Pra isso, pedi algumas dicas pro tal amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte boa é que a maior parte dos hostels australianos tem website, o que deixou tudo mais fácil; eu procurei os de Townsville, fiquei entre dois. Um com dormitório feminino e outro com quarto individual. Assim como Ariel, eu também fui uma boa menina e fiquei com um quarto só pra mim - mas tive que pagar por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio devia ficar lá só uma semana, mas por mais que procurasse não achei nada que valesse a pena a troca. As casas daqui são no estilo queenslander, em homenagem ao nome do estado Queensland. Isso significa que elas ficam todas a cerca de um metro e meio de altura, sustentadas por umas vigas de madeira. Nesse espaço vazio entre o piso e a terra às vezes tem um varal, oficina, às vezes é espaço vazio mesmo, mas serve pra casa, elevada, aproveitar melhor a brisa e não pegar o calor do solo, já que aqui é muito quente. As casas são de madeira, o que seria bonitinho se fossem bem cuidadas. Porém, nessa minha semana vi uma caindo aos pedaços mais do que a outra, tábuas sem pintura, árvores com teias de aranha. Preocupação com arquitetura, só nos bairros mais novos e distantes. Em muitas ruas não existe calçada, só grama alta, por causa da preocupação ecológica ou por desleixo mesmo. Além disso, há o problema em achar república, ainda mais no começo do ano. A maior parte dos anúncios era pra morar em casa de família. Daí entra a questão das pessoas de Townsville que, apesar de muito simpáticas, nem sempre são daquele tipo que você vê todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo foi um homem de uns 40, 50 anos, bem capeãozão, que me recebeu descalço, de pé bem sujo. A casa, enorme, no alto de um morro, era a mais descuidada de todas e possivelmente ia cair antes mesmo que a de palha, ao primeiro sopro do lobo mau. O cara era simpático, inteligente, mas parecia muito ter saído de um dos livros de Monteiro Lobato. Em outra, essa realmente bem cuidada, cheia de estampa de florzinhas, como casa de vovó, os donos eram a la filme de terror: a mulher, mais velha, toda magrinha, cansada, metódica, ruiva meio desbotada, com a aliança do marido morto pendurada no pescoço, falava baixinho e devagar; o marido (o novo), um velhinho meio curvado, careca, barrigão e com cara de psico, daqueles que olha meio com o olho virado quando fala contigo (a piscina, porém, era maravilhosa, mas só pensei "de que adianta essa piscina se nunca vou ter coragem de entrar com esse homem aqui?"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das várias casas que fui até a porta mas desencanei de ver, o cara tinha patos como animais de estimação, o que nem seria problema, se a casa não ornasse tanto com o estilo família buscapé. No fim, depois de ter passado por uma espécie de asilo, sete quartos, um de frente pro outro, e muitas senhoras de idade pra usar o mesmo banheiro (uma delas tinha o cabelo roxo e uma considerável barba feita de uns 30 pelinhos brancos, todos com cerca de um centímetro de comprimetro), quase aluguei um quarto numa casa ruim, só porque simpatizei com a dona - carência é foda, como diz minha amiga carioca, e eu estava carente de pessoas ditas normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado bom de se morar num albergue é que se conhece um monte de gente, mas isso se você mora em dormitório. Como eu estava morando num quarto sozinha, acabei conhecendo um ou outro, só. A maioria, australiano, mas também tem bastante de fora. Graças ao convênio que a Austrália tem com alguns países, muitos europeus (da Irlanda em especial) vêm pra cá trabalhar e viajar. É o work &amp; holliday visa, que serve por um ano e pode ser renovado por mais um desde que se passe três ou quatro meses trabalhando nas fazendas, onde o país precisa de empregados. Graças a essa necessidade de mão de obra, os chamados backpackers (mochileiros) passam um mês num lugar, dois meses em outro, trabalhando em construções, hotéis, restaurantes e morando por um bom tempo nos tais hostels ou backpackers (nesse caso, albergues). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu backpacker, por sinal, era uma graça. Dois andares de apartamentos, todos com varandinha. Nos dois andares, dois banheiros enormes, um masculino e um feminino, e uma lavanderia, que funcionava por moeda. No térreo, cozinha e salão de jogos. Os quartos tinham uma cama, uma mesinha, um refrigerador, às vezes um armário. No último andar tinha até uma piscina. Porém, como a piscna ficava de frente para um prédio em construção, cuja grande parte dos pedreiros morava no próprio hostel, eu acabei me decidindo pela praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa boa de se morar lá é que você paga a semana. Não tem depósito (o tal do bond), não tem gasto com conta de luz ou água. Também não tem que comprar pratos, talheres ou panelas. Pode pegar tudo emprestado do próprio lugar, por mais nojento que isso às vezes seja. A comodidade é tanta que o quarto vira a casa das pessoas, ainda mas se você veio com amigos. Nas janelas têm bandeiras e placas gruadas, os quartos têm TVs, rádios e a geladeira lotada de cerveja (na sua maioria XXXX - se pronuncia 'four éx' -, a marca aqui de Queensland, bem ruizinha por sinal). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, a gente se acostuma. O meu quarto da segunda semana tinha armário e um colchão decente, o que me fez pensar em ficar lá de vez. O único problema é que, por ser a priori uma estadia de curta temporada e grande rotatividade, o preço por um dormitório individual sai mais caro do que o aluguel de um quarto em casa de família. Pensando nisso, continuei a busca por mais uma semana até que achei o que procurava. Menos de um mês depois da mudança, já me senti em casa e voltei à rotina de por vezes acordar, sair, passar o dia e a noite na rua - chegar em casa só pra dormir. A definição parece a de um albergue, mas não é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mobília, a estrutura, pode até ser a mesma. Um quarto, uma cama, um armário, uma mesa. Televisão, criados-mudos e sofá vieram de brinde, que nem precisava tanto. Já a liberdade de poder ficar com a porta do quarto aberta e usar as áreas comuns (vulgo sala, cozinha e banheiro) sem ter que se preocupar com o tamanho do shorts ou da camisola que está vestindo e a confiança de ter alguém com quem se pode contar não são. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses poucos, mas importantes elementos é que fazem a diferença entre uma cela e um quarto; um albergue e uma casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7132567270584421373?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7132567270584421373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7132567270584421373&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7132567270584421373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7132567270584421373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/03/o-quarto-e-o-dormitorio.html' title='O quarto e o dormitório'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1561244999741627679</id><published>2009-03-15T17:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T17:27:00.067-07:00</updated><title type='text'>Excesso de bagagem</title><content type='html'>Último dia de viagem. Como fui uma boa menina e fiz tudo direitinho, ganhei um quarto só pra mim no Hostel. Que bom, se não fosse isso, meus momentos finais poderiam ter sido ainda piores do que foram.&lt;br /&gt;Já passava das duas quando fui dormir, depois de reorganizar duas malas enormes, só com coisas da minha irmã. É, em pouco mais de meio ano, ela comprou meia Alemanha. E pior, não tem a menor vocação pra arrumar a mala.&lt;br /&gt;Antes das três, o telefone tocou:&lt;br /&gt;- To desesperada, não consigo arrumar a mala. Vem pra cá agora.&lt;br /&gt;- Mas que horas são, não tem transporte.&lt;br /&gt;- Então vem às cinco, quando abrir.&lt;br /&gt;- Ok.&lt;br /&gt;Poucos minutos depois, quando comecei a ter de volta a minha consciência, o sono já havia ido pro saco, percebi que não fazia sentido invadir a casa das pessoas, sem avisar, às 5 da manhã. Eles iam achar que eu tinha dormido escondido lá. Dessa vez, quem ligou fui eu.&lt;br /&gt;- Alô, não vou entrar mais não. Guarda tudo o que conseguir na mala, o que sobrar coloca em sacola de compras e eu passo aí e trago pro hostel.&lt;br /&gt;- Mas não vai caber, precisamos comprar uma mala nova.&lt;br /&gt;- Não dá ... Já temos quatro malas de rodinhas e duas mochilas.... Não temos mais mão pra carregar.&lt;br /&gt;- Ta bom.&lt;br /&gt;40 minutos, dois trens e um longa caminhada subindo a montanha, cheguei à casa dela. Era mala e sacola que não acabava mais. Sai correndo, empurrando tudo pra não perder um ônibus. Linha única, subia e descia o bairro. Se o perdesse, tinha de esperar 40 minutos até ele completar outra volta.&lt;br /&gt;Depois o trem, e outro trem. Tinha baldeação no hostel também. Descia até o terceiro andar, percorria um longo corredor, e pegava outro elevador, desta vez até o sexto.&lt;br /&gt;Joguei tudo lá, e parti outra vez para o bairro... Dessa vez, além da bagagem, ela veio junto. Chegamos ao hostel por volta das 07:30. Às 8, ela tinha de estar no aeroporto. Impossível. Abri correndo a mala de mão e tentei reorganizar e encaixar o que pude. Ela levou as malas que já havia arrumado durante a noite, e também essa da bagagem de mão. Fui com ela até a estação central, pra ajudar a carregar a carga, e voltei correndo até o hostel. Meu vôo só saia às 15 horas, mas tinha de fazer check out até 10 da manhã... E já passava das 9 e meia quando cheguei de volta.&lt;br /&gt;O quarto estava de cabeça pra baixo. A quantidade de roupas e lembranças era absurda pra uma única pessoa. As malas já estavam superlotadas, e superpesadas, porque também tinham livros de moda e afins... Aqueles bem grossos, de capa dura.&lt;br /&gt;Guardei tudo o que pude nas malas, na mochila e na minha bolsa e, todos os presentes, coisas quebráveis, etc, foram pra um sacão enorme de pano (estilo sacoleiro mesmo), daqueles pra por roupa pra lavar. Todo colorido, cheio de palavras como laundry, clothes. Um mico. Pra completar, ainda tinham dois casacos enormes e, pasmem, um guarda-chuva que minha irmã me implorou pra levar.&lt;br /&gt;Tentei sair do quarto mas demorei 5 minutos pra conseguir fazer as malas se mexerem. Fiz check out com meia hora de atraso e, transpirando mesmo de camiseta, em um frio de 3 graus. &lt;br /&gt;Fiquei com os dois joelhos roxos de empurrar uma das malas com eles, a porta do trem fechou em cima de mim e prendeu a minha mão e, claro, quebrei alguns dos presentes da sacola. Perdi as contas de quantas vezes prometi matar a minha irmã.&lt;br /&gt;Depois que consegui despachar as bagagens e fiquei só com a bolsa de sacoleiro (superpesada), a mochila, a minha bolsa e dois casacos... Ah, e o guarda-chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1561244999741627679?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1561244999741627679/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1561244999741627679&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1561244999741627679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1561244999741627679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/03/excesso-de-bagagem.html' title='Excesso de bagagem'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3180704023681670019</id><published>2009-02-24T20:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T20:58:48.339-08:00</updated><title type='text'>Packing again</title><content type='html'>Pra que dia você quer?&lt;br /&gt;Terça ou quarta da semana que vem&lt;br /&gt;Townsville, né? Quantas pessoas?&lt;br /&gt;Uma!&lt;br /&gt;Ida e volta ou ida?&lt;br /&gt;Só ida!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(após um breve silêncio, com um sorriso ainda maior no rosto)&lt;br /&gt;É... tô deixando tudo pra trás! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, lembrando da cena eu posso dizer que só não esperava que esse tudo significasse tanta coisa, esquecida ou descartada mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aeroporto doméstico de Perth não tem aquela sanfoninha que liga a aeronave ao prédio, então saí correndo pela pista em direção à escadinha. Não tinha dado mais do que dez passos quando levei uma bronca do comandante que vinha logo atrás de mim. Parei, me ajeitei, passei a só andar rápido, apreensiva, só esperando pra ver se levava uma segunda bronca, mas ele só ria. Afinal, foi ele mesmo quem disse que, sim, eu tava muuuuito atrasada, e ainda mais que eu já tava meio traumatizada de termos sido encaradas pelo avião inteiro quando atrasamos a volta de Bali - mas ele não sabia disso. Ele também não sabia o porque do meu atraso, senão talvez não tivesse me deixado embarcar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No saguão, 10 minutos antes, o moço da companhia me dizia, sorrindo “você esteve muito perto de perder esse vôo”. “Você não tem idéia do quão perto eu estive de perder esse vôo”, respondi, rindo, ainda meio nervosa e tentando não pensar que talvez tivesse algum motivo pra não viajar aquele dia, ainda mais com tanta gente pedindo pra ficar um tempo a mais, ir só na semana seguinte. Eu não podia. Tinha que resolver as coisas antes de começar as aulas, mas só ficava imaginando a cara das pessoas “tá vendo, eu falei que ela devia ter ido na semana seguinte” se algo acontecesse. Será que não era um monte de sinais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não tinha conseguido resolver o que queria em Perth, faltou um monte de lugar que queria visitar, meu trabalho de DP tava errado. E ainda tinha mais essa agora: depois de um dia inteiro arrumando a mala e me desfazendo de todos os itens não-fundamentais à minha existência até chegar aos 23 quilos de bagagem pra ser despachada mais 7 quilos de bolsa de mão permitidos em viagem doméstica (o que resultou num monte de presente pras minhas amigas), resolvi checar minha bolsa e bateu o desespero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eram mais de 11 da noite. O vôo saía às 00h40. Tentei resolver, mas não consegui. Faltando 10 minutos pra meia-noite deixei a maior zona da história daquela casa pra minha roommate arrumar e fomos embora. Graças às mil conversões proibidas do meu amigo, chegamos no aeroporto antes do avião decolar, mas não antes do check-in ter fechado. O moço do guichê foi mega simpático, religou a maquininha e me deixou embarcar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indicação de que deveria ir pro portão 4 veio quase ao mesmo tempo em que a mocinha do auto-falante chamava meu nome dizendo que aquela era a minha última chance. Eu tava louca pra entrar, reclamando que ia perder o avião, mas o outro moço encanou que queria que eu o autorizasse a passar o tal do segundo raio-x. “There is no problema”, ele repetia todo feliz de saber uma palavra em português. Eu replicava que se perdesse o avião teria, sim, muito “problema”. No fundo só pensei que pra gostar de falar “problema” tinha mesmo que ser segurança; “tudo bem” é tão mais bonito... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pressa, me despedi correndo de todo mundo e entrei pelo tunelzinho que ia me levar à pista onde levei a tal bronca. Segundo minha amiga, cuja câmera acabou a memória de tantas fotos e vídeos que ela fez enquanto arrumava a mala e corríamos pro aeroporto, a cena foi quase poética, com a porta fechando atrás de mim. Ela tinha pedido pra mandar uma mensagem quando estivesse sentada, mas o comissário me viu com o celular e me deu outra bronca, ainda sorrindo. E eu, com o coração disparado ainda, só dava graças aos céus que tudo deu certo e ninguém nem percebeu a falta do passaporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Único documento oficial, como gosta de relembrar meu pai, sem ele, não se pode nem entrar em balada, como comprovou o amigo do carro, e eu consegui perder o meu no dia da viagem. Na verdade, até então eu não sabia disso, mas um dia antes, ao despachar uma mala pro Brasil, deixei meu passaporte no Post Office (correios). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso muito podia ser um sinal que eu não deveria viajar, que alguma coisa iria acontecer com o avião. Mas, na pressa de me despachar, o moço não pesou minha mochila ou a bagagem de mão nem muito menos olhou o papel do vôo ou qualquer identificação. Só conferiu o nome e boa viagem. Daí, depois que eu cheguei, inteira, tudo vez um pouco de sentido. Talvez minha aflição estivesse certa. Se eu tivesse chegado antes eles talvez eles tivessem sido mais rígidos. Talvez o motivo pra eu quase não viajar era pra acabar viajando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3180704023681670019?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3180704023681670019/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3180704023681670019&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3180704023681670019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3180704023681670019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/02/packing-again.html' title='Packing again'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1102368616007092640</id><published>2009-02-24T20:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T20:54:34.359-08:00</updated><title type='text'>Farewell week</title><content type='html'>No exato momento em que eu colocava a última leva de garrafas de cerveja no latão de lixo eu vi a dona da casa saindo do carro. Oito e quarenta da manhã de um domingo, quase uma sacanagem, mas a gente avisou que não ia renovar o contrato só duas semanas antes de sair e ela sempre foi tão solícita que valia um esforço pra conseguir logo alugar a tal da unit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a noite anterior tinha sido a minha festa de despedida e, consequentemente, despedida da casa. O povo até que se comportou, mesmo porque grande parte deles eu já tinha visto naquela semana nas minhas outras despedidas, mas mesmo assim tinha garrafinha de cerveja e cidra pra tudo quanto é lado, além de salgadinho, patê, queijo, copos com resto de caipirinha dentro e umas duas ou três garrafas de vodka vazias. Mesmo que a gente tivesse um lixo decente não caberia tudo. No balde vermelho que desde que chegamos usávamos como lixo, então, nem se fala. O povo tinha um porquê de deixar tudo espalhado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a semana anterior eu não sabia que dia ia embora de Perth sentido Townsville, mas a falta de emprego pós-Bali (quando em vão resolvi ser sincera e avisar na balada que ia ficar as próximas duas semanas fora, mas que queria voltar a trabalhar mais dois finais de semana pra então ir embora de vez) me fez adiantar os planos. Comprei a passagem pra quarta de madrugada e na terça anterior ao vôo começou meio que inconscientemente a semana de despedidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia foi de salsa, em um dos bares do primeiro final de semana em Perth. No comecinho tem aula e depois o povo dança. Mas aparentemente só dança mesmo quem veio com seu par ou já é conhecido na casa. A gente ficou ali, olhando, mas australiano nenhum chamou qualquer das meninas pra dançar, o que me fez lembrar, saudosa, do Conexion em São Paulo. O nosso australiano bem que era esforçado e estava fazendo consideráveis melhorias no forró, mas salsa ainda era pedir demais. No meio da noite uma das amigas cariocas some e depois de quase uma hora volta trazendo um colombiano junto. O senhorzinho pagou bebida e dançou com quase todas as meninas, mais com o menino, pra tentar ensiná-lo a dançar com a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta, a idéia era ir para o forró, mas quando ainda a gente ainda se arrumava os amigos pontuais avisaram que o negócio tinha sido cancelado por falta de quórum, atribuída ao intenso calor. Daí, foi todo mundo pra casa. Na quinta, a tradicional baladinha brasileira. Um dos meninos de Fremantle não conseguiu entrar porque tinha perdido o passaporte no Ano Novo e o documento não tinha chegado ainda. Mesmo com B.O. e sorrisinho pro segurança não teve jeito e o moço ficou pra fora. Na volta, a carona acabou levando a gente pra casa de uns amigos, onde continuamos até as quatro e tantas da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta, jantar pras poucas pessoas na casa da amiga quase-chef. Em seguida fui ganhar uma bebida de graça na balada por devolver minhas credenciais e pistola, ou seja, meu uniforme e pulseirinha de identificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, no sábado, depois de 9 horas de trabalho, que terminei distribuindo bebida com minha roommate em um Hotel que deve ter sido a inspiração para a música dos Eagles, começamos a tal festa oficial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em casa às 8h25 da noite. Tinha marcado pras pessoas chegarem às 9h, 9h30. Brasileiro, lógico, chegou às 10, 11h, meia-noite. O resto tudo chegou antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa organização se resumiu a mudar o sofá de lado, abrir a porta de vidro e comprar frutas, copos, canudinhos e ralos salgadinhos. Duas garrafas de vodkas tinham vindo do free shop pós-Bali. Uma outra metade mofava no freezer. Os franceses trouxeram o resto de mais uma. Isso além das cervejas, vinhos e cidras pra consumo individual que o povo trouxe graças a esse bendito esquema de "bring your own booze", em que cada um se responsabiliza pela própria bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na lista de presença, um monte de brasileiros, um venezuelano, três australianos (sendo um falando português e outra, francês), uma de Fiji, uma x, uma coreana, dois franceses, um indiano, dois malasianos, uma sul-africana. A mudança de móveis deu certo e trouxe até o novo gato do novo vizinho pra dentro da sala. Algumas horas depois foi o próprio vizinho quem surgiu, tão sorrateiro quanto o bichano. Como em toda boa festa, essa terminou com muita gente chorando de bêbada, outros consolando e uma terceira parte alheia a tudo o que acontecia ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três da manhã minha roommate foi trabalhar e a festa rapidamente acabou. Os remanescentes, incluindo essa dona da casa, foram pra outra festa, na vila brasileira, mas que já estava miada. Ali dei o tchau derradeiro e choroso pra amiga de Fiji, umas das que sei que dificilmente verei de novo - por mais que ela fale que vai casar com um brasileiro. "That is the problem of being attached to tourists", alguém me disse recentemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 6h30 da manhã estava na minha cama. Às 10h, depois de um rápido intervalo em que duas pessoas consideraram alugar a minha casinha, lá estava eu de volta. Nesse meio tempo, como não tinha dado pra arrumar tudo, a dona da unit me ajudou a limpar, recolhendo canudinhos e passando um pano molhado na mesa, toda grudenta de vodka e açúcar. Quase rolou uma vergonha, mas eu tinha avisado que ia dar um jantar de despedida na noite anterior. Só dei graças aos céus pela tampa do lixo estar virada para o outro lado, impedindo a visão de quem vinha da rua, ou meu depósito da casa já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 8h da noite do mesmo dia estava de volta à mesma vila prum churrasco na nova casa da minha antiga roommate. Lá, mais tchaus. Na segunda, só pra fechar, um cinema com as meninas. "He just not that into you" me fez lembrar Lucy, Ariel e tantas outras amigas,  apesar de achar que foi alguém de outro grupinho que me disse ter lido o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pro bem ou pro mal, parece que estou me acostumando a despedidas. Por mais gay que seja dizer isso, as pessoas que realmente importam continuam contigo por mais longe que se esteja. Mas é lógico que isso não tira de forma alguma a necessidade de festas. No menor dos casos, elas são importantes pra se tirar muitas fotos, colocar pela casa inteira, publicar em Orkut, Facebook e mostrar pro povo que não teve paciência de ler esse texto todo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1102368616007092640?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1102368616007092640/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1102368616007092640&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1102368616007092640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1102368616007092640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/02/farewell-week.html' title='Farewell week'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4115095181067113234</id><published>2009-02-24T20:36:00.001-08:00</published><updated>2009-02-24T20:50:39.113-08:00</updated><title type='text'>Dez dias em Bali</title><content type='html'>Apesar do tempo nublado, o comandante avisou que fazia 31 graus no aeroporto de Depansar, em Bali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo já tinha me contado que na sua ida à Tailândia ele tinha matado todas as saudades do Brasil, podendo beber na rua, vendo camelôs em tudo quanto é esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que a gente chegou percebeu mesmo que estava de volta à parte em desenvolvimento do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fila imensa de turistas esperava pra pegar o visto, pago na hora, sem nenhum pré-requisito. Dez dólares americanos se você quiser ficar até uma semana, vinte e cinco se quiser ficar de oito dias a um mês. Em nenhuma hipótese isso pode ser renovado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No saguão de desembarque já dava pra ver um pouco da cultura balinesa, com um monte com imagens em gesso de monstros e dragões decorando as vigas da parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo desmentimos a idéia de que Bali só dá australiano. Na fila, praticamente só asiático, o que pode ser explicado também pelo fato de que tinha acabado de chegar um mega avião da china, de dois andares e tudo. Com tanta gente no país até avião vira transporte coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da fila, todo mundo deveria passar por dois guichês, um em seguida do outro. A gente passou por um. Daí descobriu que não tinha o tal landing ou arrival ticket. Voltamos pro saguão e fomos falar com um carinha numa mesinha de canto. O que tinha que preencher nesse ticket eu não tenho a menor idéia, já que os moços preencheram pra gente usando só as informações do nosso passaporte e onde iríamos ficar (“Eu sei que vocês vai ficar dez dias, eu quero saber onde” ele respondeu depois da gente ter entendido errado a pergunta dele, feita num inglês com tanto acent quanto o nosso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bali não faz a menor exigência pra entrar no país, mas se folgar a briga é seria. Um pôster enorme diz que tráfico de drogas é punido com pena de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga se perguntava se o freeshop de lá seria grande. Eu ainda não posso responder, mas não deve ser, já que a gente passou por ele e não viu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passadas as burocracias, na hora de entrar no país mesmo, a gente já se sentiu acuada. Vendedores de dólar cada um em seu guichê chamavam a gente pra suas lojinhas, gritando e agitando plaquinhas de “no comission” - mas a cotação era a mesma em todas. Depois de alguns minutos estáticas, tentando entender aquela cena, cada uma entrou num guichê diferente. A minha moça explicou que a taxa é a mesma, mas são cada guichê é de uma empresa. Como não tem diferença de valor, eles têm que chamar a atenção desse jeito mesmo. O negócio é que aparentemente eles se divertem com a brincadeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua é até possível conseguir uma melhor cotação, mas é preciso tomar cuidado pra não te enganarem, disse ainda a menina que nos ensinou a primeira frase local. "Tarima Kasi". Obrigado, em indonesian. Em resposta, se diz "Sama Sama". Em balinês é diferente, mas todo mundo fala as duas línguas fluentemente. Depois, iríamos descobrir que balinês é muito mais esperto do que a gente pensava e, mesmo sabendo que precisávamos tomar cuidado, perdemos dinheiro na troca pela moeda local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma agitação das casas de câmbio se repetiu na porta do aeroporto, quando dezenas de locais esperavam cada um o seu passageiro, ostentando plaquinhas com os nomes das pessoas. Em seguida, os taxistas - ou taksistas - tentavam quase que te agarrar pelo braço. Pro nosso hotel, o primeiro ofereceu por 100, no fim fechamos por 75 e talvez ainda caro. Estava estranhando a qualidade dos carros, todos grandes e novos, mas na hora de assinar a primeira viagem descobri que a maioria é alugada. O povo da Indonésia é realmente muito humilde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, quase se implorava pra que entrássemos nas lojas, alugássemos um carro ou fizéssemos prolongamento de cabelo ou dread. Tudo pra ganhar algum dinheiro, que pelo visto é mais escasso do que no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país vive de plantações de arroz, alguma exportação de produtos de decoração, mas principalmente de turismo. Porém, dois eventos afetaram muito a economia local. Um deles foi a recente queda das bolsas asiáticas. O outro, um pouco mais antigo, foi o atentado a bomba a uma das baladas mais famosas da cidade. Hoje, no lugar, tem só um monumento, com uma fonte e uma parede onde estão os nomes de todos os mortos na tragédia. Entre eles, dois brasileiros. A maioria mesmo era australiana, gente jovem, de férias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso hotel ficava na rua de trás de onde era a balada. Segundo o camareiro, um dos hóspedes que morreu ia se casar no dia seguinte no próprio hotel. A noiva, também australiana, estava dormindo na hora. Vai ver até acordou com o barulho. A explosão foi tão forte que, mesmo com a distância, quebrou algumas janelas dos quartos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atentado aconteceu em 2002, mas ainda hoje muita gente evita entrar de no país com medo de mais alguma tragédia. Não é à toa que quando a gente perguntou pro nosso motorista sobre o caso ele fez questão de enfatizar que isso era passado. Sem turismo o país não sobrevive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas, os moços que vendiam jornal passavam em cada um dos carros perguntando da onde os passageiros eram, já que eles tinham jornais de quase o mundo todo. Todos, inevitavelmente, fizeram uma cara muito frustrada ao saber que éramos do Brasil. Isso porque eles não tinham nenhum jornal pra nos oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas baladas, estrangeiro é tratado como rei. O povo local paga pra entrar. Overseas entra graça e às vezes ainda recebe um drink de boas-vindas. Na primeira que a gente foi, ganhamos um líquido amarelo num tubo de ensaio. A moça disse que era "o mesmo suco que vendia lá dentro", mas que ali era só uma amostra. O negócio é que a gente não tinha idéia de que suco era aquele. Enquanto uma amiga ficou meio receosa, a outra me mostrava que já tinha tomado metade. Apesar da cor do vidro, meio sujo, segui a loira e virei o tubinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro, a música até tava boa, a mesma dance das baladas australianas, mas o público era quase só local, além de um ou outro indiano, xavequeiro como sempre. O negocinho que a gente bebeu não era ruim. O bartender mostrou a garrafa. Era suco de laranja com o destilado de arroz balinês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinze minutos depois, fomos conhecer os outros lugares. Os clubs eram bons, música parecida com as da Austrália, povo da Austrália, mas de outras parte do país além de Perth. Muito europeu, também. No Bounty, mais famoso dos clubs, e para onde voltamos quase todas as outras noite, aproveitamos as nossas roupas aussie e o primeiro andar vazio pra tirar foto dentro da gaiola. Aliás, o que a gente mais fez foi tirar foto. Mais de 3500 fotos em 10 dias de viagem, o que incluiu de foto de templos e a gente experimentando peruca numa loja de departamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos em Perth, minha amiga disse que achava estranho as ruas perfeitinhas demais, mas com coisa boa a gente acostuma. Nas ruas de Bali, a gente estranha com a quantidade de buracos. Eu, lógico, quase torci o tornozelo uma dúzia de vezes. Quando não virava o pé, chutava ou, sempre sem querer, pisava nas oferendas que eles colocam no chão, bem em frente às lojas – em todas elas – pra dar sorte. Junto à maior parte do comércio, por sinal, tem um monumento com alguma estátua de monstro gordinho, a maioria deles com uma cara simpática, em frente ao qual também se colocam as tais oferendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As roupas e coisas para decoração são baratas. Muito baratas. Mas tem que pechinchar, por mais chato que isso seja. Às vezes dá até um peso na consciência. O povo não tem dinheiro e na maioria das vezes você consegue levar o produto por um valor até três vezes menor que o inicial. Depois de alguns dias de viagem você acaba aprendendo o real preço das coisas e mais de uma vez uma de nós saiu ofendida, pisando duro após ter se sentido passada por idiota por de um vendedor tinha jogado o preço muito alto e que depois, arrependido, gritava repetitivamente “por quanto você quer então?”. Mas não tinha jeito, se jogou o preço lá em cima, pra chegar no valor que você quer demora e dizer não depois que começar a negociar é quase impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população sofre com falta de dinheiro e eles freqüentemente usam isso como arma de convencimento, pedindo pra comprar qualquer coisa porque não venderam nada o dia inteiro. Vender, no fundo, se torna quase um pedido de esmola. E mesmo assim tem gente que pede dinheiro, normalmente depois da balada, às vezes trazendo junto um bebê de colo. Também tem muita prostituta, algumas delas crianças, numa triste situação que brasileiro conhece muito bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a problemática financeira chegando a esse ponto não é difícil prever que logo Bali não vai mais ser um lugar tão seguro. A religiosidade do povo balinês é uma coisa muito forte, mas tem muita gente de fora que não tem todos esses princípios. E mesmo com aqueles que têm, dá pra se colocar no lugar e imaginar a raiva que vai crescendo dentro deles, sem dinheiro nenhum e vendo esse bando de turista que tem um monte de dólares se recusando a comprar uma coisinha que seja pra ajudar a sua família. Uma hora a raiva explode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, de vez em nunca se houve falar de um roubo de carteira, mas o mais comum ainda é truque na hora de trocar dinheiro. A gente foi, se achando as safas, tendo certeza que se a gente contasse direitinho ninguém ia ser enganada. Seguimos a cotação mais alta, contamos as três o dinheiro de cada uma, separamos em bolinho. Na hora que ele encostou no montinho pra entregar de volta sumiu umas 20 notas pelo menos, totalizando 400 mil rúpias de cada uma, o que equivalente a 40 dólares americanos, uma fortuna pra eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente só percebeu quando chegou no hotel e, por decisão da minha amiga que queria só dizer que tínhamos percebido o roubo e que isso era um absurdo, fomos falar com o moço de volta. Do outro lado da rua, seis caras do mesmo grupo jogavam cartas e davam risada da gente. Menos de dois minutos de conversa o moço admitiu que tinha tirado o dinheiro porque era assim que ele conseguia sobreviver. Pediu desculpas e disse que devolveria metade do dinheiro, já que o chefe tinha passado e levado o resto. Aceitamos a metade oferecida e ainda saímos apertando a mão do cara como se ele tivesse feito um favor. Mas a verdade é que ninguém esperava ver nem metade do dinheiro de volta, então foi quase um lucro. Depois, alguém falou que se eles fossem pegos roubando perderiam uma das mãos, por isso pra ele era mais vantajoso devolver metade e fazer a gente ficar quieta. E mesmo assim ele ganhou muito. No hotel, conhecemos um casal que além de perder dinheiro foi feito de idiota, já que o moço em questão disse que era tradição fazer reverência antes de pegar o dinheiro. Então ele, com as notas entre as mãos fez a reverência - e nessa pegou um belo bolinho - e passou pro turista que reverenciou de volta o amigo mão leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui outras duas marcas registradas de Bali. Número um as scooters. A maioria do pessoal que vai pra lá aluga motinho e sai pra passear sozinho. A gente, por minha causa, que não me senti segura pra andar no trânsito balinês, mil vezes mais caótico do que o de São Paulo, acabamos só com os motoristas particulares, que nem são tão caros. Segundo uma amiga acabou de me contar, provavelmente a moto sairia ainda mais cara, já que numa outra semelhança com o Brasil, os guardas adoram parar as pessoas – vulgo turistas – pra conseguir um cafezinho em vez de multá-las por qualquer coisa que eles acharem interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número dois é o Bali Belly, um espécie de rotavírus que também adora gente de fora. É tão normal pegar Bali Belly que o remédio está disponível em qualquer farmácia, não precisa nem passar pelo médico, e os sintomas, depois da pessoa ser medicada, passam em um dia. E já que não andamos de motinho, uma das meninas teve o Bali belly, só pra gente dizer que experimentou de quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que pensávamos, Bali não é feita de praia. Com raras exceções, a maioria em ilhas distantes, elas não são bonitas e são meio poluídas. Em compensação, o povo é simpático, feliz mesmo com a vida difícil, as cidades têm paisagens lindas e eles têm uma cultura muito rica, com várias lendas e tradições, coisa que não se vê num país novo como o dos cangurus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os templos são bonitos por causa da natureza. Muitos poucos têm algo de especial na arquitetura. Normalmente é paisagem e altares, com imagens de monstrinhos, mas têm alguns diferentes. No templo da água, chovia horrores e mesmo quem não se arriscava a entrar na piscina pública pra se purificar acabou se molhando. Esse foi o nosso caso, já que rejeitamos milhares de vezes os guarda-chuvas oferecidos pelas crianças que mal tinham corpo pra levantar o negócio. No templo do elefante o legal é uma caverninha, um outro é famoso pela enorme quantidade de macacos (que roubam de tudo, inclusive meus dois elásticos de cabelo) e no mais famoso deles, que esqueci o nome e minha amiga pode colocar via comentário, a sua simples localização no meio de uma praia já o torna fantástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrada pra todos templos eh quase de graça. Custa 7 mil rupias, o que equivale a cerca de 1 dólar, o que quase nao deve dar nem pra lavar a canga que eles emprestam e nos fazer usar em sinal de respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa ótima dos balineses é que eles têm fascinação por outros povos. Não foram poucos os indonésios (e indianos), homens e mulheres, que pediram pra tirar foto com a gente, de tão diferente que éramos em comparação à sua etnia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dez dias, na volta pra Austrália, saímos mais tarde do que deveríamos do hotel, tivemos mais uns probleminhas com a casa de câmbio do aeroporto e perdemos tempo comprando um salgadinho (já que a tarifa da Virgin Blue quase que não inclui nem água de graça e pra comer você tem que pagar na hora). Como resultado, fomos chamadas pelo autofalante. Quando entramos na aeronave, o avião inteiro, que já tinha sido informado que só estavam esperando três passageiros pra poder decolar, olhava pra nossa cara. Entre eles, dois casais que a gente não viu mais que eles nos viram. Casais de conhecidos e que disseram ter dado risada ao ver “quem eram os passageiros atrasados”. "Tinha que ser brasileiro, né". Como sempre, com a maior cara deslavada do mundo, a gente só ficou sem graça e deu risada. A única coisa que se pode dizer é que aproveitamos até o último minuto. E meu chocolate comprado no aeroporto valeu a cara feia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4115095181067113234?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4115095181067113234/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4115095181067113234&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4115095181067113234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4115095181067113234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/02/dez-dias-em-bali.html' title='Dez dias em Bali'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-251653163334167667</id><published>2009-02-24T20:30:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T20:35:48.577-08:00</updated><title type='text'>Yes, man!</title><content type='html'>A proposta era boa. Quem fosse trabalhar naquele dia trabalharia o dia todo, o que significa quase dez horas por dia. Além disso, os shows eram bons e tinha camping gratuito e exclusivo pra staff. Era um festival enorme no sul do estado que parecia durar vários dias, considerando o que você podia assinalar como disponível – de 19 de dezembro a 23 de janeiro. O único problema é que não tinha ninguém pra ir comigo. As meninas (em outra cidade) no sul e o resto tudo trabalhando em empregos fixos. Mas, entre ficar em casa sozinha e ficar numa barraca sozinha, muito melhor a barraca, cujo pacote inclui ver gente diferente, conhecer o festival e ainda ganhar dinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preenchi a application form enquanto lembrava de Paullette-Lana Banger e seu Universo Paralelo. Pode até ser que tenha algo semelhante, mas o da Western Australia, conforme descobri depois, é menor. Tem gente boa. Pra quem gosta, Franz Ferdinand foi uma das atrações, mas de show mesmo são só dois dias. O resto era escala pra quem fosse trabalhar na estruturação dos palcos, o que – ainda, pelo menos – não é o meu caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento todo foi intenso, no sentido inconstante da coisa. Por indicação da própria empresa, tentei conseguir carona por um site x, especializado nisso, mas não deu certo. Vai ver fui a única a me cadastrar. Depois, reservei pra em seguida desistir de alugar carro. Comprei a passagem pra ir de ônibus, assim não tinha data pra volta e podia visitar as meninas. Por fim, perdi o ticket ao ganhar uma carona do namorado de uma amiga que decidiu trazê-la pra cidade no final de semana, depois dela ter se machucado. Com a segunda amiga, combinei de jantar depois que fosse liberada. O problema é que o celular não funcionava, eu trabalhava o dia todo e o show ficava longe da cidade, num descampado onde não tinha nem sombra de telefone público. Eu sabia só o nome da cidade. Era uma cidade pequena, mas mesmo assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma terceira amiga tinha me avisado em cima da hora que trabalharia no 2º dia e, pra passar as coordenadas de onde minha barraca estava, acabei aceitando dois celulares emprestados de dois caras que encontrei na rua, um com que deixei mensagem de voz e outro pelo qual mandei sms. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte cedo resolvi comprar a passagem de volta. Tinha desistido de visitar as meninas pra aceitar trabalhar no domingo, em Perth. Quando cheguei, descobri que estava tudo esgotado. Se fosse no Brasil as empresas colocariam ônibus extras, mas aqui eu só teria como voltar na 3ª. Pedi carona pra umas 4 pessoas que trabalhavam comigo, mas todas tinham algum problema, o que contraria totalmente a experiência que vinha tendo com caronas. No meu último intervalo, já meio desolada, satisfeita com a idéia de ficar dois dias num camping qualquer, achei uma configuração em que meu celular funcionava. Falei com minha amiga que já armava uma carona pra mim – não porque ela soubesse que não tinha ônibus, mas porque eu tava no sul, uma outra amiga nossa também estava no sul, não tinha porque eu voltar de ônibus. Na verdade, quando souberam da falta de ônibus, ela e o namorado de dispuseram a me buscar de carro, o que significaria cerca de seis horas dirigindo, contando ida e volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei no camping naquela noite, já toda feliz, vejo uma barraca no meio do caminho e um bilhete enganchado no meu zíper. A tal terceira amiga entendeu as coordenadas e conseguiu chegar. Pra melhorar, ela tinha uma carona pras nós duas no dia seguinte. Ela estava com os meninos na cidade do lado e eles estavam voltando com exatamente um lugar a mais no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tal dia seguinte ligamos e eles iam deixar a cidade, mas pruma outra praia. Voltar pra Perth só no final do dia. Depois de esperarmos por cerca de uma hora o ônibus, pedimos informação prum grupo e ganhamos uma carona com uma moça loirinha, cara de 20 aninhos, mas que tinha uma filha de 15 e que esperava a outra, de três, ser devolvida da casa do pai. Já que não tinha jeito, liguei pro trabalho, disse que não ia porque não tinha ônibus e fomos encontrar o povo pra ir pra praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci os amigos da minha amiga – um grupo de umas 8 pessoas. Peguei o biquíni na mochila, me troquei no banheiro – já aqui todas as praias tem uma casinha com banheiro limpo e chuveiro – e passei o dia tomando sol. Já estava escuro quando cheguei finalmente em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de um mês depois, na saída do cinema, minha nova amiga comenta “cara, eu acho que eu preciso começar a falar mais ‘yes’ nessa vida”. Segundo o filme, novo do Jim Carrey, se você falar “sim” pras coisas o mundo vai se abrir pra você. Durante o filme eu já tinha feito uma reflexão similar, e, com base nesse e em outros eventos, respondi: “é, já eu acho que falo yes demais, mas tá bom!”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-251653163334167667?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/251653163334167667/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=251653163334167667&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/251653163334167667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/251653163334167667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/02/yes-man.html' title='Yes, man!'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3532121312265160539</id><published>2009-01-12T00:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T00:12:30.716-08:00</updated><title type='text'>Ano novo, de novo!</title><content type='html'>Quando a gente chegou na praia, minha nova amiga abriu a bolsa pra mostrar o que tinha trazido pra gente. Dois cadernos. Duas canetas. A idéia era aproveitar o último dia do ano pra escrever as resoluções de ano novo. Pra ela, o ano de 2008 foi tumultuado - no mau sentido. Desilusões amorosas, alguns problemas de saúde, um estresse constante. 2009 tinha que ser diferente, começando pela virada. Aliás, essa é uma das coisas mais bonitas que o Brasil tem. A esperança. Acho que já postei aqui, mas aí vai de novo um pedaço desse poema de Carlos Drummond de Andrade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;"Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente…"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Austrália, ao contrário, não se comemora muito o ano novo. A grande festa é no dia 26 de janeiro, no Australia Day. No Réveillon as pessoas costumam ir pra festas. Na casa de amigos ou em baladas. Normalmente nessas épocas os clubs fazem pacotes especiais, open bar, o que é difícilimo de se ver por aqui. Portanto, ano novo acaba sendo só mais uma desculpa pra beber. E isso sem nenhum ritual especial. Nada de vestir uma cor específica, muito menos escolher lingerie. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu ano novo eu passei trabalhando, como deveria ter passado o Natal. Mas, com medo de ser mandada embora às 11h e pouco de novo, dessa vez tinha feito mil planos alternativos. Pra começar, no próprio dia 31 quando saí pra comprar a calcinha nova, acabei achando uns vestidos em promoção. Experimentei dois e não ficaram legais, quando coloquei na arara, vi um tamanho M, todo branco. Cinco dólares. Serviu perfeitamente. Por mais que o povo daque não use branco no ano novo, por $5 não tinha nem o que pensar. Levei o vestido na bolsa pro trabalho. Já tinha combinado com essa amiga, se terminasse cedo, trocava de roupa e ia com ela pra praia jogar rosas brancas a Iemanjá. Como o vestido tem um elástico embaixo, não ia nem ser ruim pra pular as minhas sete ondinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha deixado de trabalhar em um outro evento pra trabalhar na balada. Se ela estivesse cheia, seria mais divertido do que ficar de garçonete em um jantar. Se tivesse vazia, tinha amigos em mil outras festas pelo bairro. Um dos clubs era festa à fantasia, outra black tie, Las Vegas party, festa do pijama. Cada uma com uma temática diferente. O trem, que aquele dia funcionaria até as 6h, estava lotadíssimo e cheio de gente colorida, dando risada alto, usando roupas engraçadas ou simplesmente diferentes. O único que não tinha programado nada demais era o lugar onde eu trabalho, por isso não tava colocando muita fé. Mas ele encheu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre acontece quando está movimentado, não percebi o tempo passar. Sentia meu celular vibrando no bolso, mas nem 5 minutos off eu consegui tirar pra retornar. De repente (ainda não acredito que por esse novo acordo de repente vai ser derrepente, adoro a expressão, junto é feio!), no momento em que servia quatro tequilas, o dj anunciou a contagem regressiva. É difícil descrever meu sentimento. Foi algo como "já? pô, aí... legal". Tava correndo muito pra esperar chegar até o zero. Faltando 7 segundos pra meia-noite voltei pros meus copinhos de shot. Vi meio de canto de olho meu gerente estourando uma caixinha com papeizinhos coloridos, cobrei as bebidas e fui pro próximo cliente. Uns cinco minutos depois, quando todos os glassies (galera responsável pelos copos, gelo e reposição de bebidas) estavam do lado de dentro do balcão, brindamos o ano novo com um shot de Galliano Amaretto (licor de vanilla) e voltamos pra correria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos às duas da manhã, um pouco mais tranqüilo, eu e o bartender indiano quase trombamos ao tentar usar ao mesmo tempo a caixa registradora que ficava entre a minha área e a dele. Parei, dei uma respirada. Foi a primeira vez na noite em que consegui parar. A gente riu da correria e ganhei um aperto de mão de feliz ano novo. Dois, na verdade, porque depois também cumprimentamos o moço que esperava pra ser atendido e acompanhava a cena dando sorrindo. Já o abraço de feliz ano novo, só no final do shift, indo embora, ao me despedir do meu gerente - pelo menos foi em alguém do sexo oposto, como manda a tradição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio do ponto marcava 5h58 quando fui passar o cartão pra ir embora. Já estava claro na rua. Ganhei uma carona pra casa, dormi 2h30 e saí de novo pra outro trabalho, dessa vez garçonete no bar vip de uma corrida de cavalos, o Perth Racing, evento tradicional do dia 1 de janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia do ano acabou como qualquer outro, só um pouco mais corrido, afinal, tem que aproveitar a essa época, em que mais tem trabalho. Janeiro é muito devagar. De resto, é difícil fazer projeções, traçar planos mais concretos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que, meio que inconscientemente, acabei dormindo na praia em vez de escrever no caderno trazido pela minha amiga. Desde o meio do ano, quando larguei o trabalho no Brasil tem acontecido uma série de mudanças. Tantas que às vezes é até difícil se adaptar. Foi a viagem pro outro lado do mundo, foi minha perna queimada (que só agora está relativamente normal), meu irmão que sofreu acidente, mudança pruma casa só minha com minha amiga, três mudanças de curso, um número praticamente incalculável de trabalhos diferentes, um monte de gente nova, de experiências novas, até o simples fato de ter me despedido da minha cachorra... tudo isso alterou substancialmente a minha vida nesses últimos meses, tanto que até o cabelo eu mudei de forma radical - sinal fortíssimo de renovação para as mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, por mais que eu adore essa perspectiva de ano novo, de coisas novas, acho que no momento eu estou no meu próprio redemoinho, mudando por mim mesma. Da mesma forma que o furacão atravessa um estado do país em direção ao outro, eu passei de 2008 para 2009. Não vou dizer que o ano não faz diferença. Muito pelo contrário, faz muita. Mas agora é só um fator a mais, uma mudança a mais. 2008 foi um ano tumultuado - no fim das contas, no bom sentido. Então, minha única projeção para 2009é que a vida continue assim, cheia de coisas novas. Que os problemas, se não puderem ser evitados, sejam remediáveis e que as coisas boas sejam cada vez mais freqüentes (freqüente com trema, aproveitando enquanto ainda posso usá-la).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3532121312265160539?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3532121312265160539/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3532121312265160539&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3532121312265160539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3532121312265160539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/01/ano-novo-de-novo.html' title='Ano novo, de novo!'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1800301635304882483</id><published>2009-01-11T22:31:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T22:47:06.854-08:00</updated><title type='text'>Um Natal para relembrar (de outro Natal)</title><content type='html'>Fim de noite do dia 25 de dezembro. Por fim, meu carro tinha voltado a funcionar. Eu já achava que essa história de ciclos era uma verdade irritante. Há dois anos, em 2006, tinha passado a minha véspera de Natal trabalhando e a meia-noite em si no carro, indo pra casa do meu avô. Essa véspera de Natal eu também passei trabalhando, como bartender numa balada - meu novo e possivelmente último emprego em Perth antes de mudar pra outra costa. A meia-noite em si passei no trem, a caminho de casa, já que o lugar estava mega vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que minha amiga soube que seria transferida de dezembro a janeiro para o sul, a principal preocupação (dela) era onde eu ia passar o Natal. Mas aqui ninguém tem família, então festa é que não faltou. Eu é que tinha preferido trabalhar. Pena que foi só por duas horas, mas sem grandes dramas. Esse ano parece que o Natal não aconteceu. Mandei presentes pra casa, tirei fotos com chapéu de ajudante de Papai Noel, a cidade estava - e quase um mês depois continua - enfeitada, mas os três fantasminhas de Charles Dickens não foram bater na minha porta e a data passou como outra qualquer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 25 passei com uma família australiana, família do namorado de uma amiga. Daí, tudo bem parecido com os brasileiros. Muita, mas muita comida. Carneiro, batata, salada, e não lembro mais o que. As sobremesas, por sua vez... Cheese Cake, Sticky Toffee Pudding, frutas e uma casinha de biscoito de gengibre com balas de goma e MMs da qual eu comi grande parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição daqui é a bombom box. Parece um bombom enorme (eu fiquei aguada quando vi no supermercado), mas é vazio. Eles fazem parte da decoração da mesa de Natal, e ficam em cima de cada prato. Na hora de sentar, antes de comer, cada um pega o seu. Uma pessoa puxa um lado da embalagem, a outra puxa o outro. Faz um estalinho, estoura a embalagem. Dentro tem uma coroa de papel fininho, meio crepom, um brinquedinho tosco e uma piada sem graça. Mas pelo menos as fotos ficam bonitinhas quando todo mundo usa o chapéu, até eles rasgarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigo secreto também tem, sob o nome de Secret Santa. Mas pelo menos na família onde eu estava, foi tudo mais simples. As pessoas escreveram o que gostariam de ganhar e em determinado momento, houve a troca de presentes. Cada um procurou o seu par e "oi, tá aqui o seu presente, eu sou seu amigo secreto". Nada de discurso, adivinhar quem é a pessoa... se não fosse pela dona da casa ter feito confusão e colocado duas vezes o nome dela e nenhuma o do filho, ninguém teria dado risada (num milagre de Natal, a irmã dele, por concidência, viu o mesmo cd que o moço tinha pedido, e comprou pro aniversário dele, que era um dia antes, então nem sem presente ele ficou). Outro ponto alto foi o kit retirement, que todos os filhos deram pro dono de casa, recém-aposentado. Vara de pesca, camiseta, livro, brinquedo... tudo dentro de uma mala. O problema é que a maioria das coisas era só emprestada pra brincadeira, nem sempre com o consentimento dos donos, o que fez um dos moços protestar indignado ao ver sua camisa nova dentro do tal kit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em todo bom Natal, lá naquele tinha uma velhinha simpática, com quem conversei por muito tempo. Ela até foi me mostrar a casa dela, the nana house ou algo assim. É a casa dela, dentro da casa deles. Quarto, sala, banheiro, cozinha separados por uma porta no fim do corredor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do dia, depois da minha dose de desprendimento de ter dado o meu chapéu de duende pras crianças da casa, fui com o carro alugado (o mesmo da viagem, já que por dez minutos tinha pego a agência fechada) pra Fremantle, dar feliz natal pros meninos. Parei o carro, vi que tinha dois quarteirões ainda. Tentei sair com ele, não consegui. Meia hora depois, meu amigo fuçando no motor, nada. Resolvi desencanar e tomar uma cerveja. Quem sabe mais tarde ele resolvesse sozinho. Foi assim todo o final de semana. Descontados uma ou outra confusão, dirigir do lado contrário tinha sido fácil. O problema foi a seta, também do outro lado, o que me fez perder a conta de quantas vezes eu liguei o pára-brisa por engano. Outro problema era que o carro, apesar de só com 4800 km, nem sempre ligava de primeira. Tentava uma, duas vezes, de repente ele funcionava. Então achei que ele só precisava de um tempinho. Uma hora depois, me despedi e fui preparada pra tentar de novo e chamar o seguro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois anos, no mesmo Natal de 2006 eu fiquei da meia-noite às 3h da manhã com o mecânico na frente do trabalho pra conseguir fazer meu carro funcionar. Por sorte, dessa vez funcionou sozinho. Voltei pra casa dos meninos, deixei o carro na garagem compartilhada com o vizinho. Mais uma cerveja, mais uma hora. Fui embora torcendo pro carro funcionar. Nada. Meu amigo perguntou se algum segredo. Eu não sabia de nada. Em todo caso, por instrução dele, tentei ligar pisando no freio. Em seguida, na embreagem. E daí ligou. Desligada que sou, não lembrei da mulher da agência me dizendo que tinha que pisar na embreagem pra ele funcionar. Também não percebi que durante os últimos 3 dias o carro só ligou quando pisava na embreagem. Acontece que na primeira tentativa, tranquila, tentava sair no ponto morto e nada. Na segunda ou terceira, já estressada e pronta pra forçar o motor, colocava a primeira, pisava na embreagem e o carro ligava. Temperamental era eu e não o carro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, fiquei satisfeita ao perceber que a vida não é feita de tantos ciclos. Ou então até é, afinal, naquele Natal o problema também era o segredo. Tinha acabado a pilha do chaveirinho que libera a injeção eletrônica - mesmo mecanismo da embreagem. Em todo caso, é sempre bom perceber que a gente pode aprender com os erros. Dessa vez, meu amigo descobriu o segredo antes de um novo mico com a seguradora. Não fui bem eu, mas tá valendo. Quem sabe da próxima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1800301635304882483?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1800301635304882483/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1800301635304882483&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1800301635304882483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1800301635304882483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/01/um-natal-para-relembrar-de-outro-natal.html' title='Um Natal para relembrar (de outro Natal)'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2916932547915888510</id><published>2009-01-08T13:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T13:37:25.952-08:00</updated><title type='text'>Torta de frango</title><content type='html'>Vocês assistiram à Fuga das Galinhas? Me sinto trabalhando no filme. É impressionante como as pessoas mudam o comportamento pelos motivos mais mesquinhos do mundo. Como o pretenso poder vira arrogância e as pessoas em volta viram cocozinhos. E passam a ser tratados como tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder tanto hierárquico, cargos de chefia etc, como o mais comum aqui, um lugar em que as pessoas aparecem no vídeo, causado pela inflamento constante do ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é... Aquela história de que você conhece a pessoa de verdade quando dá poder não poderia ser mais verdadeira. E a minha paciência não poderia ser menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui as pessoas entram galinhas e saem tortas de frango.&lt;br /&gt;Argh!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2916932547915888510?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2916932547915888510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2916932547915888510&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2916932547915888510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2916932547915888510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/01/torta-de-frango.html' title='Torta de frango'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3786011033247497497</id><published>2009-01-05T02:17:00.001-08:00</published><updated>2009-01-05T02:33:07.929-08:00</updated><title type='text'>Muito mico pra pouca praia</title><content type='html'>Mudar de país normalmente significa uma redescoberta. A comida tem que mudar já nem tudo se encontra aqui; a fruta até tem a mesma, mas custa caro e o sabor é diferente, a roupa tem outro estilo (a das australianas é larga na cintura e apertada na coxa, o que obiviamente não funciona pra mim e minhas pernas delicadas). Sendo assim, então por que não começar do zero e se reiventar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com esse pensamento que, dando risada, encarei a faca enorme pra cortar limões em fatias no meu primeiro dia no bar. Foi com esse pensamento que me permiti ser prendada. Tento cozinhar, lavo minha roupa e carrego três pratos com comida de uma vez com perfeição (um em cada mão e um último no antebraço). Por fim, foi com esse pensamento que eu quase aceitei desistir da barraca e pagar 150 dólares a mais pra ficar no caravan park (um trailerzinho fixo, que funciona como um chalé).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente já estava há mais de uma hora tentando montar aquela barraca enorme, que minha nova amiga tinha pego emprestada. Ela tentou montar em casa e não acabou. Daí foi me mostrar até onde tinha ido, mas não rolou muita melhora. Os pauzinhos não ficavam direito, pareciam menores do que deveriam e tinha alguma coisa de errada com a a tenda. Como estava escurecendo, cedi. Em último caso a gente dormia no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós duas não nos conhecíamos muito bem. Nos apresentamos um dia procurando emprego, marcamos de sair algumas vezes, mas só nos encontramos uma ou outra vez na baladinha brasileira. Como ela estava com 4 dias de folga, me chamou pra viajar. Como eu também estava, aceitei. Ainda mais agora com minha roommate longe. Combinamos na 5a, demos certeza no sábado, alugamos carro, decidimos a cidade e saímos na 2a. O camping mesmo, só quando chegamos lá. Não deu tempo pra nada. Eu não sabia que ela se estressava. Ela não sabia que eu sou teimosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, tudo certo, nenhuma briga. Mas pra não causar mais estresse e tentar evoluir espiritualmente, cogitava desistir da barraca antes que ficasse tarde demais. "Eu não preciso ser assim, eu posso desistir das coisas", repetia comigo mesmo, me recusando a acreditar. Foi aí que os meninos apareceram. Um loiro, cara de australiano do interior, meio chucro, cabelo raspado na lateral com um tufo atrás, uns 17 anos. O outro da mesma idade, moreno, simpático. Os dois viviam na região, sul do estado mais deserto da Austrália. O sotaque então, fortíssimo. Mas a gente conseguiu entendê-los o suficiente pra aceitar a ajuda. Minha amiga ainda ficou meio reticente. Não era possível que eles conseguissem montar antes de escurecer de vez. Eu só estava feliz de não ficar com aquela marca de impotência na testa. Tudo bem que eu não montei, mas a idéia de pagar a mais por que não consegui era frustrante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei um tempinho analisando a bola de rugby que eles deixaram no chão. "Reds" - aparentemente, o nome do time daqui. Pensava em como a vida é feita de coincidências, já que com aquele bando de homens olhando, foram justo os que brincavam com a bola de rubgy que vieram nos ajudar e o nome então... Daí lembrei do moleque da recepção, zuando que com toda certeza teria algum homem forte pra nos ajudar caso a gente não conseguisse montar a barraca. No fim, olha quem foram os nossos homens fortes... de nada adiantou escolher o camping porque era uma praia de surf (e surfistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, olhei pro pano no chão e levei um susto. A cor não era a mesma. Eles estavam montando outra coisa. Ou melhor, eles estavam montando a coisa certa. Chamei minha amiga. Meio desacreditada, meio com vergonha, mostrei o erro. O que a gente estava montando não era a barraca, era a cobertura dela! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mesmo com sete Jucas nas costas eu tive a capacidade de perder uma hora e meia da minha vida tentando montar a cobertura da barraca! Não é a toa que nunca ia dar certo. Minha amiga, que foi quem começou a montar, disse que nao tinha nem reparado naquela parte dentro da sacola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de começarem, os meninos disseram, meio timidos, que montariam em 20 minutos. Fizeram em 5. No fim, os cerca de quinze caras que assistiam a mim e minha amiga pelos últimos 90 minutos sem levantar a bunda da cadeira desmontável por outro motivo se não pegar outra cerveja, bateram palmas. Um xingamento foi a única coisa que me ocorreu naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pros nossos heróis, prometemos uma cerveja na tarde seguinte, mas pra fugir do frio que passamos na primeira noite, bebemos duas garrafas de vinho e mas não vimos mais os tais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta pra cidade, 2 dias depois, mais uma pra contar. Meu celular não pegava e minha roomate, a la minha mãe, ligou pra todos os nossos conhecidos tentando me encontrar, com medo de que alguma coisa tivesse acontecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meninos de Fremantle foram em casa à 1h da manhã. Lá encontraram o namorado da minha amiga que foi fazer a mesma coisa. No carro, um monte de indianos esperava a carona pra casa. Por fim, meus amigos conseguiram o número de uma menina que tinha o telefone de outra que tinha o telefone da minha companheira de viagem. Foi no celular dela que minha amiga conseguiu me encontrar. Seria vergonhoso, mas vai ver já acostumei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3786011033247497497?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3786011033247497497/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3786011033247497497&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3786011033247497497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3786011033247497497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/01/muito-mico-pra-pouca-praia.html' title='Muito mico pra pouca praia'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3910127528972638406</id><published>2009-01-05T00:34:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T00:45:43.722-08:00</updated><title type='text'>O clima muda e a cidade não continua a mesma</title><content type='html'>Não vá embora antes do final do ano; Perth é uma cidade no inverno e outra no verão. Isso era o que as pessoas me diziam desde que cheguei na Austrália, normalmente depois de  me perguntarem se eu estava achando o lugar muito parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor em Perth costuma chegar em outubro. Em dezembro, a temperatura freqüentemente ultrapassa os 40 graus. Nesse ano, demorou pra vir o tal calor, mas ele veio. E junto com ele um monte de gente na rua e de eventos na cidade. A primeira mostra foi em outubro, ainda sem calor, quando a cidade se movimentou por dois acontecimentos esportivos. O primeiro deles, Red Bull Air Race, in Perth. O segundo, no outro lado um pouco mais ao sul do país, a Melbourne Cup. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perth é uma das etapas mundiais da corrida de aviões. Por semanas vários outdoors anunciavam a competição. Durante todo o dia, aviões faziam um de cada vez um monte de acrobacias em um circuito em cima do Swan River, rio que limita o centro de Perth. Quem quisesse, pagava a entrada pra ver tudo de pertinho, mas a maioria preferiu dar só uma olhadinha, por uma meia hora, sentada, de longe, de graça, do outro lado do rio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro evento, Melbourne Cup, é uma corrida de cavalos que atrai milhares de pessoas todos os anos. Os torcedores, ou apostadores, vão vestidos a caráter. Homens com terno e chapeuzinho de gangster e mulheres de vestido de festa e chapéus ou arranjos enormes na cabeça. A diferença é que a tradição não se restringe ao jóquei. No dia da Melbourne Cup, as pessoas vão trabalhar com essa espécie de fantasia e se reúnem em bares ou restaurantes na hora do almoço para assistir às corridas, que ao todo não duram mais do que duas horas. O bolão é feito entre amigos, mas os restaurantes ajudam com um prêmios para o melhor chapéu. Depois disso, algumas pessoas voltam pro trabalho, mas a maioria mata o resto do dia bebendo no bar em questão, o que faz do evento quase um feriado nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que o jogo em si, australiano gosta do ambiente, tanto que outro esporte famosíssimo é o criquet (versão profissional da nossa brincadeira de Taco). Existem três modalidades de criquet. Na mais longa delas, Austrália e África do Sul passaram cinco dias entre Natal e ano novo, de 4a a domingo, das 11h às 18h aproximadamente, fazendo uma mesma partida. Se fosse no Brasil, nunca que um jogo desses atrairia gente. Aqui, as pessoas pagaram ingresso e encheram o estádio pra assistir sentados na grama ou na cadeirinha à disputa interminável - que terminou com vitória sul-africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, verão também é música, shows e festivais. Cada suburb (o que pode ser entendido como bairro ou cidade) tem o seu festival. Normalmente isso significa lojas abertas até mais tarde, palcos com showzinhos e alguns desfiles de carros alegóricos, o que lembra bem vagamente as escolas de samba de cidades do interior. Todos os festivais têm a presença de uma escola de samba supostamente brasileira, já que australianos cada vez mais se identificam com o samba, e passistas que acabam a fama de que brasileiras são as mais bonitas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como verão também é época de férias escolares, o centro da cidade vira praticamente um show de talentos. Crianças ocupam o calçadão do shopping e cantam, tocam flauta de sopro, violino, dançam, fazem embixadinhas. Tudo pra ganhar algum dinheiro. À noite, as ruas lotadas completam a mudança. Mesmo por que com o sol se pondo às 9h da noite e um calor de mais de 20 graus não dá pra ficar em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3910127528972638406?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3910127528972638406/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3910127528972638406&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3910127528972638406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3910127528972638406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2009/01/o-clima-muda-e-cidade-no-continua-mesma.html' title='O clima muda e a cidade não continua a mesma'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2276469661186146581</id><published>2008-11-08T20:11:00.000-08:00</published><updated>2008-11-12T20:04:46.756-08:00</updated><title type='text'>Sábado animado</title><content type='html'>Até começar a escrever esse texto eu tinha certeza: indiano em espanhol é índio. Mas daí minha amiga leu e me deixou na dúvida. Em todo caso, pelo menos naqueles textos traduzidos do italiano pro espanhol, da agência em que trabalhava, vira e mexe aparecia um primer ministro indio, que na verdade era indiano. Erro dos tradutores ou não, a verdade é que se eu e as meninas já pegávamos carona nos programas de índio, o que dira nos da Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova é que no sábado à noite lá estávamos nós, todas arrumadinhas, maquiadas, apostando ao máximo na tal festa de aniversário de um dos guardinhas australianos do trem de Perth. Quem chamou pra celebração foi o tal indiano, que conhecemos na volta do Halloween. Desde sexta passada ele tem sido presença e assunto constante de uma das meninas, por quem ele aparentemente se apaixonou. Nesse sábado, ele passou no trabalho de uma, depois na casa das outras e fomos todos pra Penguin Island, uma praia bonitinha, que pra chegar tem que ir de balsa ou se aventurar atravessando a pé, quando a maré tá baixa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passeio ainda incluiu um tour de barco pela ilha de leões marinhos. A moça que vendeu o ticket já tinha dito que nem sempre dá pra ver os tais sea lions, mas a gente deu sorte e viu... um dos bichos. Ele tava ali, estirado na areia, de barriga pra cima tomando sol. Nem respirar ele respirava direito. Até fiquei com medo que estivesse morto, mas daí ele piscou e, bem indolente, abanou a cauda, pra em seguida voltar a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todo bom romântico, o menino levou vinho pra praia. Deixou na água do mar por um tempo até gelar. Bebemos, tomamos sol, pegamos a balsa e o carro de volta pra Perth. Em casa, a gente se revezava entre dormir, tomar banho, fazer comida e drinks pra já chegar na festa feliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante toda a tarde, fiquei alguns momentos sozinha com o indiano enquanto as outras duas botavam o papo em dia. Por mais incrível que pareça, demorou até que conseguisse estabelecer uma conversa. Não sabia porque, mas desde a semana passada, quando ele foi conosco pruma exposição na City, eu não me sentia bem com ele. As meninas cogitaram uma possível TPM de minha parte, mas não era. Era uma semi-antipatia gratuita e recíproca. Eu não detestava ele, simplesmente não adorei o cara. E isso é tão difícil de acontecer que fiquei até me sentindo mal. Agora, analisando, talvez fosse orgulho, afinal depois do primeiro dia, no trem, ele não ligava a mínima pra conversar comigo e eu não tô muito acostumada com isso. O pensamento dele orbitava em torno de uma coisa somente: Big Boss! Apelido que a gente deu, brincando, pra outra menina e que ele aderiu completamente. Durante toda a semana, ele ligou pra ela algumas dezenas de vezes (em um único dia foram 21!), saiu de casa e ficou esperando por horas na porta do trabalho dela pra levá-la pra casa, ofereceu dinheiro pra ajudar a resolver o visto, comprar passagem e carro, além de tê-la pedido em namoro e casamento!!! E isso que nem date eles tiveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da praia, depois de muito esforço, ele pareceu gostar de conversar e começou  a contar sobre a vida, histórias e tradições da Índia, em particular de Punjab, de onde ele veio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Punjab é uma região imensamente rica perto da Caxemira, como a gente pôde entender pelo mapa que ele tatuou no braço e mostra toda vez que fala de seu país. O idioma que eles falam tem o mesmo nome do estado. Segundo ele, na Índia se falam mais de 300 dialetos. O mais famoso deles é o Indi, mas nem todo mundo fala Indi. Por isso, a língua universal acaba sendo mesmo o inglês. "The Punjab Boys" são conhecidos em toda a Índia como um povo guerreiro e respeitado. O orgulho da terra natal ele ostenta por onde passa, com símbolos adesivados no carro, tatuados no braço e pendurados na enorme corrente de ouro que ele usa no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga acho que ainda não se decidiu se gosta dele ou não. Ele é dedicado, atencioso (até um pouco demais) e bonito (baixinho, meio bombadinho, cabelo raspado). Mas leva tudo a ferro e fogo. Se está apaixonado, só pensa na pessoa. Eu até tentei me segurar pra perguntar que ele dia ele faz aniversário. Essa história de taurina e pisciano há muito já perdeu a graça, mas ela também ficou curiosa. Resposta: 29 de fevereiro. Cansou, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa começava às 8h30. Saímos de casa às 10h, o que é um bom horário. A gente chegou e o moço ligou pro amigo policial dele, que já estava no lugar. O cara veio receber a gente na porta. Na frente da casa, um monte de carros estacionados, o que dava a impressão de que a festa estaria boa, quem sabe até com as 200 pessoas prometidas. Entramos e a primeira constatação foi "nossa, só tem homem aqui". Mas a gente logo viu que não tinha só homem. Duas mulheres de salto alto, tanguinha azul ou roxa e preta como tapa sexo, cabelo muito comprido, solto e peitos à mostra desfilavam pela sala. Como a gente foi descobrir depois, essas eram as garçonetes. "What can I do? This is an australian party, man", me explicou o amigo que trouxe a gente pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci uma outra menina, essa convidada, vestida. Tinha mais umas três na casa. Ficamos um pouco na varanda, sentadas, até começar a tocar "Seigh is King" - uma música sobre Punjab que a gente já tinha quase decorado de tanto ouvir no carro. Fomos dançar todas empolgadas, entretanto meio distante do monte de indianos do lugar, que pulavam e usavam o taco de bilhar em suas coreografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por três vezes eu pedi pro amigo me ensinar a dançar indian music, mas ele estava muito bêbado pra manter o mesmo pensamento por dois segundos na cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogamos bilhar, eu e as meninas, de três mesmo, sem muitas regras. Então, o resto da casa compensou a falta de atenção. Quando acabaram as bolinhas, fiz dupla com um indiano de meia idade, que me cansou em menos de uma partida. Pela primeira vez em muito tempo, pedi pra ir embora. As meninas gostaram da idéia, mas tínhamos que falar com nosso amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a gente não se resolvia, pedi pro dono da casa pra tirarmos uma foto com as garçonetes, que poucos segundos antes dançavam no colo de um dos convidados, imenso de tão gordo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas estavam no quarto, se trocando. As duas eram simpaticíssimas e mesmo quando estavam servindo, pareciam mega à vontade sem roupa. Com frio, como constatou minha amiga, mas à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aniversariante explicou que a gente era do Brasil e que por isso queria uma foto de recordação. Uma delas se desculpou e disse que não tirava fotos. A outra, mesmo já de calça jeans, aceitou na hora e ainda perguntou se a gente não queria fazer topless com ela. O "oh, no!!! I am fine" nunca foi espontâneo. Tiramos a foto as quatro, de pé em cima da cama do cara. Saímos do quarto, jogamos mais uma partida, dessa vez com o único loiro da casa, e então fomos embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso amigo, de tão bêbado, nem conseguia ficar parado. Juntou uma trupe de uns cinco, seis guardinhas pra convencê-lo de que ele não poderia dirigir. Eu estava achando toda a festa muito louca e já me divertia, conversando com os moços. O amigo policial, muito, mas muito gente boa, ia nos levar pra casa. Entramos as três meninas no banco de trás do carro e o amigo ficava do lado de fora, se recusando a entregar a chave dele. Eu estava do lado da janela e perguntei pro motorista de podia roubar as tais chaves. Ele deixou. Eu abri o vidro e, toda feliz, arranquei o chaveiro da mão do indiano. Na pressa, quase arranco junto o fone do iPod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não tinha mais como lutar, ele entrou no carro, veio nos deixar e  voltou pra festa. Ainda ligou depois, queria dormir aqui, mas minha roommate, saturada, cortou qualquer possibilidade. No dia seguinte, uma mensagem no celular da outra, oferecendo carona pra casa dela. Quando as meninas olharam pela janela, foi aquele susto! O carro dele parado, ali na frente. Não ia nem dar pra fugir. Mas não era o carro dele. Era parecido, mas sem o enorme adesivo branco de uma frase em Punjab junto com o rosto de Singh (o herói deles que matou um general britânico depois de tê-lo caçado por 18 anos). Então não era o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda meio com sono, mas sem ressaca, eu fui descarregar as fotos da terceira máquina no computador. 805! Lógico que não era tudo de ontem, mas é mais fácil do que selecionar uma a uma. Pra dar bom exemplo, mostrei pras meninas que é bom apagar as fotos depois de descarregar e deletei todo o arquivo de ontem da minha máquina. Dois segundos depois lembrei que não tinha passado as fotos da festa, só as da praia. Idiota, mas, segundo opinião de todas, talvez tenha sido até melhor manter as imagens dessa festa só na nossa cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2276469661186146581?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2276469661186146581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2276469661186146581&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2276469661186146581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2276469661186146581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/11/sbado-animado.html' title='Sábado animado'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4920348691118341199</id><published>2008-11-02T05:35:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T05:32:22.679-08:00</updated><title type='text'>Com ou sem festa, it is halloween</title><content type='html'>A tradição mesmo vem dos Estados Unidos. Quer dizer, eu acho, já que nunca vi nenhum filme de crianças londrinas brincando de trick ou threat. Mesmo assim, halloween já virou coisa comum no Brasil. É lógico que tem a galera contra e que, pra fortalecer a cultura brasileira, resolveu fazer do dia 31 de outubro o Dia do Saci. Eu, na melhor atitude antropofágica, não teria o menor problema em celebrar os ícones nacionais, mas como ainda não inventaram nenhuma atração extramemente divertida, como futebol pulando de uma perna só ou festas com pessoas vestidas de saci ou curupira, continuo indo a comemorações ao Dia das Bruxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu fazia isso no Brasil, na Austrália não ia ser diferente. Infelizmente, não tenho a desculpa de estar no Hemisfério Norte, já que continuo abaixo da linha do Equador, mas eles falam inglês, então deve ter alguma coisa a ver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei mais ou menos, mas nenhum club grande de Perth fez propaganda de noite à fantasia - ao contrário dos de São Paulo, que me mandaram mil e-mails. As melhores festas eram as particulares e a gente acabou confirmando presença na dos meninos de Fremantle. Como acontece na maioria das vezes, sobre a festa mesmo, não tem muito o que contar. O melhor é a preparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de adorar bruxas, só fui vestida assim uma ou duas vezes. Sempre acho sem cratividade. Mas em outro país, halloween, resolvi arriscar. Comprei um chapéu laranja numa lojinha tipo Armarinhos Fernando que tem aqui. Paguei 3 dólares, mas não tava feliz. Num dia em que terminamos a aula mais cedo, fomos eu e minha roommate pra Second Hand shop - meu lugar favorito pra fazer compras. Levei entre outras coisas um vestido verde água mega curto de 12,50 (que pretendia usar pra ir de fadinha) e um chapéu preto, diferente, que não tinha o menor porque além de ficar legal com meu cabelo novo, acima do ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em casa, depois de muito pensar, deu um clique e resolvi ir de leprechaun, em homenagem à loira irlandesa. Na verdade, percebi que era uma leprechaun e não sabia. Tinha todas as coisas que precisava, mesmo sem ter trazido nada de especial do Brasil. Peguei minha camisa branca, decotada e de babado, minha saia pregueada, o casaco verda compridinho, um cinto preto usado do lado contrário, a meia verde limão até o joelho que ganhei de uma amiga dois meses antes e que nunca tinha usado, meu chapéu novo customizado com um trevo de quatro folhas e um quadradinho laranja recortados do EVA que sobrou do meu mural e meu sapato de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes da festa, guardei tudo na bolsa, já que iria direto do trabalho pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próprio 31 de outubro, parecia realmente que a bruxa estava solta. Quebrei o negocinho de dosar bebidas quando queria trocar a garrafa de Canadian Club, fiz confusão com os números do restaurante e ainda quebrei dois pratos quando fiz uma pilha maior do que deveria em cima da mesa. Meu novo chefe, um japonês estressado gerente de uma taverna na City, disse que se eu quebrasse mais alguma coisa ele me mandava pra casa. Eu cheguei a cogitar que talvez fosse melhor mesmo. Além do que, se fosse, conseguiria ir com as meninas pra festa, em vez de sozinha. Mas, depois do meu break, tudo melhorou e quando ele me perguntou se eu tinha quebrado mais alguma coisa eu respondi toda orgulhosa "não!!! Nem mais um único copo!!!". No final do dia quebrei mais um copo, mas foi quase dentro da lava louças, então ele não viu e nem eu me senti culpada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele dia o bar ficou vazio na hora do almoço, cheio no happy hour e vazio de repente. Melhor pra mim, que fui dispensada às 9h e consegui ir pra casa pra me trocar e ir com as meninas - minha sharemate, vestida de vampira, e a amiga dela de Fiji, se fantasia - pra estação de trem. Já na ida pra casa, fiquei feliz ao ver umas pessoas fantasiadas. Tem gente que pareceu que nasceu pra Halloween, como um casal que parece ter vindo do mesmo lugar que os caras do Manifesto, inclusive a mesma idade (uns 15, 17 anos), e que estavam todos de preto, maquiagem perfeita. A bolsa da menina era um caixão com corrente de prata e eles ainda levavam uma aranha de pelúcia como marionete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas fantasias, por sua vez, não chamavam menos a atenção e a gente ainda contribuiu tirando mil fotos dentro da estação. Um velhinho, sentado na cadeirinha da plataforma, disse ter adorado as nossas roupas e perguntou se a gente era turista, já que só foi lembrar ue era halloween uns 15 minutos depois. O cara nasceu no Canadá. Quando tinha os seus 20 e tantos anos resolveu fazer um tour pela Europa. Acabou o dinheiro, ele não queria voltar pra casa, comprou a passagem mais barata que tinha e que era pra Perth, Australia, um lugar onde nem café café decente tinha. Isso foi há mais de 30 anos. Desde então ele fica um pouco em cada lugar. Já morou em vários estados da Austrália, Europa, Ásia. Ultimamente, vive em uma casa paga pela Seguridade Social australiana. Casa boa, comida, tudo pago pelo governo, mas o lugar é tranqüilo demais, segundo ele. Dois australianos e um aborígene também vieram puxar assunto. Todo mundo adorando os lookings. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos a outra amiga na estação de Perth, demos meu chapéu laranja pra ela e rumamos pra Fremantle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dias normais em Fremantle você já conseguiria ver pessoas fantasiadas. Ela é uma cidade pequeninha, cheia de europeus - ao contrário de Perth, que tem muito mais asiático - e, por causa disso, com muito mais gente louca. Quando íamos da estação pra lá, vimos uma festa de Halloween num club famoso e conhecemos algumas pessoas no meio da rua. Um menina, bem gordinha e vestida de fada, viu a gente de longe, veio correndo, parou na noss frente e, extremamente feliz, gritou "happppyyyyy hallooooweeeeeeeennnnnn", a quem eu correspondi com o mesmo entusiasmo. Uma outra apontou pra mim e disse, toda meiga, "look... a leprecoun", o que me deixou felícissima, afinal, minha fantasia tinha sido reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na festa mesmo, ficamos uma hora. Pouco antes da gente chegar, alguém derramou cerveja no computador do dono da casa. Isso junto com um desentendimento com outros brasileiros fez com que o clima não estivesse dos melhores. Os únicos que não deram o menor sinal de estresse eram os árabes, amigos deles, que não desempolgam por nada desse mundo e se divertiam absurdos colocando e dançando aquelas músicas esquisitas deles.  &lt;br /&gt;Na verdade, se a gente não tivesse chegado tão tarde, a festa estaria perfeita. Mas como à meia-noite nós éramos umas das únicas sóbrias do lugar, preferimos voltar à 1h30, pegar o último trem e voltar de táxi de Perth, o que daria $12 em vez de $50, $60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, perdemos uma das meninas, que acabou não pegando o trem depois de demorar demais no Hungry Jacks. No caminho de volta, conhecemos o guardinha do trem, indiano, com quem conversamos o caminho todo e que nos deu uma carona pra casa. Economia de 4 dólares e mais um motivo pra adorar festas à fantasia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4920348691118341199?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4920348691118341199/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4920348691118341199&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4920348691118341199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4920348691118341199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/11/com-ou-sem-festa-it-is-halloween.html' title='Com ou sem festa, it is halloween'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3740892124085936746</id><published>2008-11-02T05:10:00.001-08:00</published><updated>2008-11-02T05:30:45.820-08:00</updated><title type='text'>Slipknot</title><content type='html'>Saindo da estação de trem eu percebi que estava vestida com a minha combinação de sempre pra shows de rock: calça comprida, blusa preta, tênis. A diferença é que dessa vez eu estaria do outro lado do balcão, vendendo as cervejas em vez de comprando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser a cidade mais isolada dentro do continente mais afastado, Perth recebe uma quantidade considerável de shows. Parece que só este anos já estiveram por aqui Bon Jovi, Alanis Morissete, Celine Dion, Eros Ramazoti, The Police, Alicia Keys e, o mais recente deles, Slikpnot.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até semana passada eu não sabia da existência desse show. Fui descobrir depois de um desses acessos de 'preciso arranjar outro emprego'. Tenho uma coisa dessas mais ou menos uma vez por mês, às vezes mais freqüente. Fui até o seek, site de emprego mais famoso daqui, e fiz uma busca pelas vagas no ramo hospitaleiro (que inclui bar service) e marketing (onde também entra a parte de promoção). Fui preenchendo ofertas até chegar nas de 15 dias antes. No meio do caminho encontrei essa empresa de shows e eventos. Fiz o cadastro, consegui um login pro site deles e me ofereci pra trabalhar no show, que seria em menos de uma semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois me ligam. Estava no show! Não tanto por mérito meu. Apesar de já ter uma experiência considerável em serviço de bar, aqui faltam empregados, então se você tiver o tal RSA (Responsible Service of Alcohol, um curso obrigatório pra quem lida com bebida) já é meio caminho andado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do que acontece no centro de convenções do cassino, onde o bar fica do lado de fora do lugar do show (como a bilheteria e o telão do cinema), em Showgrounds o bar fica dentro do próprio pavilhão, bem na entrada, mais ou menos como acontece no Brasil. São vários guiches e todos atendem em duplas. O cliente faz o pedido pro caixa, que tem um bar runner do lado. Enquanto o caixa cobra o valor, o bar runner pega o seu drink e abre a latinha. Todas as bebidas são em latinha, com exceção da água em garrafa ou copo de plástico (a primeira é vendida, a segunda, de graça).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Austrália tem diversas leis pra inibir o consumo excessivo de álcool. Uma delas é essa do RSA, um curso que explica o valor alcóolico de cada bebida, dá dicas de como identificar se uma pessoa está bêbada e te avisa que se você vender álcool pra alguém bêbado ou menor de idade e ele aprontar, você pode vai ser indiciado também. Mesmo que a pessoa não faça nenhuma besteira, você e o bar serão multados em no mínimo mil e no máximo 10 ou 50 mil dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra medida que eles usam é a de dar água de graça. Pra isso, além das garrafinhas, que custam $3,50, todos os bares, mesmo esses de shows ou feiras, distribuem copinhos com água corrente pra quem pede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No show do Slikpnot, eu fui bar runner e passei cerca de 4 horas abrindo latinhas com a ajuda de uma colher de chá - meu chefe tinha pedido pra trazer uma de casa, mas como não tinha entendido a finalidade, trouxe só um abridor de tampa de garrafa, que acabei não tirando da bolsa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi ficar como bar runner porque achava que assim ia dar pra conversar mais com os clientes e, portanto, seria mais divertido. Não é novidade pra ninguém que adoro gente bêbada. Acontece que eu não sabia desse esquema de ter que ficar atrás de uma caixa. No final, ela é quem conversa mais com as pessoas. Eu converso também, mesmo porque com essa altura pequeninha nem que eu quisesse ia conseguir me esconder atrás da loirinha. Além disso, os bêbados também gostam de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, bar runner é realmente mais cool. E isso nos dois sentidos da palavra. É mais legal porque é bem mais legal ficar correndo pra pegar e abrir quatro latinhas correndo do que simplesmente apertar quatro botõezinhos, mas também é mais cool porque durante vários momentos eu praticamente parei de sentir a minha mão de tanto que enfiava ela na água extremamente gelada pra tirar as latinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos às 9 e meia da noite, alguém lá de cima resolveu fechar o bar. A platéia já estava ficando alterada, 'causando', na melhor gíria brasileira, então fecharam todos os caixas. Fiquei um tempinho enrolando e então fui ajudar o resto do povo a entregar água pras pessoas. 90% delas reclamaram que a não estávamos mais vendendo cerveja, mas, como não tinha outra coisa, vai água mesmo. Um, dois, três copos um seguida do outro e por fim outro jogado na cabeça. Alguns ensaiaram aquela zona de jogar água uns nos outros, mas não extrapolaram muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água serviu mais pra acalmar os ânimos pela falta de cerveja, mas, segundo aprendi no meu RSA, de nada adianta beber água depois de ficar bêbado. Ela é boa antes, pra ocupar o espaço que seria destinado ao álcool e te fazer beber menos. Depois, com água ou sem água o tempo pra ficar sóbrio vai ser o mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a latinha de Tooheys Extra Dry custando $7 e o Bourbon and Coke a $9,50, o povo bebeu bastante e ficou revoltado com o fechamento antecipado do bar. Um deles vai ficar marcado como o meu primeiro cliente problemático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara é grande, gordo, careca e com barba. A fisionomia lembraria o ferreiro (ou prefeito?) das histórias do Asterix. Também pode lembrar um pilar, de rugby, mas faz tanto tempo que não jogo que me sinto até mal de usar essas referências. Ele pediu cerveja, eu disse que não tinha mais e ofereci água, ele reclamou, como todo mundo, mas não quis a água e nem foi embora. Ficou falando meio sozinho, meio com o amigo, meio com a outra menina que tava trabalhando do meu lado, também ditribuindo água. Depois de um tempo, ela chamou os seguranças que só pediram pro cara ir embora e ele ficou mais irritado, mas foi. Eu tinha quase ficado com pena dele, achando exagero dela. Depois de cinco minutos, ele volta. Me pediu cerveja. Eu disse que não tinha. Ele então pegou um copo de plástico com água que estava no balcão e bateu na mesa. "Não, não, cerveja, não!". No momento em que o copo bateu na mesa, a água saltou do copo. Eu tranqüilamente dei um passo pra trás, mas só por dar, já que não ia ficar muito mais encharcada do que já estava, de tanto mexer com gelo e água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora me veio a imagem do gigante do 'João e o pé de feijão' batendo o pé fazendo riminhas pra dizer que "mim sente cheiro de humano". O cara e o amigo magrinho dele fizeram isso mais umas três vezes até que os seguranças vieram, conversaram e acho que os fizeram irem embora vencendo pelo cansaço, já que ninguém fez a menor menção de encostar no pequeno monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco antes das dez e meia, meu chefe veio com o papel e a caneta pra eu assinar o ponto e ir embora. Saí da área restrita, fiquei mais cinco minutos, ouvi a última música enquanto conversava com um dos meus clientes da água (com esses sim, consegui bater o maior papo). Acabou o show, voltei pra casa de trem, como a maioria dos fãs do Slipknot. Na estação, uma menina me perguntou se eu tinha acabado com toda a água. Achei o máximo a simpatia dela e continuei conversando. Umas três frases depois, percebi que ela não era cliente. Tinha trabalhado comigo no final da noite. Mas australiana é tudo parecida. Das cerca de 20 meninas, só 4 (eu incluída) eram morenas. E entre as loiras a maioria tem o mesmo corte de cabelo, aquele todo, mas todo repicado. A tentativa é de deixar diferente, já que todas elas tem o cabelo lisinho e fininho. Como resultado, o cabelo fica com volume e com uma cara de desarrumado - o que não podia ter mais a ver com anos 80 e com esses shows em que me enfio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3740892124085936746?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3740892124085936746/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3740892124085936746&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3740892124085936746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3740892124085936746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/11/slipknot.html' title='Slipknot'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5026046340723475560</id><published>2008-10-25T13:00:00.001-07:00</published><updated>2008-10-28T05:20:14.488-07:00</updated><title type='text'>Acertando os ponteiros</title><content type='html'>Coloca a setinha no primeiro número, que é cinco. Dá três voltas no sentido horário. Agora gira no sentido anti-horário, passa uma vez pelo cinco e vai até o segundo número que é 27. Agora gira no sentido horário de novo, passa pelo 5 e vai pro terceiro número, que é 2. Por fim, é só tentar abrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o certo seria "por fim, é só abrir", mas como eu esqueci qual era o meu armário, eu repeti essa operação umas vinte vezes. Por vezes no mesmo cadeado, porque não tinha certeza se estava fazendo do jeito certo. Isso tudo às 10h30 da noite, depois passar as últimas quatro horas trabalhando no centro de convenções de Perth. Coisa fácil, só vendendo bebidas, todas em garrafinhas individuais, durante a entrada e o intervalo do show de uma cover qualquer do Abba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cheguei ali através de uma agência de trabalhos temporários. No dia anterior, aceitei dois shifs (dias de trabalho) pra semana seguinte e, já que estava tão solícita, ela perguntou se eu não queria trabalhar hoje em Burswood (onde fica o centro de convenções e o cassino). Eu aceitei, ela me passou os detalhes e depois de meia hora pediu desculpas, disse que eles diminuíram o número de funcionários e por isso eu não precisaria mais ir. Hoje, às 4 da tarde, outro funcionário me liga pedindo pra que eu fosse pro tal shift, já que alguém tinha desmarcado em cima da hora, como acontece com certa freqüência por aqui. Inicialmente, eu tinha que estar lá às 5h30, mas como isso era impossível, ficou marcado pras 6h. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei, de ônibus e trem, meio atrasada, correndo, como sempre. Peguei credencial, uniforme e cadeado, que tinha número, mas não adiantou, já meu armário estava sendo usado. Im, a menina que conheci no outro shift, me viu e veio falar comigo, toda feliz. Eu não lembrava dela, mas, graças àqueles meus momentos de "cuidado pra não ser grossa", preferi omitir esse fato. Ela me mostrou outro armário vazio, eu joguei as coisas lá dentro, aprendi a abrir o cadeado, fechei, fui encontrar com a supervisora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, não lembrava o número. No máximo, sabia mais ou menos a posição dele em meio às dezenas de caixinhas prateadas. Várias pessoas vieram me ajudar, me mostraram como abrir os seus respectivos cadeados, mas todas com muita pressa pra ficar por lá. Im, por sua vez, é muito, mas muito baixinha e a única certeza que eu tinha é que minhas coisas estavam na fileira mais alta. Por isso, torcer era o maior apoio que ela podia me dar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz umas dez tentativas. Nada. De repente, força um pouquinho, abriu! Quando olhei dentro, simplesmente não era o meu. Analisei umas três vezes. mas nem era meu estilo de bolsa ou casaco. Fiquei o cadeado depressa antes que alguém percebesse que a delicada aqui tinha arrombado o armário dos outros. Tentei de novo os outros. Pior que nem abrir à força, como tinha feito com aquele, eu consegui. Tentei alguns mais pra frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha tantos outros armários ainda, não ia dar certo esperar todo mundo sair pra ver qual sobrava. Me senti em São Paulo de novo, quando esquecia onde tinha deixado o carro. O problema é que dessa vez em nem sabia reconhecer meu carro. Uma outra menina veio me ajudar. Ligou pro meu celular, mas por mais que a gente encostasse o ouvido na portinha de metal, não deu pra escutar o celular dentro da bolsa, dentro do armário. As pessoas que passavam olhavam, estranhavam.  Ela foi embora, ficamos só eu e Im. Resolvi tentar todos os cadeados, sem exceção ou esperança. Poucas vezes detestei tanto uma coisa quanto detestei esses cadeados. Se fosse chave, tudo seria mil vezes mais simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas tentativas. Novo de repente, o cadeado abriu. Olhei pra Im com uma cara de "será?". Puxei a port do armário e lá estavam meu casaco e minha bolsa. Num acesso de felicidade que definitivamente não é minha cara, abracei a tailandesa de 1,50m que também pulava de emoção. A coitada estava morrendo de fome e tinha prometido me dar carona, já que às 11h da noite não tem mais ônibus pro trem e a primeira menina que ia me levar já deveria estar deitada há muito tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantamos de graça no restaurante de funcionários e ela me deixou na estação de trem. Quinze minutos depois estava em casa. Ainda no carro, porém, soube que minha saga girando botoezinhos pra direita e pra esquerda não tinha acabado. Nesse mesmo dia, começou o horário de verão na Austrália. O relógio de patinho, porém, continua errado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5026046340723475560?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5026046340723475560/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5026046340723475560&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5026046340723475560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5026046340723475560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/10/acertando-os-ponteiros.html' title='Acertando os ponteiros'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-390693344958861942</id><published>2008-10-20T04:33:00.000-07:00</published><updated>2008-10-25T10:33:23.089-07:00</updated><title type='text'>Fim do tempo de experiência</title><content type='html'>Nesse domingo, dia 19, fez três meses que estou na Austrália. Já? Ainda? Não sei qual a sensação mais apropriada. Nesses 90 e... dois dias que estou aqui aconteceu muita coisa, mas pouco a pouco tudo começa a entrar numa rotina, então vale a pena relembrar. A maioria dos eventos eu já relatei aqui de uma forma ou outra, então vou tentar não me estender muito, mas duvido que consiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em Perth, fui pra homestay, comecei o curso de inglês, comecei a procurar casa, fui informada que estava no curso errado, troquei pra Management, arranjei uma casa, fui morar com minha amiga. No curso, já passei por cinco grupos, escrevi dois artigos de jornal, quase demiti uma menina, aprendi a desenhar usando vetores e voltei pra programas com mais recursos que o Paint, pra satisfação de Lucy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa&lt;br /&gt;Aqui fiz as maiores faxinas da minha vida (não que eu tenha muita experiência nisso, mas a casa estava realmente suja). Logo no primeiro final de semana passei mais de três horas limpando o banheiro. A janela tava emperrada de tanta sujeira. Delicada como sempre, acabei quebrando o vidro enquanto tentava abri-la. Já a cor da madeira mudou de cinza quase preto pra branco, na hora que saiu todo o pó impregnado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equipando mesmo, a gente foi aos poucos. A primeira compra foi de comida (pão, presunto e queijo), pratos (de papel) e produtos de limpeza. Com alguns dias de casa, recebi pelo correio um dvd player de presente do meu pai. Mas a TV é tão antiga que não tinha entrada de três fiozinhos, só aquela de tv a cabo. Comprei o tal Radio Frequence Modulator (cujo nome aqui é de verdade, sem nada a ver com organizações Tabajara), mas daí o dvd foi quem pifou. Passamos um mês assistindo filmes no note, até que hoje, depois de não aguentar mais ver propaganda e música alternativa durante a madrugada, fiz a reposição por outro aparelho, de 39 dolares, da marca Palsonic e que veio até com pilha pro controle remoto. A proximidade da China tem suas vantagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa é grande, bonita, mas no começo estava meio impessoal. Comecei a sentir que era realmente minha quando comprei meus vasinhos de flores e enchemos o lugar de fotos. No meu quarto, dois murais enormes. Um com fotos do Brasil (despedida e aniversário) e outro com fotos daqui. Na sala, uma da Coca e na geladeira, minhas e de minha roomate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando a indignação do chinês, dono da loja, que insistiu que aquilo era coisa pra criança e não pra gente, o relógio vermelho do Patinho Feio deu todo o toque na parede da cozinha. Os pratos de louça (três no total), liquificador e batedeira a gente comprou relativamente rápido, já que minha amiga queria fazer sopas no liquidificador e eu bolos com a batedeira. A lava-roupa também não demorou muito pra chegar, graças ao vendedor solícito que trouxe a gente e o bicho pra casa. Ele, aliás, voltou aqui na semana passada. Bateu na porta do nada e perguntou se a máquina - de segunda-mão - estava funcionando bem. Não sei se ele estava esperando um convite pra entrar e tomar um café (cujo funil até hoje é a parte de cima de uma garrafa d'água cortada), mas chegou no pior dia possível. Eu estava no quarto, acabando a segunda mega faxina dessa casa, na qual fiquei três horas só tirando as três mãos de tinta do exaustador, já que os donos acharam mais fácil pintar o negócio toda a vez que pintavam a parede em vez de simplesmente limpá-lo de vez em quando. Minha amiga, por sua vez, se entretia tentando carregar três pratos de uma só vez, por conta do trabalho. No way da gente parar pra dar atenção pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o rádio, cor de rosa, veio depois de um mês, como presente de aniversário pra ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa semana, minha ex-homestay e as suas novas estudantes vêm comer aqui e a grande preocupação é comprar mais pratos, já que três pratos definitivamente não são suficientes. Quando os meninos vieram fazer feijoada aqui, um deles teve que usar prato cor de rosa de plástico pra poder comer todo mundo ao mesmo tempo. Por sorte, a outra amiga chegou mais tarde e pôde lavar um deles pra almoçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com comida a gente se vira. Meu arroz com brócolis tem ficado cada dia melhor e o da minha amiga nem queima mais. Fora isso, macarrão (básico), linguiça, purê de batata, salada, muita comida semi-pronta, batatas, frango assado, grelhado, bife simples e a cavalo. A lista tem ficado cada dia maior e melhor. Mas como eu não tenho que provar nada pra ninguém e cozinhar pra muita gente dá trabalho, nessa quarta-feira vamos acabar na pizza mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os australianos&lt;br /&gt;É meio difícil definir um povo inteiro, então vou usar o mesmo texto, assim não fico tentada a entrar em detalhes. Na primeira balada que fui, passamos do lado de um grupo de australianos e minha amiga comentou "bonitos né, mas é só pra olhar". A maioria dos australianos, de Perth, pelo menos, não é de chegar e conversar. Principalmente não em balada. As australianas, pra compensar, são mega atiradas, dançam se esfregando nos moços e eles ficam numa boa. O problema - ou a solução - é quando elas fazem isso com brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aussies são muito de sair entre amigos. Fazem muito barulho e bebem muita cerveja. Nenhuma crítica nessa sentença, mesmo porque rola uma certa identificação. Já quando eles ficam bêbados, se tornam as pessoas mais sociais e explosivas do mundo. Puxam assunto mas também brigam muito - entre eles. O lado bom é que eles brigam só de soco. Ninguém usa arma de fogo ou mesmo faca. O lado ruim é que eles sabem onde bater. O tema de uma das propagandas governamentais que mais passa na TV diz "um soco pode matar", porque realmente tem gente que morreu com um soco dado no lugarzinho certo, entre o queixo e o pescoço, acho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta dessa insegurança, grande parte dos relacionamentos aqui começa pela internet. O da minha ex-homestay é só um exemplo. Por outro lado, é difícil ver australiano meeeesmo por aqui. Segundo estatísticas coletadas numa mesa de bar, só 30% de Perth é constutuída por aussies e a cada semana chegam cerca de 2000 estrangeiros na cidade. Até agora não conheci nenhum aussie antipático, principalmente entre os homens. "Friendly but not your friend", eles são legais, conversam, mas são poucos os que ficam realmente próximos de estudantes internacionais. Normalmente eles ficam no grupinho de conterrâneos deles. Por outro lado, há aqueles que tentam se relacionar quase que só com gente de fora e aprender o máximo de línguas possível. Esses são figuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima&lt;br /&gt;Todo mundo diz que a Austrália parece com o Brasil, mas eu sou de São Paulo e vim pra Perth. Há três meses era comum a temperatura mínima ser 4 graus. Já essa noite, depois de um dia torrando (com protetor solar) na praia, eu não consegui dormir por conta do calor. Às 3h da tarde de hoje fazia 35 graus na cidade. E isso que nem chegou o verão. Não é à toa que essas meninas andam quase peladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bichos&lt;br /&gt;Minha sharemate disse que vai fazer um álbum chamado "Patty e os bichos", de tanto que tirei (ou tentei tirar) foto com cavalo, ovelha, porco, rato e mais um monte de animais que encontramos numa feira de agropecuária daqui (o país muda, mas os programas de índio permanecem). Em homenagem a ela, resolvi incluir esse item no texto. Um dos maiores motivos pra eu ter vindo pra Austrália é por conta da preocupação do país com o meio ambiente. Estava certa. Em Perth ninguém fala em poluição (coisa que não acontece em Sydney, mas eu tô no interior, vou falar daqui) e pelo menos uma vez a cada quinze dias tem alguma notícia relacionada a bichos nos jornais. Já foi um tubarão que apareceu perto da costa, um bebê baleia que confundiu um navio cargueiro com sua mãe (e por isso ficou atrás dele por mais de uma semana, até que, quando estava quase morrendo de fome, foi morto pela Guarda Costeira), um canguru que foi torturado por um cara, que depois foi preso e um crocodilo gigante que engoliu um turista. Por mais que tenham procurado, só acharam a máquina fotográfica dele, na beira do lago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa própria casa de vez em quando aparece umas aranhas. Já pesquisei e não se tem registro da última pessoa que morreu de uma picada de aranha por aqui, então, não mato, mas também não ajudo. Ontem uma delas morreu afogada enquanto eu tomava banho. Mas foi burra ela de querer passar debaixo do chuveiro. Em toda a cidade, calçada é só uma faixa de concreto no meio da grama que fica frente das casas. Na maioria das ruas elas ficam só em um dos lados. Só as avenidas têm calçada dos dois lados. Quando o dia está frio e úmido, os caracóis que ficam de um lado da calçada resolvem atravessar por outro de madrugada e a gente, indo ou voltando da balada, tem que ficar desviando pra não pisar. As lesminhas são tão grandes que minha sharemate brinca que é a invasão alienígena. Já a outra amiga, quando vai dormir em casa, prefere andar no meio da rua pra não correr o risco de ouvir aquele creck nojento. Das aranhas não tirei foto, mas se alguém quiser, dá pra ver até a gosminha que caracol deixa por onde passa. Qualquer dia faço um vídeo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-390693344958861942?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/390693344958861942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=390693344958861942&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/390693344958861942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/390693344958861942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/10/fim-do-tempo-de-experincia.html' title='Fim do tempo de experiência'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5468072922517636834</id><published>2008-10-16T00:24:00.000-07:00</published><updated>2008-10-16T00:33:24.354-07:00</updated><title type='text'>Which clothes?</title><content type='html'>&lt;i&gt;(texto escrito pro meu curso há uns dois meses. Como eu estudo Management e não inglês, se alguém quiser me dar toques de gramática, eu agradeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vocabulário útil: thongs = sandálias; rubber thongs = havianas ou alguma imitação delas)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At the first week of September, from 4th to 12th, takes place in Australia the Perth Fashion Festival. The event happens once a year and in 2008 completes its 10th edition. For this special date, there are many free attractions in and around the City, which emphases the idea that fashion isn’t restricted at parades. The real fashion is on the streets and reflects peoples’ life style. This, actually, is one of the first things international students note when they come to another country. Fashion can change based on which place you are and sometimes is good to be prepared to know what is and what is not suitable.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;According the Polish Magda Korecki, International Students adviser of Tafe’s Art, Design &amp; Media courses, people in Australia have too many styles, but the main ones are the Bush Wear, used by those ones that came from the country and decided to continue dressing themselves as cowboys and cowgirls, and the Beach Wear, stamped by shorts with flowers and more common specially now, when the Spring-Summer season begins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“The Australians are very practical in the way of dressing. In Europe, for example, people are more formal. Here, there are not some many rules. The Aussies use what they want. If you feel comfortable, that is ok”. One example, explain her, are the thongs, specially the rubber ones. “Those shoes are very popular here. People use to have a lot, of many colours and use it in all occasions. It is part of the Beach Style”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At evening, boys continue with the basic look, while the girls invest in a sexier and fancier choice, using very short dresses or dresses with not back, sparkling, silver, high heels.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When in Rome, do as the Romans do?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If you decide to mix your country’s style with the Australian’s one, Perth has brands for all tastes and wallets. Murray and Hay Street, at the City, have a lot of good stores. One of the most famous is Myers. On Fridays the stores remain open until 9 PM.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Who wants something more glamorous and also more expensive can visit the stores of Kings Street, also in the City.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If the idea is buying without spending much, there are others department’s stores as Target and Kmart with basic items - "they have nothing special, but have good prices" – and some discount shoppings. The Harbour town is most famous one, with a lot of outlets and sales. It is easy to go, close of West City Train Station.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For those ones who want to meet Perth more deeply while do shopping, the suburbs use to have some shopping centers. Almost all they are open until 9 PM on Thursdays.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fremantle also have good opportunities. Its market has more than 150 stalls with clothes and jewellery, besides food and craft. It is open 7 days, normally until 5 PM and Thursdays until 9 PM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5468072922517636834?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5468072922517636834/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5468072922517636834&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5468072922517636834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5468072922517636834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/10/which-clothes.html' title='Which clothes?'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8824948252993409666</id><published>2008-10-16T00:11:00.000-07:00</published><updated>2008-10-16T00:23:42.070-07:00</updated><title type='text'>Ahhhh, o verão</title><content type='html'>Não, o verão ainda não chegou, mas tá quase. E pra quem passou os últimos meses passando frio (por pura teimosia em não admitir que estava mesmo muito frio), esses últimos dias de calor em Perth têm sido uma bênção. Infelizmente, ainda não deu pra ir pra praia. O curso é mais puxado do que imaginava, então o meu tempo livre eu tenho passado na frente do computador, brincando de estilista ou de administradora. Mesmo assim, acabei descobrindo que essa casa vale cada centavo que estamos gastando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta enorme de vidro dá pra avenida e do outro dela tem um parque enorme. Ainda não pisei no parque e acho isso uma vergonha. O problema é que, como graças à minha vida sem carro não tô precisando fazer muito esforço pra perder peso, correr por correr não é uma opção. Um dia, os meninos até vieram aqui com a bola de futebol, mas a feijoada que a gente comeu antes impossibilitou qualquer atividade física. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, feijoada, futebol e brasileiros. Não parece, mas estou na Austrália. Nesse momento, deitada no sofá, olhando pro tal parque e ouvindo a versão forrozeada de Gilberto Gil pra Three Little Birds, do Bob Marley (pra possível surto de Lucy, que detesta o tal do reggae). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o verão daqui é insuportável. Deve ser mesmo. As australianas já começaram a mostrar isso pelas roupas. Foi só sair um solzinho que todo mundo saiu de micro shorts. Micro mesmo. Os meus, que Lana Banger (agora assumidamente Paullette) dizia que eram de Carla Peres, são muito grandes! E não é exagero. A maioria das meninas é mais magrinha, então não fica feio. Todo o resto é bem gordinha (aqui parece que é tudo em extremos), mas elas usam as mesmas roupas (sobre as roupas daqui, escrevi um texto em inglês pro meu curso; é bobinho, bem texto de revistinha, mas dá uma idéia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que vejo uma dessas mais animadinhas, lembro da minha mãe, preocupada, enquanto eu fazia minha mala. “Pra que você vai levar essas coisas? Nem todo lugar é como o Brasil pra usar uma saia ou um shorts desse tamanho”. Pelo que vi, provavelmente, quando voltar, o discurso vai ser diferente “aonde você pensa que vai com uma saia desse tamanho??? Você não tá mais na Austrália pra se vestir assim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exageros à parte, pouco a pouco, estou me libertando nas minhas calças jeans e, devidamente protegida com fator 60, volto a sair com as pernocas de fora. Elas ainda não estão boas, meio manchadas, pele bem branca por causa das queimaduras de três meses atrás, mas parece que o sol tem feito bem. Esse sol eu tenho tomado na porta de casa, nessa minha varandinha sem muros, sentada no chão com o note no colo, fazendo trabalhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da descrição maravilhosa (é mesmo), nesses últimos dias tenho sido uma leve falta do Brasil. Aqui é gostoso, mas quando está frio as pessoas não saem muito de casa e eu trabalho toda sexta-feira. As baladas durante a semana são boas, mas ainda não achei aqueeeeela festa, mesmo porque 90% delas terminam às 2h, mas esse assunto fica pra outro dia. Por ora, é muito bom perceber que o verão está chegando na mesma medida que meu curso acaba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8824948252993409666?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8824948252993409666/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8824948252993409666&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8824948252993409666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8824948252993409666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/10/ahhhh-o-vero.html' title='Ahhhh, o verão'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1345573360330563059</id><published>2008-10-07T16:08:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T16:12:00.572-07:00</updated><title type='text'>Tempos modernos</title><content type='html'>&lt;p&gt;O que não é a tecnologia... Gossip Girls tem sido meu novo seriado favorito. O programa entra no ar na noite de segunda-feira, nos Estados Unidos e, terça-feira, já consigo baixá-lo para assistir em casa. Se esperar até quarta, daí já tenho o programa com legenda em português. E olha que a TV brasileira ainda está reprisando a temporada antiga.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo bem, tudo bem, meus filhos conseguirão assistir a qualquer programa, no momento em que estiver sendo transmitido em qualquer lugar do mundo, sentados tranquilamente no banco de trás do carro enquanto vão para a escola... Mas vamos nos ater ao presente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando nossos pais eram crianças, gente bonita era broto, diversão de moleque era carrinho de rolimã ou bolinha de gude e todo mundo podia brincar na rua, e roubar fruta do pé. O xingamento mais grave era viado e o maior perigo era ser atingido por uma pedrinha arremessada em um estilingue. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passou tempo, revoluções, acabou guerra fria, caiu muro de berlim, criaram a internet, discoteca virou balada, nasceu o bebê de proveta... e nascemos nós também.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra não dizer que não brincava na rua, cheguei a brincar no jardim de casa, atrás do portão. Podia até levar as vizinhas, mas parei de fazer isso quando elas roubaram meu disco das paquitas.&lt;br /&gt;Nunca me incomodou. Brincar na rua, claro, porque criei birra delas até hoje por causa do disco. Mas cresci ouvindo que a violência tinha roubado minha infância, que cresci trancada dentro de casa e por aí vai. Alguém me perguntou se isso me afetava?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não temos rolimã, mas temos videogame; não tinha as ruas, mas a minha geração tem a internet, ou seja, o mundo todo; se não pego fruta do pé, vou ao SUPERmercado. CDF virou nerd, geek... e os carrinhos de madeira, as bolinhas de gude? Haha, joguinhos de computador, carrinhos de controle remoto, e até boneca que chora que nem gente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A liberdade de brincar de pés descalços correndo no chão de terra batida não tem igual. Disso, não discordo. Mas liberdade também é poder comer gordura trans de um McNuggets com molho barbecue, poder passar horas conversando com uma amiga ou parente no exterior sem gastar um centavo, poder jogar videogame 3D com os melhores jogadores do mundo com as mesmas habilidades dos de carne e osso. Com a mesma cara e porte físico também. Ah, se comprar o joguinho pirata, ainda ganha uma narração do Galvão Bueno de brinde.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Liberdade é poder escolher qual é o besteirol quero assistir e a que horas posso assistir. E isso, só a minha geração pode se orgulhar de ter tido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, se alguém disser que quando era criança o mundo era muito melhor, concorde. Mas isso não quer dizer que a infância dele foi melhor que a tua. Do que a minha não foi!&lt;br /&gt;Agora me dá licença porque hoje é terça e eu já posso baixar o último capítulo de Gossip Girls.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XOXO&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1345573360330563059?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1345573360330563059/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1345573360330563059&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1345573360330563059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1345573360330563059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/10/tempos-modernos.html' title='Tempos modernos'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-293583086243043077</id><published>2008-09-24T21:53:00.000-07:00</published><updated>2008-09-24T22:17:47.675-07:00</updated><title type='text'>Surpresa!!!</title><content type='html'>Chega uma época na vida de todo mundo que a moda é festa surpresa. Muito mais fácil pro aniversariante e quase uma mostra de amizade de quem organiza. Essa quase não foi a tempo, já que eu e minha roommate já tínhamos combinado de fazer uma festa pra comemorar o aniversário dela. Mas daí a terceira amiga me veio com a idéia de festa surpresa - pra minha roommate e pra dela, que fazia aniversário dois dias antes (coincidência: uma taurina e uma virginiana em cada casa; a do dia 4 de maio com uma do dia 20 de setembro e a de 5 de maio com a de 22 de setembro). Eu concordei com a surpresa e a partir daquele momento, ajudada pelo fato de que ela não queria pensar em ficar mais velha, parei de falar abertamente do aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa ia ser no domingo. Meio da semana e nada estava pronto ainda. A virginiana da minha amiga já ia dar duas festas - às quais não pude comparecer porque estava trabalhando -, então ia ser complicado fazer seus amigos irem a mais uma comemoração. A festa virou só da minha, mas não ficou menos difícil por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e a loira (a daqui, não Lucy), passamos da fase de irmãs e viramos praticamente gêmeas siamesas. A gente mora juntas e estuda na mesma escola, por vezes no mesmo horário. Como não temos carro, sempre vamos ao supermercado as duas pra conseguir carregar as compras. Pra completar, ela trabalha no café da manhã, o que significa que só está fora de casa num horário em que nada está aberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprar as coisas escondido era praticamente impossível, então a gente teve que improvisar. A outra amiga aproveitou um dia que estavam as duas juntas e resolveu passar no mercado e compras coisas teoricamente pra casa dela. Depois, pediu pra deixar as sacolas em casa, já que ela ainda teria que ir pro trabalho. Comprou muita coisa e fez a coitada da futura aniversariante voltar carregada e sozinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas pro bolo eu incluí nas compras da semana, o que deu uma ajuda. Mesmo assim, ainda faltou coisa, mas o acaso colaborou e no dia em que eu trouxe as bebidas pra casa ela estava dormindo à tarde. Tudo o que precisava ficar na geladeira eu fui enfiando dentro das sacolas da outra amiga, que ficaram mais de uma semana em casa na esperança de que ela viesse buscar. O resto, tudo pro meu quarto, no chão mesmo, debaixo de cobertores ou roupas pretensamente sujas. Um dia cheguei com uma caixa enorme debaixo do braço, mas joguei o casaco por cima e ela nao percebeu o presente. Já o rolo de papel de presente, deixei do lado de fora da casa até que ela fosse pro quarto e eu pudesse atravessar a casa sem perigo. Tudo estava dando mais ou menos certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pro dia da festa, a outra amiga chamou nós duas prum almoço com uma brasileira recém-chegada, que fazia aniversário no dia 19 e que tem o mesmo nome da minha roommate (muita coincidência pruma história só). Eu inventei uma reunião de grupo como desculpa pra arrumar a festa. Tudo sozinha, já que a gente não arranjou outro jeito de tirar a moça de casa sem envolver uma de nós. Na verdade, a amiga que chamou pro almoço já não iria pro almoço. Ela tinha sido escalada pra trabalhar, mas só ia contar isso em cima da hora, quando as duas com o mesmo nome já estivessem esperando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almoço era às duas. Eu chamei as pessoas pra casa às quatro. Contando que ela saíria uns 40 minutos mais cedo, dava tempo. No domingo cedo dei uma pequena arrumada na sala, fiz meu trabalho de escola (que realmente existia, apesar de não ter reunião) e, fingindo que já estava indo pra reunião, fui comprar pães pros brasileiríssimos sanduíches de metro. Quando voltei, vi a cortina da sala aberta, o que só acontece quando tem gente. Liguei, perguntei se ela ainda estava em casa. Sim, ela estava. Perguntei se minha usb ainda estava no computador. Não estava, eu sabia. "Nossa eu não tô ach... AAAAI, ACHEI!!! Nossa, que bom, tava aqui jogada na minha bolsa, mas eu não tava achando. Só isso, beijinhos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei pra outra. "Oi, então... eu tô aqui na esquiiina de casa, sentada com a sacola de pães. Não... ela ainda não saiu de casa aiiiinda. Isso porque vocêee disse pra ela que era pra ela ir pro almoço de vocês, mas já almoçada, por que não era bem um almoço. Além disso, ela tinha que lavar a roupa justo hooooje, porque senão não ia dar tempo". Apesar dela ter pedido, eu não podia ligar de volta pra outra e mandar ela tomar nisso ou naquilo. Ela é que tinha que ligar, dizer que estava atrasada e que ela precisava sair correndo pra fazer companhia pra menina, que era nova na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu certo, mas eu não sei quanto tempo depois, já que não podia ficar olhando de tão perto. Meia hora depois de ter desligado, cheguei perto e pedi prum cara que tava passando bater na porta pra mim. Entrei e a casa ainda estava cheia de fumaça, o que significa que ela tinha fritado um hamburger antes de sair. Fechei a cortina, que ela esqueceu de fechar, coloquei a música no note e comecei a arrumação. Primeiro o bolo. Enquanto ele assava, fiz os sanduíches. Lavar alfaces, cortar. Depois tomates. Lavar, cortar. Toca o telefone. A indiana pedindo a 3a ajuda pro mesmo trabalho. Disse que estava ocupada, mas enquanto tentava entender o que ela falava, cortei meu dedo. Fiquei brava, cortei também a conversa. Sanduíches prontos, tirei o bolo. Muito baixo. Tinha que fazer outro. Mas a casa tava uma zona. Fui pra arrumação. Um jeito na sala e tudo o que era complicado pra dentro dos armários, inclusive as calcinhas do banheiro. Mudei uns móveis de lugar. Chegou o venezuelano. Já eram quase 4h. Botei o menino pra encher bexigas, ou melhor, globos, já que tento falar em espanhol com ele. Fui fazer o bolo. Chegou a menina de Fiji. Apresentei os dois e pedi em inglês pra ela ajudá-lo com the balloons. Dez minutos depois chegam os dois amigos brasileiros. Conversamos um pouquinho em português. Quando me virei pra apresentá-los, percebi a zona cultural e linguística que estava naquela casa. Muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eram 5h e eu não tinha terminado de assar o segundo bolo quando elas chegaram. Em compensação, a mesa estava linda, toda posta, com meu lençol todo colorido no lugar da toalha de mesa, que ainda está na lista de compras. Eu tinha mandado mensagens pedindo pra elas atrasarem, mas não dava pra enrolar mais. O bolo mesmo, decorado, com brigadeiro e morangos na cobertura e no recheio, só ficou pronto duas horas depois do combinado. Mas naquele momento já tinha desencanado de tudo, da hora e de me trocar. Dessa última parte me arrependi depois, quando vi as fotos do meu cabelo todo despenteado, a blusa amarrotada, meio fora de lugar, e o olho preto do resto da maquiagem do dia anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa, por sua vez, foi ótima. A amiga taurina chegou trazendo as três virginianas. Conversamos, bebemos, comemos muito. As três cantaram parabéns e apagaram as 26 velinhas (1 grande pra uma, 1 grande pra outra e 24 velinhas de palito bem juntinhas pra terceira, já que essa foi comprada no próprio dia e era a única opção). O fogo acumulado das 24 velinhas foi maior do que o esperado e possivelmente teria disparado o alarme de incêndio, já a nossa casa tivesse um. As últimas a chegarem foram as primeiras a ir embora. Nas horas que se seguiram até o resto pegar o último trem, representantes de Brasil, Fiji e Venezuela se alternaram mostrando na internet suas músicas e danças típicas. A menina de Fiji dando um show à parte, seja na hula, no samba, axé, forró ou funk. Pra minha amiga que adora culturas diferentes, a festa não poderia ter terminado melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-293583086243043077?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/293583086243043077/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=293583086243043077&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/293583086243043077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/293583086243043077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/09/surpresa.html' title='Surpresa!!!'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6484051818493756257</id><published>2008-09-16T07:12:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T07:14:42.825-07:00</updated><title type='text'>Fim de uma era</title><content type='html'>Ela se foi. Depois de tantas vezes que fiquei com medo disso acontecer, ela se foi. Já não comia, não bebia água. O cérebro não funcionava mais, não dizia que ela precisava fazer esse tipo de coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer que fiquei chocada. Quando o telefone tocou, já esperava a notícia. Quando vim pra cá já tinham me dito que provavelmente ela não ia conseguir me esperar. Mesmo assim, foi de repente que ela piorou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã completo dois meses fora do Brasil. Há várias formas de ver isso. Eu prefiro pensar que ela se esforçou pra me esperar ir embora e só então poder descansar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6484051818493756257?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6484051818493756257/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6484051818493756257&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6484051818493756257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6484051818493756257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/09/fim-de-uma-era.html' title='Fim de uma era'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5059276831404440909</id><published>2008-09-14T07:31:00.000-07:00</published><updated>2008-09-14T09:48:45.083-07:00</updated><title type='text'>As pedras e o mato deles</title><content type='html'>A primeira vez que ouvi falar de Pinacles foi quando ainda estava em homestay. A outra estudante que morava comigo ia fazer uma excursão pra lá no mesmo dia em que eu me mudava. Por isso, quando eu e minha amiga vimos que a nossa escola oferecia esse passeio - a um preço bem menor do que as agências comuns - logo nos animamos. Nem mesmo o trabalho atrapalhou, já que a princípio, nenhuma das duas trabalhava naquele sábado (no fim, ela acabou trabalhando, mas à noite, só). Em compensação, trabalhamos na sexta até as 2h da manhã. Quatro horas depois já estávamos (tentando nos manter) de pé pra pegar o ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinacles é um dos locais turísticos mais famosos da Western Australia. A imagem típica é uma foto alaranjada de uma rocha enorme no meio do deserto. Isso era tudo o que a gente sabia. O que a gente não sabia é que o lugar fica a 280 quilômetros da cidade, o que, com a velocidade reduzida do ônibus, fez a gente andar mais de quatro horas pra chegar no lugar. Grande parte do tempo passamos conversando com o nosso guia, um decendente de polonês que trabalha no setor de estudantes internacionais da escola e cuja idade eu não tenho idéia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aparenta não ter mais do que quinze, mas sei que tem mais. É loiro, baixinho, sem barba alguma mas já terminou a faculdade. A contar pelas milhares de dicas (escritas todas em post-its) que já nos, parece ser um exímio conhecedor das baladas e pubs de Perth. De tão simpático, talvez perca o emprego. Na hora de não efetivá-lo, o pessoal da escola reclamou que ele dá atenção demais aos estudantes e que deveria ser mais burocrático. Felizmente, ele não levou o conselho a sério. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo da viagem, ele só conhecia nós duas e o motorista. Na volta, era praticamente amigo de todos os alunos do ônibus. Um deles ele não só conheceu como nos apresentou. Era venezuelano. Está aqui há um ano e meio e ficou com os olhinhos brilhando quando minha amiga começou a puxar assunto em espanhol. Aparentemente, os resto dos latino-americanos não gostam tanto da Austrália como os brasileiros e por isso, ele largou os amigos indianos e passou o dia conosco, matando a saudade da lengua madre. Os dois falavam espanhol, o que eu até achei divertido, já que conseguia entender perfeitamente. Já na hora de responder, me confundi toda e alternava entre o inglês e uma tentativa de espanhol - "pra não quebrar o grupo" - misturada com português e italiano. A minha cabeça ficou numa zona tão grande que por vezes saía, dentro da mesma frase, uma palavra em cada língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos às 8h. Meio-dia e tanto, depois de uma parada pro toilet, uma pra comer e alguns poucos minutos de sono, estávamos num parque pequeninho, de 5 km e cuja única atração - como bem definiu o motorista - eram pedras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um monte de pedras de formatos diferentes no meio do deserto, algumas de pouco mais de dois metros, outras ainda menores, o que me faz entender porque nenhuma das fotos tinha gente do lado. Se as pessoas soubessem o real tamanho dos Pinacles, ninguém perderia seu dia pra isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que não tinha muita graça ficar olhando, tiramos fotos. Um monte delas. Mais divertido do que tirar a foto era subir nas pedras. Com o tempo, foi-se criando quase que degraus nelas. Mais fácil que subir em árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos assim uma hora e meia. Depois, hora de enfrentar o caminho de volta. Quando a gente pensava que o programa de índio tinha acabado, voltamos à parada do toilet. Lá, nosso guia (que no começo da viagem me perguntou se eu sabia alguma coisa sobre o lugar pra onde estávamos indo, já que tinham perguntado e ele tava com vergonha de não saber) fez questão de nos mostrar as wild bushes, ou seja, a vegetação nativa da Austrália, o que, em trocando em miúdos, significa "mato". Pura e simplesmente mato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vegetação australiana, pelo menos a daquela região, é muito seca. As plantas não têm a cor viva do Brasil. São baixinhas, na sua maioria, têm folhas pequenas e por vezes fininhas, pra não perder água (se estivessem num jardim, minha mãe arrancaria todas). Uma coisa realmente interessante é que tem uma planta que precisa de fogo pra florescer. A semente fica dentro de um fruto seco e meio poroso. Pra liberá-la, os aborígenes (os índios deles) colocavam fogo perto da árvore - isso quando o fogo não acontecia naturalmente. Outra coisa diferente é que os mesmos aborígenes usavam a seiva de uma planta pra fazer uma cola mega poderosa. Mas isso os nossos índios também faziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti meio idiota tirando foto daquilo tudo. Nunca que eu ia tirar foto do mato brasileiro, então por que tirar da versão aussie? Mas o moço é todo simpático, tinha resolvido incentivar. Isso até o momento em que ele foi mostrar o cocô de canguru, daí eu desencanei - o bicho mesmo a gente não viu, mas os vestígios dele estavam lá. E teve gente que ainda tirou foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as plantas, só duas se destacavam pela beleza. As duas que não eram da Austrália. Foram trazidas pelos europeus e os passarinhos se encarregaram de espalhar. Nativo mesmo era tudo pequenininho, fragilzinho, feinho. Atração só pra turista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5059276831404440909?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5059276831404440909/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5059276831404440909&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5059276831404440909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5059276831404440909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/09/as-pedras-e-o-mato-deles.html' title='As pedras e o mato deles'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2061995266927488948</id><published>2008-09-13T09:13:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T19:56:03.950-07:00</updated><title type='text'>Impotência, again</title><content type='html'>Sei que tudo tem um começo e tudo tem um fim, mas não sei se um dia vou ser suficientemente madura pra aceitar. Ao mesmo tempo que queria estar com você, sei que não adiantaria muita coisa. A cabeça já não funciona direito. Há dois meses, o rabo mal abanava quando me via. Agora, parece que está na mesma ou pior. Cada vez mais no seu próprio mundinho e menos no nosso. É triste, no mínimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estar aí, com você no meu colo seria quase que como um reconhecimento por todos esses quase 15 anos que a gente tem passado juntas. Quinze anos. Mais do que muitos casamentos. Uma vida inteira, literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que depois de um tempo só vemos as coisas boas nos outros. O rosto de um bom velhinho esconde tudo o que ele já fez de ruim na vida. Bem, quando jovem você foi tudo, menos bobinha. Nem parece que essa senhora de idade, com pêlo todo branco e que anda curvadinha, batendo a cabeça nas paredes, já caçou tantos bichos, já arranjou tantas brigas (com outros bichos, somente). Em todas as vezes, por mais que soubesse que seria punida, voltava com aquele ar de missão cumprida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a minha menina mais velha, primeira e mais forte de todas. Cada uma tinha seu jeito especial, personalidade mesmo, e todas vão ficar pra sempre no meu coração. Uma mais quietinha, a outra mais arteira, a quarta ainda uma criança. Você é a mais parecida comigo. Orgulhosa, por vezes arrogante, mas sempre amigável, feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes fiquei com medo de que o goodbye fosse acontecer logo, mas a gente superou juntas. Calcificação da medula, câncer de mama, diabetes. Agora, essa espécie de Alzheimer. Doença horrível que degenera aos poucos, fazendo os pacientes perderem lentamente a contato com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que não entende como alguém pode se apegar tanto assim a um bicho. Bem, só o que posso dizer é que toda a dedicação valeu mais do que a pena. Toda criança precisa de um animal de estimação. Com eles a gente aprende a ter responsabilidade, a dar e receber carinho, a não acumular sentimentos ruins (ou esquece ou vai lá e resolve, mesmo que resolver signifique fazer xixi no meio da sala, só pra descontar). No fundo, crescemos as duas juntas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que você nem sabe se estou ou não do seu lado. Sei que estão te tratando muito bem. Mas queria eu estar cuidando de você. Me sinto culpada por não ter feito mais. Faltou muita coisa. Você é a minha menina. Agora, já que eu não posso estar contigo, a única coisa que peço é que você fique bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2061995266927488948?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2061995266927488948/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2061995266927488948&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2061995266927488948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2061995266927488948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/09/impotncia-again.html' title='Impotência, again'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1702239404004676587</id><published>2008-09-07T18:36:00.000-07:00</published><updated>2008-09-07T18:40:28.739-07:00</updated><title type='text'>Ai que raiva</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana; font-size: 13px; "&gt;Alguns sentimentos são bons. Outros, ruins. Óbvio não? O problema é quando o sentimento trafega entre os dois extremos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;A raiva, por exemplo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Sem pensar acho que todo mundo responderia que ela é um sentimento ruim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Será?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Sentir raiva de algo pode ser um &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;turning point&lt;/i&gt; na vida do ser humano. Depois dela, reagimos, mudamos, enfrentamos o que a causou. E isso é bom!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Poucas coisas me dão tanta raiva quanto perceber que algumas coisas só acontecem comigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Por exemplo, o que Carrie, do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Sex and The City&lt;/i&gt;, chama de DD (Disastrous Date, ou algo parecido). É impressionante como tudo o que dá certo em qualquer casal do universo não funciona comigo. O amor mútuo, a vontade de experimentar as coisas juntos, o desejo de estar sempre por perto, o acordar ao lado... Se uma Jones atrai idiotas, e outra atrai pessoas esquisitas, eu nem consigo definir que diabo de pessoas eu atraio. E o relacionamento então? É qualquer coisa que passe longe de um namoro. E qualquer coisa que chegue perto do niilismo. Será que posso classificar a tranqueira emocional que vivo com o glamuroso DD da Carrie?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Outra coisa que me irrita profundamente são aquelas pessoas, que NEM são suas amigas, fazendo previsões sobre a sua vida com todo conhecimento de causa do mundo. Há mais ou menos meio ano ouvi de uma delas, do alto do seu conhecimento inexistente sobre mim e sobre o que eu estava vivendo, que eu tinha de sair fora do relacionamento (que ainda levo) porque eu era muita nova, não “merecia” passar por aquilo tudo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Antes tivesse entrado por um ouvido e saído pelo outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Agora, acabei por experimentar um novo tipo de raiva, ainda mais forte. Quando duas situações que já me irritavam profundamente se encontram na vida. Chegar à conclusão que a guruzinha de meia-tigela estava certa sobre o não-relacionamento que estou levando é desolador. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Não, ele não me faz bem. Não, ele não tem sido legal comigo. Não, ele não quer nada sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Eis que surge a grande vantagem da raiva. A vontade de dizer chega! Não quero mais nenhuma das duas coisas. Não quero ninguém cuidando da minha vida. E ninguém se aproveitando da minha boa vontade emocional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;Ta vendo, a raiva pode ser boa. Mas que todo mundo quer se livrar dela rapidinho, disso eu não tenho dúvidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10.0pt;font-family:Verdana"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1702239404004676587?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1702239404004676587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1702239404004676587&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1702239404004676587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1702239404004676587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/09/ai-que-raiva.html' title='Ai que raiva'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8926193784942058847</id><published>2008-09-02T07:04:00.000-07:00</published><updated>2008-09-02T07:17:37.874-07:00</updated><title type='text'>Coleguinhas</title><content type='html'>- Você fez o trabalho?&lt;br /&gt;- Sim, eu fiz!!! Fiquei até as 5h da manhã fazendo, mas tá aqui! E você fez?&lt;br /&gt;- Não... eu não sabia o que escrever. Ei, M***, você fez o trabalho? &lt;br /&gt;- Não, não consegui. Minha melhor amiga sumiu.&lt;br /&gt;- Sumiu, como assim sumiu? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há menos de uma semana, esse menino, desempregado, do nada quase ficou na rua depois que o primo devolveu a casa onde eles viviam e foi pra Sidney. Tudo o que faltava era a melhor amiga do coitado desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, sumiu... eu fui na biblioteca e ela não tava lá. E eu fui lá tendo certeza que era só que pedir ela ia me ajudar no meu trabalho de networking. Então, não fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falava isso dando risada. Terminou a frase e continuou sorrindo pra mim. Não só ele como todos na roda. Eu tentava entender. Alguns segundos depois, caiu a ficha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahhh, eu sou sua melhor amiga???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já disse, eu tinha dormido só duas horas, depois de passar a madrugada fazendo um trabalho monstruoso que deixei pro último dia. A lerdeza de pensamento tinha desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- hahaha é, eu não tava na biblioteca. Ontem fiquei fazendo o trabalho em casa.&lt;br /&gt;- Se eu soubesse onde é tua casa, teria aparecido pra você me ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pior é que não era difícil. Como disse uma amiga, tem algumas coisas que nunca mudam. Uma delas é que eu não durmo. A outra, que atraio gente estranha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara em questão é um zambiano de 21 anos, mas que parece ter 18. Apesar de estarmos no mesmo grupo, sentados lado a lado, a gente só começou a conversar depois de quase uma semana. Ele é meio arisco no começo. Evita dizer que veio de Zâmbia, já que ninguém sabe onde fica e aparentemente australiana não morre de amores por negros e/ou africanos. Como eu vim do Brasil e sabia (vagamente) onde é Zâmbia, ele meio que abaixou a guarda. Do nada, passou a vir a todo instante pedir minha ajuda com os trabalhos, com o computador e até me chamou pra sair. Era tão dependente que quase o mandei à merda várias vezes. Xaveco? ? Não. Simples indolência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas semanas de aula ele me ligou desesperado porque o primo com quem ele morava foi viajar. Ele precisava entregar a casa e não tinha onde ficar. "Oi, Patty? Aqui é M***. Onde você está? Uma pergunta: o quão grande é sua casa?" - como a maioria do povo que vem morar aqui, ele antes de dar oi te faz um interrogatório, O "onde você está?" é sempre a primeira pergunta e vem antes até do "tudo bem?". É quase invasivo. As pessoas que vem pra cá ficam carentes, precisam de amigos e às vezes ultrapassam os limites do aceitável. Pelo menos do brasileiramente aceitável - Ele queria ficar em casa por um tempo, pelo menos o final de semana, e eu tinha acabado de mudar com a minha amiga.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que tenha ficado com pena do menino, não deixei ele dormir lá. Um porque não acreditava que ele sairia depois Dois porque naquele final de semana já tinha marcado de sair sexta e sábado. Não ia ficar me preocupando com alguém semi-estranho em casa. Nem eu nem minha amiga queríamos ninguém lá, mas não deu muito certo. Meia hora depois uma menina de Fiji da sala dela ligou. Como sempre, "onde você está?". As duas só tinham conversado uma vez na vida, mas ela queria sair. A irmã foi viajar, ela não pretendia ficar em casa nem dormir sozinha. Eu e minha ainda brincamos que poderíamos apresentar o meu amigo pra amiga dela. Os dois resolveriam seus problemas e quem sabe até arranjavam mais um. Mas isso ficou só nos planos, já que a cara de pau não foi tanta. Lógico, ela podia sair com a gente, mas não foi suficiente. A menina queria ir naquele momento pra nossa casa e ficar por lá. Insistiu muito pra isso. De novo, fiz o papel de chata e não deixei. A gente precisava descansar, fazer compras, lavar roupa... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos encontramos à noite. Ela saiu conosco, perdeu o ônibus e acabou dormindo em casa, mas ninguém achou ruim. Mesmo forçando a convivência, foi divertidíssima. Dançando a la EUA, quase esfregou a bunda nos caras da balada. Pagação de mico à parte, deu pra dar muita risada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os coleguinhas, uns são mais perdidos, outros menos. Eu tenho imã pros mais. E no fundo, gosto. Engraçados ou não, eles sempre são diferentes, têm algo de especial. Durante as aulas, além de M***, normalmente estou com duas mulheres. A primeira é uma indiana de 25 anos, casada, com filho. Ela fala baixinho, baixinho e pede ajuda pra tudo, já não entende muito bem inglês e muito menos de informática (no primeiro dia de aula eu tive que mostrar como se faz pra colocar underline em um endereço de e-mail). A outra é uma filipina de provavelmente 30 e tantos anos (ela se recusou a me dizer a idade certa). Depois ter fugido de homens a vida inteira "por medo de sofrer", ela veio há dois meses pra cá pra se casar com um australiano que só tinha visto uma ou outra vez. Em comparação com a outra, essa entende um pouco menos de inglês e um pouco mais de informática, visto que já sabia como colocar o underline. A diversão foi perceber que ele desaparece quando você sublinha a frase ou e-mail. "Olha, olha! Agora você vê... agora você não vê! Percebeu? De novo...".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8926193784942058847?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8926193784942058847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8926193784942058847&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8926193784942058847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8926193784942058847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/09/coleguinhas.html' title='Coleguinhas'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6753977919981173309</id><published>2008-08-18T06:39:00.000-07:00</published><updated>2008-08-18T06:40:22.711-07:00</updated><title type='text'>À procura da casa perfeita</title><content type='html'>O trato desde o começo era "nós vamos morar juntas. De preferência, nós três, mas, mesmo que não dê certo, pelo menos nós duas vamos ter a nossa casa". Então, por mais que eu gostasse da minha homestay, do seu namorado (quase meu host cunhado) e de seu cachorro, no meio da minha segunda semana aqui comecei a procurar uma casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achar sharehouses (repúblicas) é fácil. Uma caixa inteira, nem tanto. Na verdade, todo mundo dizia que era tão difícil, mas tão difícil que preferi pecar pelo excesso. Um dia depois de ter resolvido minha vida em relação ao curso (agora, depois ter pago o curso de Public Relations, ter tido que transferir no último minuto para Writen and Spoken English e ter feito um outro curso de inglês por engano durante dez dias, estou fazendo Management), ficamos - eu e minha amiga - procurando casas ou apartamentos, que são poucos, em prédios bem baixos, sem zelador, mas que, ao contrário do que eu pensava, existem aqui em Perth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos devagar, juntas no computador da biblioteca, com a lista de sites indicada pela moça da escola. Algumas coisas boas, perto do centro, mais ou menos o preço de uma homestay, mas um quarto só, pras duas. Anotamos os telefones, mandamos alguns e-mails. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagou o computador ao lado, começamos buscas separadas. Quando vi estava, como de costume, com mais de dez abas do internet explorer abertas, olhando descrição, preço e jogando no google maps pra ver se era ou não viável. Passamos a manhã e a tarde inteira assim. Por dois dias. Quinta e sexta. Na verdade, na própria sexta de manhã, fomos ver as primeiras casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que acontece no Brasil, onde você procura um apartamento, liga pra imobiliária e ela faz quase todo o trabalho, aqui os imóveis estão listados na internet. Gostou? Ótimo! Espere até o dia da visita, porque ninguém vai te levar pra ver o apartamento só porque você quer. Eles têm dias pré-determinados para conhecer a casa e todos os interessados aparecem juntos, por quinze minutos. Se é isso mesmo o que você estava procurando, preenche o formulário e torce muito para que a agência escolha você em vez de qualquer um dos outros interessados. Uma brasileira que a gente conheceu no trem disse que demorou um mês até ser aceita em dos lugares. Daí fez sentido. Por que casa a gente viu que tem, a dificuldade então está em parecer confiável pra agência, o que, para duas garotas que haviam chegado há menos de duas semanas no país, não tinham emprego e muito menos referências, além das respectivas homestays, não ia lá ser muito fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom... o normal agora seria contar essa história relatando os mil problemas que a gente encontrou, o número de vezes que fomos rejeitadas pelas agências e os inferninhos em que fomos parar. Mas, infelizmente pra história, felizmente pra mim e pra minha amiga, não teve nada disso. O único quase problema foi o contato com dois vigaristas. Um homem e uma mulher. Ambos colocaram mil anúncios desesperados nos sites de imóveis. Como a gente tava mandando e-mail pra todo mundo, mandamos pra eles também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias eram parecidas. Ele foi morar no Reino Unido com a família. Ela perdeu o marido e voltou com a filha pro Texas, nos Estados Unidos, onde deve se casar de novo em breve. Os dois estão com seus apartamentos mobiliados aqui, tentando desesperadamente alugar por um preço fantástico. Pra isso, eles te mandam as fotos. Você gosta, manda seus dados, eles preparam os documentos. Os dois assinam. Você faz um depósito sem nunca ter entrado no lugar. Eles mandam as chaves pelo correio. Simples, né? E tá cheio de espertinho desse jeito por aqui, pelo menos na internet. A gente ainda deu corda pro cara, falei por gtalk com ele, mas depois esqueci o assunto, ele também não insistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por baixo, devo ter mandado uns 30, 40 e-mails para donos e imobiliárias. Mas conhecer mesmo, só quatro casas, duas no sábado e duas no domingo. A primeira era num dos bairros mais queridos tanto por brasileiros quanto por australianos. Subiaco, lugar que dá nome a um estádio de football. O bairro é realmente uma graça. O apartamento, até hoje eu não sei. O lugar lembrava de longe um complexo habitacional, com um monte de casas geminadas, uma em cima da outra. Dois ou três andares, com escadas do lado de fora. Logo que chegamos, um dos nossos possíveis vizinhos, meio indonésio, olhava bem desconfiado. Em seguida, passamos por um velhinho totalmente trêbado. Por fim,  o apartamento. Trancado e com uma porta tão suja quanto os outros. Fomos para o segundo do dia. Um estúdio, perto da escola, não tão perto do trem. Mobiliado, mas com só uma cama. Como móveis de segunda mão são baratos, a gente podia comprar outra. O problema era a total ausência de paredes. Nem a maior das amizades sobreviveria a isso. Então, fomos embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o sábado foi corrido, domingo deveria ser um pouco mais. Tínhamos decidido ver três casas. Uma às 10h30, outra às 13h30 e uma terceira às 16h. A primeira foi cortada de cara. Apartamento de um quarto pelo valor de dois. E sem mobília. Não valia a pena acordar cedo. A segunda casa era meio longe, mas tinha um preço bom, dois quartos e pertinho da estação. Por dentro, eu não tenho idéia de como é. Cheguei meia hora depois do combinado. Fui de trem. não sabia que precisava fazer baldeação, tive que voltar. Desci, fui pegar o trem certo e era o errado. Voltei mais uma vez. Minha amiga estava lá no horário certo, mas não conseguiu achar o endereço. Perguntou pra todo mundo, olhou no mapa e nada. Quando achou que ia ganhar uma informação relevante, recebeu foi um número de telefone, pro caso de um dia ela querer companhia pra sair. Quando finalmente achamos o lugar (por sinal muito perto da estação), só deu pra espiar pela janela. Nem sombra do pessoal da imobiliária. Na volta, conheci o tal cara do telefone, que refez o convite, dessa vez pras duas, de um dia jantarmos ou mesmo irmos a um pub.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última casa era mais perto da cidade. A dona foi uma das primeiras a responder meu e-mail e inclusive mandou fotos. Casa de dois quartos, bonitinha, mas sem mobília nenhuma. Dessa vez, chegamos no horário, depois de almoçar cochinhas de frango frito dentro própria da estação. A dona veio com o marido e uma amiga. Mostrou a casa, que a gente já conhecia por fotos. Dois quartos bons, um banheiro meio feio, valor do aluguel dentro do aceitável. O único problema era a mobília. Era. Ela respondeu que tinha alguns móveis guardados e que poderia emprestá-los. Ia mandar um e-mail dizendo quais móveis eram esses e quanto iria aumentar no valor do aluguel por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, quatro dias depois de começarmos nossa busca, estávamos com todos os documentos assinados. Como o negócio foi feito direto com o proprietário, não precisou da tal burocracia de formulários. Bond pago, já tínhamos a nossa casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Bond é uma exigência da lei australiana. Sempre que você aluga um imóvel tem que deixar o valor de quatro semanas em uma conta conjunta entre proprietário e inquilino. Ao fim do contrato, se nada estiver danificado, inquilino recebe todo o valor de volta. Se algo tiver que ser consertado, debita-se do bond. Só se pode tirar o dinheiro com a assinatura de todos os envolvidos no negócio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6753977919981173309?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6753977919981173309/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6753977919981173309&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6753977919981173309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6753977919981173309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/08/procura-da-casa-perfeita.html' title='À procura da casa perfeita'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5883803508732324307</id><published>2008-08-10T02:18:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T02:21:41.606-07:00</updated><title type='text'>Impotência</title><content type='html'>Eu não deixo de viajar por conta disso, mas tenho que admitir que não sou a pessoa que mais adora aviões nesse mundo. Concordo que a chance de um avião cair é não sei quantas mil vezes menor do que eu bater um carro. Só que a batida de carro faz menos estrago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, pelo medo de pensar que vou ficar tanto tempo sem ver pessoas de que tanto gosto e até por rejeitar a idéia que talvez nunca mais veja alguma delas, demorou pra me emocionar por conta da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha certeza que ia começar a chorar no arraial, quando estivesse reunida com todo mundo, amigos e família, pela última vez em quase dois anos. Mas acontece que a festa julina passou a ser só para alguns, meus pais não foram e eu queimei minha perna. Acontecimentos que anularam qualquer possibilidade de introspecção. Na verdade, acho que até parei de pensar nela com medo de que o médico vetasse os planos. A preocupação era só em ficar boa logo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo aqui, o trauma não foi tão grande. Vim viajar com duas amigas, quase que irmãs, então aquela saudade absurda de carinho, de família, foi meio que suprida. Até nos piores dias aqui, aqueles em que tudo dá errado e a única coisa que você quer é um colo, a gente encontra paz só de ver um rosto querido e poder falar português. O meu problema, então, não é o presente, mas o futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no Brasil, fui sentir o primeiro aperto mesmo quando me despedi da minha cachorra, bem velhinha já. Diabética, ceguinha e tomando um monte de remédios neurológicos, dá medo pensar no que pode acontecer em um ano e meio. Com o resto dos amigos, é simples. Por tudo isso é que fiquei tão chocada com o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe da minha amiga disse pra minha mãe que, pelo meu e-mail, parecia que eu estava com medo e acho que estava mesmo. Menos de um mês depois de eu ter queimado minha perna, meu irmão quebra duas vértebras do pescoço. Como o médico tem feito questão de relembrar, ele podia ter morrido, ter ficado paralítico, mas por sorte foi muito menos do que isso. Já fez uma operação, em breve fará a segunda, só pra ajeitar os pinos que seguram os pedaços de osso do quadril implantados na coluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de noite, ele estava no sítio, pulou na piscina, bateu a cabeça. Dormiu lá fora porque não conseguia andar. No dia seguinte, um pouco melhor, foi levado pro hospital e da lá, de ambulância, até São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que fiquei assustada. Quando deixei o Brasil estava com medo de tudo o que poderia acontecer em um ano e meio. Meus pais, minha avó, minha cachorra, até mesmo eu, em meio àquela turbulência horrível entre São Paulo e Joanesburgo. Meu irmão, meus amigos, jovens, fortes, a gente nunca pensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5883803508732324307?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5883803508732324307/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5883803508732324307&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5883803508732324307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5883803508732324307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/08/impotncia.html' title='Impotência'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1595647414866555449</id><published>2008-07-30T19:51:00.000-07:00</published><updated>2008-07-30T19:55:36.902-07:00</updated><title type='text'>São todos sacanas!?</title><content type='html'>Há séculos se discute o que torna os homens diferentes das mulheres. E o que fazer para diminuir essa diferença.&lt;br /&gt;Nunca vi problema nisso. Pelo contrário. Graças a Deus que somos diferentes, porque se fossemos iguais, não haveria nada para ser complementado. A auto-suficiência soa tãããão chata.&lt;br /&gt;O meu problema é outro, e esse eu nunca vi ninguém discutir. Porque até os homens mais bacanas são sacanas? Será que eles só são sacanas comigo, ou isso é do comportamento masculino?&lt;br /&gt;Calma, antes de vocês começarem a listar um milhão de casos em que os meninos foram sacanas com as meninas, eu explico.&lt;br /&gt;Não costumo me envolver com aquilo que muitas mulheres consideram o homem ideal: o cafajeste. Pelo contrário, gosto dos caras honestos e leais. Os que saem pra jogar bola, que viajam a trabalho, que vão pro bar com os amigos, mas nunca esquecem do respeito pela namorada. Nunca tive dúvidas com relação ao caráter deles.&lt;br /&gt;Mesmo sendo honestos, atenciosos, carinhosos e bons caráteres, eles acabaram sendo sacanas comigo. No fim, eles acabam me magoando, me fazendo sofrer, me causando crises imensas, mesmo sem terem noção do que a atitude deles estava me causando.&lt;br /&gt;Pra não prolongar muito texto, vou escolher só um exemplo.&lt;br /&gt;E ele é inteligente, culto, interessante, carinhoso (quando quer), bonito, e tem aquela manha que derrete as mulheres (o tal Mr. Big de alguns textos atrás).&lt;br /&gt;Por alguma razão inexplicável, acabamos nos envolvendo. Por razões mais do explicáveis, o nosso relacionamento estagnou. E chega uma hora que ou vai ou racha.&lt;br /&gt;Decidimos (eu até estava me preparando pra isso, mas ele foi mais rápido) que o melhor era nos afastarmos – como um casal. Porque como amigos, nunca estivemos tão próximos. Eu, como sempre, concordei. Tenho esse problema sério, uma dificuldade absoluta de dizer não para as coisas que eles pedem. Não costumo dizer não para nada, mesmo que isso me incomode profundamente.&lt;br /&gt;Mas o que distingue uma relação da outra?&lt;br /&gt;Faço um esforço tremendo pra fingir que não sinto. Mas a verdade é que ele sabe que gosto dele, que tenho sentimentos. Quanto a ele, não posso dizer o mesmo. Aliás, o que posso dizer? Não tenho idéia.&lt;br /&gt;Nunca mais fui à casa dele. Nunca mais fomos ao cinema. Nunca mais tivemos um jantar romântico. Por outro lado, continuamos nos vendo, nos falando quase que diariamente, trocando e-mails e mensagens, nos preocupando um com o outro. Quando por algum acaso estamos juntos, ele não hesita em me fazer um carinho, um cafuné, em me dar um beijo apertado (na bochecha).&lt;br /&gt;Ele me provoca, e eu caio como uma patinha. Fico esperando a reação, a atitude. Fico esperando ele dizer que sente a minha falta, e que quer tentar de novo. Mas as palavras não vêm.&lt;br /&gt;E tento superar isso, criar um milhão de pensamentos na minha cabeça que me afastem dele &lt;em&gt;for good&lt;/em&gt;. Mas ele acaba com esse esforço imenso quando me dá um olhar carinhoso, um carinho mais intenso, um sorriso aberto, quando vem todo fofo me contar alguma coisa que aconteceu na sua vida.&lt;br /&gt;Mas depois, o convite não vem, os carinhos não se prolongam, as situações não são discutidas. E a crise começa outra vez.&lt;br /&gt;Talvez ele seja auto-suficiente de uma companheira e precise só de distrações temporárias. E nessa lista acho que sou a primeira. Nada de que eu me orgulhe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1595647414866555449?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1595647414866555449/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1595647414866555449&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1595647414866555449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1595647414866555449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/so-todos-sacanas.html' title='São todos sacanas!?'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1600455296301476215</id><published>2008-07-26T02:39:00.001-07:00</published><updated>2008-07-26T02:39:30.949-07:00</updated><title type='text'>Estréia na balada</title><content type='html'>Era mesmo uma cena esquisita. Na hora que minha amiga chegou na porta do bar, eu estava com a câmera empunhada, tentando deixar a foto tão boa quanto a história. A modelo era minha outra amiga, que chegou junto comigo aqui na Austrália e que nesse momento, meio que contra a vontade, sustentava um periquito branco, uma cracatua, talvez, em cima da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bicho tentava se segurar no cabelo loiro enquanto ela, depois fui saber, só torcia pra que o passarinho não resolvesse transformá-la em seu banheiro particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra amiga, a morena, chegou, olhou aquilo, deu risada, mas desencanou de tentar entender. Ficou ali, parada no canto, conversando sobre qualquer outro assunto com as duas outras que vieram com ela, enquanto a ave era transportada pro meu ombro para mais uma foto; essa não tão legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono da passarinha (sim, ele garantiu que era fêmea e que era sua melhor amiga) era um cara quase gordo, meio sujo, loiro de cabelo enrolado e com seus 30 e muitos anos. Chegou ali, de repente, enquanto eu e minha amiga esperávamos o resto do grupo no local combinado, um dos vários bares do North Bridge, a Vila Olimpia - ou talvez Vila Madalena - da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira frase eu entendi. "Ah... eu sei, vai, pode falar! Eu sei que você (ou vocês) tá louca pra passar a mão no meu passarinho". Eu olhei, dei aquele suspiro meio risada pensando que eu realmente só atraio louco. Minha amiga olhou pra mim com aquela mesma cara de surpresa. E o cara continuou. Falou por uns 2, 3 minutos. Só parava de vez em quando, esperando uma reação, que não acontecia, já que a gente estava parada, só olhando e esperando o fim da história ou alguma frase compreensível, mas ele deve ter achado que eu tava simplesmente concordando. Por fim, ele pediu uma manifestação sobre tudo aquilo. Eu fiz aquela cara de "é, não rolou" e emendei com um "sorry, we didn't get it".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez do cara ficar puto, ele abriu um sorriso daqueles de orelha a orelha e perguntou da onde a gente era. Brasileiras??? E fez algum outro comentário que a gente também não entendeu. Se ele não tivesse dançando praticamente, trocando o pé de apoio a cada dois segundos e cambaleando pra frente e pra trás, poderia ter ficado meio preocupado, mas ele foi o primeiro com quem não consegui conversar, então tá tudo ok. E já que papos normais não deram muito certo, ele começou a puxar assunto sobre a passarinha dele, cujo nome, se não me engano é Eagle. Se não for isso, é o mesmo nome de uma águia famosa. De toda forma, um tanto quanto paradoxo prum passarinho de menos de 20 centímetros de altura e que não machuca ninguém, mesmo sendo muito corajosa. Essas duas últimas afirmações, lógico, foram o dono que fez, eu só repito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra mostrar que ela era boazinha, ele pediu pra minha amiga estender a mão. Ela, com medo, hesitou umas três vezes, então, ele, delicamente, agarrou o bicho e quase o amassou no ombro dela. Eu adorei a cena e peguei o celular pra tirar a foto. Ela me deu sua câmera e o cara, que gostou ainda mais da idéia, resolveu trocar o lugar da ave, pra dar uma foto mais legal. Foi nessa hora que minha amiga chegou. Conversamos mais um pouco com o cara e fomos embora. Ele chamou a gente pra ir prum bar e, depois de ter ficado meio bravo com a recusa, minha amiga disse que ele deveria dormir um pouco. "É, quem sabe amanhã", e foi beber mais um pouco. Dizem os boatos que Perth é cheio de loucos. Não sei se é verdade, mas esse foi meu primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas reunidas, fomos caçar um lugar pra ir. Nas redondezas, um monte de pubs. Em todos você entra de graça, mas ontem tava muito frio, chovendo e por isso ninguém sai. Uma professora disse que Perth é guiado pelo tempo. No frio, nada acontece, no verão, isso ferve. Não sei quanto a segunda parte, mas sobre o frio ela estava certa. Dez horas, passamos em três bares e os três vazios. Acabamos ficando em um com um ótimo aquecedor. A bebida da Austrália é o Lemon Limon Bittar. Algo tão alcóolico que você pode tomar uns 10 e continuar de pé, mas é bom. Tomei um só. Começou a banda, mas mesmo antes disso uma loira de vestido vermelho e um mega salto já tinha caído duas vezes no meio do salão e em todas as ocasiões foi acudida pelo moço que tava com ela. Segundo as meninas, esse é o normal. Australianas saem de micro vestido mesmo no frio. Bebem demais e nem sentem. Saem carregadas, tiram a roupa no meio da rua... mas tudo isso é só fofoca. Eu só vi a parte do beber demais mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperávamos dar umas dez horas pra gente trocar de bar. Em uma das músicas, eu e uma das meninas lembrávamos dos nossos tempos de show de rock todo mês, pelo menos. Ela na grade e eu lá no fundo, com os meninos, como sempre, no meio das rodinhas. Achei muita coincidência quando, uma meia hora depois desse assunto, a amiga loira (mais fácil diferenciar assim) me puxou pra longe da confusão. Só consegui ver um cara abaixado e correndo dando socos. Pensei... "nossa... rodinha aqui? E, depois de estar muito perto da mão fechada dele, saí de perto porque não tava mais na idade dessas coisas. Foi então, pela cara das pessoas, que entendi que era briga de verdade. Quer dizer, mais ou menos de verdade, né... porque com um soco daquele acho que não se consegue machucar ninguém. Seguranças, ele vai embora, se solta, volta pra tentar bater mais... aquela coisa de sempre. Mas foi a nossa desculpa pra dizer que tava na hora de mudar de bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro era um pub maior, também com música ao vivo. Na entrada, além deles checarem seu passaporte ou ID, carimbam um "ID checked" na seu pulso. Dizem que esse é o lugar onde vão os australianos mais sem noção, lesados mesmo. o que foi justificado pela criatura esquisita, loira e bêbada que veio dançar na nossa roda mas que foi logo dispensado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa bem diferente é o tamanho do decote da maioria das meninas; às vezes tão grande que o peito pula. Como resultado, freqüentemente elas tinham que arrumá-lo de volta no sutiã. Segundo minha amiga, a preocupação tão grande com a comissão de frente é pra compensar a falta de bunda. Não vou comentar... falar mal de mulher parece despeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já de briga, o máximo foi um cara sendo carregado por um segurança e com mais dois acompanhando - o que foi um pouco de exagero, já que meio segurança já seria suficiente pra conter o pequeno encrenqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se teve mais coisa, não sei. Em algumas das mil televisões do pub passava rugby. Em outras o tal footeball e numa única solitária, tênis. Amanhã faz um mês que não jogo. Terminou minha temporada com a final do campeonato paulista. Única partida em que acho que joguei bem. Olhava fascinada pras telinhas, mesmo sem entender o porquê de não existir rucks - o jogador caía, matava a bola no chão, o jogo recomeçava com uma saída simples. Mesmo scrum era difícil de se ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos pra casa um pouco antes da uma - penúltimo trem de final de semana. Nos vagões, um monte de australianas com micro vestidos e pernas de fora, extremamente bêbadas. Mais uma lenda que parece ser verdadeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1600455296301476215?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1600455296301476215/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1600455296301476215&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1600455296301476215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1600455296301476215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/estria-na-balada.html' title='Estréia na balada'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5327526672593728593</id><published>2008-07-24T05:18:00.000-07:00</published><updated>2008-07-24T05:26:39.074-07:00</updated><title type='text'>Os trens e o francês</title><content type='html'>Nos meus últimos meses no Brasil, minha mãe disse umas três vezes "que tristeza que é pegar ônibus de domingo", toda vez que via alguém no ponto de final de semana. E eis que no meu segundo dia em Perth, domingo, primeiro dia em que acordei aqui, eu peguei um trem, um ônibus, conheci minha escola, peguei o mesmo caminho de volta e depois de 15 minutos peguei mais dois trens pra ir e dois pra voltar da cidade vizinha onde um dos meus amigos está morando (isso sem contar as caminhadas). No final do dia, já me consideravam especialista nas timetables. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há três tipos de trem em Perth. Pelo menos, três que peguei até agora, mas no folhetinho diz que tem muito mais. Um serve a todas as estações. Os outros dois só a algumas. A diferença está na letrinha que vem junto com o destino, mais ou menos com os Lapa T e Lapa H; República 5121 e República 5154 de São Paulo. Aqui, devo fugir fugir só do Arminale C, que não pára em Queenspark.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A técnica para pagar e simples e fácil de ser burlada, mas acho que ninguém pensa nisso, então eu também procuro não pensar. Ou você usa um cartão, meio a la bilhete único, ou compra tickets na hora, numa maquininha. O problema é que nem todas aceitam notas. Se você não tiver moeda ou o cartão de ônibus, não sei o que faz. Provavelmente entra sem pagar e só torce para que entre nessa estação que separa você da próxima maquininha não haja nenhum fiscal nos vagões (nem no ônibus nem no trem há qualquer tipo de catraca, no máximo um um cara controlando a entrada nas estações maiores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a confiança é grande, a multa para quem a quebra é maior ainda. São cinquenta dólares australianos só para quem compra passe com desconto sem ter a carteirinha. Pra quem não tem bilhete, não tenho idéia de quanto seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, depois de ter conhecido minha escola com minha host mother (ou host big sister, como ela mais se parece), encontrei com minha amiga também recém-chegada e seu companheiro francês de homestay. No meio da viagem, vi o tal guardinha, cuja existência até então eu ignorava. Como eu e minha amiga tínhamos pagado passagem normal, não havia problema. Já o menino comprou de estudante e não levava a carteirinha - ou qualquer outro documento -, só, por sorte, vestia o blusão da universidade onde ele estudava inglês. O guarda entendeu, explicou que da próxima ele deveria comprar passe normal e foi embora. No fim, o inglês ruim do francês ajudou a embasar a tese de que ele não sabia o que tava fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa intenção era chegar cedo pra ver o tal market de Fremantle, mas a gente chegou, demorou dois séculos até achar meu amigo num bar de comida asiática, conversamos um pouco, depois fomos comer no Hungry Jack - versão australiana pro Burger King. Um cara explicou que há alguma coisa, talvez alguma lei, que não permite o uso de nomes da monarquia em estabelecimentos comerciais. Eu relacionei direto com a monarquia britânica, a quem a Austrália responde, e desisti de descobrir se essa é a explicação verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de matar a gigantesca fome ao lado de um monte de adolescentes EMOtivos (eu juro que nunca vi na minha vida uma quantidade tão grande de crianças com cabelos lambidos e esquisitos, tachinhas, piercings, roupas pretas e acessórios coloridos juntas em um lugar supostamente neutro), uma família e um cara gordo, fomos encontrar o tal pub. Mas eu acho que tava tão feliz de ter comido que esqueci de prestar atenção no caminho. Como os outros dois conseguem ser tão ou mais desligados que eu, só percebemos que tínhamos andado demais depois de uns 15 minutos de caminhada. Dai a gente foi pra cima e pra baixo da rua algumas vezes, até que lembrei do final da explicação. Não era só virar às esquerda, também precisava virar de novo à esquerda no farol seguinte. Juntamos isso com algumas indicações coletadas na rua, chegamos até o tal bar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa era de Satã, não aquele vermelho, de cifrinho, mas um amigo do meu amigo, vindo da Arábia Saudita e que realmente tem esse nome. O moço acabou de se formar na escola e vai fazer uma faculdade na Austrália. Por isso, tava dando uma festa numa área reservada no lugar onde ele trabalha, um pub todo bonitinho com música ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente chegou, passou pelo cara que tava fazendo som com voz e violão, entrou na área reservada. Lá dentro, meu amigo sambava com uma amiga. Comecei a dar risada. O dono da festa, cuja brancura já tinha sido descrita, me olhava com uma cara de quem é você? Não tive tempo de me apresentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de mim começava uma discussão entre o bartender e o amigo francês, que acabou de fazer 18 anos, é branquinho, sem barba, cheio de espinha na cara e que, assim como minha amiga, esqueceu o passaporte. Mas o bartender não quis saber dela ou de mim. No fim, já que a gente não ia ficar de qualquer jeito, ficamos um pouco frustradas por as pessoas nem cogitarem que a gente pudesse ser menor de idade. Acho que a gente tá mesmo ficando velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que tentássemos conversar, não teve jeito e fomos os três embora. Já na saída, fui apresentada rapidinho ao dono da festa e conversei na rua com meu amigo, que ficava entrando e saindo de trás de uma linha branca pintada na calçada e que delimitava a área do bar, já que tem uma lei na Austrália (sim, a Austrália é cheia de leis) que não permite que se beba nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino bem que sugeriu dele ir embora sozinho, mas se a gente veio junto, a gente vai embora junto. E na volta, nova confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Australiano é um povo bem simpático, agradável, mas diz a lenda que eles bebem muito. Nesse dia, descobri que não é lenda, principalmente quando tem jogo do futebol esquisito deles, um mix do nosso futebol com rugby e que eu achei chatíssimo, mas que o namorado da minha homestay, e aparentemente o país inteiro, adora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente pegou o trem e sentou os três juntos. Um cara que estava ao lado do francês resolveu puxar assunto e perguntou, se matando de dar risada, o que ele fez no domingo. Ele, inocentemente, contou seu dia, começando pelo homework. O outro então começou a fazer gracinhas e piadinhas a respeito do menino novinho com duas garotas visivelmente mais velhas. Mudamos de lugar e, ao chegar na estação central, cada um tomou seu caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que já me achava a mais entendida sobre os trens de Perth, perdi três saídas e o tempo de escrever esse texto inteiro (o que deve ter dado mais ou menos uma hora) pra perceber que nenhum ou quase nenhum trem que vai pra Armindale passa na minha estação e que o T que tanto aparece é de Thornile, destino alternativo da mesma linha, que sai de outra plataforma e que era a minha única opção pra chegar em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5327526672593728593?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5327526672593728593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5327526672593728593&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5327526672593728593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5327526672593728593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/os-trens-e-o-francs.html' title='Os trens e o francês'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7764435850849644116</id><published>2008-07-22T01:35:00.001-07:00</published><updated>2008-07-22T01:35:21.185-07:00</updated><title type='text'>Primeiro dia na escola, mas nao de aula</title><content type='html'>No primeiro dia todo mundo chega atrasado. E na minha folhinha, não tinha nem ao menos o horário de início das aulas. Dizia somente pra eu ir até o centro de estudos internacionais. E isso no dia 12 - sábado - e hoje era dia 21, segunda. Portanto, o compromisso com o horário, que já era pequeno, se tornou nulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram sete e vinte quando eu finalmente resolvi levantar. Hoje, acordei às 6h, ainda vítima do fuso horário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no primeiro dia, depois de muito passar frio, resolvi dormir. Não sei que horas eram, mas possivelmente umas 9h da noite, quando ainda tava assistindo tv com minha homestay e o namorado. Algumas horas depois, acordei no meio da noite com uma vontade imensa de fazer xixi. Então, não consegui mais dormir. Ouvi um passarinho cantando, aqui, atrás da minha janela. Em seguida, um avião passando. Depois de mais uns passarinhos, ouvi o apito do trem. Por fim, começou a clarear e eu perdi o sono de vez. À noite, antes das 22h, eu já tava podre. Daí, pra parar com isso, hoje fiquei enrolando até demais. Na hora de sair, minha homestay disse que tava atrasada. Eu disse que não sabia se estava hoje, mas que eu tô sempre atrasada. Ela ficou toda feliz. "Oh, so you are just like me!!!" e saiu correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na escola, fui levada até uma sala onde tava terminando a apresentação do curso. Depois, prova: redação e entrevista. A entrevistadora adorou meu livro, como ela mesma chamou. E isso que eu nem escrevi tanto. Já na hora da entrevista, algumas engasgadas e, por isso, não sei em que nível estou. Conversamos por cerca de cinco minutos, uma falando mais rápido do que a outra. Ela pra me testar, ver até que ponto ia o meu entendimento, e eu porque é o normal mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do coffee break com uns muffins de chocolate muito bons (o povo daqui adora muffins e eu adoro os muffins deles), fomos fazer um pequeno tour pelo campus. Fui liberada pouco depois do meio-dia e tinha combinado de me encontrar com minha amiga só às 5h da tarde. O celular dela tava sem bateria e a tomada do carregador não serve pra cá, então não tinha nem como desistir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como minha casa fica a uns 10 minutos de caminhada do trem e o trem demora mais uns 15 minutos em média pra passar, resolvi enrolar pela cidade. Logo que saí da estação fui até o centro de informações pra turista e perguntei sobre algum café com acesso a internet. O cara me indicou um lugar, mostrou no mapinha, me deu esse mapinha, mas eu me perdi do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O centro de Perth é muito cheio e muito movimentado. Parece mesmo o centro de são Paulo, só é menor. E daí, como tava perdida, passei a perguntar por qualquer internet cafe. De indicação em indicação, rodei mais de duas horas com a mala do note no ombro. Meu pé tava doendo, eu já tava xingando todo asiático que via pela rua (só na minha escola tem milhões deles, ou adolescentes com aquele monte de tranqueira tecnológica ou caras mais velhos querendo cidadania, tipo um cozinheiro malasiano que eu conheci), toda lan house pra que me mandavam e todo restaurante chinês ou coreano ou tailandês que tem a cada esquina em um dos bairros daqui. Até que resolvi entrar em outro centro de informações para turistas. No andar debaixo, não tinha ninguém. Subi e lá a japinha (essa do Japão mesmo, que eu perguntei) disse que toooodo o centro da cidade tem internet grátis. Ela mesma tava usando internet banda larga, mas não pagava por ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei indignada de ter rodado tanto à toa, contei a história pra menina, simpaticissima, por sinal, peguei uma cadeira e testei na hora, pra ter certeza. Entrou!!! Mas daí precisava fazer um cadastro rápido, eu desisti. Preferi voltar até o shopping e comer alguma coisa em qualquer café, já que todos eram internet cafe e nem sabiam disso. Voltei, achei um café bonitinho, paguei 17 dólares por um sanduíche no croissant, um muffin e um chocolate quente, mas tava feliz. Tentei acessar e não entrou. Depois de três tentativas, todas frustradas, apareceu o aviso de falta de bateria. Fiquei puta, desliguei o bicho, coloquei na mala e comecei a pensar o que faria nas duas ou três horas que faltavam pra encontrar minha amiga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não aguentava mais andar, e enquanto pensava em demorar o máximo possível pra terminar a metade do chocolate quente e do muffin que faltavam, vi a mochila cor de rosa dela entrando no shopping, ali bem na minha frente. Eu pensei em gritar, mas ela tava muito longe e eu dentro do café. Então, virei a metade do copo que faltava de uma vez só, agarrei o resto do doce e saí correndo, esbarrando nas pessoas e derrubando meu guardanapo. Consegui encontrar com ela, que não teve aula hoje e estava rodando desde as 9h da manhã. Já tinha conhecido todas as lojas do shopping, ido até Fremantle de trem e voltado e por fim estava em dúvida se pegava o trem de novo ou se comprava um livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante as duas que tivemos antes das lojas fecharem (ou seja, se a gente se encontrasse às 17h não íamos conseguir fazer nada), a gente passou na farmácia duas vezes, uma pra cada uma, comprou um adaptador e um transformador de energia pra ela; comparamos os celulares e por fim compramos um, igualzinho, já que é o único que pega Skype.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a gente conversava e fazia graça com a câmera do celular, descansando na pracinha, chegou uma menina perguntando se a gente tava procurando emprego. Eu dei risada e disse que ouvi que era fácil encontrar emprego em Perth, mas que nunca pensei que alguém fosse me abordar perguntando se eu tava procurando. Mas o emprego não era tão legal. A princípio, achei que fosse. Ela trabalha pruma agência ligada ao Greenpeace, mas você tem que parar as pessoas no shopping e pedir dinheiro. Se você consegue, ganha uma comissão. Além do fato de eu detestar arrecadar dinheiro, se estivesse doando pra uma instituição, não ia querer que a pessoa que veio me procurar ficasse com uma parte do que estou doando, então desanimei antes mesmo de saber que meu horário de escola impossibilitava a brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversei mais um pouco com minha amiga e voltei pra casa. Combinamos de nos encontrar na quarta-feira só. Ela só tem dois dias de aula e amanhã é o mais pesado dele. Já eu estou louca pra entrar na internet e habilitar meu brinquedo novo, daí falo de graça a qualquer momento com todo mundo, já que eu percebi que internet sem fio banda larga é um pouco mais complicado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7764435850849644116?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7764435850849644116/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7764435850849644116&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7764435850849644116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7764435850849644116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/primeiro-dia-na-escola-mas-nao-de-aula.html' title='Primeiro dia na escola, mas nao de aula'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6687445109777625187</id><published>2008-07-22T01:28:00.000-07:00</published><updated>2008-07-22T01:29:08.208-07:00</updated><title type='text'>A caminho da Australia</title><content type='html'>Ao desembarcarmos em Joanesburgo, a primeira tentativa foi a de fazer um city tour. Algumas pessoas já tinham avisado que a capital da África do Sul também é conhecida por ser a cidade com a maior incidência de estupros do mundo, mas ficar dez horas no aeroporto era um pouco demais. Alem disso, se fosse com um táxi do aeroporto não devia ter problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos até o guichê da South African Airlines e, depois de alguma confusão para fazer o check-in da conexão, perguntamos da possibilidade de conhecer a cidade. "Mas o que é que vocês querem fazer lá fora?". Depois da explicação, a mulher da companhia disse que tudo bem da gente sair, mas que não era pra falar com ninguem, "nem olhem pro lado, vão direto para o ponto de informações".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente foi, mas fomos barradas na saída porque não tínhamos o visto pra África do Sul. Daí, enquanto pegamos a fila de novo, parou um cara atrás da gente falando português. Cara de surfista, gente boa daquele estilo quase folgado. Brasileiro, lógico. O menino foi se apresentando e eu fui lembrando do meu primo mais velho. Mesmo nome, ambos surfistas, passaram dois anos na Austrália, voltaram pro Brasil e foram moram em Florianópolis. Os dois não conseguiram o emprego que queriam e estão voltando pra Austrália; ele pra tentar ficar, meu primo só pra fazer um dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adotamos o cara, que tava viajando sozinho e que foi de grande ajuda. Ele que me incentivou a pagar um dos grandes micos da minha vida... dormir no meio do aeroporto, bem ao estilo "Terminal", o filme com Tom Hanks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem, a minha amiga tava empolgadíssima, não queria dormir nesse avião, porque assim ficava cansada, dormia no seguinte e chegava já acostumada com o fuso. A gente conversou bastante, mas o que me deixou mesmo acordada foram os dois filmes do avião. O primeiro - que eu mais gostei - sobre uma menina, interpretada por Christina Ricci, que foi amaldiçoada com um nariz de porco. O feitiço só ia ser quebrado se ela se casasse, então os pais ficam caçando um pretendente. Filme estranho, mas muito bom. O segundo era sobre uma casa aparentemente amaldiçoada e seres fantásticos, como fadas, javalis falantes e bichos nojentos que soltavam gosmas verdes quando morriam. Por causa desses dois, cheguei exausta na Africa do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No aeroporto, a primeira coisa que vi pra vender foi uma camisa da seleção brasileira de futebol. Em seguida, uma havaiana com a bandeira do Brasil. Mas o que mais me encantou e eu quase comprei foi um bonequinho de pelúcia do antílope mascote do Spingbox, time sulafricano de rugby e atual campeão mundial (depois soube que no dia seguinte teria um jogo deles contra os wallabees, da Austrália, o que tornaria mais engraçado eu entrar no país com o rival deles debaixo do braço). Mas como em aeroporto tudo é estupidamente mais caro, não quis fazer as contas de quanto era o bicho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que chamou a atenção foi uma máquina de massagem com água. A pessoa deita na maca, eles colocam a máquina por cima, que tem um plástico embaixo e jogam jatos de água nesse plástico, ou seja, em você, mas sem te molhar. A impressão de quem vê de fora é que tem uma pessoa sufocada dentro do plástico, já que não dá pra perceber que ela está solta embaixo da engenhoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e Cris chegamos à conclusão que gostamos da África do Sul só pelo estilos deles. Todas as mulheres t^em desenhos nos cabelos, um diferente do outro. Os homens são todos estilosos (o que é legal só pra ver... eu não gostaria que meu namorado usasse um terno e uma calça dourados como vi um cara usando). Mesmo as coisas da companhia aérea, como negocinho pra tapar os olhos, cobertor e afins, eram desenhadas com um monte de formas geométricas e bem coloridas. Lina ia amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, meia hora no aeroporto e eu já tava exausta, quase dormindo em pé e com uma dor de cabeça absurda. No aeroporto inteiro tinha somente um lugar pra entrar na internet. Sem atendente, você tinha que entrar no site e comprar o acesso pra uma semana inteira via cartão de crédito. Desisti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até a farmácia do aeroporto e comprei uma aspirina efervecente por 33 Raids, o que é cerca de seis dólares. Então foi que o menino me incentivou a dormir nas cadeiras vazias de uma parte mais isolada do aeroporto. Dormi um pouco e fomos comer alguma coisa. Depois da comida, voltamos pro mesmo lugar, dormi de novo, dessa vez mais pesado. O menino também dormiu. J'a minha amiga continuava pilhada, devorando o livro do Garfield que meu pai deu de presente ou andando de um lado pro outro. Foi comprar 'agua, comida, o que precisasse. Quando acordei de novo, a dor de cabeça tinha passado. Fomos ver o horário e descobrimos que o vôo tinha atrasado duas horas. Alguém lembrou de um sofá aparentemente hiper confortável no mesmo restaurante que tínhamos comido. Dez minutos depois e já estávamos os três dormindo de novo. O sofá ficava no final do andar, protegido por um vidro. Depois disso vinham as escadas rolantes. Várias vezes eu abri os olhos e vi alguém que descia a escada olhando pra gente e dando risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo avião, vi só um filme e passei o resto da viagem ouvindo música, uma rádio de classic rock e outra de anos 80, principalmente de trilhas de filmes, o que me fez lembrar muito de Lana. Na verdade, eu deveria me sentar em uma cadeira com mais espa'co pras pernas, ainda por causa da queimadura, mas nao deu no primeiro aviao, muito menos no segundo, quando sentei em uma cadeira e minha amiga em outra. Mesmo assim, me senti tão em casa com as músicas que cheguei mais tranquila ainda em Perth, nem liguei muito pra perna. Liguei pra minha homestay, conferi que ela estava mesmo em casa e fui pra lá de táxi. Ela e o cachorro me receberam extremamente bem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6687445109777625187?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6687445109777625187/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6687445109777625187&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6687445109777625187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6687445109777625187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/caminho-da-australia.html' title='A caminho da Australia'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7567322615638563607</id><published>2008-07-12T19:43:00.000-07:00</published><updated>2008-07-12T19:53:35.920-07:00</updated><title type='text'>A sanidade sem sair pra rua</title><content type='html'>Lucy me diz que essa minha fase em casa a faz lembrar constantemente do filme 28 Dias, com a Sandra Bullock, que coincidentemente eu adoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na trama, que ainda não vi, a protagonista tem que ficar por quatro semanas em uma clínica de reabilitação e fica repetindo que é um ser humano e que um ser humano tem que conseguir ficar sozinha dentro de um quarto sem enlouquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha pretensão é menor. Tenho certeza que só de ficar em um quarto com um monte de gente eu enlouqueceria e que só de ficar sozinha numa casa enorme eu enlouqueceria; nem precisava juntar os dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, nesse exato momento eu tento me convencer que ficar dois finais de semana sem sair de casa já não são suficientes para me fazer surtar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco mais de dez da noite e eu controlava aquele desejo tentando simplesmente não pensar nele. Saí durante a tarde e apenas quatro quarteirões conseguiram me deixar cansada, ou melhor, sentindo um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cicatrização está melhor, então aquela dor que me consumia na quinta-feira quase já não existe. Mesmo assim, ontem preferi ficar em casa. O médico foi enfático ao dizer que se eu andar muito, vaza hemoglobina. Se vazar hemoglobina, o ferro das células mancha a minha pele. E mancha de ferro não sai. Então, melhor eu também não sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem nem reclamei muito. Os programas disponíveis não eram aquilo que mais gostaria de fazer, mesmo em dias saudáveis. O templo do rock só costuma ter graça com uma boa dose de veneno, senão estressa, e meu principal parceiro de Butantã está a milhares de quilômetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra opção seria um barzinho simples, com conversa boa e gente divertida, mas o frio e a impossibilidade de dirigir tornaram essa escolha menos atraente. Me contentei em ir prum bar com meus pais, frango a passarinho e batata frita com milk shake, bem criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, pelo contrário, bati perna razoavelmente. Apesar de ter me cansado só com aqueles quatro quarteirões, depois ainda saí de novo e até paramos o carro em vaga de deficientes, o que faz todo sentido nesse caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta, troquei os curativos, tirei nova foto da perna sem pele (prometi que só termino essa seqüência quando tiverem sumido todas as manchas) e entrei no msn. No fundo, sabia que mesmo que me chamassem não deveria sair, mas não custa matar o tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas na internet, várias fotos distribuídas, todo mundo vai embora, eu fico. Minha mãe pergunta se minha perna dói e em seguida dá risada. Se doesse pelo menos um pouco, não ficava com tanta vontade de sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, a razão ainda comanda. Eu até poderia ligar, mas se recebesse o convite, seria sensato sair? E se não saísse, pra que dar sinal de vida? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase entrei em crise duas vezes ao ter que escolher uma roupa simples. A bota aperta a perna, a calça não passa por causa das ataduras e nenhuma blusa ou sapato combina com uma calça de malha fria. O que faria então se tivesse que me arrumar de verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava me contentando em desistir da rua quando o telefone toca. A bolsa, como sempre, tá lá longe e a música pára antes de atender o aparelho. O número, privado. Vou entender isso como um sinal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje deveria ser minha última balada de sábado, mas pelo jeito não era mesmo dia de sair. Como consolo, algum martírio está chegando ao fim. Essa é a minha última chance de não ver Zorra Total. Com toda certeza, algumas horas desse programa são suficientes para deixar qualquer um louco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7567322615638563607?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7567322615638563607/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7567322615638563607&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7567322615638563607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7567322615638563607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/sanidade-sem-sair-pra-rua.html' title='A sanidade sem sair pra rua'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-3364191017140633918</id><published>2008-07-10T19:32:00.000-07:00</published><updated>2008-07-10T19:41:24.076-07:00</updated><title type='text'>Patty's on fire</title><content type='html'>Na escola, aprendi que a dor é uma maneira do corpo dizer que alguma coisa está errada e que, por isso, você tem que tomar alguma providência. Enquanto tá com dor é que nao tá tudo ok. A mesma coisa acontece com o choro. As lágrimas são uma forma do nosso organismo lidar com as emoções com as quais não consegue expressar. Por isso, apesar de não chorar com freqüência, acho que de vez em quando é necessário - e benéfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da dor, se for mesmo isso, devo confessar que meu corpo é um tanto quanto prolixo, pra não dizer burro. Já faz mais de 48 horas que essa dor maldita não passa. Eu entendo que minha pele está se recuperando, mas eu já fui medicada, já estou em repouso e as pontadas continuam. É só ficar de pé - não precisa nem fazer força - que parece que minha panturrilha está sendo dilacerada de dentro pra fora. Como conseqüência, eu, que sempre me considerei a pior pessoa do mundo pra ficar doente, agora passo as tardes deitada no sofá ou na cama com as pernas pra cima. E tudo isso a uma semana da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de bebida a mais e um pouco de juízo a menos fizeram com que um amigo colocasse fogo na minha perna enquanto tentava acender a fogueira de festa julina. Ironia ou não, em vez de apagar o facho ou o fogo no rabo pra ficar tranqüila, foi preciso que eu pegasse fogo para então sossegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa em questão tinha lista fechada. Seria minha despedida, rumo ao país dos cangurus. A princípio, reuniria amigos e família e, portanto, só chamei pessoas de quem realmente gosto muito. Amigos queridos, daqueles com quem me sinto em casa, e de quem vou sentir muita falta quando estiver longe. No fim, não poderia ter escolhido melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explosão em si foi muito rápida. Estávamos todos comendo, quando aceitei o oferecimento do meu irmão de acender a fogueira no meu lugar. Foi ele e foi um amigo. Não sei como, uma lata de tinner foi parar na mão do moleque. Ele jogava o combustível, o fogo subia e desaparecia com a mesma rapidez. Preocupada, cheguei perto pra tentar ajudar. Porém, o álcool consumido por nós durante a tarde na sueca anulou o pretenso conhecimento adquirido no Exército. Numa última esguichada, o tinner passou por cima da fogueira e levou o fogo pra mim e pro meu irmão - nele, com menos gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, só vi minha perna pegando fogo, mas nos poucos passos até a borda da piscina ele cedeu. O cheiro de cabelo queimado e os fios chamuscados só foram percebidos depois. Fiquei puta, agarrei a lata da mão do menino e saí xingando, arrancando casaco e pantufa, enquanto seguia para o quarto onde as meninas dormiam para pedir um hidratante emprestado. Acordei as garotas meio como um furacão e a partir daí parei de ser a responsável pelos meus atos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de conhecimento mais do que público que eu não sou a pessoa que mais aceita ajuda nesse mundo. Gosto de sustentar a fama de auto-suficiente. Mas, dessa vez, parecia uma criança sendo levada pra cima e pra baixo, obedecendo as instruções daquele grupo de amigas-irmãs. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro lavei a perna. Em seguida, fiquei sentada, tentando me acalmar enquanto as meninas me faziam compressas com toalhas molhadas. O choro que não saiu já foi suficiente pra deixar Ariel preocupada. Em algum momento que não lembro qual, tomei um banho pra tentar tirar o cheiro de queimado do cabelo, o que não funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy, mal havia saído da cama, já sacou o celular e conseguiu instruções do que fazer em casos de queimaduras. Outro amigo, assim que descobriu o nome da pomada receitada, pegou a chave e correu em direção em direção ao carro, só perguntando ao léu se alguém queria ir junto. Pra mim, que só via a movimentação, ainda confusa, tudo aquilo parecia um balé ensaiado, com pessoas correndo em todas as direções, cada uma com seu papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, como o creme não fazia efeito, fui quase arrastada para o hospital. Os 40 quilômetros mais a confusão para chegar até o lugar me mostraram que a preocupação alheia tinha fundamento. A pele ardia tanto que foi preciso o ar frio do carro para acalmar os arrepios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá, enquanto andava de vestidinho vermelho e ceroulas de festa junina pelo pronto-socorro, doentes, médicos e enfermeiras olhavam com espanto para minhas pernas. Um médico sarcástico mas muito simpático começou o atendimento, que uma enfermeira extremamente cuidadosa completou, com soro e mil remédios diretamente na veia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma atenção eu recebi dois dias depois, aqui em São Paulo, na ala de queimados do HC. Enquanto conversava com o médico, a enfermeira se divertia arrancando bolhas e pele necrosada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da insistência de Ariel e de outra amiga, essa de infância, voltamos pro sítio e não para São Paulo depois do primeiro atendimento. O clima ruim já havia tomado conta das pessoas que continuavam na casa e das que tinham acabado de chegar. A festa julina se resumiu à comida e à fogueira, acendida depois e deixada de canto, como que de castigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, por insistência do padre fajuto que chegou trazendo Lana, fizemos o tal arraial, com casamento, damas de honra, Bíblia de viagem à Disney e tentativa de Queen para trilha nupcial. A quadrilha deixou tudo mais ameno. Até mesmo piadinhas com minha perna foram aparecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, pensava em fazer uma despedida para todo mundo, assim comemorava com um final de semana inteiro para os mais próximos e um tchau geral para os outros. No fim, o acaso fez com que essa fosse o veradeiro e único evento. Apesar da fama de festeira, só pude dar oportunidade para os amigos mais queridos me darem tchau. Os que aproveitaram a chance acabaram mostrando que mereciam o convite. Esse blog já fez diversas odes à amizade, mas acho que nunca é demais. Se amigos são irmãos que a gente escolhe, esse final de semana me mostrou que minha mãe social era bem da assanhada. Ainda bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-3364191017140633918?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/3364191017140633918/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=3364191017140633918&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3364191017140633918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/3364191017140633918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/07/pattys-on-fire.html' title='Patty&apos;s on fire'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4314526986307460432</id><published>2008-06-24T14:26:00.000-07:00</published><updated>2008-06-25T11:17:51.844-07:00</updated><title type='text'>O doce de cada um</title><content type='html'>Lucy me disse certo dia que preciso arranjar pessoas menos bregas. Sim, bregas - adjetivo usado por ela, talvez a mais romântica do grupo, para determinar o tipo de pessoa que eu, talvez a mais racional entre nós, costuma encontrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que diminutivos, superlativos, palavras e frases de efeito que às vezes não dizem muita coisa e não expressam a realidade são a tônica de todo e qualquer relacionamento. Por isso, acho que me acostumei a não criticar mais. Se eu sou um extremo, me recusando ao máximo a chamar alguém de gatinho, gato, gatão, benzinho, mozão e afins, o resto do mundo pode fazer parte do outro pólo. E para o sul se relacionar com o norte, é só a gente entender as diferenças e brincar com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nenhuma das Jones ser um poço de doçuras (no sentido brega da coisa), há uma escala de meiguice entre as cinco, com a existência de algumas peculiaridades. A palavra "fofo", que começou com Lucy, hoje já é praticamente usada por todo grupo, mas cada uma no seu caso. Lucy diz que homens são fofos - isso, inclusive, já foi comentado por ela em algum texto. Mesma opinião tem Lina, que há tempos está sumida. Para Ariel, bebês são muito fofos. Já no meu caso, e onde talvez se inclua Lana, o adjetivo está mais ligado a cachorros ou a outros animais que andem em quatro patas em vez de duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo um pouco mais a fundo... a metade da minha laranja, a tampa da minha panela, minha vida, meu amor, o tijolinho que faltava na minha construção... tudo isso é clichê e, dependendo do seu humor no dia, ridículo. Entretanto, faz parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma professora de ginásio leu uma vez o texto "Todas as Cartas de Amor são Ridículas", de Álvaro de Campos. A tese é simples: todas as cartas de amor são ridículas. Se não fossem ridículas, não seriam cartas de amor. Ou seja, se você gosta da pessoa, até as coisas bregas podem virar bonitinhas. O problema é quando que essa mudança acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, depois de ouvir um "porque a gente se gosta" de alguém que mal tinha conhecido, fiquei pensando e - mais do que isso - perguntei se a pessoa realmente acreditava naquilo que estava dizendo ou se falava por falar mesmo. A resposta foi meio que uma mistura dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí, o que é pior: pecar por uma seriedade excessiva, esperando surgir o sentimento para depois expressá-lo e, assim, correr o risco de não se deixar envolver o suficiente, ou dizer coisas que você às vezes nem sente só porque acha que vale a pena apostar na relação e esperar que, com o tempo, tudo o que você está dizendo vire realidade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu ouvir 40 vezes a mesma música é bem possível que acabe gostando dela. Então, se uma pessoa falar mil vezes eu te amo, é provável que isso aconteça mesmo ou que, pelo menos, a gente acredite nisso. Porém, além da auto-afirmação, acredito que há outro elemento para essa chuva de elogios e frases bonitinhas que começam na adolescência e às vezes não terminam nunca: a vontade de agradar ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais se ouve é que mulher gosta de homem romântico, apaixonado e que, por isso, ela costuma ser mais piegas. Uma cena clássica de começo de namoro (às vezes mesmo depois de um bom tempo de namoro) é a de Kate Hudson fazendo biquinho pra chamar o cara que ela mal acabou de conhecer de "my Benny Bear", em "Como perder um homem em 10 dias". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a lógica do filme, homens detestam esse excesso de doçuras, mas o que acontece na prática não é bem assim. Talvez por realmente acreditar que as mulheres gostam e precisam disso, os homens cada vez mais se acostumaram a usar essa melosidade em demasia para explicitar seus sentimentos. E nessa bola de neve, mulheres que não são tão adeptas a essa chuva de glicose acabam se acostumando com o tratamento e homens que não eram tão... açucarados acabam virando os próprios bonequinhos de glacê de Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, apesar desse texto parecer uma crítica ferrenha, confesso que não é tanto. Quando era mais nova, meu estômago já revirou várias e várias vezes toda vez que o moço em questão fazia biquinho ou voz de bebê pra falar comigo. Mas não tem jeito, há leis da natureza com as quais não podemos lutar. Com o passar dos dias, a bolacha fora do pacote vai ficar mais murcha e a gente, menos crítica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo é o 'querido' - também incorporado de dona Lucy Jones e contra o qual sempre lutei -, que deixou de ser irônico para virar sincero e já nem soa mais tão engraçado. Pessoas queridas são queridos e ponto. Nada de errado nisso. Afinal, vale lembrar que açúcar sozinho enjoa, mas é imprescindível pra se fazer um bom chocolate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4314526986307460432?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4314526986307460432/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4314526986307460432&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4314526986307460432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4314526986307460432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/06/o-doce-de-cada-um.html' title='O doce de cada um'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7076441720021510682</id><published>2008-06-04T19:26:00.000-07:00</published><updated>2008-06-04T19:34:22.255-07:00</updated><title type='text'>O Mr. Big de cada uma</title><content type='html'>Para muitas mulheres, ele era o cara. O genro que mamãe pediu a Deus. Culto, inteligente, divertido, bom caráter, maduro, bom de papo, enfim, uma ótima companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim, pra você... infelizmente ele não era o cara pra ela. E ela sabia disso desde o começo, desde a primeira olhada. Sem estalos, sem suspiros, sem sonhos ... Os pensamentos em comum tornaram a convivência uma amizade. E de um beijo roubado, mas beeeem consentido, a amizade evoluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não era pra dar certo? Se era pra dar? Nem os dois sabiam dizer. Já estavam há alguns meses juntos como amigos, amantes, companheiros e confidentes. Os sentimentos existiam, ou melhor, bravamente persistiam, resistiam, porque eram abafados por ambos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo estaria comodamente perfeito se ela não se desse tanto ao direito de sonhar. De querer ao menos se deixar apaixonar e viver uma história, mesmo que não tivesse final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela decidiu quebrar a cômoda harmonia e falar. Discussão de relacionamento não foi, porque aquilo não era uma discussão, tampouco de um relacionamento. Mas se não era, nunca será. Ele entendeu e respeitou os sonhos de menina dela, mas já não estavam na mesma sintonia. Ele não queria se deixar envolver, nem criar raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão era de que a amizade era forte e verdadeira demais para se deixar de lado. De certa forma, um precisava do companheirismo do outro. Eles apagaram a porção amante e agora tentam tocar a vida. Como amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a amizade sobreviverá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XOXO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7076441720021510682?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7076441720021510682/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7076441720021510682&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7076441720021510682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7076441720021510682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/06/o-mr-big-de-cada-uma.html' title='O Mr. Big de cada uma'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-152063298374071736</id><published>2008-05-12T11:24:00.000-07:00</published><updated>2008-05-12T15:35:57.851-07:00</updated><title type='text'>25 anos</title><content type='html'>É muito provável que nunca tenhamos nada. Nada a mais do que tivemos até hoje. E o que seria isso? Alguns sorrisos, uma brincadeira, pernas e braços um pouco mais encostados do que precisariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem provável que os dois já tenham cogitado várias vezes passar um pouco disso, mas nunca aconteceu. "Você não dá mole nem pra quem deveria", me disse recentemente uma amiga. Verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas vezes em que parecia que algo a mais pudesse acontecer, apareceu uma outra menina, um outro cara, alguém mais rápido e com menos a perder do que uma convivência amistosa. E a gente cede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O álcool, da mesma forma que deixa mais solto, também contribui para tirar (a mim, principalmente) de circulação. No dia seguinte vem, além da dor de cabeça, aquele peso enorme na consciência. Ressaca moral, diria um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy, provavelmente, ao chegar nessa parte do texto, deve estar pensando "amiga, tá bem? quem costuma surtar assim sou eu". Mas meus surtos são diferentes. Não são profundos, não falam de amor, não falam de paixão, mas, sim, de um medo imenso de decepcionar os outros. Medo de trazer qualquer coisa de ruim a pessoas tão queridas, de quebrar esse sentimento belo, a amizade e o carinho que tenho por tanta gente, de que gosto tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana fechei minhas comemorações de aniversário. Sítio com as garotas, almoço com amigos, jantar com meus pais, festa com mais amigos e almoço em família (que também serviu para o dia das mães). Ficar mais velha é uma ótima desculpa para estar com quem a gente gosta e que gosta da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora de publicar algumas fotos, principalmente as de sexta, me deu um branco. Não sabia que legenda colocar. Por maior que fosse a criatividade, as frases pareceriam clichês, impossível de dizer mais do que eles sorrisos enormes, rostos queridos. Mas, agora, conversando com Lucy, me vieram alguns momentos que precisam ser relembrados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não deixe para fazer compras numa 5a-feira de feriado. Parece que ninguém tem mais nada pra fazer na vida do que ir ao supermercado&lt;br /&gt;- ao comprar licor pra fazer drinks, esqueça os de morango. Se não tiver de melão ou laranja, melhor ficar só nas caipirinhas&lt;br /&gt;- se for passar o feriado com três loiras, faz mais sentido pegar o menor dos quebra-cabeças&lt;br /&gt;- por mais frio que faça, tenha sempre um biquini na mala&lt;br /&gt;- às vezes, é melhor não perguntar o motivo das coisas. Ajuda na surpresa e não estimula sua amiga a contar mentiras&lt;br /&gt;- boteco, bolo pulmann e meia dúzia de amigos são mais do que o suficiente prum festão&lt;br /&gt;- família é família... fundamental&lt;br /&gt;- o problema de pegar um balde de cerveja é que você tem que tomá-lo&lt;br /&gt;- proseco não combina com cerveja, ainda mais com 9 cervejas e dois chopps&lt;br /&gt;- Jones e amigas não precisam de funk pra descer até o chão, por mais que às vezes fosse melhor não fazê-lo&lt;br /&gt;- se a platéia é animada, a banda pode estar dormindo que a gente nem liga&lt;br /&gt;- bêbados são facilmente influenciáveis e com o tempo até assumem que estão realmente bêbados&lt;br /&gt;- a festa foi boa de verdade quando a gente se liga que se divertiu com várias pessoas que você nem ao menos sabe o nome e poderiam ser identificadas somente como "amigo ou amiga do ciclano"&lt;br /&gt;- bolo não serve só pra comer, mas... quando for escolher um pra jogar na coleguinha, pegue o sem marshmellow, por favor&lt;br /&gt;- melhor do que levar uma máquina fotográfica é entregá-la às pessoas certas&lt;br /&gt;- alguns amigos são tão amigos que te incentivam a ficar longe deles só porque querem o melhor pra você &lt;br /&gt;- outros são tão amigos que continuam contigo mesmo quando nem você mais sabe que está com você mesma&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-152063298374071736?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/152063298374071736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=152063298374071736&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/152063298374071736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/152063298374071736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/05/25-anos.html' title='25 anos'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-8702306223907985256</id><published>2008-04-01T16:51:00.000-07:00</published><updated>2008-04-01T17:20:10.854-07:00</updated><title type='text'>Do you trust me?</title><content type='html'>Uma das qualidades mais importantes nas pessoas é a confiança. Se Jasmine não acreditasse em Aladin, eles nunca teriam dado aquele passeio fantástico de tapete pela noite de Bagdá. Se você não confia na pessoa com quem está, não se entrega, o relacionamento não é metade do que poderia ser. Mas é complicado se abrir, se entregar, ser sincero consigo mesmo e com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconscientemente já nos enganamos. A gente não tem tempo para parar e pensar nas decisões diárias. E nessas, você não sabe mais o que é verdade e o que você gostaria que fosse. Toma decisões baseadas no que acredita ser verdade e tudo vira uma bola de neve. De repente, vem aquele sentimento de vazio. O que eu estou fazendo com a minha vida é uma questão constante. Do que eu gosto de verdade, do que eu me acostumei a gostar ou do que eu nem gosto mais e ainda não percebi? Crises de identidade são mais normais do que deveriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo alguns, elas acontecem porque as pessoas mentem tanto que acabam acreditando na mentira. Eu vou além. Acho que acreditar na mentira é uma necessidade. Se você a todo momento se lembrar que está mentindo, como conseguir viver? Como vai conseguir olhar no rosto das pessoas, se olhar no espelho? Por isso, às vezes é melhor acreditar na própria mentira. Assim não tem que enfrentar as conseqüências nem mesmo sua consciência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como sempre, existe o outro lado. O meu problema é que mentir, omitir, dá muito trabalho. É preciso pensar antes de falar, lembrar da versão inventada, não cometer erros. Por isso, acho que o melhor é evitar a fadiga e a sujeira na aura e contar tudo de uma vez. O estresse é maior, mas não dura pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do que, esse joguinho de meias-verdades é cansativo pros dois. Pro que mente e pro que escuta, que tem que ficar preocupado, tentando tirar a verdade o tempo todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso costuma acontecer de vez em quando, no dia-a-dia, mas é mil vezes acentuado em uma determinada época do ano. Inventada na França não sei em que século para pegar os que se atrapalhavam com a mudança de calendário (o ano novo deixou de ser comemorado na última semana de março para ficar como é hoje), a tradição do primeiro de abril consiste em contar mentiras para os amigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Terminei o meu namoro", "voltei com meu ex", "seu pai sofreu um acidente", "vou te dar um cachorro de presente". Ah, quantas vezes eu já caí - e ainda caio - nessas brincadeiras no mínimo bobas (se bem que, pelo menos são bobas. Se me chamassem pruma festa de réveillon que não existe eu ia ficar muito, mas muito frustada). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, fico na dúvida... é melhor acreditar de cara, mesmo correndo o risco de ouvir um irritante "pri-mei-ro-de-a-briiiil", ou me cansar fazendo todas as perguntas possíveis e imagináveis até ter certeza que é não verdade? Pra completar, sempre tem aqueles sem graça que resolvem fazer anúncios (verdadeiros) justo no dia da mentira, com o único intuito de tumultuar ainda mais a vida das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto desperdício de energia! É tão bom poder conversar com os outros, acreditando neles, sem a presença de um diabinho atrás da orelha lembrando o tempo todo o calendário... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que vem acho que tomo um remédio e passo o primeiro de abril inteiro dormindo. Se bem que, eu, 24 horas dormindo, nem que não fosse dia da mentira alguém ia acreditar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-8702306223907985256?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/8702306223907985256/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=8702306223907985256&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8702306223907985256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/8702306223907985256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/04/do-you-trust-me.html' title='Do you trust me?'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1645145977327215081</id><published>2008-03-18T16:43:00.001-07:00</published><updated>2008-03-19T11:58:47.160-07:00</updated><title type='text'>Abstinência</title><content type='html'>&lt;i&gt;Substantivo feminino &lt;br /&gt;1 - ato de abster-se, de privar-se do uso de alguma coisa &lt;br /&gt;2 - privação de certos alimentos e bebidas em cumprimento de preceitos religiosos ou outros &lt;br /&gt;3 - privação voluntária de prazeres e/ou bens materiais em busca do aprimoramento moral ou espiritual &lt;br /&gt;4 - privação voluntária dos desejos sexuais, por exigências morais, espirituais ou religiosas &lt;br /&gt;5 - privação, voluntária ou não, de substâncias tais como álcool, heroína ou qualquer outra droga de que se é dependente &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja qual for o motivo ou as substâncias envolvidos, a abstinência é sempre um comportamento difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se chegar ao ponto de prometer ficar um tempo sem determinada coisa é porque ela está nos fazendo tão mal (ou até mais) quanto está fazendo bem. Se fosse algo só ruim, ninguém precisaria se forçar a ficar sem. Eu posso ficar dois anos sem comer melancia que nem vou perceber (na verdade, acho que estou há dois anos sem comer melancia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário, vai me dizer que eu tenho que ficar uma semana sem comer chocolate, sair pra balada ou usar o msn, gtalk ou email no trabalho? Ô, dificuldade. Então, se a gente toma uma decisão dessas, é porque precisa. Promessas podem ser feitas para pedir, para agradecer ou simplesmente para o nosso próprio bem. Esse último é o caso de quando prometemos a nós mesmas que não vamos mais ligar pro ex, que não vamos comer besteira ou que não vamos beber. O meu recente caso de abstinência foi desse último tipo aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história toda começou com um desafio pra mim mesma. Ressacas contínuas, engovs... passei mal duas vezes em uma semana. Não só por bebida, mas também por comida. Mas em todo caso, resolvi ficar até o carnaval sem beber. Até o carnaval? Não... tem feriado uma semana antes. Então ficaria até dia 25 de janeiro. "Dez dias só, lógico que eu consigo". Depois do quarto copo de cerveja lembrei que estava há três dias sem beber. "É... eu não consigo". E já que não consegui uma semana, ia ficar um mês. Aceitei o desafio, agora de um amigo, e fiquei exatamente 30 dias sem beber, contados a partir da quarta-feira de cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra brincadeira ficar só um pouco mais divertida, nesse meio tempo, o que mais houve foi gente atiçando. As pessoas davam risada ao ouvir que estava "há três dias e meio" sem beber. Mais ou menos como aqueles diabinhos de desenho, amigos que nunca me trouxeram uma cerveja na vida a todo momento chegavam com uma latinha na mão. Os que não bebiam, passaram a beber. E o que eu mais ouvia era "ah, pra que toda essa besteira, você não vai conseguir mesmo, melhor acabar com isso de uma vez". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os amigos, o máximo de incentivo que recebi foi um "eu acho que você vai conseguir, mas porque acredito que a gente é capaz de conseguir qualquer coisa. A questão é que você não vai ganhar nada com isso. Ao contrário, só vai perder". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os que param de fumar e passam a sentir melhor os cheiros e sabores, mesmo com essas poucas semanas eu consegui ver a diferença. Por exemplo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda a minha vida, eu nunca fui tão chata quanto nesses 30 dias. Nem eu me agüentava. Fiquei ansiosa, estressada. E olha que arranjei várias formas de liberar endorfina. Comi chocolate, vivia na academia ou nos treinos de rugby, tomei sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os refrigerantes perderam toda a graça, assim como os sucos. Tudo é muito doce. Por isso, passei a tomar coisas light, que antes não suportava, mas que pelo menos têm um fundinho de amargo. Mas mesmo eles são gasosos, não têm espuma, não são amarelos - é... Guaraná é, mas esse não conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que cerveja me faz relaxar. Eu nunca tinha reparado nisso até Lucy dizer no meio de uma conversa qualquer que não sei quem parecia comigo quando tomava uma cerveja, meio que apertava o botão de desliga. Ficava quietinha, sentadinha. E não tem coisa melhor do que passar o dia sentada, conversando, tranqüila, dando muita risada ao redor de um monte de amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falta da loira - a bebida, não a amiga -, muito chocolate, o que dá uma sensação boa, mas me deixa ainda mais elétrica e engorda. Aliás, cerveja dá barriga, ok... mas muito mais fácil se livrar dela do que da celulite causada pelo refrigerante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exercícios também não foram os mesmos. Depois de um tempo, percebi que o álcool interfere diretamente na resistência. Conseguia fazer muito mais coisas sem me cansar - e isso não é necessariamente bom. Por mais que meus músculos estejam cansados, eu ainda não. A perna - que eu achava que não tinha mais pra onde crescer - cresce, o braço cresce... não é à toa que esse monte de gente bombada não bebe. Fica ansioso e depois se mata na academia. Ah, se eles soubessem como ficam feios. Vai pro bar que é bem mais legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior de tudo é que nesse meio tempo não deixei de sair um final de semana. Daí, o melhor é água. Uma, duas. Mais do que isso o estômago não suporta. Cerveja é absorvida mais rápido, é ótima pra hidratar, cabe um monte, além do gosto ser inigualável. A garrinha long neck é perfeita pra segurar. A latinha tem todo o ritual de amassar e o copo de caipirinha tem canudinho pra ajudar a comer as frutas depois! Sem isso, a mão parece que perdeu sua função, o corpo todo perde o equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a impressão dos primeiros dias. Depois, até que acostumei e à meia-noite e meia do dia 8 de março, tomei minha primeira cerveja depois de 30 dias. Meio gripada, mal senti o gosto, mas era um marco. No dia seguinte, começou meu curso de bartender, que incluiu uma degustação de destilados e compostos. Nem percebi a coincidência de datas quando marquei o curso. Parece que certas coisas estão predestinadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, não sei se concordo com aquele meu amigo, de que só perdi ficando um mês sem beber. No primeiro final de semana, a cerveja que marcou minha volta à bebida foi a única que tomei. Nos dias seguintes, nem uma balada open bar aproveitei em quantidade suficiente. Já no final de semana, fiquei bebinha e sóbria três vezes em menos de 24 horas. No fim, acho que a abstinência valeu pela análise. Percebi que não preciso da bebida. Estou com ela porque quero e só nos momentos em que quero. E, como tudo nessa vida, é bom lembrar que se pode cortar quando começa a nos fazer mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-1645145977327215081?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/1645145977327215081/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=1645145977327215081&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1645145977327215081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/1645145977327215081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/03/abstinncia.html' title='Abstinência'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-658158555739259376</id><published>2008-03-03T15:08:00.000-08:00</published><updated>2008-03-04T06:40:24.429-08:00</updated><title type='text'>Um dia com a mais vibrante</title><content type='html'>Normalmente as coisas começam assim, com um simples convite: "você quer ir?" e daí, em vez de eu me perguntar "será que eu realmente quero?" a frase que ressoa na minha cabeça é "por que não?". Se, nos mínimos instantes entre o ouvido receber o estímulo e a boca emitir um sono "ah, eu quero!", eu encontrar um motivo para recusar, ok. Mas como na maioria das vezes isso não acontece, acabei ganhando a fama de arroz de festa e virei figurinha carimbada na maioria dos eventos, dos mais tradicionais até aqueles protegidos pela Funai (principalmente nesses, por sinal). A última dessas aventuras foi o clássico Corinthians e Palmeiras, a que assisti junto com o pessoal da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo, acho que desde que fomos morar perto do Palestra Itália, que meu irmão ficou mais próximo do futebol. Passou a ir a todos os jogos, entrou na Mancha (antes Verde, agora Alvi Verde), mas não durou muito lá. Em pouco tempo, mudou pra TUP, onde, diz a fama - e todos os seus integrantes - a união é maior e as pessoas são muito menos arrogantes. Enquanto a minha confraternização era com o pessoal do rugby, a dele era com o pessoal da torcida. Conhecida como "a mais vibrante", a TUP vira e mexe faz churrascos, cervejadas, viagens (sempre com a desculpa de ver os jogos). E como tudo o que é festa interessa, ela ganhou minha simpatia. Mas só isso. Até que semana passada, meu irmão me chama pra ir ver um jogo com ele. Achei o máximo, mesmo porque homem é mais difícil de chamar pro seu mundinho. Mulher que é mais expansiva. Mas naquele final de semana era impossível. Rugby, aula de dança o dia todo e festa - esses dois últimos na companhia de Lucy. O jogo seguinte, por sua vez, era contra o principal rival, alvinegro, então estava descartado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o final de semana, meu irmão retoma o convite "você não quer ir comigo no jogo domingo?". Dessa vez, a cabeça nem teve tempo de se preocupar em pensar. A boca foi muito, mas muito rápida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, eu quero!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tá, mas é contra corinthians..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Ganhei o tal tempo pra pensar. Mas mesmo assim não consegui achar uma razão forte para recusar. Fiquei simplesmente gaguejando..."ah... contra Corinthians? Ah, é... bem, não sei... não é melhor ir em outro?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, eu nunca tive uma opinião formada sobre esses jogos. As pessoas me falam que é perigoso, que não é bom mulher ir, eu acreditei. E como ninguém tinha me chamado prum clássico desses, nunca tinha pensado a respeito. Sendo assim, ele não precisou de mais de duas frases de efeito como "as torcidas não querem mais brigar porque isso só prejudica elas" e "não vai ter problema, vai um monte de meninas" pra me convencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí foi um vai-não vai. Tinha decidido que não ia contar pras pessoas que eu ia, porque vai que a criatura desistisse de me levar. Mas ele tava empolgado, então achei que não tinha risco. Contei pra alguns amigos e não é que no meio da semana descubro que não vou mais? "Ah, teu irmão falou que acha melhor você não ir. Vai ter muito homem, vai tar muito cheio. Melhor você ir em outro". Ok, né? Se ele, que é quem tinha me convencido a ir achou melhor não, eu não vou. O pior é que eu já tinha até me empolgado. Nem reclamei quando ele vetou minha regata e me mandou ir de calça comprida - que depois consegui trocar pruma bermuda até o joelho. "É, só não me vai com esses seus calções" (calções, pra quem nunca ouviu é o sinônimo inventado pelo pai pra palavra 'shorts'). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já planejava o que fazer com meu domingo recém-liberado, ele me liga pra dizer que eu podia, sim, ir. Uma das meninas mais antigas da TUP (o que é incrível já que ela não aparenta ter mais do 20 e médios anos, como diria Lucy) garantiu que não teria problemas e que elas tinham fechado um ônibus só de mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tá, então eu vou?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, você quem sabe, mas não tem problema" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tá... então eu vou!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo começava às 16h e eu já tinha feito todo meu esquema. De manhã vou tomar sol, depois pego o cachorro da minha tia emprestado pra passear, tomo um banho e encontro com o povo lá pelas 14h. Até que soube que o pessoal ia se encontrar ao meio-dia! O passeio com o dog foi cortado dos planos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio-dia e pouco meu pai me levou até o bar perto Palmeiras. O lado de fora do Palestra estava tomado por metaleiros que esperavam - alguns há dias - para ver o show do Iron Maiden. Perguntei pro meu pai o que ele preferia, a minha fase antiga (quando possivelmente estivesse naquele bolo) ou essa de agora, indo para o jogo junto com a TUP. Ao contrário do que pensei, a resposta veio fácil. "Só de você não usar mais piercing eu já fico feliz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei com meu irmão, que me levou de carro até a quadra da torcida. Fiquei com ele, meu primo e uns amigos dos dois até a hora de entrar nos ônibus, quando fui apresentada à tal veterana - uma loirinha super simpática - e a outras meninas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o tempo na quadra ficamos ali, eu e os meninos, encostados no carro. Chegavam ônibus da TUP zona sul, zona leste, ABC, Baixada e por aí vai. Fomos em nove ônibus, se não me engano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprimentei mil pessoas que eu não lembro do rosto - novidade - e nem soube o nome. Em um determinado momento, comentei, apontando para uma garota "olha, tá vendo? Tem menina de shorts e regata". Ele nem se deu ao trabalho de olhar pra mim quando respondia, displicente, "ela não é minha irmã!". Em seguida, se justificou, não sei se falando em relação ao meu pai ou aos outros caras, "o pior é que se acontece alguma coisa, não é você, sou eu quem vou ter que agüentar". Eu respeitei o argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os cuidados não ficaram só no vestuário. Em todo momento que estivemos na TUP, eu parecia uma criança no shopping. Não podia ficar sozinha de jeito algum. Nos últimos dias, meu pai já tinha dito mil vezes "você, vê se você cuida da sua irmã". Meu irmão, obediente, me levou com ele pra cima e pra baixo e, no único momento em que realmente precisou sair, fez do meu primo meu guardião. "Eu vou ali na frente. Você fiiiica aqui com ela". Nessa hora, como em tantas outras, eu caí na gargalhada. É difícil exibir um "frágil" estampado na testa, ainda mais quando se tem 1,77m e joga-se rugby. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você, vê se cuida da minha irmã". Esse foi meu irmão, plagiando meu pai, no momento em que me passou para os cuidados da amiga loira. Quem diria que eu é que sou quase seis anos mais velha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íamos no ônibus só de mulheres, mas a brincadeira durou pouco, como comentou uma das garotas. Aquilo, que mais parecia uma caixa de fósforos vermelha e amarela, foi invadido pelo povo da TUP ABC, que já anunciou "aê, gente, quem quiser sair, que saia agora. Esse ônibus vai quebrar. Todo ônibus que a TUP ABC pega acaba quebrando". E olha que não era difícil. De todos os ônibus, aquele era de longe o pior. Felizmente, essa previsão, juntamente com a outra, um pouco mais terrível, de que iríamos cair de cima da ponte, não se concretizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois soube que, de fato, não há povo melhor do que o ABC para pegar ônibus que quebra e arrumar briga. "Não teve ônibus só de mulher? Bom, pelo menos vocês estavam protegidas. Uma vez sete carinhas da TUP ABC encontraram uns 40 Gaviões. Os caras do ABC se recusaram a fugir. Os caras da Gaviões falaram 'vocês apanhar!'. Os da da TUP falaram a gente vai apanhar, mas não vamos fugir de vocês. Uns foram roubados, outros apanharam, até que a polícia chegou. Mas eles não fugiram", contaria, depois, meu irmão no caminho para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problemas com ônibus e com policiais atrasaram a saída um pouco. Para subir no veículo, era preciso abrir a bolsa e - teoricamente - levantar a camisa até a altura do umbigo. Eu, assim como tantas outras, entendi que aquilo era só para os homens e só abri a bolsa. Ninguém reclamou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já para chegar no Morumbi, nada melhor. Policiais de motos iam escoltando os ônibus e parando o trânsito para a caravana passar. Nenhum estresse dirigindo ou procurando lugar para parar o carro. No caminho, ainda aprendi mil musiquinhas. Algumas meninas exageraram um pouco e, na falta de coisa melhor, xingavam até o poste, literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de termos saído menos de uma hora antes do jogo, chegamos ainda no comecinho. O único contato com a torcida adversária foi visual, quando cheguei na arquibancada e olhei pra frente. Vimos o jogo, toda a mulherada junta. Mesmo cheio, não estava nem de longe apertado. Deu pra ficar cada uma em cima de um, às vezes até de dois banquinhos. A bateria da TUP não parava um só segundo e o bandeirão, verde e branco, voava por causa do vento e parecia uma enorme tenda - bem diferente para quem está acostumado com o vermelho e preto casperiano dentro de uma quadra sem ventilação ou luz. E fazia tanto tempo que eu não ia a um estádio que parecia estar vendo essas coisas pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o tempo sem ver futebol também me trouxe uma impressão esquisita. Durante os primeiros minutos, assistia ao jogo mas não conseguia achar nada de super interessante. Só passes, nada mais intenso. Depois percebi o problema. Provavelmente meu inconsciente esperava algum tackle, choque ou jogada mais de contato, coisa que não iria acontecer, simplesmente por ser futebol, e não rugby. Algum tempo depois, voltei a me empolgar com o jogo. Ainda mais porque o resultado foi perfeito: Palmeiras 1 a 0. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, nada de pressa. Os corinthianos saíram mais cedo do estádio, talvez tristes com a derrota. Então, a gente que esperasse. Quanto menor o risco de uma torcida encontrar com a outra, melhor. Só lá perto das 20h é que os policiais liberaram nossa carreata. Eram cerca de 30 ônibus, juntando todas as torcidas do Palmeiras, e que acabam indo pra mesma região. Nós voltamos junto com a TUP Itaquá, que foi invadida pela torcida feminina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que a Mancha e alguns fãs do Iron brigaram antes do jogo. Um jogando pedra no outro, mas na TUP, nada. E eu já terminava meu dia achando que tinha sido tranqüilo até demais. Chegamos na quadra, me despedi das meninas. Já estava até pensando que meu post ia ficar meio sem graça. Daí, quando já estava no carro, meu irmão fala "puta, fodeu" e mandou meu primo e o amigo dele trocarem correndo a camisa, já que os dois estavam com a regata - ou farda - da TUP (descobri que nem há tanto problema em estar com a camisa dos clubes. O que pega mesmo é você estar com algo da torcida). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo da Gaviões zona norte tava passando na porta da quadra. Aparentemente, isso é normal, porque é o caminho deles para pegar a Marginal, mas segundo contaram toda vez é um stress. Nunca se sabe quando eles estão só passando ou quando vão querer invadir. Por isso, todo mundo foi pra porta. Quer dizer, quase todo mundo né... eu e os meninos já estávamos no carro, prontos pra sair e meu irmãozinho, suficientemente estressado por manobrar em meio àquele bando de carros e motos deixados de qualquer jeito pra pensar em descer. Quando finalmente ele conseguiu sair com o carro, os caras já tinham ido embora... e a gente voltou pra casa feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-658158555739259376?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/658158555739259376/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=658158555739259376&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/658158555739259376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/658158555739259376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/03/um-dia-com-mais-vibrante.html' title='Um dia com a mais vibrante'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-7744143696444291618</id><published>2008-02-26T10:35:00.000-08:00</published><updated>2008-02-26T11:44:02.368-08:00</updated><title type='text'>Um desafio à lady</title><content type='html'>O princípio da lei de Murphy diz que se alguma coisa tiver qualquer chance de dar errado, ela vai dar errado. E ela é tão implacável que alguns engraçadinhos passaram a chamá-la de Lady Murphy, pra comparar com o possível sadismo das mulheres. Jogos sexistas à parte, é fato que a lei de murphy está irremediavelmente ligada a uma palavra do gênero feminimo: ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironia não é sarcasmo. Sarcasmo, segundo o dicionário, é uma ironia melhorada, grosseira, na verdade. Em um aspecto muito pequeno, você tira sarro da pessoa para mostrar o quanto a idéia apresentada não é boa, por exemplo. A ironia, por sua vez, tem um sentido muito mais amplo de oposição, como dizer alguma coisa com a intenção de fazer outra ou planejar algo que depois terá tido um final totalmente diferente - a base para a lei de murphy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por causa dessa tal lei que só tem chovido nos dias em que há treino e normalmente no final do dia, porque como já choveu no domingo inteiro, tem que fazer aqueeele sol na segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também por isso que a gente esquece o guarda-chuva justo nesses dias, por isso que quanto mais atrasada a gente está, mais tem trânsito na cidade, e parece que quanto mais a gente amaldiçoa isso, pior fica. Para tudo isso poderíamos dizer: "irônico. não?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do meu recente - e espero eu, temporário - mau humor, confesso que sou daquelas chatas que conseguem ver lado positivo em tudo. Ontem, por exemplo, havia treino e era meu rodízio. Peguei o do meu irmão emprestado. Sem nada de gasolina. E eu já estava muito atrasada, como aliás, em toda segunda-feira. Na verdade, dava pra chegar no trabalho, mas não pra ir até o treino. Tinha duas opções: ir correndo pro trabalho e colocar gasolina saindo do trabalho ou ou passar no posto agora e ficar ainda mais atrasada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a tal de de Murphy, se fosse direto pro trabalho, não ia conseguir sair na hora e ia chegar mais tarde ainda no treino. Já se fosse pro posto antes, ia ter algum problema no trabalho quando eu chegasse e no fim eu ia conseguir ir embora a hora que quisesse, só pra ficar com raiva, já que eu não teria precisado tomar a bronca de mais cedo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando as duas hipóteses, me deu um estalo que achei fantástico. Resolvi que ia jogar com Murphy a meu favor. Se eu passasse no posto antes ia chegar mais tarde e sair mais cedo... então, por que a dúvida? Trabalharia menos e ainda ia pro treino na hora. Bronca, todo mundo leva. Achei tudo aquilo lindo. A tal lady era bem possível que existisse mesmo e não era uma mulher perversa, mas simplesmente incompreendida. Quem soubesse argumentar com ela, como eu sabia, só iria se dar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pro posto, com calma. Ao chegar no trabalho, nenhuma bomba nem bronca. O único post que precisaria publicar estava pronto e eu, felicíssima por ter conseguido jogar com a lei a meu favor. Fui almoçar tarde porque tinha chegado tarde e, portanto, sem fome. Até então, tudo perfeito, minha teoria se comprovava. A lei elevada à lei dá um resultado bom pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ao chegar do almoço, meu chefe já estava lá havia algum tempo. Ele não viu que horas saí e portanto podia pensar que estava a não sei quantas horas na rua. Às 18h, pouco mais de duas horas depois de eu ter voltado do almoço, descubro que minha cachorra passou mal. Fiquei na dúvida se ia ao treino ou se passava em casa, via como ela está e aproveitava pra ir na aula de dança. Às 20h (horário que começava o treino), meu chefe me ligava pra contar que perdeu todo o material que seria publicado. Espero até as 21h, nada. Vou pra casa. Perdi o treino. Pra chegar na aula, que começava às 21h30, teria que passar em casa primeiro, ou seja, perdi a aula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando com a lei de Murphy, cheguei tarde pra sair cedo e ficar muito brava por ter chegado atrasada à toa, mas acabei voltando ainda mais tarde. Se tudo fosse segundo a tal lei, eu teria sido flagrada quando cheguei ao trabalho, mas em compensação isso aconteceu quando voltava do almoço. Numa situação normal, estando o post pronto, publicaria cedo e embora cedo iria. Pela lei de Murphy, alguma coisa ia dar errado e eu sairia tarde, depois de publicar. Na versão final, tudo deu tão errado que, apesar de ter ficado até as 21h, o material só foi publicado no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, a única coisa coerente é que eu realmente não precisava ter colocado gasolina antes de chegar ao trabalho, já que saí tão tarde que não tinha mais pressa pra nada. O resultado, então, mudou. A lei de murphy elevada à lei de murphy dá qualquer coisa esquisita e confusa, diferente do diferente, e que não é boa pra ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-7744143696444291618?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/7744143696444291618/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=7744143696444291618&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7744143696444291618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/7744143696444291618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/02/um-desafio-lady.html' title='Um desafio à lady'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4388457346720814427</id><published>2008-02-25T15:43:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T15:58:20.991-08:00</updated><title type='text'>Pane no HD, lapso da memória</title><content type='html'>Lembro que quando estava no colégio me impressionei quando um menino tinha me tido que o computador dele tinha um gigabite de HD (o chamado disco rígido do computador), o que significa mil megabites, ou seja, um milhão de quilobites (kb), que nem ao menos é a menor unidade de medida da informação dos computadores - mas menos do que isso a gente nem conta, seria quase como centésimos de Real. A questão, voltando, é... meus Deus, pra que tudo isso? Eu tinha apenas algumas dezenas de megas e já me sentia uma pessoa mais do que feliz. Naquela época ainda não existia mp3, câmera digital era uma raridade, os jogos eram mais simples (lembro da sensação que era Full Throttle) e os computadores, por sua vez, não precisavam de tanto espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, até o email tem um giga - dois, na verdade - e os equipamentos demandam cada vez mais recursos. Um amigo, pra comprar uma placa de vídeo realmente boa, resolveu primeiro comprar o game mais pesado que existe no mercado, para em seguida comprar a placa que o suportasse. Certeza de boa compra, por mais que - até então - ele não precisasse de tudo isso. Agora, viciou no joguinho, que a princípio ele nem queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O computador vira um companheiro e ganha a personalidade do dono. Acho lindo quando vou usar o micro de alguém e vejo os favoritos todos organizados, em pastas. A área de trabalho só com os itens que se tem uso constante. Meus documentos, minhas imagens, minhas músicas, tudo em perfeita ordem. Normalmente esse tipo de pessoa é organizado também longe da telinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já... eu (pra não entrar naquela de "pessoas como eu", simplesmente pra dividir a culpa com desconhecidos) não posso ser considerada um primor de organização nem no meu quarto, que dirá com um monte de dados dentro de uma caixinha. De vez em quando eu faço uma limpa no meu armário. Dôo as roupas que não quero mais, reorganizo as gavetas, passo a guardar blusas enroladinhas e divididas por cor. Também de vez em quando eu limpo os links salvos, deleto arquivos desnecessários, organizo pastas de fotos, músicas e textos. Nenhuma das duas arrumações dura mais do que seis meses. Porém, meu guarda-roupa nunca explodiu de tanta coisa e nem meu computador ficou por muito tempo com arquivos inúteis. Isso, aliado ao fato de eu não ter a menor paciência pra baixar músicas e muito menos vídeos na internet, fez com que meus arquivos, mesmo acumulados ao longo dos anos não ocupassem um espaço muito grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que me ajudou a ser mais... desapegada - com os arquivos, e não com as roupas - é a minha vocação natural para tester. Segundo meu pai, que trabalha com desenvolvimento, pra ter certeza de que o programa está perfeito, é só dá-lo na minha mão. Se ele tiver qualquer defeito que seja eu descubro em menos de cinco minutos. Lógico que não do jeito convencional, mas dando pau no bicho mesmo. A minha adolescência, quando trabalhava com ele, foi repleta de telas pretas de DOS com um quadradinho em vermelho escrito "ERROR BASE" com um número em seguida. O problema é que eu não quebrava só os programas desenvolvidos por ele. De alguma forma, que até hoje eu não sei, já cheguei a ter mais de mil vírus no meu computador, que infectaram uma quantidade não sei quantas vezes maior de arquivos, o que prova que eu e as máquinas nunca demos muito certo. Era uma relação constante, intensa, mas cheia de altos e baixos. E eis que no meio do ano passado troquei meu computador antigo por um que já veio com o maldito windows vista basic, que é mais confuso, pesado, não me deixa abrir mais de três programas de uma vez e, pior de tudo, não é compatível com o joystick que uso pro emulador do super nintendo. Só que isso eu só fui descobrir quando estava tudo instalado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de seis meses enrolando, resolvi fazer o tal backup para colocar o windows xp, azulzinho, simples de mexer, compatível com meu jogo, uma graça. Na primeira tentativa, não havia espaço suficiente pra todos os arquivos no disco que me foi emprestado. Na segunda, eu mandei copiar, colar. Meia hora depois, desconecto e começa a formatação. Na verdade, eu estava tão preocupada em achar as milhares de coisas que precisaria em outros site para concluir o processo que nem pensei em conferir. Quando já estava tudo pronto, percebo que nenhum dos meus arquivos está onde deveria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 6 gigas!!! Sim, pouco em comparação ao que a maioria das pessoas tem, mas eram os meus seis gigas, fotos, textos, músicas. O melhor de tudo que já passou pelo meu login e que sobreviveu a inúmeras seleções ao longo dos anos. Algumas coisas estavam lá desde a época do colegial. Uma década de memórias perdidas em apenas alguns minutos. Como tudo já havia sido reinstalado, não havia nem mesmo a possibilidade de recuperar os dados. Fiquei desolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha coisa importante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia o que responder. Ah, depende... o que é importante? Tinham meus textos, mas a maioria foi publicada também na internet. Tinham fotos, mas algumas eu posso conseguir com amigos, com o resto da família. Eu mesma, faz tempo que não tiro... as músicas são irrelevantes... alguns arquivos de cursos, mas isso ok... talvez nunca fosse olhar de novo mesmo. Não sei. É tanta coisa e ao mesmo tempo é nada. É currículo, é... não sei - da última vez que tive problema desses jurei que nunca mais ia usar outlook na vida. Tinha perdido emails importantíssimos, muito mais porque eu gostava deles do que porque era realmente importantes - Realmente não sei. Melhor não pensar... depois eu vejo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, um grito no outro canto da casa. Por sorte, o primeiro backup, feito em agosto, quando troquei de computador, continuava no tal hd. Meu pai, mais preocupado do que eu, talvez pensando nos não sei quantos mil gigas que ele não pode perder de jeito algum, se compadeceu da filha avoada e estava procurando. Até que achou. Em vez de seis gigas perdidos, agora era apenas um e meio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a pensar... o que é esse um e meio? O que é que eu posso ter feito em seis meses? Fotos. Do Natal talvez meu irmão tenha. Se não tiver, minha tia tem e não eram fotos tão importantes. Foi o primeiro sem meu avô, mas isso não é coisa de se lembrar. Se ainda fosse o último com ele, talvez. As de ano novo e carnaval os outros têm cópia, posso pegar de volta. O que mais eu fiz nesses últimos seis meses? Um bilhão e meio de bites que podem ser tanta coisa, mas que também podem não ser nada. É possível que esta história estivesse contada em pequenos fascículos, dentro do HD. Ele, se foi, a memória se deteriora. A minha, não a do computador. Então, como eu não lembro, melhor acreditar que não era nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4388457346720814427?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4388457346720814427/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4388457346720814427&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4388457346720814427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4388457346720814427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/02/pane-no-hd-lapso-da-memria.html' title='Pane no HD, lapso da memória'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-5476366593173158542</id><published>2008-02-20T07:25:00.000-08:00</published><updated>2008-02-20T07:29:50.475-08:00</updated><title type='text'>A tal da TPM</title><content type='html'>Enquanto comia aquela mistura estranha - gelatina de uva, leite condensado e sucrilhos - só conseguia pensar "meu deus, mulher... coitado do pai do teu filho. Se em dias relativamente normais você já é assim, imagina quando tiver realmente com desequilíbrio hormonal". Mas a dor na consciência não durava muito, não. Por mais incrível que pareça, aquilo era bom e ajudava em cheio na ansiedade causada pela tal TPM. Pelo menos, era nisso que eu acreditava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo por trás dessas três letrinhas é simples. O corpo da mulher tem como intuito básico a reprodução. Por isso, nos primeiros 14 dias ele direciona grande parte dos seus esforços para deixar a pele, o cabelo, tudo mais bonito. Nesse período é dever da criatura em questão usar desses artifícios para arranjar alguém que a fecunde. Já nos 14 dias seguintes, a preocupação é com o possível feto. No final dos 28, o organismo tira a prova se sua dona teve ou não a capacidade de engravidar e, em caso negativo, joga tudo o que não foi usado fora para começar de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TPM inicia no instante em que o nosso corpo se preocupa mais com a criança que não existe do que com nós mesmas, mas normalmente só é percebida nos últimos dias, quando o déficit de hormônios está no seu maior nível. É nessa hora que a gente sente aquele vazio no peito, uma vontade fazer alguma coisa que nem mesmo sabemos o quê. É como se faltasse alguma coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, falta. Faltam hormônios, mas a aparência é de que falta atenção, sentimento, reconhecimento, carinho e até mesmo um objetivo na vida. Basta qualquer fato mais relevante - como o fim do relacionamento entre os mocinhos da novela ou o nascimento de um jacaré, exibido no National Geographic - para que o olho se encha de lágrimas. A gente pensa "tadinhos" ou "ah, que lindo"! Mas só pensa, porque a garganta está travada demais para emitir qualquer som. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, comentários até mesmo sutis de outras pessoas significam agressões sem tamanho. Em resposta, tem mulher que chora, tem mulher que explode. E como explode. Há algum tempo, a TPM deixou de ser um mito. Mulheres que cometeram crimes passionais já tiveram a pena reduzida ao provarem que estavam nesse período complicado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trabalho, a sensibilidade tanto pode ser um fato positivo quanto negativo, já que, por conta dela, a mulher tende a ser mais instável. Regras de beleza e boa forma ajudam nessa tendência de ficarmos cada vez mais frias, racionais. Todos os dias há aquela preocupação em manter o peso, se controlar emocionalmente, ser profissional, não dar escândalos por besteira. Enfim... esquecer todo o nosso lado "menininha". Até que, por apenas uma semana, menos até, a gente se dá o direto de surtar, chorar, gritar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beber muita água, fazer exercícios, tudo isso ajuda, mas com toda certeza a melhor forma de diminuir os sintomas é se matar de tanto comer chocolate, sorvete, gelatina com leite condensado, manga com doce de leite - coisas que só fazem sentido em picos de ansiedade. O vazio existencial é curado com milhares de calorias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é sempre a falta de hormônios ou se já virou costume, não importa. A questão é que a TPM se tornou a chance do mundo feminino se libertar daquele monte de regras que nos impomos. É o nosso corpo que arranjou uma desculpa pra gente ser mais humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-5476366593173158542?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/5476366593173158542/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=5476366593173158542&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5476366593173158542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/5476366593173158542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/02/tal-da-tpm.html' title='A tal da TPM'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2868494898584034942</id><published>2008-02-15T19:20:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T19:28:13.985-08:00</updated><title type='text'>Pau-a-pique e pé-de-barro</title><content type='html'>O carnaval já passou, mas as lembranças ficam. Fui acampar no interior mineiro. Ok, eu sei. Acampar no meio do mato, sem energia elétrica... Tudo isso soa meio estranho pra quem me conhece. Mas devia isso para uma pessoa muito querida e, apesar choque cultural, sobraram histórias pra contar. E a cachoeira era maravilhosa. Então valeu à pena!&lt;br /&gt;A balada era uma casa de pau-a-pique no meio do nada. Pra chegar lá, do camping onde estávamos, precisava pegar uma estrada de terra mal iluminada (nos trechos em que havia alguma iluminação).&lt;br /&gt;Pra completar o clima roots, ela estava infestada de hippies e nativos, e tocava forró.&lt;br /&gt;A primeira vez me causou tantos traumas que, no caminho de volta, pela tal estradinha de terra com mais duas meninas, prometi pra mim mesma que não voltaria lá.&lt;br /&gt;Mas como não podemos botar a mão no fogo por nada que prometemos no carnaval, acabei voltando. Dois dias mais tarde em um Gol quadradinho com mais oito pessoas!!!&lt;br /&gt;Fui convencida pelos primos da minha amiga que haviam recém chegado. Imaginei que, em uma turma grande, acabaria me distraindo.&lt;br /&gt;Pasmem! Havia uma cantora de MPB, parece que sobrinha da dona do local, com uma bela voz. Dei o braço a torcer, dancei e me diverti. Mas desanimei quando acabou o show e ela anunciou que em breve a banda de forró tomaria seu lugar.&lt;br /&gt;Pois mal havia sentado e a namorada de um dos primos veio me chamar, porque um amigo seu queria me conhecer. Na hora não sei se fiquei mais pasma de pensar que alguém realmente acreditava que eu me levantaria de lá pra ir até ele, e não o contrário, ou se era porque fiquei imaginando quem ainda se prestava ao serviço de pedir pra alguém “agitar uma mina”.&lt;br /&gt;Não levantei. Algumas músicas mais tarde ele apareceu. Um cidadão grande, de uns 30 e poucos anos e da largura de um armário. Tava meio grandinho pra pedir pra agitarem qualquer coisa, né? Pois bem. Estava sentada ao lado de uma caixa de som e ele queria que fosse conversar com ele do lado de fora da casinha.&lt;br /&gt;Apesar de ter dito que não levantaria, ele insistiu dizendo que eu não o ouviria bem. Cansei! “Com todo respeito, não levanto daqui nem pra dançar com meus amigos, não vejo porque levantaria pra conversar com você. Se quiser, converso aqui, estou te ouvindo bem”. Ele se irritou, porque depois que falei isso, levantou e acompanhado de um gesto agressivo com os braços gritou que eu ficasse lá então. Hehe, mas não era exatamente isso que eu queria? Na hora pensei que o cara fosse me bater e que de longe esse seria o episódio mais bizarro da noite. Ledo engano!&lt;br /&gt;Já no fim da balado um cidadão nativo (nascido naquele fim de mundo, onde as pessoas ainda devem se assustar com antena parabólica), trinta e poucos anos, cabelos enroladinhos e regatiiiinha, começou a me olhar. Percebi e, como sempre, ignorei!&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, seu amigo que era uma espécie de César Cielo depois da febre amarela, e que olhava pra mulheres da maneira mais nojenta que já vi na vida, de longe começou a fazer gestos com os dedos indicadores de que eu e seu amigo deveríamos ficar juntos. Na hora fiz que não, assim nem teria o trabalho de dispensá-lo. Que nada, o cara veio me tirar pra dançar forró. Agradeci mas disse que não dançava. Só que ele insistiu.&lt;br /&gt;“ Hoje é seu dia de sorte, porque eu sou professor de forró”. O pior, falava isso com orgulho. Como não tinha/tenho interesse em aprender, disse que não queria. E ele já profetizou o que seria minha noite. “Não acha que desisti. Daqui a pouco volto”.&lt;br /&gt;Pois voltou. E repeti que não queria. E essa história se repetiu por várias vezes durante a noite, intercalada com sermões sobre eu não querer fazer amigos, e sobre eu não poder ir para não sei onde, no Espírito Santo, porque lá só tocava forró. Valeu a dica, pra eu nunca por os pés por lá mesmo!&lt;br /&gt;O amigo, o tal que parecia uma cópia mal feita do César Cielo, começou a dizer que ele deveria tentar falar em Mandarim, já que “ a japonesinha não estava entendendo o que ele tava falando”. Ai ai ai.&lt;br /&gt;“Ô pé-de-barro do caramba, Mandarim se fala na China. E a China e Japão são dois países diferentes. Incrível, né?”, respondi, com o ar mais prepotente que consegui encontrar.&lt;br /&gt;Meu humor, que já não estava lá em seus melhores dias, acabou de acabar com a demonstração de ignorância capiau.&lt;br /&gt;E o cidadão pareceu gostar da brincadeira de me irritar, porque não parou.&lt;br /&gt;Quando voltou a perturbar, decidi perguntar quantos anos tinha. Ele se assustou e disse que não fazia diferença. “Ué, você não queria conversar comigo? To tentando conversar com você”, disse ironicamente.&lt;br /&gt;“Tenho , 35, e você?”&lt;br /&gt;“Tenho 12 a menos”&lt;br /&gt;“Mas você quer que eu faça conta?”&lt;br /&gt;Aaaaaai, nem preciso falar que a conversa encerrou e fiquei com vontade de dizer que, com aquela idade, ele já devia, no mínimo, ter aprendido a chegar em uma mulher.&lt;br /&gt;Pouco tempo depois, levantei pra comprar uma coca-cola e ele, literalmente, pulou na minha frente e segurou meu braço. Fui seca:&lt;br /&gt;“Tira a pata! Amigão, desencosta agora”.&lt;br /&gt;“Calma, só quero dançar com você”.&lt;br /&gt;“Olha aqui, não to entendendo porque você tá me enchendo o saco, mas se você quiser me irritar, vai ser pior pra você. Quem ta pagando o mico na frente dos amigos, de ficar tomando bota da mesma pessoa a noite inteira é você”, disse e passei.&lt;br /&gt;Mas ele não desistiu. Ao mesmo tempo em que ouvia seus argumentos pela enésima vez, outro cidadão se prestou dizer que seu amigo queria me beijar. Foi a gota d´água! Desabafei irônica:&lt;br /&gt;“Ah, que maravilha, vamos formar uma fila logo pra beijar a menina que veio de São Paulo, vamos pegar senha. Afinal de contas, achei minha boca no lixo mesmo, sabe? Então, todos os nativos, todo mundo que quiser me beijar, fiquem à vontade. Francamente, é assim que funciona nesse fim de mundo?”&lt;br /&gt;Metade da balada caiu na risada e a outra metade ficou com os olhos arregalados. Acho que ninguém esperava essa reação. Que ótimo, afinal de contas, ia acabar a chateação. Que nada!&lt;br /&gt;Já no finalzinho da balada, ele sentou em um banquinho atrás do meu e começou a roçar o pé no meu. Que nojo! Na hora chamei um dos primos, que já nem sabia mais onde estava, e abracei-o.&lt;br /&gt;O cidadão pegou o bando e saiu do lugar. Por um tempo eles ficaram parados na entrada, e eu temi que estivessem esperando pra me bater. Do jeito que os primos da minha amiga estavam, eles não conseguiriam levantar um dedo pra me defender, ia ter de me virar sozinha. Depois de alguns momentos de tensão, o carro chegou e eles foram embora. Fim de noite, carona no bom e velho Gol quadrado, que estranhamente parecia mais confortável. Voltei pra barraca cansada, irritada, mas rindo do que havia acontecido e imaginando o que seria do resto do meu feriado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2868494898584034942?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2868494898584034942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2868494898584034942&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2868494898584034942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2868494898584034942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/02/pau-pique-e-p-de-barro.html' title='Pau-a-pique e pé-de-barro'/><author><name>Ariel Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01957771801676191548</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_OcQpY9l44fA/RrZ3tGc3egI/AAAAAAAAAAM/FXwsUDISZok/s320/image002.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-2436482966200233075</id><published>2008-01-31T12:38:00.000-08:00</published><updated>2008-02-01T04:40:24.672-08:00</updated><title type='text'>Quando o sentimento acaba</title><content type='html'>Incrível como um rosto que antes era tão querido hoje representa tão pouco. Aquele brilho no olho que parece querer entrar dentro de você, que te conhece tão bem, não recebe mais reciprocidade. Ao contrário, parece uma invasão, causa desconforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O toque meio sem jeito, as palavras de carinho, balbuciadas quase como pedindo licença - já que não há mais intimidade pra isso - continuam ali... no fundo, são os mesmos, poderiam ser confundidos com aqueles do começo da relação. Mas não. Alguma coisa dentro de você mudou. E o que antes provocava risos, alegria, hoje não é mais do que uma situação esquisita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar daqueles sentimentos há somente um vazio. Você lembra de tudo o que sentia, mas não consegue encontrar nem ao menos resquícios. O pouco que sobrou, se é que sobrou alguma coisa, traz um sentimento amargo, tal como aquele gostinho de chocolate que ficou horas na boca e em nada se parece mais com o doce original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver a pessoa antes tão querida e não sentir mais vontade de pular em seus braços, trocar carinhos. Sentir até mesmo repulsa em imaginar essas cenas provoca um turbilhão de sentimentos diferentes dentro da gente, uma massa podre que queria arrancar de dentro do peito, uma angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo aquilo pode ter sumido? Será que não foi de verdade? Duvidamos de nós mesmos, dos sentimentos que dizíamos ter pelo outro. Falsidade? Confusão? Coisa de momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As flores, antes favoritas, ganharam um significado ruim depois de terem ilustrado tantas voltas pós-briga. As orquídeas nunca mais serão as mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não seja mesmo culpa de ninguém. Simplesmente não deu. Mesmo assim, a falta desse sentimento nos deixa tristes. É como se gostar de alguém nos fizesse pessoas melhores. Por isso a dificuldade e a tristeza ao percebermos que realmente acabou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-2436482966200233075?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/2436482966200233075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=2436482966200233075&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2436482966200233075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/2436482966200233075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/01/quando-o-sentimento-acaba.html' title='Quando o sentimento acaba'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-6840640775955233336</id><published>2008-01-30T13:32:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T05:32:31.812-08:00</updated><title type='text'>Liberdade demais enlouquece</title><content type='html'>Dizem que a melhor (ou talvez única) forma de segurar um elefante é acostumá-lo desde pequeno às correntes. Se você mostra ao filhote que não adianta, que, por mais que ele tente, não vai conseguir fugir, ele uma hora cansa. O bicho cresce, mas não percebe que já pode estourar aquilo. Por maior que ele seja, não vai ser preciso aumentar os ferros proporcionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas famílias, a menina, principalmente, se comporta como um elefante. Quando pequena pede mil vezes pra sair, voltar às 5h, 6h da manhã, dormir fora de casa. Algumas estão tão acostumadas com a rédia curta dos pais que, com o tempo, acabam evitando pedir para não criar desentendimentos. "Eu sei que eles não vão deixar, então pra que vou arranjar briga à toa?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher e ainda por cima filha, neta mais velha, ou eu acostumava ou não saía. Acho que não preciso dizer o que aconteceu. O simples tema desse blog já mostra o caminho escolhido. Estourei as correntes, mas continuava com o resto dela amarrado na perna, como se fosse uma ligação simbólica com o circo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, minhas saídas eram só shows, durante ou no final da semana. Depois, baladas - todo final de semana, já que morava ali do lado, mas só de final de semana. A fama de baladeira se espalhou e os convites se multiplicaram. Amigas que não têm com quem sair já ligavam e os grupos foram aumentando. Ao entrar na faculdade, começar a trabalhar, o mundo social aumentou e teve semanas em que saí literalmente de terça a domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas daí chega uma hora que cansa, as baladas sempre iguais, e chegou a fase de dar as próprias festas - pequenas reuniões em casa que chegaram a ter mais de 20 pessoas num apartamento que nem de longe era grande o suficiente pra isso. Essas comemorações duraram até meus pais, preocupados com a freqüência de uma ou outra pessoa mais estranha, darem um basta na brincadeira. Sim, porque em nenhum momento a relação pais-baladas foi tranqüila. Toda saída durante a semana na minha adolescência - e pós adolescência - resultava em um sermão atrás do outro, sob os argumentos de que não iria agüentar, precisava dormir, descansar, que desse jeito ia me matar. "Você sabe que a cada dia que você passa sem dormir você perde um ano da sua vida?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais velha que ficasse, as broncas continuavam. Ao mudar de apartamento, mais longe do trabalho e do roteiro de bares do que o outro, passei menos tempo em casa, o que foi motivo para diversas chantagens emocionais. "Você não gostou dessa nova casa, né?", "Ah, eu tenho que tirar essa parede vermelha do seu quarto. Não é à toa que você não pára quieta... esse vermelho deve emitir algumas vibrações diferentes"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra me fazer passar em casa depois do trabalho antes de sair de novo, minha mãe resolveu que não ia mais dar comida pra minha cachorra à noite. Se não quisesse que o bichinho passasse fome, que voltasse pra casa. O clima melhora e piora dependendo talvez dos astros, quem sabe do humor dos meus pais, da cotação do dólar... não dá pra explicar, mas conforme o mês está mais fácil ou mais difícil lidar com isso, como já devem ter percebidos todos que têm pais ditos normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acontece que, pouco a pouco, eles resolveram ter uma qualidade de vida melhor. Barzinhos no final da tarde, as viagens nos finais de semana ficaram mais freqüentes e, graças a horários cada vez mais flexíveis, começaram as viagens também durante a semana. Foi com grande surpresa que, ao voltar pra casa um dia desses, ouvi da minha mãe, brava porque já passava das duas da manhã, que ela não iria para a praia no dia seguinte, mas pro sítio e que lá ia ficar pelas próximas duas semanas, mas que era lógico que eu não sabia disso porque não parava em casa. Ela, meu pai, minha avó (que passava férias com a gente) e minha cachorra. Todos fora. Em casa, só eu, meu irmão e os peixes do aquário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que poucas vezes fiquei tão perdida na vida. Não precisava mais voltar pra casa pra nada. Pros peixes era fácil de dar comida. Eu jogava aquelas plantinhas de manhã e de madrugada, alguém à noite e, se peixe realmente não dorme, o de madrugada não precisava ser sempre no mesmo horário. Como resultado, em nenhum dia voltei direto. Já que nem eu nem meu irmão cozinhamos, jantar era uma desculpa pra ir pro bar. Depois de um tempo, não agüentava mais comer sanduíche. Já no final de semana (nos dois finais de semana) São Pedro afogou meus planos e fez chover o dia todo. Acabei saindo só à noite. Meu irmão, se, ao contrário de mim, já não tinha muitas regras ("eu não tenho medo que teu irmão saia porque ele tem medo, já você é meio louca, vai pra tudo quanto é canto") ficou ainda pior. Mal nos vimos durante esse tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira, véspera de feriado, os peixes já quase mortos e dentro de um aquário imundo de tanta comida, começou a melhor das maratonas. A idéia era primeiro ver um amigo tocar, depois encontrar meu grupo de faculdade no outro lado da cidade e, por fim, decidir se ia pra praia ou não. Por causa do trabalho, não consegui ver o show. Depois de usar a internet do McDonald's, fui direto pro bar, ver um povo que não encontrava há dois anos. Era meu dia de voltar a beber, então uma caipirinha e uma cerveja em comemoração. Chegando em casa, às 4h, arrumo a mala, durmo 1h30 e sigo pra encontrar Lucy. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias na praia, com aventuras dignas de Jones, e voltamos domingo cedo. O tempo bom que estava no litoral não tinha chegado a São Paulo, mas eu só descobri isso quando faltava meia hora pra alcançar a marginal. Meio deprimida de pensar em outro dia dentro de casa, vejo uma plaquinha que praticamente brilhava "Rio de Janeiro / Taubaté". Tava cedo ainda... 10h30 da manhã. Pegar a estrada rumo ao sítio significava encarar mais uma hora e meia de estrada (exatamente o que tinha rodado até então). Olhei mais uma vez pro céu e quando vi, estava no caminho oposto, sentido interior. Se meus pais tivessem em casa, provavelmente brigariam de eu pegar a estrada de novo, enfrentar o trânsito de volta de feriado à noite, cansada, ir e voltar no mesmo dia, dirigir mais de 6 horas no total. Mas a liberdade me deu saudades. Fui pro interior só pra ouvir "ah, só você pra fazer isso... mas, que bom que veio". No fim, o circo, as correntes viciam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-6840640775955233336?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/6840640775955233336/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=6840640775955233336&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6840640775955233336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/6840640775955233336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/01/liberdade-demais-enlouquece.html' title='Liberdade demais enlouquece'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-4550317189788941919</id><published>2008-01-20T07:31:00.000-08:00</published><updated>2008-01-20T12:12:47.527-08:00</updated><title type='text'>A vida como num conto de fadas</title><content type='html'>"A gente tá saindo todo dia, há mais de uma semana e, por mais que eu peça, ele ainda não pegou meu telefone e nem me deu o dele"; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele sempre fala que quer marcar alguma coisa, mas nunca passa disso, ou, quando liga, é em cima da hora. Que que ele acha? Que eu tenho que ficar com a agenda aberta, esperando?";&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se é pra ficar com outras na minha frente, por que continua me dando esperanças?"; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu juro que tento, mas não consigo ficar sem ligar. Daí a gente sai, fica junto e no dia seguinte ele volta a ignorar minhas ligações"; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele liga, manda mensagem, diz que é de mim que ele gosta, mas não larga a namorada de jeito nenhum"; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim, ele é um idiota, mas o que posso fazer? Eu gosto dele"; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sei que é errado, que vou me machucar depois, mas no momento ele tá me fazendo bem"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas são só algumas críticas. Daria pra fazer um post inteiro só com citações recentes, mas daí não teria fim mas só lamentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a dona da última frase, não existem mais príncipes encantados hoje em dia. Segundo uma outra amiga, o príncipe encantado é simplesmente "alguém que me trate com respeito e que goste de mim". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Péssimo pensar que todos os sonhos de infância com o cara ideal tenham se restringido a isso. Pior ainda é pensar que nem mesmo alguém que goste da gente e que nos respeite não está tão fácil de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos uma vez eu queria ouvir: "ah, conheci um cara novo. Tão legal. Educado. Solteiro. Não espera até a última hora pra me convidar pra sair. Me dá segurança. Começamos a ficar há pouco tempo e já conheci alguns de seus amigos". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, poderia ficar só feliz por minhas amigas. Em vez disso, cada história desperta uma nova rodada de preocupação e, às vezes, broncas. Se bem que mesmo essas têm ficado menos constantes. Ser cabeça dura não é um privilégio das Jones. O mulherio em geral costuma adorar dar com a cabeça na parede. Então, em vez de falar com as portas, a gente acaba desistindo e simplesmente fica perto, esperando pra ajudar quando a casa cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é engraçado como a gente se sujeita a isso. Um dia uma pessoa me perguntou qual era o meu problema. "Por que (mil elogios depois), você deve ter algum problema para estar solteira". Não soube responder, lógico, e, algum tempo depois, um amigo me disse que deveria ter respondido "o problema são os homens, não eu".  Adorei a resposta, mas não acredito que seja verdade. Pensando bem, o problema acho que está nas nossas escolhas. O tipo de pessoa de quem gostamos, os valores que mais prezamos, além da aceitação do tipo de comportamento acima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegar um cachorrinho e depois descobrir que ele tá doente é um risco, não tem muito o que fazer. Agora, se você vê que o bicho tá com o pêlo todo falhado, comido e mesmo assim resolve ficar com ele, não do quê reclamar. Essa atitude até poderia ser chamada de idiotice, mas acontece que "ah, ele é tão bonitinho" que acaba valendo a pena arranjar a tal sarna pra se coçar. E quem já não fez isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que seja com a pretensa desculpa de não se envolver, para deixarmos de ficar sozinhas, permanecer com quem gostamos ou mesmo esquecer alguém tão ruim quanto (ou até mesmo pior) a gente aceita sair com tipos não tão legais. Além do que, mulher tem esse costume horrível de achar que vai consertar os homens (se é que existe alguma coisa a ser consertado). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me recusei a concordar que "homem é tudo filho da puta", mas confesso que ultimamente tem sido cada vez mais difícil defender a raça. Não que eles não tenham culpa. Têm sim, e muita. Mas a gente também não pode se eximir da nossa. Acontece, que se ele é galinha, é porque tem mulher que deixa. Se ele chifra, alguém foi conivente. Se você hoje é a outra, amanhã pode ser a chifrada. Às vezes, mesmo quando a gente parece que encontra alguém, aparece uma bruxa, tão perversa quanto a medusa do mar, espreitando para tentar roubar o príncipe alheio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem perceber, a gente de vez em quando se torna a vilã de uma história. Depois, reclama que homem não presta, mas a verdade é que nós contribuimos pra esse tipo de comportamento, pro fim dos contos de fada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/32978877-4550317189788941919?l=eraumavezanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/feeds/4550317189788941919/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=32978877&amp;postID=4550317189788941919&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4550317189788941919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/32978877/posts/default/4550317189788941919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezanoite.blogspot.com/2008/01/vida-como-num-conto-de-fadas.html' title='A vida como num conto de fadas'/><author><name>Patty Marie Jones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08753929396707468530</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_s2Uvvj9S6UY/SdN0oFCYXvI/AAAAAAAAGT4/2l0MuQLFFEQ/S220/snapshot2'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-32978877.post-1099247268380363507</id><published>2008-01-10T19:41:00.000-08:00</published><updated>2008-01-16T13:53:02.931-08:00</updated><title type='text'>This is so last year</title><content type='html'>Sabe aquele poema que postei recentemente (post "Tá na hora de escolher a calcinha"), de Carlos Drummond, que fala sobre a renovação, virada de ano e tal? Acho que deveria tê-lo guardado para colocar no começo do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente costuma terminar dezembro com mil planos, faz inúmeras promessas, mas confesso que tinha me esquecido de uma parte: é frustrante chegar dia 2 e perceber que tudo continua a mesma coisa. Apesar de estar com um ânimo novo pra mudar os rumos, a realidade continua a mesma e dá uma preguiiiça pensar no trabalho que vai dar pra alterar tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy me disse recentemente ter ouvido de uma amiga que ela estava numa fase única, em que pode levar a vida dela pra onde quisesse, começar do zero, sem amarras. Ela percebeu que é verdade e talvez tenha ganhado um pouco de ânimo com a constat
